Partes de Mim – Capítulo 32

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

CCRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

FIGURAÇÃO


CENA 01. PRÉDIO DO TRÍPLEX. CORREDOR. INT. DIA.

Miguel ali sentado pelo chão. Sol e Glória saem do elevador com suas malas de rodinhas.

SOL               —  (Surpresa) Miguel? Mas o que você tá fazendo aqui do lado de fora?

GLÓRIA        —  É. Por que você não entrou?

MIGUEL        —  Porque a Karina não me deixou entrar!

SOL               —  Mas porque a Karina faria uma coisa dessas, gente?

MIGUEL        —  É que eu a beijei e ela parece não ter gostado!

GLÓRIA        —  (Indelicada) De novo essa história gente? Eu acho melhor vocês se resolverem logo que isso tá ficando chato já, hein!

SOL               —  Que isso, mamãe? E isso lá é jeito de falar com o menino?

GLÓRIA        —  Ué! Eu só disse a verdade.

Sol toca a campainha.

SOL               —  Karina! Abra a porta que somos nós!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 02. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Karina abre a porta. Sol, Glória e Miguel entram e ficam boquiabertos com o jeito que a casa ficou. CAM ainda não revela.

KARINA       —  E então? Gostaram?

SOL               —  Meu Deus do céu! Mas que coisa mais linda, gente. Eu nunca poderia ter imaginado que ficaria ainda melhor do que naquela imagem. Ficou simplesmente maravilhoso!

GLÓRIA        —  Até que a sala causou um impacto pela sua perfeição. Parabéns, Karina!

KARINA       —  Obrigado, dona Glória!

Ela sorrindo, olha pra Miguel e logo fica séria.

SOL               —  Se a sala ficou desse jeito, o resto do tríplex deve está melhor ainda!

CAM vai passeando pela sala enorme do tríplex de Sol toda decorada.

KARINA       —  Prontas para verem o resto da casa?

GLÓRIA        —  Mais do que pronta! Tô aqui numa curiosidade só!

Todos vão para a cozinha.

CORTA PARA:

CENA 03. CLUBINHO DE FUTEBOL KIDS. PLATEIA. EXT. DIA.

Cristina ainda ali a olhar Vicente com Flávia. Os dois trocam um selinho. E ela boquiaberta bate uma foto. 

CRISTINA     —  (P/si) Como pôde ser tão canalha assim? Todos esses anos aposto que ele já estava vivendo nessa vida dupla. Há anos que o nosso casamento só está de fachada. Canalha! A vontade que eu tenho é de ir lá e dar na cara dos dois! Dele e da safada que mesmo sabendo que ele é casado, ainda está com ele! Vagabunda!

CAM mostra Vicente que começa a encarar a mulher (Cristina), mas sem saber que se trata dela. Ela logo tapa o rosto com a revista e vai saindo da arquibancada.

VICENTE      —  Espera aqui meu amor que eu preciso verificar uma coisa.

FLÁVIA        —  Verificar o que, Vicente? O que aconteceu?

Ela fica ali sem entender nada. CAM mostra o jogo das crianças. Um jogador do time de Murilo sofre um cartão amarelo por derrubar um oponente. Flávia ali na arquibancada indignada com o cartão. 

FLÁVIA        —  (Grita) Aí esse Juiz já tá pegando pesado demais! São só crianças! Só eu que vi que não foi nada demais?

Todos na arquibancada olhando pra ela sérios. Ela fica sem graça. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. CLUBINHO DE FUTEBOL KIDS. FACHADA. EXT. DIA.

Cristina sai do clubinho de Futebol a passos largos. Vicente vem logo atrás dela.

VICENTE      —  Ei… Você! Espera aí!

Ela para e de costas pra Vicente fecha os olhos.

VICENTE      —  Você parece muito com alguém que eu conheço. Mas eu não vi o seu rosto.

