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Observatório da Escrita – 75

Olá! O Observatório da Escrita de hoje está no ar!

 


A língua portuguesa, assim como toda forma de linguagem, é viva e se modifica conforme se muda o tempo, o espaço, a situação comunicativa, o grupo social… Além da norma dita padrão, a cada momento descobrimos uma nova gíria, palavra ou expressão.

Entre as novas tendências, uma está relacionada ao gênero das palavras. Com a abordagem da sexualidade vista sob vários aspectos — heterossexual, homossexual, não-binário etc. —, há quem se identifique com um jeito novo de se expressar, saindo do masculino e do feminino e optando pelo neutro.

O gênero neutro existe gramaticalmente em línguas como o russo, o latim e o alemão. No português, ele pode ser observado em nomes de alguns animais, como “borboleta” (identificamos como macho e fêmea se for o caso), e em palavras uniformes que podem ter o gênero identificado ou não por artigos, numerais e pronomes (exemplos: artista, testemunha, atleta). Tecnicamente, são nomes epicenos, comuns-de-dois-gêneros e sobrecomuns.

Para os nomes biformes, geralmente diferenciados pelas terminações o/a, or/ora, or/riz e afins, há propostas de desinências alternativas para quem prefere não se designar pelos dois gêneros oficiais da gramática. Seguem algumas:

 

X

Por indicar incógnita, mistério, indefinição ou generalização, graças à Matemática, a antepenúltima letra do nosso alfabeto tem substituído o O e o A nas palavras biformes, especialmente nas manifestações escritas. E na fala? Como seria? Já parou pra pensar em como pronunciar o X? No caso de amigxs, diria amigs? Amigshs? Amigks? Deixe suas sugestões nos comentários.

E

Alguns preferem fazer a troca pela vogal acima, com ideia de leitura e pronúncia mais fáceis. Assim surgiram formas como cunhade e amigue.

@

Tendência comum em países hispanofalantes, o arroba vem ganhando adeptos também no Brasil, inclusive nos cursos de ciências humanas de universidades federais famosas, como a de Campinas e a de São Paulo. A pronúncia mais comum do @ é /ó/.

Observação: o sinal também é usado como gênero comum em LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais, de modo que uma mesma palavra, seja masculina ou feminina, tem a mesma representação de sinal muitas vezes. O gênero, neste caso, pode ser identificado com uma palavra/sinal complementar. Exemplos:

sinal advogad@ = advogad@ homem, mulher ou neutro;
sinais advogad@+homem = advogado;
sinais advogad@+mulher = advogada.

O símbolo do Anarquismo também é usado como desinência de gênero neutro.

Æ

Presente em idiomas como o latim, o islandês e o dinamarquês, esta letra foi proposta pelo Português com Inclusão de Gênero, o PCIG. A pronúncia mais comum é /é/.

 

PRONOMES, ARTIGOS E PREPOSIÇÕES

Algumas formas alternativas para ele/ela são: éle, el@, elu, elx, el, ill e ilu, muitas delas vindas do latim. Palavras como nele/nela, dele/dela, aquele/aquela se ajustam às terminações escolhidas pelo indivíduo.

O artigo definido é retirado antes de nomes relativos a pessoas. Exemplo: A Inês viajou de trem.

Preposições não se juntam a artigos definidos relativos a pessoas. Exemplo: Este é o carro do de Brun@.

Em palavras com mudança de sons em troca de gênero, como em sogro e sogra, a letra é falada sempre de forma aberta, /ó/. Exemplo: sogre = /sógre/.

 

EM INGLÊS

Os anglofalantes têm dado preferência ao pronome they para falar sobre si mesmos ou sobre alguém sem expor gêneros — em vez de he ou she. A construção frasal segue as regras da terceira pessoa do plural, normalmente. Veja:

They are at the school.
Usual: Eles/Elas estão na escola.
Gênero neutro: El@ está na escola. / El@s estão na escola.

 


 

Atenção: o Observatório da Escrita tem intenção de apenas informar sobre tendências do idioma, mantendo a imparcialidade no conteúdo.

Por hoje é só, mas o programa volta na próxima semana com uma nova resenha. Até lá!

POSTADO POR

Marcelo Delpkin

Marcelo Delpkin

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