Partes de Mim – Capítulo 34

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE


CENA 01. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 21 do capítulo anterior.

CRISTINA     —  (Firme) Chega, Adriana! Se eu estou dizendo que não tá acontecendo nada, é porque não está acontecendo nada! Pra que essa insistência?

ADRIANA     —  Porque eu sei que a senhora tá mentindo pra mim!

CRISTINA     —  Mesmo que eu estivesse… Você não saberia do que se trata!

ADRIANA     —  Vicente!

CRISTINA     —  Errou feio! Agora se você me der licença, eu preciso descansar que amanhã pode ser um dia de grandes reviravoltas.

Ela vai para o quarto.

ADRIANA     —  (P/si) E ainda me sai falando isso. Quer que eu fique aqui ainda mais aflita. Vou é terminar o meu trabalho que eu ganho mais.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE FLÁVIA. CORREDOR. INT. NOITE.

Jandira ali parada, séria. Vicente sai do quarto de Murilo e ela o encurrala contra a parede.

JANDIRA      —  É com você mesmo que eu quero falar!

VICENTE      —  (Se assusta) O que foi, Jandira?

JANDIRA      —  Precisava bater essa língua de tamanduá bandeira pra Flávia sobre o que você viu?

VICENTE      —  Claro que precisava! Você estava desrespeitando um evento infantil!

JANDIRA      —  É? Eu espero que quando você contou isso pra ela, tenha contato também que só foi ao jogo porque eu ameacei contar toda a verdade pro Murilo!

VICENTE      —  Aonde você quer chegar com isso?

JANDIRA      —  Não sei. Só acho que a teoria de que uma mão lava a outra é adequada nesse caso!

VICENTE      —  Pode deixa, Jandira. Eu vou conversar com a Flávia pra ela não ficar no teu pé.

JANDIRA      —  Acho muito bom! A partir de agora temos um trato: toda vez que eu cometer algum deslize, você vai me defender!

VICENTE      —  Pera aí. Você não acha que tá indo longe demais não?

JANDIRA      —  Você quer que o Murilo fique sabendo de toda a verdade?

Ele meneia a cabeça que não.

JANDIRA      —  Foi o que eu pensei! Então trate de dançar conforme a música. Caso contrário, você já sabe.

Ela vai para seu quarto e Vicente fica ali com receio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Sol e Glória vêm da cozinha. Sol com um copo de suco.

SOL               —  Miguel, como você não quis ir, nós trouxemos o suco pra você. (Percebe que ele não está) Ué!

GLÓRIA        —  Pra onde será que ele foi?

SOL               —  Aqui um bilhete em cima da mesa.

Glória pega o bilhete e o lê em voz alta.

GLÓRIA        —  (Lê) Dona Glória e Sol, desculpe ter ido embora assim, mas é que estava ficando tarde. Prometo que amanhã volto para conversarmos mais.

SOL               —  Logo que ele não está aqui.

Ela bebe o suco que havia trago para ele.

GLÓRIA        —  Sol, você não acha estranho o Miguel ter ido embora assim?

SOL               —  Por que é estranho, mamãe? Ele mesmo disse que estava ficando tarde.

GLÓRIA        —  Eu sei, mas acontece que isso não faz muito o perfil dele.

SOL               —  Pois é, mamãe, mas é aquilo, né. As pessoas parecem ser uma coisa e na verdade é outra.

Sol volta pra cozinha.

GLÓRIA        —  (P/si, intrigada) Ele deve ter ido fazer alguma coisa depois que saiu daqui. Mas o quê?

Ela fica ali intrigada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Gael ali sentado ainda boquiaberto com a cena que presenciou. Miguel chega da rua.

MIGUEL        —  Que cara é essa, Gael?

GAEL            —  Você não vai acreditar na cena que acabou de acontecer aqui.

MIGUEL        —  O quê?

Gael aponta para o chão aonde estão os cacos que sobraram do vaso que Marta jogou contra a parede.

MIGUEL        —  Mas o que aconteceu com esse vaso? A dona Marta sempre gostou muito dele!

GAEL            —  Pois é, mas parece que aconteceu alguma coisa e ela deu uma de louca e o jogou contra a parede.

MIGUEL        —  Mas o que aconteceu exatamente?

GAEL            —  E eu que vou saber? Eu estava no quarto quando ouvir o barulho. Quando cheguei aqui ela ainda me tratou mal.

MIGUEL        —  Mas o que é que tá acontecendo nessa casa, hein?

GAEL            —  Sei lá, Miguel! Se bem que parando pra pensar, a dona Marta tem andando meio estranha nesses dias.

