Partes de Mim – Capítulo 33

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

FIGURAÇÃO

CENA 01. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Mazé entra e boquiaberta arremata.

MAZÉ            —  (P/si, boquiaberta) Jesus Amado. Como é que pode uma coisa dessas? A própria mãe querer sabotar o filho. Aonde vamos parar desse jeito gente? (Cai na real) Então foi por isso que ela veio com aquele papinho estranho no supermercado. Era disso que ela tava falando e eu não entendi. (Pausa) Não sei porque ela quer juntar ele com esse nariz em pé aí… Menina metida. Não tem nada a ver com o Miguel que é muito mais humilde que ela. Chega de falar, Mazé! Agora é hora de limpar esse quarto voando que daqui a pouco é hora de ir pra casa!

Ela começa a arrumar as camas que estão um pouco desarrumadas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. RIO DE JANEIRO. EXT. ANOITECER.

Takes descontínuos do anoitecer, com ênfase no pôr do sol na Pedra do Arpoador.

CORTA PARA:

CENA 03. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Ana ali organizando para ir para casa. Ricardo sai de sua sala pronto para ir para casa.

RICARDO     —  Então é isso, né? O dia terminou e só há nós dois aqui na diretoria?

ANA              —  Pois é. Aonde será que o seu Vicente e a dona Cristina foram?

RICARDO     —  Não sei, Ana. Mas de qualquer forma, o dia de amanhã pode nos reservar grandes surpresas!

ANA              —  Será?

RICARDO     —  Não duvido nada! Os dois passaram a tarde fora. Alguma novidade idem te ter.

ANA              —  É… Pode ser.

RICARDO     —  E você vai embora de quê?

ANA              —  Transporte público. Mais precisamente ônibus.

RICARDO     —  Disso eu sei. Não quer uma carona não?

ANA              —  É, até que uma caroninha já me adianta e muito!

RICARDO     —  Então vamos!

Os dois saem.

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE RENATA. SALA. INT. NOITE.

Bruna vem da cozinha bebendo um copo de suco. Renata chega da rua.

BRUNA         —  Finalmente, hein, mãe! A senhora demorou o dia todo e eu fiquei aqui preocupada!

RENATA       —  Desculpa, filha! É que depois que eu sai do hospital eu fiquei dando umas voltas de carro pra espairecer.

BRUNA         —  Tá me parecendo que a senhora e o papai se desentenderam de novo. Tô certa, não tô?

RENATA       —  Tá! Mas não foi bem um desentendimento! É que seu pai disse que não queria voltar pra casa!

BRUNA         —  Por quê?

RENATA       —  É que ela achou que não tinha clima pra voltar pra cá!

BRUNA         —  Tudo depois que aquela outra apareceu!

RENATA       —  Mas aí eu acabei convencendo-o a vir pra cá quando receber alta.

BRUNA         —  Que bom, mãe!

RENATA       — Mas ele disse que vai ser provisório! Então provavelmente, depois que melhorar, ele vai querer morar em outro lugar!

BRUNA         —  Pensando bem, mãe… Há uma maneira de evitar que ele saia de casa!

RENATA       —  E que maneira seria essa?

BRUNA         —  Como ele vai ficar aqui até melhorar, vamos fazer de tudo pra que ele não queria mais ir embora!

RENATA       —  Boa! Gostei, filha!

BRUNA         —  Vamos fazer do tempo em que ele vai ficar aqui, o melhor de toda a vida dele!

Fecha em Renata sorrindo e concordando com a filha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol e Karina sentadas no sofá. Miguel e Glória na sala de jantar.

KARINA       —  Sol, foi uma tarde maravilhosa, mas agora eu preciso ir!

SOL               —  Mas já?

KARINA       —  Já, porque tá tarde e eu ainda tenho que terminar um trabalho pra entregar amanhã na faculdade.

SOL               —  Então nesse caso eu quero te agradecer por tudo!

KARINA       —  Imagina, Sol! Eu é que agradeço por você deixar o seu tríplex como cobaia nas minhas mãos!

SOL               —  Mas foi uma cobaia muito bem feira, convenhamos aqui!

Karina pega sua mochila e arremata.

KARINA       —  Tchau, dona Glória!

GLÓRIA        —  Já tá indo, menina? Eu pensei que você ficaria mais tempo!

KARINA       —  Eu adoraria, mas é que eu ainda tenho eu terminar um trabalho da faculdade!