Ela de costas pra Vicente volta a andar e ele vai atrás dela.

VICENTE      —  Apenas queria saber quem você é.

Atenção Sonoplastia: Entra aqui a risada de Jandira vindo de dentro do banheiro.

VICENTE      —  (P/si) Eu conheço essa risada! Jandira!

Ele vai para a porta do banheiro masculino e fica batendo nela rapidamente.

VICENTE      —  (Chamando) Jandira! Jandira! Sai de dentro desse banheiro! Para com essa sem-vergonhice num clubinho de futebol infantil Jandira!

Corta para o estacionamento: Cris entra em seu carro, que sai disparado. Vicente olhando o carro se afastar. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 05. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Sol, Glória, Karina e Miguel vêm da sala. E ficam surpresos. CAM ainda não revela.

SOL               —  Nossa! Mas isso aqui está lindo demais da conta, sô!

KARINA       —  Nossa! Você deve ter gostado mesmo.

MIGUEL        —  Tá até fazendo sotaque caipirês.

GLÓRIA        —  Até que a cozinha é bonitinha, mas convenhamos aqui que poderia ter ficado melhor.

KARINA       —  Eu fiz o melhor que pude, dona Glória.

GLÓRIA        —  Eu sei, Karina. A culpa disso é única e exclusiva da Sol!

SOL               —  Eu?

GLÓRIA        —  É… Se você tivesse me ouvido a cozinha não teria ficado tão… Tão desse jeito!

SOL               —  Ela tá falando isso porque quem escolheu os móveis da cozinha fui eu!

MIGUEL        —  Que isso, dona Glória? A Cozinha tá linda! Se a senhora não gostou agora, eu tenho certeza que ainda vai gostar.

GLÓRIA        —  Até que você pode ter razão, Miguel! Eu ainda posso gostar dessa cozinha! Mas agora, pra mim, ela não é lá essas coisas!

CAM revela a cozinha mostrando detalhes.

SOL               —  (P/Karina) Como é que o Miguel consegue convencer a mamãe tão facilmente assim?

KARINA       —  Esse é o poder dele de manipular as pessoas!

SOL               —  Que isso, Karina? Não é só porque vocês dois tiveram uma briguinha que ele é manipulador!

KARINA       —  É. Pode até ser que eu esteja errada! Vai ver a burra da história sou eu.

GLÓRIA        —  O que é que tem “burra” aí gente?

SOL               —  Nada não, mamãe!

KARINA       —  Vamos agora para os quartos!

Todos voltam para a sala.

CORTA PARA:

CENA 06. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada. A campainha toca.

MARTA        —  (Grita) Mazé! A campainha!

MAZÉ            —  (OFF) Não tem como a senhora atender não, dona marta? É que se eu sair daqui agora o bolo vai queimar!

MARTA        —  (P/si) Não sei porque pagar empregada se quando ela tem que fazer o que lhe é designado, não faz!

Ela abre a porta. E Adriana.

ADRIANA     —  Oi, dona Marta.

MARTA        —  Adriana! Tinha até esquecido que você vinha.

ADRIANA     —  Como a senhora está, dona Marta?

MARTA        —  Não ando nos meus melhores dias, mas eu acredito que tudo ainda vai melhorar! Entre.

Ela entra. As duas se cumprimentam com dois beijinhos no rosto. Marta fecha a porta e as duas se sentam.

ADRIANA     —  Fiquei feliz de a senhora aceitar a minha visita.

MARTA        —  Que isso, Adriana? Você sempre será bem-vinda nessa casa! 

ADRIANA     —  É que eu pensei que depois do que aconteceu entre o Miguel e eu, a senhora não iria querer mais me ver.

MARTA        —  Muito pelo contrário, Adriana! Aí mesmo que nós temos que unir as nossas forças. Para fazer com que as coisas voltem a ser o que eram antes de isso tudo acontecer!

