Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

Nova Chance Para Amar – Capítulo 36 (Últimas Semanas)

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

DANIELA

EDILEUSA

ELISA

GABRIELA

GUILHERME

GUSTAVINHO

JOSIAS

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

REINALDO

RODRIGO

SALINA

SÉRGIO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

DELEGADO, MARÍLIA e POLICIAIS.

CENA 01. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

Maurício continua a bater na porta desesperadamente. Elisa ainda ajoelhada no chão, chorando profundamente. Instantes.

MAURÍCIO        —    (OFF, Preocupado) Elisa? Elisa? O que tá acontecendo aí?

CAM mostra de Plano Baixo, Rodrigo abrindo os olhos e empurrando o corpo de Marcos para o lado. CAM detalha a peixeira na barriga de Marcos, que já está sem vida.

ELISA                —    (Assustada) Rodrigo.

Rodrigo se levanta e passa a mão para pela barriga para se certificar de que não foi ferido por Marcos.

RODRIGO         —    (Perplexo) Meu Deus, Elisa! Eu matei uma pessoa!

ELISA                —    Ele ia te matar, Rodrigo.

RODRIGO         —    Eu sou um assassino.

Elisa corre e abraça ele.

MAURÍCIO        —    (OFF, Batendo na porta) Gente, pelo amor de Deus! Alguém me responde! Vocês estão bem?

ELISA                —    (Gritando) Tá tudo uma loucura, Maurício!

MAURÍCIO        —    (OFF) Como assim? O Marcos fez alguma coisa com vocês?

Rodrigo vasculha o bolso da calça de Marcos e tira a chave. Elisa pega e abre a porta. Maurício entra e reage perplexo ao ver corpo de Marcos.

MAURÍCIO        —    (Perplexo) Meu Deus!

ELISA                —    Ele avançou pra cima do Rodrigo.

RODRIGO         —    Eu juro que eu não queria, mas ele… (chora)

MAURÍCIO        —    Calma, Rodrigo. Sei que você não faria isso. Foi em legítima defesa.

ELISA                —    Meu filho! Eu tenho que achar o meu filho!

Elisa vai para a cozinha, arrematando.

ELISA                —    (Chamando) Dona Salina? Gustavinho?

Maurício vai atrás de Elisa. Rodrigo permanece ali ainda perplexo a olhar para o corpo de Marcos.

CORTA PARA:

CENA 02. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. COZINHA. INT. DIA.

Elisa vem da sala.

ELISA                —    Gustavinho? Aparece, filho!

Maurício vem da sala.

ELISA                —    (Chorando) Ele fez alguma coisa com meu filho, Maurício.

MAURÍCIO        —    Calma, Elisa. Eu sei que o Marcos é um louco, mas acho que ele não seria capaz de fazer nada contra o próprio filho.

ELISA                —    Você não entende, Maurício. Foi tudo tão rápido que parece que ele tinha tudo premeditado! Ele sabia que eu viria com o Rodrigo, ele disse isso.

MAURÍCIO        —    Vamos procurar por toda essa casa! Daqui eles não devem ter saído!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 03. ANGRA/ FRADE. RUA DA CASA BEIRA PRAIA. EXT. DIA.

Uma viatura da polícia se aproxima rapidamente e para. Dois policiais saltam e seguem se aproximando da casa. Há mais curiosos ali do que no capítulo anterior.

CORTA PARA:

CENA 04. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. CORREDOR. INT. DIA.

Elisa tenta abrir uma das portas, mas esta está trancada.

ELISA                —    Tá trancada, Maurício!

Maurício se aproxima e coloca os ouvidos na porta.

MAURÍCIO        —    Parece não ter ninguém nesse quarto.

ELISA                —    Temos que abrir e ver!

MAURÍCIO        —    Será que a chave não tá por aqui?

ELISA                —    Chave, Maurício? Pelo amor de Deus, né?! Tem que arrombar a porta!

Fecha em Maurício hesitante. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.

Rodrigo sentado no sofá olhando o corpo de Marcos ali pelo chão. Ele leva a mão até a cabeça não acreditando no que aconteceu. Dois policiais entram.

POLICIAL 1      —    Mãos ao alto!