GLÓRIA        —  Então tá! Mas você não acha que tá muito tarde pra ir embora sozinha!

MIGUEL        —  Se você quiser eu posso de acompanhar, Karina!

KARINA       —  Muito obrigado, Miguel! Mas não será necessário! Eu chamei um carro pelo aplicativo e ele tá ali embaixo me esperando! Tchau, gente!

GLÓRIA        —  Tchau!

Sol abre a porta e Karina sai.

GLÓRIA        —  Menina boa! Espero que você não deixe ela escapar, Miguel!

MIGUEL        —  Pelas burradas que eu andei fazendo, acho que já a perdi.

GLÓRIA        —  Como assim, Miguel?

Ele começa a falar fora de áudio. Sol se aproxima dos dois na sala de jantar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta e Adriana ali sentadas.

ADRIANA     —  Eu vim aqui na esperança de encontrar com o Miguel, mas pelo visto ele não aparece tão cedo!

MARTA        —  Eu não sei porque o Miguel sumiu, menina! Ele tem agido estranho nesses últimos dias, sabe?

ADRIANA     —  Ah é, dona Marta?

MARTA        —  É. Ele tem ficado a maior parte do tempo fora de casa e quando a gente pergunta, ele não responde direito aonde tava!

ADRIANA     —  Estranho mesmo! O Miguel nunca foi disso!

MARTA        —  Pois é! Eu tô começando a fica muito preocupada com ele!

ADRIANA     —  Mas sabe o que é isso, dona Marta? É a má companhia da tal de Karina! Por isso ele tá desse jeito!

MARTA        —  Alguém tem que parar o Miguel! Só ele mesmo que não enxerga o quão prejudicial a companhia dessa menina tá sendo pra ele!

ADRIANA     —  Pois é, dona Marta! Mas se ele não enxerga isso, quem somos nós para se meter?

MARTA        —  Mãe dele! E eu como mãe, não posso deixar ele continuar a cometer essa burrada!

ADRIANA     —  A noite já chegou e eu preciso ir!

MARTA        —  Então tá, Adriana! Não se preocupe que da próxima vez eu faço de tudo pra segurar o Miguel aqui dentro de casa!

ADRIANA     —  Tá bom, dona Marta! Agora eu preciso ir porque amanhã tenho que entregar um trabalho importantíssimo na faculdade!

MARTA        —  Eu te acompanho até a porta!

As duas vão até a porta e Adriana sai.

MARTA        —  (P/si) Não dá pro Miguel continuar desse jeito! Eu tenho que colocar um freio nele!

CORTA PARA:

CENA 07. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA.INT. NOITE.

Carlito ali sentado.

CARLITO      —  (P/si) Eu tenho que conseguir a participação do playba nesse plano! Só ele consegue entrar nos locais sem que as pessoas desconfiem que é marginal!

Juliana chega da rua.

CARLITO      —  Nossa! Finalmente resolveu aparecer!

JULIANA      —  Oi, pai!

CARLITO      —  Aonde a senhorita foi?

JULIANA      —  Fui numa entrevista de emprego!

CARLITO      —  Ah é? Mas àquela hora que você saiu era tarde demais pra uma entrevista de emprego.

JULIANA      —  Pai, pelo amor de Deus, né? As empresas é que escolhem o horário da sua entrevista.

CARLITO      —  Tá bom, filha! E aí, você acha que foi bem?

JULIANA      —  Acho que sim! Mas tinha muita gente competindo por uma única vaguinha!

CARLITO      —  Aí dificulta, né?

JULIANA      —  Pois é! Agora eu vou tomar um banho e relaxar!

Ela vai parta o quarto.

CARLITO      —  (P/si) Sinto um aroma de mentira no ar!

Ele fica ali desconfiadíssimo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia ali em pé dando bronca em Jandira sentada.

FLÁVIA        —  O que a senhora tem na cabeça pra ficar com um homem no banheiro de um clubinho infantil, mamãe?  E se uma criança entrasse no banheiro!

JANDIRA      —  Eu não sei se antes de fazer fofoquinha pra você, o Vicente disse que a porta do banheiro estava trancada!

FLÁVIA        —  Não! Ele não disse!

JANDIRA      —  Tá vendo só como ele conta as coisas pela metade?

FLÁVIA        —  Mas ele disse que ouviu a senhora dando gargalhadas de longe! A senhora acha mesmo que isso pegaria bem pra minha imagem com os outros pais? E o Murilo então?