CORTA PARA:

CENA 07. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Sol, Glória, Karina e Miguel entram. E ficam ainda mais boquiabertos. CAM ainda não revela.

GLÓRIA        —  Esse sim é o melhor cômodo do tríplex! Ficou um primor! Aprenda como se escolhe móveis, Solange Moraes!

SOL               —  Tá com a linguinha afiada hoje, hein, mamãe!

KARINA       —  Aqui está a sua suíte máster, Sol!

SOL               —  Ficou muito linda!

GLÓRIA        —  Eu ainda não entendendo porque eu não pude ficar com a suíte máster. Normalmente esse é o quarto da matriarca da casa.

SOL               —  Mamãe, nós já conversamos sobre isso. A senhora sabe que não precisa de um closet do tamanho desse aqui.

GLÓRIA        —  Não preciso mesmo não. Não sei pra que vocês querem tanta coisa.

KARINA       —  Vem ver como ficou o closet, meninas!

Elas vão para o closet. Miguel fica ali.

Atenção Sonoplastia: cel. de Miguel notifica mensagem.

MIGUEL        —  (P/si) Mensagem do Gael (Lê) Eu se fosse você não iria pra casa tão cedo. Dona Marta convidou a Adriana pra uma visita.

Ele fica pensativo por um instante e arremata.

MIGUEL        —  (P/si) Qual a intenção da dona Marta com isso?

Ele fica ali intrigado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08 LEBLON. PIZZARIA. EXT. DIA.

Gael e Juliana ali sentados a uma mesa na calçada pertencente a pizzaria. Gael mexendo no cel.

GAEL            —  Aposto que o Miguel ficou intrigado depois dessa mensagem.

JULIANA      —  Mas por que a sua mãe tá recebendo a ex dele?

GAEL            —  É uma história longa. Mas resumindo… É porque ela não aceita o fim do relacionamento deles.

JULIANA      —  Ah sim. Agora me responde uma coisa. Por que você cisma de me trazer nesses lugares, Gael?

GAEL            —  Poxa… Eu te trouxe a uma pizzaria justamente por isso. Se eu te levasse naqueles restaurantes chiques você nem entraria.

JULIANA      —  Não mesmo! Esse povo da zona sul se acha melhor do que os outros só por causa de uma conta bancária gorda.

GAEL            —  Verdade. Mas não vamos falar disso. Vamos falar de coisa boa. O que você tem feito de bom nesses dias que a gente não se viu?

JULIANA      —  Nada demais! Só tenho ficado atrás de emprego mesmo.

GAEL            —  Mas você trabalha em quê?

JULIANA      —  Eu não tenho profissão. Mas eu sonho em fazer psicologia.

GAEL            —  Nossa! Que legal.

JULIANA      —  É. Eu tenho estudado para o vestibular, mas tá difícil viu.

GAEL            —  (Pega na mão dela) Uma pena não poder te ajudar. A minha área é ciência exata.

CORTA PARA:

CENA 09. CLUBINHO DE FUTEBOL KIDS. FACHADA. EXT. DIA.

Vicente ali esperando. Jandira sai de dentro do banheiro com o cabelo todo para o alto e com o homem musculoso.

VICENTE      —  Ah… Finalmente resolveu sair de dentro desse banheiro! O que você tem na cabeça pra ficar com essa pouca vergonha dentro de um clubinho de futebol infantil, Jandira?

JANDIRA      —  Aprenda uma coisa, Vicente: todo local, é um local! E eu estava muito bem acompanhada! Esse é meu amigo!

VICENTE      —  Poupe-nos de apresentações, Jandira!

JANDIRA      —  Nesse caso só me resta mandar ele de sentar o cacete!

Ele olha para os bíceps monstruosos do cara e arremata.

VICENTE      —  (Medo) Ai meu Deus!

Ele sai correndo. Jandira ali dando altas gargalhadas. Corta para o estacionamento: Vicente ali apoiado no carro cansado.

