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Para Todo o Sempre – Capítulo 22

CENA 1. QUARTO DE ALEXANDRE. NOITE

Depois de todo aquele clima no jantar, Alexandre está em seu quarto, refletindo em como terminar o noivado com Maria.

ALEXANDRE – O que falei ao padre é uma decisão sem volta. Não quero e não vou me casar com Maria somente por causa de um erro. Não…

Seu pensamento foi direto para Daniela. A princesa realmente o fisgara. Ele finalmente caiu em si de uma vez por todas: estava apaixonado.

ALEXANDRE – Preciso resolver isso logo. E será amanhã. Não passará disso, amanhã eu conversarei com Maria e desfarei o noivado.

Neste momento alguém bate à sua janela.

ALEXANDRE – Quem será a uma hora dessa?

Alexandre abre a janela. Patrício está do lado de fora.

ALEXANDRE – Boa noite, Patrício. Como vai?

PATRÍCIO – Vim te chamar para mais uma reunião da Liga Camponesa. Acontecerá em instantes, no bar.

ALEXANDRE – Pode contar comigo. Vamos lá.

 

CENA 2. CASA DE LEOPOLDO. SALA DE JANTAR. NOITE

Leopoldo Kublovsky e a família estão jantando. Há algum tempo recebiam hóspedes não muito desejados: Carlota e Rogério se instalaram lá desde que foram expulsos do castelo por Armando e não têm a menor pretensão de irem embora tão cedo.

CARLOTA – Tenho que admitir que a estada em sua casa está sendo bem mais agradável que a hospedagem no castelo de Veseli, sr. Kublovsky. Mesmo em tempos tão instáveis aqui em Veseli o senhor e a senhora Madeleine me fazem sentir em casa.

MADELEINE – (falsa) Que bom que está gostando, majestade. Nos sentimos honrados em tê-los aqui.

ROGÉRIO – Eu também agradeço, mas preciso ir agora. Mais uma reunião da Liga Camponesa.

LEOPOLDO – Mas vocês já não cumpriram o objetivo de libertar o rei Augusto?

ROGÉRIO – Temos um objetivo muito mais grandioso agora, senhor!

LEOPOLDO – Que seria…

ROGÉRIO – Lutar bravamente por Veseli contra toda a Europa e…

Regiane interrompe o discurso de Rogério.

REGIANE – Com licença, senhores. Tem um mensageiro à porta.

ROGÉRIO – Como ousas interromper o herói nacional de Veseli!

CARLOTA – Menos, meu filho. Você nem veselino é.

ROGÉRIO – Mas estou aqui me prontificando e…

LEOPOLDO – (corta) Um mensageiro? Mande entrar.

REGIANE – Perfeitamente, senhor. É um mensageiro, mas não parece ser do reino. E aparentemente é um militar.

Regiane vai à porta para mandar o mensageiro entrar. Todos estão curiosos.

LEOPOLDO – Se o mensageiro não é do reino, por que veio até aqui? Não sou o líder do reino.

ROGÉRIO – E é um militar. Com certeza é algo grave.

O soldado entra. Ele tem um forte sotaque húngaro.

SOLDADO – Fiquei perdido quando entrei em Veseli. Fui ao castelo falar com o líder do reino, mas fui informado que a autoridade máxima interina é o senhor.

LEOPOLDO – O quê? Como assim?

SOLDADO – A política de Veseli está… digamos… agitada ultimamente, segundo nossas informações.

LEOPOLDO – Sou o vice-presidente do Conselho dos Anciãos. Não posso dar muitas informações sobre políticas internas do reino, por questões de segurança.

SOLDADO – (sarcástico) Todos sabemos que estão enfrentando um golpe. O senhor Armando deu um golpe e foi derrubado em pouco tempo.

LEOPOLDO – (constrangido) Não deixa de ser verdade. Mas o que o traz aqui.

SOLDADO – Prefiro falar diretamente com o senhor, Leopoldo. Não gosto de discutir política e estratégias militares na frente de senhoras.

CARLOTA – Isso é um insulto! Não sou uma simples senhora. Sou rainha da França, não está reconhecendo?

