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O Vazio que Habita em Mim – Capitulo 17: Alex

132— O velho ta chamando… — A voz de Quim me acordou de meu pesadelo.

— Que? — Perguntei desnorteado.

— A gente vai ser transferido. — Pepeu completou.

Olhei para a porta da cela aberta cujo policial de cara carrancuda esperava a nossa saída.

— Bora moleque, eu não tenho o dia todo. — Ele disse batendo na grade.

Duas pessoas nos esperavam na sala do delegado. O   homem era magro, tinha cerca de trinta anos, usando roupas finas, a mulher, um pouco a cima do peso estava sentada de pernas cruzadas também vestida de forma elegante, usava um vestido rodado estampado que acentuavam perfeitamente suas curvas, nos pés um salto que a deixava alguns centímetros mais alta que seu companheiro.

—… aqui e aqui. — O delegado dava instruções para o homem que continuava a assinar e rubricar papeis. — agora eles são todos seus.

— Podemos ir então? — Perguntou a mulher levantando-se e vindo em nossa direção.

— Claro. — Respondeu o homem.

— Sargento, escolte-os até a viatura por favor. — Ordenou o delegado.

O soldado de plantão bateu continência e com apenas um olhar nos indicou a direção da porta. Nos três obedecemos sem questionar, caminhando em silencio até o carro.

Do lado de fora a luz em excesso quase queimou meus olhos, meus companheiros já habituados cobriam o rosto com as mãos. Em silencio entramos no carro e assim permanecemos até chegar ao nosso destino final.

 

 

 

Esqueça tudo o que você viu nos filmes sobre os reformatórios. É tudo muito pior, pode acreditar.

Depois de passar pela revista, fomos fichados novamente e levados para o vestiário onde tomamos banho, vestimos as roupas do lugar – um macacão cinza e botas pretas pesadas – recebemos nossos produtos de higiene – sabonete, escova de dente, creme dental, e duas toalhas de banho, – além de passar algum tempo ouvindo as explicações de um homem velho e cansado demais de como funcionava a casa de correção onde ficaríamos um bom tempo.

Horários e mais horários a seguir.

O café era servido as 7:00, o almoço as 11:00 e o jantar as 18:00, caso você perdesse algum desses horários teria de esperar até a próxima refeição, o que não é lá grande coisa. Além disso, tínhamos de estudar e trabalhar meio período. Depois fomos apresentados a um garoto gordinho e cheio de espinhas que foi instruído pelo guarda a ser nosso guia.

Alex nos levou pelas celas, mostrou onde Pepeu e Quim dividiriam uma cela e eu ficaria com ele duas celas depois da deles.

Assim como os garotos eu apenas coloquei minhas coisas na cama que estava vaga e sai, o lugar era um pouco apertado, composto por três camas, uma pia e um vaso sanitário.

Enquanto andávamos os guardas passavam vistoriando o movimento, cochichando e rindo. Alguns deles nos encaravam como se quisessem nos fuzilar com os olhos.

Alex nos mostrou o banheiro, as salas de aula onde teríamos aulas pela manhã referentes ao ensino fundamental ou médio, dependendo de onde o detento havia parado os estudos, e a tarde algum curso profissionalizante ou trabalhos manuais dependendo da escolha de cada um, o caminho para a enfermaria onde fizemos nosso exame médico, o buraco onde ficavam os detentos problemáticos e por fim o refeitório.

As coisas começaram bem, pelo menos até Pepeu e Quim “tentarem se enturmar”, isso depois do nosso guia sumir de uma hora para outra.

— Chegamos vadias! — Os dois gritaram juntos ao chegarmos no refeitório.

Todos os olhares se voltaram para nós três, e como se nada estivesse acontecendo, os dois começaram a andar pelo refeitório até onde estava sendo servida a comida. Eu os acompanhei, como se minha vida dependesse daquilo.

No fim dependia!

— Relaxa Mick! — Pepeu me pediu quando entramos na fila. — Aqui é território neutro, ninguém vai tentar nada com a gente.

— Cuidado com os agentes, — disse Alex – eles é que são o problema aqui.

— Já sabemos! — Quim respondeu.

— Bora pra mesa. — Pepeu me deu um cutucão, me trazendo de volta para a realidade.

Passamos por várias mesas até encontrar uma que estivesse vaga para nós três. Enquanto passávamos todos os garotos nos encaravam por alguns segundos e depois voltavam sua atenção para o prato a sua frente.

— Posso me sentar aqui? — ele perguntou ele colocando a bandeja sobre a mesa. Como nenhum de nós se opôs a isso o garoto sentou.

— Qual é o esquema? — Quim perguntou sem rodeios.

— Bem simples. — Disse Alex pondo uma colherada de purê na boca. — São três garotos por cela, aulas de manhã, tarefas a tarde…

— Não esse esquema… — interrompeu Pepeu.

— Certo…, O Lucas, o Leo e o santo Cristo é quem tomam conta do lugar. Ou vocês entram num grupo ou vão sofrer nas mãos dos guardas.

— Santo Cristo? — Perguntei

— É, que nem a música sabe… a do Renato.

— João… — Pepeu interrompeu.

— Os três controlam as drogas aqui dentro, compram e vendem favores além de facilitar nossas vidas com os guardas.

— De qual grupo você é, e como a gente entra?

— Ei…Ei… Ei… Não é assim que funciona. — Alex respondeu apressadamente. – Eles te escolhem.

— Enquanto isso? — Perguntei. — Você tenta sobreviver dentro desse inferno.-” ”>-‘.’ ”>

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