VICENTE      —  (P/si) Nossa! Corri tão pouco e estou quase colocando o coração pra fora! (Tem ideia) Já sei quem pode sanar essa minha dúvida!

Ele pega o cel. e disca.

VICENTE      —  (Ao cel.) Ricardo? Sou eu, Vicente. Eu queria saber se a Cris tá aí na construtora? (Reage forte) Não? Mas eu pensei que ela estava aí. Por que eu estou perguntando? (Disfarça) É que eu tentei ligar para o celular dela, mas só cai na caixa postal.

Atenção Sonoplastia: ouve-se a plateia indo ao delírio e gritando “GOL”!

VICENTE      —  (Ao cel.) O que foi isso? (Disfarça) Agora eu preciso desligar, Ricardo! (Desliga) Ai meu Deus! Tá acontecendo alguma coisa aqui!

Volta correndo para dentro do Clubinho.

CORTA PARA:

CENA 10. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ricardo e Ana ali.

RICARDO     —  Só eu que achei estranho isso? Eu coloquei no viva voz e você ouviu tudo muito bem, não ouviu?

ANA              —  Ouvi. Pelo que eu conseguir ouvir parece que ele tá num jogo.

RICARDO     —  Jogo? Não. O Vicente nunca foi disso.

ANA              —  Pelo amor de Deus, né, Ricardo!? Em que outro lugar as pessoas gritariam “Gooool”?

RICARDO     —  É verdade. Bom, conhecendo bem o dia a dia dessa empresa, nós já estamos acostumados com as várias coisas que não fazem sentindo algum aqui!

ANA              —  Com certeza! Isso faz parte da rotina da construtora.

Atenção Sonoplastia: cel. de Ricardo notifica mensagem.

RICARDO     —  Ih… A Rosangela de novo.

ANA              —  Sua esposa?

RICARDO     —  É. E pelos emojis que ela tá me mandando o dia dela não deve está nada bom!

ANA              —  Ih… Então hoje mais tarde prepare os ouvidos para ouvir a patroa contar como foi o dia dela.

Ricardo lamenta meneando a cabeça concordando.

CORTA PARA:

CENA 11. CLUBINHO DE FUTEBOL KIDS. PLATEIA. EXT. DIA.

Toda a torcida ali indo ao delírio com o gol do time de Murilo. Flávia saltitante de tamanha felicidade. Vicente volta a arquibancada e se aproxima dela.

VICENTE      —  Perdi alguma coisa?

FLÁVIA        —  Um gol lindo do time do Murilo!

VICENTE      —  Droga! Perdi a melhor parte!

FLÁVIA        —  Aonde você estava, Vicente? Não entendi nada você saindo apressado daquele jeito!

VICENTE      —  Eu fui ao banheiro e você não acredita com o que eu dei de cara.

FLÁVIA        —  O quê?

VICENTE      —  Sua mãe com um homem no banheiro masculino!

FLÁVIA        —  Não posso acreditar que a mamãe tá fazendo isso dentro de um clube de futebol infantil!

VICENTE      —  Pois é, Flávia. E sabe o que ela me disse quando eu falei que o que ela estava fazendo era errado? Que todo lugar, é lugar!

Fecha em Flávia indignada com a mãe meneando a cabeça. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. HOSPITAL CRISJUDAS. QUARTO. INT. DIA.

Alfredo ali sentado na cama pensativo. Renata bate na porta e entra.

RENATA       —  Licença, Alfredo.

ALFREDO     —  Ah, oi, Renata. Entre.

RENATA       —  Como você está?

ALFREDO     —  Indo! Cada dia que se passa e eu não saio desse quarto de hospital tá me deixando louco. Parece que eu vou ter um ataque se continuar aqui.

RENATA       —  Calma, Alfredo. Eu conversei com o médico e ele disse que você já está quase pronto para receber alta.