JANDIRA      —  Tá bom, Flávia! Eu admito que errei! Agora não adianta você ficar aí chorando pelo leite derramado. Quer dizer… Se o Vicente não tivesse nos interrompido, teria derramado, mas enfim!

FLÁVIA        —  Mamãe pelo amor de Deus! A senhora deveria ser censurada para menores de oitenta anos! Será que pelo menos uma vez a senhora pode agir com uma mulher decente, responsável?

JANDIRA      —  (Debocha) Poder eu até posso… Mas não consigo!

Ela vai para o quarto dando altas gargalhadas.

FLÁVIA        —  (P/si) Ainda dá as coisas sorrindo! 

Flávia fica ali meneando a cabeça negativamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol, Glória e Miguel sentados à mesa conversando.

GLÓRIA        —  Então o seu caso é complicado, hein!

MIGUEL        —  Pois é, dona Glória! Mas eu tenho que ser homem e acabar logo com isso de uma vez por todas!

SOL               —  Mas nós também entendemos o seu lado! Não vai ser nada fácil enfrentar tudo e todos e colocar um ponto final nesse noivado!

GLÓRIA        —  Com certeza não será! Mas se você está certo de que essa outra menina não é pra você… Eu te dou total apoio para dar um fim nisso! Eu sei que com a Sol aqui presente eu posso me arrepender de ter dito isso, mas…. Nem sempre os pais estão certos!

SOL               —  Para tudo! Eu nunca pensei que ouviria isso da boca da dona Glória! Ela sempre foi a dona da razão!

Miguel sorrir.

GLÓRIA        —  Calma! Você nem deixou eu terminar! Os pais não estão certos todas as vezes, mas na maioria das vezes eles estão certos sim!

MIGUEL        —  Nesse caso em especial, a senhora acha que a minha mãe tá certa, dona Glória?

GLÓRIA        —  Claro que não! Que mãe força o filho a se casar com uma pessoa que ele não ama pra ser infeliz? Siga o seu coração!

MIGUEL        —  É isso mesmo que eu vou fazer! Obrigado mesmo pelos esclarecimentos!

GLÓRIA        —  Que nada, menino! Precisando é só falar que esse caco conselheiro aqui te ajuda!

MIGUEL        —  Que isso, dona Glória? Até que a senhora tá enxuta!

SOL               —  É verdade, mamãe! Agora vamos tomar um café, um suco, alguma coisa?

GLÓRIA        —  Tomar o que, Sol? Não tem nada na geladeira!

SOL               —  A Karina disse que comprou algumas coisas e deixou na geladeira!

GLÓRIA        —  É por isso que eu adoro essa menina!

Sol e Glória vão para a cozinha.

MIGUEL        —  (P/si, determinado) É isso que eu tenho que fazer! Não posso mais continuar desse jeito! Eu gosto da Karina! Não posso deixar de ficar com quem eu amo por causa da dona Marta!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 10. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Carlito ali deitado no sofá. Mazé chega já falando em off

MAZÉ            —  (OFF) Você precisava ver, menina!

Ele logo se senta adequadamente. Mazé e Ana entram.

ANA              —  Boa noite, Carlito!

CARLITO      —  Boa noite, Ana!

ANA              —  Agora eu vou tomar um banho e relaxar que amanhã é tudo de novo!

MAZÉ            —  Vai lá, Ana!

Ela vai para o quarto.

CARLITO      —  Oi, nega! Como você tá?

MAZÉ            —  Cansada! Você acha que encarar metrô, trem e ônibus é mole?

CARLITO      —  Não se preocupa não, nega! Eu ainda vou te dar uma vida de rainha, você vai ver!

MAZÉ            —  Sei! Desde que nos casamos que eu ouço isso!

CARLITO      —  Mas dessa vez é sério nega!

MAZÉ            —  (Desconfiada) Por que você tá falando com tanta convicção assim?

CARLITO      —  É que eu vou jogar na mega sena e vou ganhar! Você vai ver só!

MAZÉ            —  Sei! Tô cansada de ouvir isso também!

Ela vai para o quarto. Ele fica ali grilado por ela ter desconfiado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina ali digitando a todo vapor no notebook. Ricardo chega da construtora.

RICARDO     —  Boa noite, filha!

KARINA       —  (Digitando no notebook) Boa noite, pai!

