Observatório da Escrita – 33

Boa noite, leitor(a)! Hoje é dia de acender os holofotes no palco do Observatório para a resenha da semana. O alvo é uma novela da recém-inaugurada Aster TV. Como diz Chapolin, sigam-me os bons!

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Thiago Figueiroa e David Campbello podem ser desconhecidos de muitos escritores e leitores do Mundo Virtual, mas vêm causando frisson nos últimos dias. O motivo: eles escrevem Holofotes, a história de duas atrizes veteranas que entram em guerra ao serem escaladas para uma novela — na verdade, elas nunca se bicaram. A primeira é Rita, o grande destaque do capítulo de estreia analisado pelo Observatório. A outra se chama Stella, o motivo do gancho da última cena. Ambas estão decadentes e desejam retornar ao estrelato, custe o que custar. Prepare-se, porque muitas confusões e intrigas estão por vir. Vamos às sequências de destaque do episódio exibido em 22 de julho:

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A novela já começa com um dos maiores hits do cantor estadunidense Frank Sinatra, Come Fly With Me. É luxo que fala?

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Imaginem este texto na voz de um dos fundadores da TV no Brasil, Lima Duarte, homenageado pela dupla de autores com o personagem. Mais inspirador, impossível.

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Após ser citada no discurso da concorrente vencedora na categoria de atriz do ano, Rita solta a primeira de muitas agulhadas da novela. Nada mais real no Brasil e em Hollywood.

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Em matéria de estrelismo, Rita é a Norma Desmond do século XXI. Não sabe quem é Norma? Assista ao filme Crepúsculo dos Deuses e tire suas conclusões sobre a personagem imortalizada por Gloria Swanson.

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Sim, você leu o nome do marido da Eva Wilma. Além de Zara, outros mitos da dramaturgia nacional são citados e homenageados no texto, como Cleyde Yáconis e Janete Clair.

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Mais referências na abertura da novela. Bette Davis, outro mito do cinema, também teria características herdadas por Rita Spencer.

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Olha o filme da Norma Desmond aí, geeeeenteeeee! Sunset Boulevard é o título em inglês da obra de 1950.

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Sinto de longe o cheiro de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, famoso pela grande rivalidade entre as duas atrizes protagonistas: Joan Crawford e a já citada Bette Davis. Sim, Rita Spencer tem uma inimiga: Stella.

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Assim termina o capítulo inicial de Holofotes. Os pontos positivos da novela são vários: as protagonistas com forte personalidade “defendidas” com maestria por Rosamaria Murtinho e Aracy Balabanian; inúmeras referências à história e aos integrantes do cinema, da TV e do teatro; ótimas tiradas em meio aos diálogos; trilha sonora cheia de classe e sofisticação. O ponto “negativo”: causa severa ansiedade pelo próximo capítulo. Parabéns aos autores, pois Holofotes é uma das melhores webnovelas de 2019. Prêmios, venham!

Para saber como se dá a guerra das estrelas, acompanhe a novela às terças e quintas pelo Aster TV.

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Você sabe usar a crase? Vou escrever sobre um dos fenômenos mais causadores de dúvidas e confusões na língua portuguesa. Segue hoje a primeira parte.

A crase é a contração entre a preposição a (= para) e uma segunda palavra, que pode ser a (artigo ou pronome demonstrativo) ou aquele (bem como suas flexões). A marcação é feita com um acento grave ( ` ) sobre a vogal. Vale lembrar que crase e acento grave não são a mesma coisa, ok? No português, o acento marca a crase; mas no francês, por exemplo, ele é usado como um modificador sonoro comum.

Em que casos devemos usá-la?

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1) Quando o verbo exigir a preposição a (ou para) seguida do artigo a ou de flexão de aquele:

Vou para a lavanderia. / Vou à lavanderia.
Vou para aquele hotel. / Vou àquele hotel.

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2) Quando a forma masculina pedir a forma ao (ou para o):

Entreguei o livro ao comprador. / Entreguei o livro à compradora.

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3) Em locuções adverbiais (de tempo, lugar, modo etc.), prepositivas e conjuntivas. Nisto se incluem as horas:

A livraria fica à direita da lanchonete.
Cláudia malha às quintas-feiras, às dez da manhã.
À medida que ela escrevia o conto, novas ideias surgiam.

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4) Para indicar moda ou maneira de fazer algo:

O bife à milanesa estava delicioso. [maneira]
Clara usou na festa um vestido à Marilyn Monroe. [moda]

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5) Para indicar destinos que pedem o artigo feminino, como a Rússia, a Itália e as Bermudas. Como macete para testar a presença ou não do artigo, pode-se trocar o verbo ir/vir pelo voltar:

Ela deseja voltar da Bahia. / Ela deseja ir à Bahia.
Marta nunca quis voltar da Holanda. / Marta nunca quis vir à Holanda.

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6) Pode-se usar a forma à em substituição a àquela(s) ou a essa(s). Neste caso, o a unido à preposição é um pronome demonstrativo em vez de artigo:

Prefiro tua novela a essa de Genoveva. / Prefiro tua novela à de Genoveva.

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7) A crase é facultativa quando a preposição a estiver diante de um pronome possessivo, antes de um nome de mulher ou após a preposição até:

Deixei um recado a sua vizinha. / Deixei um recado à sua vizinha. [pronome possessivo]
Bruna deu um gato a Lídia. / Bruna deu um gato à Lídia. [nome de mulher]
Ela seguiu até a loteria. / Ela seguiu até à loteria. [preposição até]

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No próximo programa veremos os vários casos em que NÃO se usa crase.

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Por hoje é só, mas o Observatório volta no próximo domingo com uma resenha especial sobre uma nova trama da DNA.

Tenha uma ótima semana de muita leitura! Abração!

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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