ALFREDO     —  Como assim: quase pronto? Ele não disse uma data específica?

RENATA       —  Não. Ele só disse que você terá que passar por mais uma bateria de exames e se tiver tudo bem com você, aí sim estará liberado.

ALFREDO     —  Ah, tá. E saindo daqui eu ainda tenho que arrumar um lugar pra ficar.

RENATA       —  Como assim, Alfredo? Você não vai voltar pra nossa casa?

Fecha em Alfredo sério. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. JORNAL. COPA. INT. DIA.

Rosangela ali tomando um cafezinho e mexendo no cel.

ROSANGELA —(P/si) Como é que o Alfredo consegue lidar com tanta pressão? Eu nunca pensei que o cargo de editor chefe exigia tanto da gente assim.

Joana vem da redação.

JOANA          —  Falando sozinha aí, é? O cargo de editora chefe já está te deixando louca?

ROSANGELA —Bem que você queria, né? Mas você não terá esse gostinho! 

JOANA          —  (Cínica) Por que você tem essa imagem de que eu sou uma pessoa ruim, Rô?

ROSANGELA —Com licença!

Ela volta para a redação. Joana sorrir debochando e arremata.

JOANA          —  (P/si, debochada) No que depender de mim, ela vai ficar louquinha da Silva, ou eu não me chamo Joana!

Ela fica ali sorrindo malignamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. DIA.

Cristina chega da rua e joga a bolsa com violência no sofá.

CRISTINA     —  (P/si, ódio) Ai que ódio do Vicente! Ódio, ódio, ódio!!! Canalha! Todo esse tempo engando a mim e a filha dele! A Adriana vai ficar arrasada quando souber disso. A imagem daquele pai perfeitinho que ela tinha dele acabou! (Pega o cel. na bolsa) Mas o que interessa está aqui! Com essas fotos eu acabo com o Vicente!

Ela sorrir malignamente por um instante e depois dá um ataque de fúria e joga um enfeite da mesinha de centro contra a parede.

CRISTINA     —  (Histérica) Que ódio! Ele me paga! Ele me paga!

CAM mostra a empregada ali escondida assustada a observar aquela cena.

Ela joga todas as louças da mesa de jantar no chão. Encosta na parede e vai deslizando até o chão aos prantos, quando arremata.

CRISTINA     — (P/si, aos prantos) Ele não podia ter feito uma coisa dessas! Mas a minha vingança virá no divórcio!

Ela fica ali séria. CAM mostra a empregada fazendo o sinal da cruz e depois voltando para a cozinha. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 15. HOSPITAL CRISJUDAS. QUARTO. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 12.

ALFREDO     —  Você acha mesmo que tem clima para que eu possa voltar a morar naquele apartamento?

RENATA       —  Claro que tem, Alfredo. Poxa, eu já me desculpei com você pelo que aconteceu. Eu me sinto super culpada pelo acidente que você sofreu.

ALFREDO     —  A única pessoa responsável pelo que aconteceu, sou eu mesmo! Eu não deveria ter feito a loucura de beber e dirigir.

RENATA       —  Mas você e todos sabem que você só fez isso porque antes nós tivemos aquela nossa conversa.

ALFREDO     —  Tudo bem, Renata. Mas mesmo assim se eu voltar pra casa vai ser temporário.

RENATA       —  Então você não quer mesmo tentar novamente?

ALFREDO     —  Olha, Renata. Pras coisas terem chegado ao pontoem que chegou, o nosso casamento não tem mais salvação!

RENATA       —  Tudo bem. Isso me machuca muito, mas se essa é a sua opinião, só me resta respeitá-la. Mas agora, ninguém tira da minha mente que tudo isso tem a ver com a volta dessa tal de Sol a sua vida!

ALFREDO     —  (Firme) De novo essa história, Renata?! Eu pensei que isso já tinha se encerrado!