RICARDO     —  Sua mãe já chegou?

KARINA       —  Ainda não!

RICARDO     —  Nossa! Você tá centrada aí, hein!

KARINA       —  Tenho que estar mesmo, pai! Esse trabalho é pra entregar amanhã! Com esse negócio de arrumar todo o tríplex da Sol, eu acabei atrasando esse trabalho!

RICARDO     —  (Se aproxima da filha) Mas ainda falta muita coisa? Se precisar de ajuda é só dizer!

KARINA       —  Obrigada, pai. Mas não precisa de ajuda não! Só faltam cinco páginas!

RICARDO     —  Só? Você acha que consegue escrever essas cinco páginas tão rapidamente assim?

KARINA       —  Tem razão, pai! Ainda falta bastante coisa!

RICARDO     —  (Se senta) Eu posso te ajudar. Deixa eu ver tudo que você já fez! Vamos focar no que faltou para complementar o seu texto!

Ele puxa o notebook para seu lado e começa a ler. Ela falando com ele fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Murilo e Vicente ali sentados conversando.

VICENTE      —  Gostou do papai ter aparecido hoje?

MURILO       —  Gostei! Mas antes de eu ver o senhor lá me vendo, um garoto veio me zoar.

VICENTE      —  Como assim?

MURILO       —  É porque eu estava procurando você, a mamãe e a vó Jandira. Aí dele disse: “está procurando seu pai? Com certeza ele não vai vim como sempre”!

VICENTE      —  Nossa! Que malvado! Esse tipo de coisa não se faz!

MURILO       —  Mas ele tá certo, pai! Eu sempre fui motivo de chacota entre eles porque o senhor nunca vai.

VICENTE      —  Mas dessa vez eu fui. E eu prometo que toda vez que tiver jogo, eu vou! Tá bom?

MURILO       —  Tá! Agora vamos jogar?

VICENTE      —  Não sei! Acho que eu não tô com vontade de te dar uma surra como na semana passada!

MURILO       —  Até parece! Agora que eu sei qual é a sua estratégia, você já era!

VICENTE      —  É o que veremos! Liga o vídeo game!

Murilo liga o vídeo game e os dois ficam ali conversando fora de áudio com os controles em mãos.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta ali sentada pensativa. Gael chega da rua.

MARTA        —  Finalmente alguém resolveu dar as caras!

GAEL            —  Por quê?

MARTA        —  Porque você e o seu irmão hoje resolveram desaparecer!

GAEL            —  Mas você não viu a hora em que eu sai?

MARTA        —  Vi! Mas aonde você passou a tarde toda?

GAEL            —  Por aí!

MARTA        —  Como “por aí”? Vai que você morre por aí? Eu não vou nem saber aonde procurar o seu corpo!

GAEL            —  Não se preocupe que há uma pessoa que saberá aonde o meu corpo está!

MARTA        —  Quem? Quem é essa pessoa?

Ele vai para o quarto sorrindo.

MARTA        —  (P/si) Que ódio quando eles nos deixam aqui falando sozinha!

CORTA PARA:

CENA 14. JORNAL. REDAÇÃO. INT. NOITE.

Redação vazia, somente Rô ali trabalhando a todo vapor. Joana vem com sua mochila e vê Rô ali e vai falar com ela.

JOANA          —  Ainda aqui, Rô? O que foi? Não deu conta de fazer tudo durante o expediente? 

ROSANGELA —Não! Apenas estou aqui revendo tudo pra não ter erros como da última vez!

JOANA          —  Ah sim.

ROSANGELA —E o que você tá fazendo aqui?

JOANA          —  Voltei pra pegar um negócio!

Ela vai pra sua mesa. 

ROSANGELA —(P/si) Pegar negócio é uma ova! Com certeza foi ela que sabotou a edição de ontem do jornal!

JOANA          —  Tinha esquecido o meu bloquinho aqui! Eu levo ele pra casa porque tenho ideias de pauta pra minha coluna!

ROSANGELA —Ah sim. Então vai lá. Bom descaço!

JOANA          —  Igualmente! Só não demora muito que daqui a pouco o pessoal da noite tá chegando!

Ela sai da redação.

ROSANGELA —(P/si) Me engana que eu gosto! Tenho certeza que ela voltou pra arruinar a edição de amanhã! Canalha!

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 15. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina sentada, séria, pensativa.