SOLDADO – E o que faz em Veseli?

CARLOTA – Ora, mas é muito insolente mesmo. Não devo satisfações a um militar de baixa patente da Hungria.

ROGÉRIO – Mamãe, contenha-se. Senhor, se acha mais conveniente podemos conversar reservadamente no escritório do senhor Leopoldo.

LEOPOLDO – E por que o senhor participaria da conversa?

ROGÉRIO – Bem… eu entendi que sou um líder do reino agora. E a França é uma das únicas aliadas de Veseli nesse momento. Então está decidido, eu participarei da reunião.

LEOPOLDO – (resignado) Tudo bem, alteza, pode participar da reunião.

ROGÉRIO – Acabo de ter uma ideia melhor, senhor.

LEOPOLDO – Ai meu Deus, já mudou de ideia? Não quer mais participar da reunião?

ROGÉRIO – Claro que quero. E quero incluir o povo de Veseli nisso. Em vez de nos reunirmos reservadamente no seu escritório, vamos ao bar de Veseli, onde está acontecendo a reunião da Liga Camponesa, e tomamos as decisões junto com o povo guerreiro desse adorável reino!

LEOPOLDO – Vossa Alteza deve estar ficando maluco! Onde já se viu decisões tão importantes serem tomadas em um bar com um bando de camponeses?

ROGÉRIO – Os camponeses foram os únicos que ficaram ao lado do reino quando da tirania de Armando. Eles merecem ser contemplados e participar das decisões que mudam a vida deles e de todo o reino. Uma guerra se aproxima! Não podemos rejeitar a ajuda de ninguém.

LEOPOLDO – Bem… eu fico até constrangido de levar o soldado a ter uma reunião em um bar…

SOLDADO – (corta) Eu adoraria! Depois de tanto tempo marchando, acho que mereço um bom caneco de cerveja.

ROGÉRIO – (levando o soldado para a porta) E prometo que a cerveja daqui é uma das melhores da Europa!

Leopoldo, sem poder mais contestar, acompanha Rogério e o solado húngaro em direção ao bar de Veseli.

 

CENA 3. CASA DE MARIA. NOITE

Ramiro e Maria estão tendo mais uma discussão.

RAMIRO – Eu não aguento mais essa espera! Precisamos, de uma vez por todas, concluir nossa missão e fugir daqui!

MARIA – É preciso aguardar o meu casamento com Alexandre! Quando eu estiver casada com ele vou ter muito mais acesso à casa da Odete e poder procurar com mais privacidade o tesouro.

RAMIRO – Eu não acredito mais em você! Pra mim de duas uma: ou você está tentando me enganar para ficar com o tesouro só pra você ou está apaixonada de verdade por Alexandre e quer se casar com ele por amor.

MARIA – Quantas provas eu já te dei de que quero ficar com você? Você sabe que toda essa história com Alexandre é só fachada para acharmos o tesouro.

RAMIRO – Então me dê uma prova agora. Quero uma prova de amor. Durma comigo nessa noite.

MARIA – Você sabe que não precisa pedir. É claro que vou dormir com você hoje.

RAMIRO – Então vem cá e me beija.

Maria e Ramiro se beijam ardentemente. O clima esquenta e eles vão direto para a cama de Maria.

 

CENA 4. BAR DE VESELI. NOITE

Toda a Liga Camponesa já havia chegado ao bar para a reunião. Só faltava Rogério para começarem.

ALEXANDRE – E precisamos esperar esse príncipe metido para começarmos?

PATRÍCIO – Rogério mudou muito, Alexandre. Ele é o nosso líder e comandou todo o processo de queda de Armando.

ALEXANDRE – Realmente mudou muito, então. Porque o que eu via enquanto estava no castelo era só um príncipe mimado.

PATRÍCIO – Acho que está com ciúmes de Rogério.

ALEXANDRE – Ciúmes? Por favor!

PATRÍCIO – É, ciúmes. Já que você era o líder do povoado e também…

ALEXANDRE – Também o quê?

PATRÍCIO – O príncipe Rogério veio a Veseli para se casar com a princesa Daniela.