Rodrigo se levanta e ergue as mãos.

POLICIAL 2      —    Vamos precisar de reforços.

Policial1 se aproxima de Rodrigo e o algema

POLICIAL 1      —    O que você foi fazer da tua vida, hein, meu amigo?!

RODRIGO         —    Eu só queria me defender policial! Ele ia me matar!

POLICIAL 1      —    Guarde as suas explicações pro delegado.

POLICIAL 2      —    (Ao rádio) Homicídio na rua 3 da orla do Frade. Um suspeito ensanguentado no local. Solicitamos reforços.

Policial 2 segue cauteloso, com a arma em punho para os quartos.

CORTA PARA:

CENA 06. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. QUARTO. INT. DIA.

Maurício arromba a porta. Ele e Elisa entram, mas o quarto está vazio.

ELISA                —    Meu filho não tá aqui.

MAURÍCIO        —    Será que a mãe do Marcos não levou o menino pra outro lugar?

ELISA                —    Não! Eu tive poucas chances de conversar com a dona Salina, mas ela sempre foi uma mulher íntegra!

MAURÍCIO        —    Tem certeza, Elisa? Você mesma deve ter se casado com o Marcos achando que ele não seria capaz disso. E olha agora.

ELISA                —    Será que a dona Salina faria uma coisa dessas?

Policial 2 entra.

POLICIAL 2      —    Mãos onde eu possa ver!

Ambos imediatamente se rendem. Closes alternados em Elisa e Maurício que se olham, rendidos. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 07. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa ali lavando louça. Viviane vem da sala.

VIVIANE            —    Um sucesso, Edileusa.

EDILEUSA        —    Ah, Vivi Superiora.  Sim, o plano foi um sucesso.

VIVIANE            —    Ganhei meu dia com essa mulher longe da minha casa e da minha família.

EDILEUSA        —    É, mas eu tô aqui pensando… Será que não é possível ela voltar e provar que é inocente?

VIVIANE            —    E como ela faria isso?

EDILEUSA        —    Sei lá. Só tô com medo disso acontecer.

VIVIANE            —    Impossível, meu amor! A não ser que você tenha deixado rastros.

EDILEUSA        —    Eu? Claro que não!

VIVIANE            —    Então não temas, Edileusinha… Tudo vai ficar como está.

EDILEUSA        —    Que bom. E o seu Rodrigo?

VIVIANE            —    O que que tem ele?

EDILEUSA        —    Ele não vai voltar?

VIVIANE            —    Embora isso não te interesse, acho que você merece saber pelo seu desempenho positivo na nossa não sociedade.

EDILEUSA        —    Como assim?

VIVIANE            —    Claro, queridinha. Você acha mesmo que eu vou… (para e pensa, OFF) Não vou excluir ela agora. Ela pode ser muito útil.

EDILEUSA        —    Vivi Superiora?

VIVIANE            —    (Simpática) Oi. É que eu tava pensando numas coisas aqui. Quanto ao Rodrigo, minha meta agora é trazer ele de volta.

EDILEUSA        —    Ai, que bom! Vocês formam um lindo casal.

VIVIANE            —    Eu sei, querida. Bom, agora eu preciso resolver algumas coisas.

EDILEUSA        —    Claro.

Viviane volta à sala.

EDILEUSA        —    (p/si, feliz) Tô cada vez mais próxima da Vivi Superiora! Ai que sonho!  (tom alto) Maravilhosa! (coloca a mão na boca) Se dona Beatriz me ouve falando nessa altura, é capaz dela não gostar.

Edileusa volta a focar na louça suja.

CORTA PARA:

CENA 08. ANGRA/ FRADE. RUA DA CASA BEIRA PRAIA. EXT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Mais viaturas da polícia ali cercando a casa. Curiosos mais distantes do local do crime. Polícia faz o isolamento da casa do crime. Instantes. Rodrigo todo ensanguentado sai da casa acompanhado do Policial 1. Em SLOW MOTION, CAM subjetiva na visão de Rodrigo, detalha as afeições de horror dos curiosos, que estão revoltados.

CURIOSO 1      —    Assassino!   

CURIOSO 2      —    Criminoso!

CURIOSO 3      —    Entrou na casa pra matar o cara!