CRISTINA     —  (P/si) Meu advogado vai acabar com o Vicente! Ele e aquela biscatezinha dele vão ver o que é bom pra tosse! Vão ficar na merda.

Adriana chega da rua.

ADRIANA     —  Oi, mãe!

CRISTINA     —  Oi, filha!

ADRIANA     —  Aconteceu alguma coisa?

Ela pensa e instantes depois arremata.

CRISTINA     —  Não! Não aconteceu nada! Por que a pergunta?

ADRIANA     —  É que a senhora tá aí toda estranha!

CRISTINA     —  É que eu tô com uma dor de cabeça!

ADRIANA     —  Ah sim. Deixa eu te contar como foi a tarde com a dona Marta! Ela me contou que tem uma carta na manga pra acabar de uma vez por todas com essa aventura do Miguel.

CRISTINA     —  Que bom, filha!

Ela se levanta e vai para o quarto com Adriana arrematando

ADRIANA     —  Mas a senhora não quer ouvir?

CRISTINA     —  Depois, filha!

ADRIANA     —  (P/si) Tá acontecendo alguma coisa!

Ela fica ali desconfiada. Instantes. 

CORTA PARA:

CENA 16. HOSPITAL CRISJUDAS. QUARTO. INT. NOITE.

Alfredo ali deitado pensativo.

ALFREDO     —  (P/si) Será que a Renata tem razão? Eu inventei isso depois que a Sol apareceu? Não! O nosso casamento já ia de mal a pior mesmo! Ela deve tá falando isso pra tirar o foco do verdadeiro motivo! O pior é que a Bruna não vai aceitar muito bem essa ideia! Se bem que ela tem que aceitar! Ela não é pequena pra eu pensar se vai atrapalhar ou não o desenvolvimento dela! Chega! Cansei! Agora é hora de procurar a minha felicidade! Seja com ela estiver!

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE RENATA. QUARTO BRUNA. INT. NOITE.

Bruna ali sentada com um caderno em mãos.

BRUNA         —  (P/si) Eu tenho que pensarem alguma coisa pra evitar que meu pai saia de casa! Eu quero ele aqui com a gente! Mas o que eu posso fazer para ele não sair de casa? Ah, já sei!

Ela anota alguma coisa.

BRUNA         —  (P/si) Se bem que isso aqui já é pegar pesado demais! Se bem, também que vale tudo pra manter ele aqui dentro de casa! Mais o que eu poderia fazer?

Ela fica ali pensativa, anota mais alguma coisa no caderno. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. NOITE.

Sol e Glória ali tomando suco.

SOL               —  A senhora acha que o Miguel e a Karina vão ficar juntos?

GLÓRIA        —  Não sei, Sol! São tantas coisas atrapalhando a felicidade desses dois que eu não sei não!

SOL               —  Essa mãe do Miguel também não é flor que se cheiro não, hein! Onde é que já se viu uma coisa dessas?

GLÓRIA        —  Pois é, minha filha. Mas isso deve ser mais comum do que a gente imagina! Pelo que ele me contou aqui os pais dela são donos de uma conceituada construtora.

SOL               —  Mas o que isso tem a ver?

GLÓRIA        —  Pode ser que eu esteja errada, mas a mãe do Miguel quer que ele se case com essa moça por algum outro interesse!

SOL               —  Será, mamãe?

GLÓRIA        —  Hoje em dia eu não duvido de mais nada!

Fecha em sol refletindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. CASA DE MAZÉ. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Carlito ali mexendo no cel.

CARLITO      —  (P/si) Mas como esses imprestáveis ainda não conseguiram falar com o playba? Bando de palermas!

Mazé entra no quarto enrolada na toalha.

MAZÉ            —  Falando sozinho, Carlito?

CARLITO      —  Oi, meu amor! Estava aqui pensando em voz alta!

MAZÉ            —  Ah sim.

Ele se aproxima dela e a agarra por trás.

CARLITO      —  Sabe que você assim com essa toalha tá me dando umas ideias?

MAZÉ            —  Sei! Mas você vai ficar só nas ideias mesmo!

CARLITO      —  Que isso, nega! Eu sou homem! Eu tenho desejos!

MAZÉ            —  E eu sou mulher e também tenho os meus desejos! Mas tudo tem a sua hora, né, Carlito? E outra… Eu tô muito cansada!

CARLITO      —  Não tem problema! É só você bancar a geladeira que todo o resto eu faço!