Fecha em Renata certa de que Sol é a verdadeira culpada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

CAM faz um tour pela cobertura. Mostrando as espreguiçadeiras, guarda sóis. Sol, Glória, Karina e Miguel chegam à cobertura.

KARINA       —  E aqui está a parte da casa que mais chama a atenção.

SOL               —  Ficou maravilhoso!

GLÓRIA        —  Se bem que aqui não tinha muito o que fazer. Mas você mandou bem, Karina.

KARINA       —  Obrigada, dona Glória!

MIGUEL        —  Poderia passar o dia e a noite aqui nessa cobertura só admirando essa linda vista.

GLÓRIA        —  Verdade, Miguel. Essa vista é de encantar qualquer um.

SOL               —  (P/Karina) Vem cá.

As duas se afastam de Miguel e Glória.

KARINA       —  O que foi, Sol? Você não gostou de alguma coisa? Eu sabia que teria alguma coisa que não agradaria!

SOL               —  Não é isso, Karina. Eu só queria saber por que você chamou o Miguel de manipulador?

KARINA       —  É que meu pai abriu os meus olhos em relação ao Miguel, sabe? Ele disse que só o tempo que o Miguel deu com a noiva dele não significa nada. E eu concordo com ele. Pode ser que o Miguel ainda goste essa menina.

SOL               —  Olha, Karina. Eu vou te falar o que eu acho. Eu sinceramente acho que ele gosta de você.

KARINA       —  Eu também achava isso. Se ele realmente gostasse de mim, teria terminado logo com essa menina antes de me beijar.

SOL               —  Mas aí você tem que tentar ver o porquê de ele não ter terminado ainda com essa menina. Podem ser N fatores!

KARINA       —  É. Até pode ser.

Fecha em Karina pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. LEBLON. RUA. EXT. DIA.

Gael e Juliana caminhando de mãos dadas.

GAEL            —  Nesses últimos dias eu andei pensando bastante sabe? E eu acho que nós deveríamos abrir o jogo com as nossas famílias.

JULIANA      —  Ai, Gael… De novo essa história? Você sabe que eu ainda não estou pronta para tornar pública a nossa relação!

GAEL            —  Mas o que te impede, Ju? Você me ama?

JULIANA      —  (Não entende) O quê?

GAEL            —  Diga se você me ama de verdade mesmo.

JULIANA      —  Claro que eu amo!

GAEL            —  Então porque continuar ocultando a nossa relação? Poxa, nós não estamos cometendo nenhum crime.

JULIANA      —  Eu sei, Gael. Mas querendo ou não para as nossas famílias isso é um crime sim!

GAEL            —  Meu amor… Pra que pensar no que eles vão achar? Mesmo que o nosso amor seja proibido. Nós temos que vivê-lo! Nós não podemos deixar a nossa felicidade de lado pensando no que as outras pessoas vão achar!

JULIANA      —  Tudo bem, Gael. Eu entendi o que você quer dizer. Eu só quero que você me prometa uma coisa.

GAEL            —  O quê?

JULIANA      —  Que você não vai forçar a barra! Deixa as coisas acontecerem no seu devido tempo. Quando eu estiver pronta, aí sim nós conversamos com as nossas famílias, pode ser?

GAEL            —  Não tem outro jeito, né! Fazer o quê!

Eles seguem caminhando e se afastando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes aéreos do passar de algumas horas. Takes das Praias, Pedra do Arpoador, Cristo Redentor, Morro do Corcovado. Instantes. 

CORTA PARA:

CENA 19. CLUBINHO DE FUTEBOL KIDS. FACHADA. EXT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior. 

Todos saindo e indo embora do clubinho. A família Alvarez vem caminhando. Flávia procurando pela mãe.

VICENTE      —  Filho, você foi muito bem.

MURILO       —  Que bom que o senhor gostou, pai. Viu naquela hora que eu defendi o pênalti?