CAM abre o plano, Rodrigo é colocado dentro de uma viatura.

Elisa e Maurício também saem da casa algemados e acompanhados de mais dois policiais.

ELISA                —    Eles não podem me prender desse jeito!  Eu quero saber onde está o meu filho!

POLICIAL 2      —    Fica calma, senhora. Seu filho será encontrado.

Ambos são colocados juntos e outra viatura

ELISA                —    Eu quero saber do meu filho!

MAURÍCIO        —    Agora a polícia vai encontrar ele, Elisa, fica calma.

ELISA                —    Se tem uma coisa que o Marcos fez, foi provou que é capaz de qualquer coisa!  (Aflita) O que ele fez com a dona Salina e com o meu filho?

Closes alternados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Laura se senta para conversar com Jô distante de Severo e Nandão.

LAURA              —    Jô, eu estava aqui pensando agora. Você não sabe o que aconteceu com o Rodrigo?

JOSIAS              —    Nunca mais tive notícias. Tô achando que o Pierre deve ter morrido. Ele era o único que ainda me ligava uma vez por mês.

LAURA              —    Ah, sim. Que pena. Deve tá um homão agora, né?

JOSIAS              —    Já faz mais de quinze anos. Rodrigo tem mais de 30 anos agora.

Corta para a mesa de Severo e Nandão:

SEVERO           —    Olha lá, Nandão. Laura correu pra se sentar na mesa daquele Garcia mau-caráter.

NANDÃO           —    Desencana, Severão. Ele tava lá paradão e ela só tá conversando com ele.

SEVERO           —    Será que nem mesmo os colegas do Táxi vão me apoiar mais!

NANDÃO           —    Na boa, Severão. Já passou da hora de vocês darem um fim nessa guerra interminável das famílias.

SEVERO           —    Nunca! O que um desses (desdém) Garcia já fez, nunca será perdoado!

NANDÃO           —    Você quem sabe. Mas todos acham isso já foi longe demais.

SEVERO           —    Todos quem? Essa guerra é entre os Borges e o mau-caráter dos Garcia! Quem tiver outro sobrenome não tem o direito de se meter!

NANDÃO           —    Será que algum dia você vai deixar esse seu jeitão meio “severo”? Você faz jus ao nome que tem!

SEVERO           —    Laura deveria estar se preocupando com a Elisa na casa do louco do Marcos, e não de conversinha fiada com esse (desdém) Garcia.

CORTA PARA:

CENA 10. ANGRA. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.

Delegado ali lendo alguns documentos. Rodrigo, Elisa e Maurício são colocados diante do Delegado.

ELISA                —    Mas o que é isso? Eu não sou marginal pra ser tratada desse jeito!

MAURÍCIO        —    Peguem mais leve com a moça!

DELEGADO     —    (Firme) Mas que confusão é essa dentro da minha sala?!

POLICIAL 1      —    Os três foram encontrados no local do crime, delegado.

DELEGADO     —    O do bairro do Frade, não é isso?

POLICIAL 2      —    Exatamente, senhor.

ELISA                —    (Implora) Delgado, o senhor tem que me ajudar! Pelo amor de Deus! Eu imploro, suplico pra vocês acharem o meu filho!

RODRIGO         —    O Marcos sequestrou o menino!

DELEGADO     —    Fica calma, minha senhora. Fica calma que seu filho será encontrado. (p/policial) Leve o principal suspeito pra cela.

Rodrigo é retirado da sala acompanhado do Policial 1.

ELISA                —    Vocês não podem acusar o Rodrigo! O Marcos ia matar ele! Tava com uma peixeira enorme esperando a gente chegar!

DELEGADO     —    Fica calma! (P/Policial 2) Traz um copo d’água pra ela.

Policial 2 sai da sala. Close em Elisa aflitíssima. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 11. CLÍNICA. LABORATÓRIO. INT. DIA.

Guilherme ali a analisar a mostra da seiva numa plaqueta, luz sobre a seiva. Gabriela extrai a mesma com uma seringa e despeja num tubo.

GABRIELA       —    Ainda bem que você levou os equipamentos necessários para a extração da seiva.

GUILHERME    —    Eu não queria fazer viagem perdida. Levei tudo.