MIGUEL        —  Deve tá acontecendo alguma coisa e ela tá escondendo da gente.

Closes alternados nos dois intrigados com o que pode ser. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina e Ricardo sentados lado a lado, fazendo o trabalho da faculdade.

RICARDO     —  Presta atenção, Karina. Você tem que prestar atenção aonde está errando. Desse jeito esse trabalho não vai ficar pronto até amanhã.

KARINA       —  Ai, pai! Para de me deixar ainda mais nervosa!

RICARDO     —  Claro! Eu tenho que cobrar pra você conseguir fazer esse trabalho. Senão ele não vai ficar pronto.

KARINA       —  Vê se tá bom agora.

Ele pega o notebook e lê.

RICARDO     —  (Olhando p/ notebook) Vejamos… É, ainda não tá lá essas coisas, mas melhorou bastante.

KARINA       —  Mas será que já dá pra entregar?

RICARDO     —  As cinco páginas que faltavam já estão concluídas… Mas você sabe que a metalinguagem utilizada nesse trabalho não está correta. Agora eu preciso tomar um banho. Fica aí relendo até melhorar esse trabalho. Ele precisa entrar mais na norma culta.

Ele pega sua maleta que estava sobre o sofá e vai para o quarto.

KARINA       —  (P/si) Ai Jesus… Onde que o meu pai tá vendo erro aqui?

Rosangela chega da redação.

ROSANGELA —Oi, filha.

KARINA       —  Oi, mãe.

ROSANGELA —Como foi seu dia?

KARINA       —  Cansativo. Meu dia foi tão tumultuado de coisa pra fazer que eu ainda tô terminando esse trabalho da faculdade que é pra entregar amanhã!

ROSANGELA —Nossa, filha! Mas será que vai dá tempo?

KARINA       —  Dá sim. Embora, o seu Ricardo tenha se oferecido pra me ajudar, mas ele mais atrapalha do que ajuda… Dá tem tempo sim.

ROSANGELA —Típico do seu pai fazer isso, filha!

As duas sorriem.

CORTA PARA:

CENA 06. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. NOITE.

Carlito, Mazé, Juliana e Ana sentados à mesa jantando.

CARLITO      —  Cada dia que se passa você me surpreende ainda mais, Juliana.

JULIANA      —  Que bom que o senhor gostou, pai.

MAZÉ            —  Tá muito bom mesmo! Mas se fosse na casa da dona Marta, ela logo arrumaria um defeito. A mulher ver coisa errada aonde não tem.

ANA              —  Não sei como a senhora consegue trabalhar na casa de gente assim, tia.

MAZÉ            —  Não é nem questão de conseguir aguentar, Ana… E sim que você tem contas pra pagar.

CARLITO      —  Verdade. Esse mês mesmo a fatura do cartão veio arrebentando.

MAZÉ            —  (Provoca) Ainda mais quando se tem um marido que não faz nada pra ninguém, sabe?

CARLITO      —  Que isso, nega? Não tem necessidade de falar essas coisas perto das meninas.

MAZÉ            —  É, realmente não tem necessidade. Não tem necessidade de falar uma coisa que todo mundo enxerga.

Juliana e Ana sorrindo discretamente, Carlito sério, Mazé “sincerona”. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia, Vicente e Murilo sentados à mesa jantando.

FLÁVIA        —  Por que será que a mamãe ainda não veio jantar, hein?

VICENTE      —  Deixa a Jandira pra lá, Flávia. Você sabe que ela só vem comer quando quer.

Flávia logo desconfia.

MURILO       —  Comi tudo, mãe. Agora posso voltar a jogar?

FLÁVIA        —  Depois que escovar os dentes, pode sim.

Murilo vai rapidamente para o banheiro escovar os dentes.

FLÁVIA        —  Que bicho te mordeu, Vicente?

VICENTE      —  Como assim, Flávia? Do que você tá falando?

FLÁVIA        —  Por que você falou assim da mamãe? Normalmente você teria criticado ela.

VICENTE      —  É que eu agora tô deixando certas coisas de lado, sabe? Pra que continuar insistindo com coisas como a Jandira.

FLÁVIA        —  Coisas? Você tá chamando a mamãe de coisa?

VICENTE      —  (Nervoso) Não! Coisas que eu quis dizer é o que ela faz sempre.

Fecha em Flávia desconfiadíssima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina vem do quarto olhando para se certificar de que não há ninguém ali pela sala.