VICENTE      —  Vi, filho. Você foi maravilhoso. (Percebe Flávia) Procurando alguma coisa, Flávia?

FLÁVIA        —  A mamãe! Ela até agora não apareceu!

MURILO       —  O que aconteceu com a vó Jandira?

FLÁVIA        —  Era o que eu também gostaria de saber, meu filho!

Vicente vê algo e aponta.

VICENTE      —  (Aponta) Olha ela lá de papinho com o tal musculoso.

FLÁVIA        —  Essa palhaçada acaba agora!

Flávia vai caminhando em direção a Jandira. Corta pra ela e o Musculoso:

JANDIRA      —  Você foi ótimo, hein! Um dos melhores que eu já peguei até agora!

O musculoso fica se achando. Flavia chega já puxando a mãe.

FLÁVIA        —  Vambora, mamãe!

JANDIRA      —  Que isso, Flávia?! Eu estava conversando com o musculoso!

FLÁVIA        —  Então dá tchau pra ele que nós já estamos indo!

JANDIRA      —  (Jogando charme) Tchau!

Ele joga um beijo pra ela. Corta para o carro de Vicente: Vicente e Murilo já dentro do carro. Murilo olhando pela janela.

JANDIRA      —  Murilo, como foi o jogo?

MURILO       —  (Entusiasmado) A gente ganhou, vó!

JANDIRA      —  Shiii… Fala baixo! Nem todo mundo aqui sabe que eu tenho idade pra ser sua avó!

FLÁVIA        —  (Firme) Aqui todo mundo sabe que a senhora tem idade pra ser avó do Murilo, mamãe! Agora entre nesse carro e vamos pra casa!

JANDIRA      —  Nossa! Que estressada!

Jandira entra no carro. Flávia também. O carro dá a partida e vai se afastando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta e Adriana sentadas. 

MARTA        —  Tá entendendo, menina? Aí as coisas ficam complicadas.

ADRIANA     —  Eu super entendo a senhora, dona Marta.

Mazé vem da cozinha com chá e biscoitos numa bandeja.

MAZÉ            —  Com licença, dona Marta. Aqui estão as coisas que a senhora pediu!

MARTA        —  Obrigado, Mazé!

MAZÉ            —  A senhora precisa de mais alguma coisa? É que eu preciso dar uma limpadinha no quarto dos gêmeos.

MARTA        —  Pode ir lá, Mazé. Qualquer coisa eu te chamo depois.

MAZÉ            —  Tá bom.

Mazé vai para o corredor e fica a espionar as duas ali.

ADRIANA     —  Esse chá tá com um gosto diferente.

MARTA        —  É a Mazé que não sabe fazer esse chá direito, menina.

ADRIANA     —  Se lá em casa uma empregada faz uma coisa dessas, minha mãe não pensa duas vezes: rua!!!

MARTA        —  Pois é. Mas aqui a Mazé é antiga. Dá uma preguiça ter que acostumar com outra empregada!

ADRIANA     —  Sei, eu entendo a senhora. Realmente é trabalhoso a contratação de uma empregada nova.

MARTA        —  Mas agora falando do que interessa. Eu tenho um plano pra acabar com essa aventura do Miguel e essa outra garota aí.

ADRIANA     —  Ah é? E no que a senhora pensou?

MARTA        —  Eu já tenho tudo esquematizado. Primeiro eu vou dar uma de que concordo com a decisão do Miguel e depois eu entro em ação!

ADRIANA      —Mas será que isso vai dar certo mesmo, dona Marta?

MARTA        —  Claro que vai! Tudo que eu puder fazer pra acabar com essa aventurazinha louca do Miguel, eu vou fazer!

MAZÉ            —  (P/si) Misericórdia! Dona Marta tá mostrando uma face que eu não conhecia! 

As duas ficam ali sorrindo malignamente. CAM mostra Mazé boquiaberta com o que ouviu. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 32º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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