GABRIELA       —    Essa é uma das coisas que eu mais gosto em você, sabia? Tá sempre preparado, quando eu desmorono, você está aqui sempre me apoiando.

GUILHERME    —    Obrigado, Gabriela.

GABRIELA       —    Pelo quê?

GUILHERME    —    Por me deixar fazer parte disso tudo! Além de estar ao lado da pessoa que mais amo nesse mundo, ainda estamos buscando respostas para ajudar a Dani.

GABRIELA       —    Não só a Dani. Não cometa o mesmo erro que eu.

GUILHERME    —    Tudo bem. Corrigindo: buscamos ajudar o mundo!

GABRIELA       —    Agora sim. (ela dá um selinho nele)

GUILHERME    —    Agora que podemos continuar do mesmo ponto em que você parou há quinze anos, talvez não fosse o caso de considerar alguém pra fazer a testagem?

GABRIELA       —    Vamos fazer o seguinte: a gente continua com os trabalhos e depois pensamos nisso.

GUILHERME    —    Tudo bem.

Atenção Sonoplastia: Cel de Gabriela começa a tocar.

GABRIELA       —    É lá de casa. (Ao cel.) Alô? (Pausa) Oi, Marília. (Reage forte) Como é que é?

Guilherme fica preocupado.

GABRIELA       —    (Ao cel.) Tudo bem. Eu tô indo praí agora. (ela desliga.)

GUILHERME    —    O que aconteceu?

GABRIELA       —    A Dani.

GUILHERME    —    Ela tá bem?

GABRIELA       —    Tá. É só que… Foi o primeiro dia dela no colégio desde tudo que aconteceu e ela teve um dia ruim. Eu tenho que ir.

GUILHERME    —    Claro. Vai a Dani tá precisando de você.

GABRIELA       —    (Pega sua bolsa) Vou indo.

GUILHERME    —    Depois me liga.

GABRIELA       —    (Saindo) Tá bom.

Gabriela sai. Guilherme volta a analisar a seiva da árvore no tubo.

CORTA PARA:

CENA 12. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. DIA.

Sérgio ali sentado. Regina vem do quarto.

REGINA             —    Sérgio, eu preciso ir até o escritório resolver algumas pendências do dia.

SÉRGIO             —    Tudo bem.

REGINA             —    Você vai ficar bem aqui sozinho?

SÉRGIO             —    Vou, sim, Regina. Pode ir tranquila.

REGINA             —    Tá bom. Mas não tente fazer muito esforço que você ainda deve estar dolorido.

SÉRGIO             —    Pode deixar que eu não vou sair desse sofá.

Regina sai. Sérgio se levanta com dificuldade e geme de dor.

SÉRGIO             —    (P/si) Desgraçado do Kléber quase acaba comigo. Regina nunca foi confiável. Depois de tudo de repente quer me manter aqui sob os cuidados dela? Tem alguma coisa aí. E eu preciso descobrir o quê.

Ele vai em direção ao corredor.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Amanda, Belinha e Camila ali e todas as demais mulheres a trabalhar. Regina entra e anda pela área de produção.

REGINA             —    (P/Todas) Minhas meninas! É por isso que eu sempre pensei: as mulheres são mais que os homens. Parem pra pensar, meninas. Imaginem o desastre que isso aqui seria se os homens fizessem esse trabalho encantador de vocês.

AMANDA           —    (P/si, entredentes) Muito cara de pau!

REGINA             —    (P/Todos) Bom, não quero tomar muito o tempo de todas vocês. Apenas vim fazer o comunicado que a partir de agora, desde instante, esta fábrica será administrada por uma só líder. Eu. Portanto, estarei cada vez mais atenta aos detalhes. Nada será deixado de lado a partir desse momento. Vou marcar juntinho. E qualquer erro, terá consequências! (Faz a simpática) Bom trabalho pra vocês!

AMANDA           —    Dona Regina, eu poderia falar com você?

REGINA             —    (Se aproxima dela) Sobre o que seria?

AMANDA           —    Eu queria avisar à senhora do sumiço do Sérgio. Belinha já procurou por ele e nada.

REGINA             —    Não se preocupe, Amanda. O Sérgio está em boas mãos.