CRISTINA     —  (P/si) Ótimo! A Adriana não vai sossegar enquanto não descobrir a verdade. Mas eu não posso deixar ela descobrir. Vai ser um baque fortíssimo para todos! Eu vou desmascarar ele perante o juiz! (Sorrir) Ele vai se arrepender de ter feito isso. Ah, vai!!! Eu sei que a construtora pode sofrer com isso, mas infelizmente não tem como fazer nada sem que prejudique alguém ou algo! A Construtora depois a gente trabalha e a reergue. Agora, o Vicente nunca vai se levantar depois dessa!

Ela fica ali sorrindo malignamente. Instante. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE RICARDO. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Ricardo entra no quarto enrolado na toalha, seca o cabelo e veste um short Rô entra.

ROSANGELA —Oi, Ricardo.

RICARDO     —  Oi, Rosangela. Chegou tarde, hein!

ROSANGELA —Pois é, Ricardo. Você acredita que a edição de ontem do jornal foi sabotada?

RICARDO     —  Como assim sabotada?

ROSANGELA —Hoje quando eu cheguei, a diretoria me deu uma chamada daquelas pelos erros de português na edição do jornal.

RICARDO     —  Mas como uma coisa dessas é possível, gente?

ROSANGELA —Era o que eu também gostaria de saber! Mas eu tenho quase certeza que quem fez isso foi a Joana. Ela não aceita o fato da diretoria ter confiado a mim a responsabilidade de assumir o cargo do Alfredo.

RICARDO     —  Mas aí você sair acusando a mulher não dá, né?

ROSANGELA —Eu não acusei ela diretamente! Mas eu tenho convicção de que ela é a verdadeira culpada!

RICARDO     —  E mesmo assumindo o cargo do Alfredo, você continua morando naquela redação!

ROSANGELA —Pelo amor de Deus, Ricardo! Você não acabou de me ouvir dizer que a edição do jornal foi sabotada? Como você queria que eu viesse pra casa cedo?

RICARDO     —  Quanto mais alto o nível hierárquico, mais o poder sobe à cabeça!

Ele sai do quarto.

ROSANGELA —(P/si, indignada) Parece que não entende que com esse cargo as minhas responsabilidades mais do que dobraram naquela redação!

CORTA PARA:

CENA 10. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Gael ali deitado mexendo no cel. Miguel lendo um livro.

MIGUEL        —  Não dá! Eu não consigo me concentrar na leitura!

GAEL            —  Ei. Calma. O que tá acontecendo?

MIGUEL        —  Uma série de coisas! É a Karina não querendo mais saber de mim, é essa visita estranha da Adriana.

GAEL            —  Visita que a dona Marta convidou, né?

MIGUEL        —  Por isso mesmo que eu tô desse jeito! O que será que esses duas conversaram?

GAEL            —  Você ainda pergunta? É claro que elas conversaram sobre vocês reatarem o noivado!

MIGUEL        —  Não! Não tem a menor possibilidade de isso acontecer!

GAEL            —  Só que você tá esquecendo que com dona Marta na jogada, tudo pode acontecer!

MIGUEL        —  Prefiro até pensar em outra coisa. Você sabia que a Sol se mudou pro tríplex dela?

GAEL            —  Ah é? Que legal!

MIGUEL        —  Só que agora elas vão sofrer pra arrumar empregadas.

GAEL            —  Ué! Mas por quê?

MIGUEL        —  É que elas não conhecem ninguém e nenhuma agência.

GAEL            —  Eu tenho uma pessoa para indicar.

MIGUEL        —  Quem?

GAEL            —  A @. Ela tá atrás de emprego e disse que aceita até serviços domésticos.

MIGUEL        —  Ótimo! Depois você me passa o contato dela que eu envio pra Karina.

CORTA PARA:

CENA 11. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. NOITE.

Suíte vazia. Glória entra.

GLÓRIA        —  (Chama) Sol? Você tá aí minha filha?

SOL               —  (OFF) Oi, mãe. Já tô indo.

Sol vem do closet.

GLÓRIA        —  O que você tava fazendo no closet?

SOL               —  Estava pensando onde vou guardar as minhas coisas. Mas o que a senhora quer?

GLÓRIA        —  Eu queria conversar com você.

SOL               —  Sobre?

GLÓRIA        —  Como tem alguns dias que eu não vou ao hospital, amanhã eu estava querendo fazer uma visitinha ao Alfredo, o que você acha?

SOL               —  Como assim o que eu acho? Quem vai fazer a tal visita não vai ser a senhora?

GLÓRIA        —  Sim, mas eu quero saber se você virá comigo?