ALEXANDRE – Está sugerindo o quê? Que Rogério é um rival meu?

PATRÍCIO – Não deixa de ser.

ALEXANDRE – Daniela nunca quis nada com ele. Não tenho medo de Rogério roubar Daniela de mim.

PATRÍCIO – Se você está dizendo…

Nesse momento Rogério, Leopoldo e o soldado húngaro entram no bar.

ROGÉRIO – Homens! Seu líder chegou!

Alexandre revira os olhos.

ROGÉRIO – E trouxe notícias, ou melhor, trouxe alguém que trouxe notícias.

PATRÍCIO – Quem é esse soldado?

ROGÉRIO – Apresente-se e diga a que veio, soldado.

SOLDADO – Sou Quotar, soldado do exército húngaro. Estamos oficialmente em guerra contra Veseli, e meu general, Ferko, ordenou que eu visse avisá-los que iremos exterminar Veseli!

Uma onda de consternação invadiu o bar. Como aquele soldado se atrevia a vir até Veseli e dizer que iria exterminar o reino? Leopoldo tentou acalmar a situação, já que vários camponeses ameaçavam linchar o soldado.

LEOPOLDO – Se acalmem! Devemos ter calma nesse momento para que possamos pensar no que fazer

CAMPONÊS 1 – Tudo isso é culpa sua e de seus amigos do Conselho! Eles declararam guerra a toda a Europa!

LEOPOLDO – Não é verdade, senhor! Armando não fala em nome do Conselho dos Anciãos. Ele deu um golpe e age como tirano.

CAMPONÊS 2 – E o que faremos agora? Como evitaremos esse massacre?

SOLDADO – É inevitável. O exército húngaro já marcha para Veseli. Temos notícias de que a Ucrânia e a Rússia também já estão a caminho do reino. Vocês vão ser reduzidos a pó!

LEOPOLDO – Deve ter alguma coisa que possamos fazer. Armando não está mais no poder, foi derrubado por esses nobres guerreiros.

ROGÉRIO – Isso mesmo. A vontade de Veseli não é a vontade de Armando mais.

SOLDADO – Agora não tem mais volta. Veseli está sem liderança e a ponto de ser varrida do mapa.

ALEXANDRE – Então vão todos para o inferno! Vamos resistir e acabar com todos vocês! Vamos mostrar quem são os guerreiros veselinos.

Todos se chocam com a atitude precipitada de Alexandre. Ele colocou toda a negociação a perder.

 

CENA 5. CASA DE MARIA. NOITE

Guilhermina fizera um bolo delicioso de cenoura à tarde. Estava testando receitas para surpreender Ramiro quando estivessem casados. Estava com um bom pressentimento de que Ramiro a pediria em casamento a qualquer momento. Mas para saber se o bolo estava gostoso mesmo, precisava de uma opinião de outra pessoa, e ninguém melhor para dar essa opinião que sua melhor amiga Maria.

Então, Guilhermina foi à casa da amiga, levando em suas mãos um tabuleiro de bolo de cenoura. Bateu à porta. Ninguém atendeu.

GUILHERMINA – Estranho. Não tem ninguém em casa?

Bateu novamente. Nada.

GUILHERMINA – Será que Maria saiu?

Girou a maçaneta. A porta estava aberta. Guilhermina adentrou a casa. Estava escura. Aparentemente todos haviam saído. Então, Guilhermina escuta barulhos abafados. Um medo repentino tomou a moça.

GUILHERMINA – (baixinho) Ai, meu Deus. Será que tem um ladrão na casa?

Guilhermina vai até a cozinha, pega uma panela. Precisava se defender de alguma forma, caso o ladrão viesse para cima dela. Então ela prestou mais atenção aos barulhos. Eles continuavam, mas agora pareciam com gemidos para Guilhermina. Guiando-se pelo barulho, ele levava para o quarto de Maria. Guilhermina caminhou em direção ao quarto, abriu a porta e viu. Lá estavam Maria e Ramiro, nus, se amando na cama.

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POSTADO POR

Gustavo Lopes

Gustavo Lopes

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