Regina sobe a escada para o escritório.

BELINHA          —    Boas mãos?

CAMILA             —    O que ela fez com o Sérgio?

Closes alternados nas três sem entender e aflitas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. ANGRA. DELEGACIA. CELA. INT. DIA.

Elisa sozinha numa cela. Na cela de frente, está Maurício.

ELISA                —    O delegado não pode manter a gente aqui sem ao menos ouvir o que a gente tem a dizer!

MAURÍCIO        —    Infelizmente não tem muito que a gente possa fazer, Elisa.

ELISA                —    Eles tão achando que a gente se juntou, como uma quadrilha pra matar o Marcos.

MAURÍCIO        —    A gente tava lá, né? Somos os únicos suspeitos.

ELISA                —    (Aflita) E eles não vem falar nada se acharam a dona Salina e o meu filho!

MAURÍCIO        —    Vamos manter a calma, Elisa. Vamos ter pensamentos positivos de que tudo vai terminar bem.

ELISA                —    Terminar bem, Maurício? Olha onde a gente tá! E ainda o Rodrigo tá lá na sala do delegado. Nem sei o que tá acontecendo com ele!

CORTA PARA:

CENA 15. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Beatriz ali sentada. Ramiro e Marcelo chegam da empresa.

BEATRIZ           —    Uma das vantagens de ser um dos herdeiros da empresa é que você sai à hora que quer.

RAMIRO            —    Boa tarde pra você também, querida irmã.

BEATRIZ           —    Falsidade há essa hora, Ramiro?

MARCELO        —    Já que eu não fui convidado para ir no tour como o Rodrigo foi, tanto faz a hora que chego nessa casa!

BEATRIZ           —    Como assim? Que tour é esse?

RAMIRO            —    A gente precisa conversar, Beatriz. E no escritório!

BEATRIZ           —    Nossa! A coisa parece séria! Vamos.

Os dois sobem a escada.

MARCELO        —    (P/si) Impressionante como nessa casa se fala em código! Quer dizer, até nos códigos eu sou excluído! Mas eu mereço saber o que está acontecendo.

Marcelo sobe a escada.

CORTA PARA:

CENA 16. FÁBRICA. CASA REGINA. QUARTO CASAL. INT. DIA.

Sérgio procurando algo por ali.

SÉRGIO             —    (P/si) Aqui no quarto deve ter alguma coisa. Não me conformo em ficarmos aqui nesse inferno e nunca aparecer ninguém capaz de nos libertar!

Clima de tensão! CAM subjetiva abre a porta e entra de vagar. Sérgio nem nota. CAM abre o plano e é Belinha.

BELINHA          —    Pai?

SÉRGIO             —    (Assustado) Ai, filha! Que susto!

BELINHA          —    Por que o senhor tá machucado?

SÉRGIO             —    É uma longa história.

BELINHA          —    O que o senhor tá fazendo aqui no quarto da Regina? Se ela te pega aqui, já era!

SÉRGIO             —    (Nervoso) Eu? Só tava… Só tava. Procurando uma coisa.

BELINHA          —    (Desconfiada) Ah, é? E que coisa seria essa?

SÉRGIO             —    Tudo bem, filha. Eu vou te contar o que aconteceu. O Kléber queria cometer um ato terrível e eu teria que participar. Como eu recusei, ele e o Moreira me espancaram no corredor.

BELINHA          —    (Abraça o pai) Que horror, pai!

SÉRGIO             —    Mas agora tá tudo bem, filha. A Regina cuidou de mim.

BELINHA          —    A Regina?

SÉRGIO             —    Pois é. Isso serviu pelo menos para descobrirmos que ela é enfermeira.

BELINHA          —    Tá aí! Nunca imaginei.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

Ramiro e Beatriz sentados.

BEATRIZ           —    E então, Ramiro?

RAMIRO            —    Temos um problema, Beatriz.

BEATRIZ           —    Outro? Essa casa já foi mais calma. Hoje principalmente tá um caos isso aqui!

RAMIRO            —    Como assim?

BEATRIZ           —    Depois a gente fala sobre isso. Que outro problema é esse que você tem?

RAMIRO            —    O Kléber estava dando problemas na fábrica e eu tive que demiti-lo.