MAZÉ            —  Não acredito que ouvi uma coisa dessas! Ridículo!

Ela joga um travesseiro nele.

MAZÉ            —  Sai daqui, Carlito! Deixa eu me vestir em paz!

CARLITO      —  (Saindo) Nossa! Que bruta!

Ele sai.

MAZÉ            —  (Imitando) “É só você fazer a geladeira”… Ele tá pensando que eu tô fria!

Ela vai parta o guarda roupa escolher alguma peça para vestir.

CORTA PARA:

CENA 20. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. NOITE.

Juliana mexendo nas panelas e Ana cortando legumes. As duas conversam sobre como foi o encontro de Ju com Gael.

ANA              —  E aí, amiga? Não deu tempo de te perguntar. Como foi o encontro com o bonitão?

JULIANA      —  É… Foi legal!

ANA              —  Legal? Mas só “legal”?

JULIANA      —  É…

ANA              —  Por que?

JULIANA      —  É que ele fica me cobrando esse negócio de assumir logo para as nossas famílias o nosso relacionamento, mas eu sinto que ainda não estou pronta pra isso, sabe?

ANA              —  Sei! Sei que você não está pronta e sei também que você vai acabar perdendo o bonitão!

JULIANA      —  Você acha isso?

ANA              —  Claro! Ele não vai ter paciência pra te esperar até Deus lá sabe quando…

JULIANA      —  Ai prima… Não me coloque num beco sem saída pior do que o que eu já estou! 

CORTA PARA:

CENA 21. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina ali sentada olhando as fotos que tirou no clubinho.

CRISTINA     —  (P/si) Cada vez que eu olho pra essas fotos, dá vontade de acabar com ele e com essa vadia!

Adriana vem do quarto.

ADRIANA     —  Acho que já deu, né, mãe?

CRISTINA     —  (Não entende) Do que você tá falando, filha?

ADRIANA     —  A senhora está muito estranha! Eu sei que aconteceu alguma coisa e a senhora não quer dizer!

CRISTINA     —  Filha… Não aconteceu nada não! Isso são coisas da sua cabeça!

ADRIANA     —  Não tente me enganar que eu sei muito bem quando está acontecendo alguma coisa nessa casa! E eu não saio daqui até a senhora me contar do que se trata.

Ela bate o pé ali determinada. Cristina séria. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta ali sentada assistindo TV. 

Atenção Sonoplastia: cel. notifica mensagem. Ela pega e lê.

MARTA       —  (Lê) Espero que você tenha guardado várias notinhas de cem pra mim porque amanhã eu estou indo buscar!

Ela joga o cel. ali pelo sofá mesmo e arremata.

MARTA        —  (P/si) Acabei esquecendo dessa desgraçada! Eu tenho que arrumar um jeito de tirar essa mulher da minha cola! Mas como?

Ela fica ali pensativa. Instantes depois o cel. notifica mais uma mensagem, mas desta vez é de voz.

MARIA DE F.—  (OFF) Espero que você não esteja armando nada! Caso contrário, eu explano pra todo mundo a prova que eu tenho!

MARTA        —  (P/si) Mas que prova será que essa desgraçada tem?

Cel. notifica mais uma mensagem. Marta clica e ouvimos um insert das vozes de Marta e Maria de F. na cena 17 do capítulo 03.

MARIA DE F.—   (OFF) Mas por que você quer fazer isso mesmo?

MARTA          —   (OFF) Como pra quê? Eu sempre quis ter filhos. Como eu fiz exames recentemente e descobrir que eu não posso e a Sol teve… Então por que não pegar os dela?

MARIA DE F.—   (OFF) Ah, tá! Agora vamos!

Atenção Sonoplastia: Ouvimos ruídos da porta dos fundos do hospital abrindo e se fechando.

MARTA        —  (P/si) Mas como essa desgraçada conseguiu isso?? Essa infeliz me enganou!

Ela em fúria joga um vaso da decoração na parede. Gael vem rapidamente do quarto.

GAEL            —  O que aconteceu, mãe?

MARTA        —  (Firme) Nada! Não aconteceu nada, Gael! Só me deu uma fúria e uma loucura de jogar coisas na parede! Agora me deixe em paz!

Ela vai para o quarto.

GAEL            —  (P/si, sem entender) Mas o que acabou de acontecer aqui, gente?

Ele fica ali sem entender nada. Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO 33º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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