Observatório da Escrita – 67 – Manual do Roteiro #6

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Boa noite, querido(a) leitor(a)! Como foi a semana? Leu muito? Sim? Não? De qualquer maneira, que tal um pouco mais do Manual do Roteiro? Vamos em frente!

 


Hoje vamos sair um pouco da estrutura de roteiro e desvendar o mundo do roteiro-literário tão crescente por todo o Admirável Mundo Virtual.

Mas… o que é roteiro-literário e por que tem esse nome? Por razões óbvias, como diz o nome: a estrutura textual dessas histórias tem elementos de roteiro e também de narrativa; é o meio-termo. Seguem alguns motivos da escolha deste estilo por muitos escritores de novelas e séries:

  • Maior facilidade e liberdade com relação ao “método engessado e cheio de complicações” do roteiro;

  • Aspecto mais espaçado e livre com relação aos diálogos da narrativa;

  • Simplicidade de escrever histórias unindo a descrição sucinta do roteiro e a fala “linear” da narrativa;

  • A não necessidade de se preocupar com termos e convenções técnicas do roteiro e do literário;

  • Maior facilidade de desenvolver as cenas apenas utilizando o próprio texto, sem recorrer tanto a escaletas — em outro programa vou comentar sobre isso.

Enfim, são muitas as características de uma história em roteiro-literário. Há autores que, nesse estilo, tendem um pouco mais para o roteiro ou para o literário.

A polêmica: é um gênero textual inferior ao roteiro (mais técnico) e à narrativa (mais sofisticada)? Mito! Não existe gênero superior e inferior. Isso é pensamento parnasiano de que só vale o que é erudito. Esquece! Estamos no século XXI. O que vale mesmo é a mensagem que se quer passar. É claro que um texto bem elaborado, bem acabado, com a maior correção gramatical possível, com boa divisão de parágrafos ou cenas, tem chance de conquistar mais leitores e até fãs, seja qual for o gênero. Um livro de Machado de Assis, um poema gráfico como o famoso “Velocidade”, um lindo haicai ou uma webnovela qualquer do Mundo Virtual são igualmente dignos de leitura.

Vamos observar dois exemplos de novelas aqui da Cyber e analisar suas características:

 

DOCES MENTIRAS (Alberto Sant’Anna, 2018)

Uma das novelas de maior sucesso até hoje aqui na webemissora. O roteiro-literário aplicado pelo autor está mais voltado para a narrativa do que para o roteiro. Observe que as descrições são fluidas e narrativas, embora sem explicações longas. Os diálogos são apresentados “lado-a-lado”, ou seja, com os nomes seguidos das falas — a chamada forma intermediária. As cenas se modificam através da própria descrição, sem uso de cabeçalhos ou sinais gráficos como quadradinhos e curvas estilizadas. Observe a primeira sequência da novela:

 

A SOCIEDADE (Luiz Lisboa, 2020)

Um pouco sobre a atual novela das 21h da Cyber — não percam a última semana. O texto dessa novela é mais próximo de um roteiro. Embora não faça uso de cabeçalhos e transições, a cena da imagem é escrita da forma mais sucinta e sem descrições longas. Em seguida, vêm as falas dos gêmeos que introduzem e fecham cada capítulo da história. A troca de cenas também é feita na descrição. Veja como fica:

 

Por todo o Mundo Virtual existem inúmeros outros exemplos de construção de histórias em roteiro-literário — gênero amado por uns, odiado por outros, o mais prático de ser utilizado para os demais. Na próxima semana, inicia-se uma nova fase no Manual do Roteiro: como construir uma história do zero. Falaremos sobre os principais gêneros literários em uso atualmente. Não perca!

Também na próxima semana teremos a resenha de Surpresas do Destino, trama importada pela OnTV de um sucesso latino.

 


O Observatório da Escrita fica por aqui, mas daqui a pouco tem o Cyber Backstage. Até já!

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