BEATRIZ           —    E isso é um problema onde? Chefe de segurança até melhores que o Kléber, a gente encontra com facilidade.

RAMIRO            —    Disso eu sei, Beatriz. Só que ele não aceitou bem a demissão e agora tá ameaçando a nossa família.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 18. MANSÃO VIEIRA. CORREDOR. INT. DIA.

Marcelo ali atrás da porta ouvindo tudo.

BEATRIZ           —    (OFF, Firme) Ameaçando? Quem esse sujeito pensa que é?!

RAMIRO            —    (OFF) O problema agora é que tudo na Fabristilo pode vazar e esse ser o fim do império da nossa família.

BEATRIZ           —    (OFF) Não! Não vai ser um desclassificado desses que vai fazer a nossa família perder tudo que o nosso pai levou anos para construir!

RAMIRO            —    (OFF) E o que você acha que a gente pode fazer, Beatriz? Se atuarmos contra ele pode ser pior!

BEATRIZ           —    (OFF) Se vazar a informação da localização da fábrica e do vassalo trabalho, já era! Estamos perdidos!

Marcelo reage horrorizado ao que ouviu da tia.

MARCELO        —    (P/si) Vassalo?

BEATRIZ           —    (OFF) Estamos de acordo que uma medida enérgica deve ser tomada, né, Ramiro?

RAMIRO            —    (OFF) Não temos outra escolha!

Close em Marcelo, que continua a ouvir tudo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.

Reinaldo e Marília ali. Gabriela chega da rua.

MARÍLIA            —    Ainda bem que você chegou, dona Gabriela.

GABRIELA       —    Cadê a Dani?

REINALDO       —    Tá no quarto. Não quer abrir a porta pra ninguém.

GABRIELA       —    Eu sabia! Por isso que desde que a essa maldita ictiose voltou apareceu na Dani, eu não forcei ela a voltar ao colégio!

A partir deste ponto, as falas se sobrepõem.

REINALDO       —    Espera aí! Você tá querendo dizer que eu forcei a menina a voltar?

GABRIELA       —    E não foi?

REINALDO       —    Para de ser tão venenosa, Gabriela! Você sabe que eu sei muito bem o que a Dani tá passando!

GABRIELA       —    Será que sabe mesmo? Se soubesse não estaria influenciando ela a fazer o que deixaria ela mal.

REINALDO       —    Você é inacreditável! E hipócrita também! Tá pensando que eu não sei que um dia após tudo isso na vida da Dani, quis mandar ela pro colégio?

Gabriela vai falar agressiva, mas corta-se imediatamente.

GABRIELA       —    Tudo bem, Reinaldo. Você tem razão. Eu realmente queria que a Dani continuasse com a rotina dela do jeito que era. O dono da razão a é você. Tá feliz agora?

REINALDO       —    Você sabe que a questão aqui não é essa!

MARÍLIA            —    Por favor! Será que vocês não entendem que a Dani precisa de vocês nesse momento?! Desculpa me meter, eu sei que sou só a empregada e babá da menina! Mas eu não posso ver vocês dois discutindo aqui e a Dani jogada pra escanteio. A atenção de você nesse momento tem que está na Dani.

GABRIELA       —    Acho que estamos de acordo que a Dani é a nossa única preocupação no momento.

REINALDO       —    Concordo! No fim das contas, a Marília era a única certa nessa sala.

Os dois vão para o quarto de Dani. Marília fica ali reprovando a atitude dos patrões.

CORTA PARA:

CENA 20. APART GABRIELA. QUARTO DANI. INT. DIA.

Reinaldo e Gabriela batem na porta e entram. Ambos estranham a porta aberta. Dani está deitada enrolada dos pés a cabeça no edredom.

GABRIELA       —    Dani? A mamãe tá aqui.

REINALDO       —    Filha, você não quer conversar sobre o que aconteceu?

DANIELA          —    Não!

GABRIELA       —    Filha, eu vou te contar uma história. Na verdade, o Reinaldo vai.

REINALDO       —    Gabriela, na verdade a Dani já sabe.

GABRIELA       —    (Surpresa) Quê?! E por que ninguém me contou?

REINALDO       —    Bom, eu falei pra ela não te falar nada.

GABRIELA       —    Não quiseram falar e o resultado tá aí agora!

REINALDO       —    Eu usei o meu exemplo pra incentivar a Dani a não parar com a rotina dela. Mas, ela não estava preparada.

DANIELA          —    (Descobre a cabeça do edredom) Mãe, eu não contei nada pra senhora porque eu queria fazer tudo do meu jeito. Sem que a senhora ache que sabe o melhor pra mim.

GABRIELA       —    Filha, eu sei que você queria fazer isso sozinha, mas você não pode! Seu pai tentou te ajudar e não conseguiu, mas ele tentou.

DANIELA          —    Até quando mãe?

GABRIELA       —    O Guilherme eu estamos fazendo de tudo!

REINALDO       —    Voltou com as pesquisas?

GABRIELA       —    Sim, agora com um novo direcionamento. Guilherme tá me ajudando a seguir novos caminhos.

REINALDO       —    Legal. Eu sei que temos as nossas desavenças, mas se precisarem de alguma coisa, eu tô aqui.

GABRIELA       —    Obrigada.

Gabriela se senta ao lado da filha e a abraça.

CORTA PARA:

CENA 21. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. FRENTE. EXT. DIA.

Muitos curiosos ali afastados da casa a observar. Um carro da defesa civil ali. Dois homens saem carregando o corpo de Marcos ensacado e colocam no “rabecão”.

CORTA PARA:

CENA 22. ANGRA. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.

Delegado ali com Rodrigo. Delegado com uma pasta em mãos.

DELEGADO     —    Muito bem, seu Rodrigo. Nenhuma passagem pela polícia e nem multa de trânsito. O que levaria um réu primário a cometer um homicídio?

RODRIGO         —    Eu não fiz nada, delegado!

DELEGADO     —    Ah, sim. Então o senhor está dizendo a peixeira sozinha matou o Marcos?

RODRIGO         —    Não! Eu apenas me defendi. Ele avançou pra cima de mim com tudo. Ele estava determinado a me matar!

CORTE DESCONTÍNUO: Maurício perante o delegado. Delegado olhando a ficha dele.

DELEGADO     —    Na sua ficha não consta nada. Apenas uma multa de trânsito.

MAURÍCIO        —    Seu delegado, o senhor não entende. O Marcos sempre foi perigoso! Eu estava do lado de fora da casa quando tudo aconteceu, mas ele estava falando exaltado. Isso o senhor pode perguntar pra qualquer um daqueles fofoqueiros que estavam lá.

DELEGADO     —    O que você ouviu?

MAURÍCIO        —    Ele gritou mandando a Elisa e o Rodrigo irem para o canto e depois disso fechou a porta. Eu me aproximei da casa, quando a Elisa começou a gritar por socorro.

CORTE DESCONTÍNUO: Elisa perante o delegado. Delegado com a ficha dela. Ele coloca a ficha na mesa.

ELISA                —    O Marcos queria matar o Rodrigo! Ele nunca aceitou bem a nossa separação. E depois que o Rodrigo se aproximou mais, ele ficou descompensado. Trouxe o meu filho pra cá sem eu saber! (Faz apelo) Delegado, pelo amor de Deus! Eu tenho que saber…

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 23. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. COZINHA. INT. DIA.

Os policiais ali andando pela casa afazendo as buscas. Um detetive passeando, olhando tudo detalhadamente.

ELISA                —    (OFF)… Eu tenho que saber o que o Marcos fez com o meu filho! Meu coração de mãe tá aqui aflito, apertado tentando entender o que aconteceu com meu filho!

Um detetive, pisa num determinado piso, que está coberto por um tapete, mas ao pisar, faz um ranger e sente que está oco.

ELISA                —    (OFF) Eu preciso do meu filho! Tenho até medo da resposta que eu posso receber!

O detetive se agacha e puxa o tapete. Há uma porta de madeira de entrada para o subsolo. Ele abre a mesma e ali estão: Gustavinho e Salina, amordaçados e em pânico. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

 FIM DO TRIGÉSIMO SEXTO CAPÍTULO

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

Estreia dia 19 de Outubro

Estreia dia 20 de Outubro

>