SOL               —  Não, obrigado. Estou muito bem aqui.

GLÓRIA        —  Ah que isso, Sol! Eu sei que você gosta do Alfredo.

SOL               —  Mamãe, há alguns dias atrás eu disse que ia esquecer o Alfredo e seguir com a minha vida. E é isso que eu vou fazer!

GLÓRIA        —  Sei… Mas lá no fundo você ainda sente alguma coisa pelo Alfredo.

SOL               —  Eu não acredito que a senhora interrompeu o meu pensamento de arrumação do closet pra falar sobre isso! Com licença.

Ela volta para o closet com Glória arrematando.

GLÓRIA        —  Você pode negar! Mas a mim você não engana não! Eu sei que você ainda ama aquele homem!

Instantes de silêncio total.

GLÓRIA        —  (P/si) O silêncio dela responde tudo!

Glória sai, Sol aparece na porta de entrada do closet e arremata.

SOL               —  (P/si) Amo. Mas agora ele tem a família dele e eu não quero ser a pivô que estragou o relacionamento de uma família.

CORTA PARA:

CENA 12. CASA DE MAZÉ. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Carlito e Mazé sentados na cama. Ela lixando as unhas das mãos.

MAZÉ            —  Carlito, deixa eu te fazer uma pergunta.

CARLITO      —  Claro. Pode falar, nega. O que foi?

MAZÉ            —  Você teria coragem de fazer alguma coisa que prejudique a nossa filha pra evitar que ela faça algo?

CARLITO      —  Como assim, nega? Por que você tá me fazendo essa pergunta?

MAZÉ            —  Nada não! É que as vezes eu fico pensando até onde os pais vão e até onde isso pode prejudicar.

CARLITO      —  Por que esse papo agora, nega?

MAZÉ            —  Nada não, Carlito. São só coisas da minha cabeça mesmo.

Closes alternados. Carlito desconfiado e Mazé pensativa. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE MARTA. QUARTO DE MARTA. INT. NOITE.

Marta ali andando de um lado para o outro.

MARTA        —  (P/si) Essa desgraçada não pode continuar me chantageando desse jeito. Se tem uma coisa que eu odeio é ficar na mão dos outros. Mas ela ainda vai me pagar pelo que tá fazendo.

Ela vai para o guarda roupa e pega uma caixinha de madeira, a abre com a chave do cadeado. E pega os recortes de jornais e arremata.

MARTA        —  (P/si) Vários recortes inúteis. Como ela gravou a nossa conversa? A canalha tinha tudo esquematizado! Eu vim pro Rio de Janeiro justamente pra não correr esse risco. Mas a desgraçada acabou me encontrando mesmo assim. (Cai na real) Espera aí… Como ela conseguiu descobrir que eu estava no Rio? Como ela descobriu os meus filhos?

Ela fica ali intrigada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 14. RIO DE JANEIRO. EXT. AMANHECER.

Takes descontínuos do amanhecer no rio. Dia nebuloso, mas ressaltamos as belezas da cidade maravilhosa. Com takes do Leblon, Cristo Redentor, praia de São Conrado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Glória ali passando um cafezinho. Sol vem com cara de sono, abrindo a boca.

SOL               —  Bom dia.

GLÓRIA        —  Bom dia dorminhoca.

SOL               —  A senhora exaltava tanto aquele quarto de hotel, mas fala a verdade. As camas da nossa casa são bem melhores, não são?

GLÓRIA        —  Verdade. Eu dormir tão bem que não queria levantar.

SOL               —  O que nós temos pro café?

GLÓRIA        —  Café!

SOL               —  Mas só?

GLÓRIA        —  Só! Tinha que comprar pão. Mas e aí? Pensou bastante depois que conversamos ontem?

SOL               —  Não! Não pensei porque não tinha o que pensar!

GLÓRIA        —  Como não, Sol?

SOL               —  Mãe, pelo amor de Deus! Hoje eu só quero aproveitar o meu dia nesse tríplex maravilhoso! Se a senhora quiser ir ver o Alfredo, vá! Mas não queira me forçar porque eu não vou!

GLÓRIA        —  Tudo bem, Sol! Quem sou eu pra te forçar a alguma coisa? Mas que eu acho que você e o Alfredo deveriam ficar juntos, eu acho!

Ela vai para a sala deixando Sol ali indecisa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Renata e Bruna ali sentadas à mesa tomando café da manhã. Bruna uniformizada.

BRUNA         —  Ontem eu fiquei acordada até tarde pensando em soluções pro pai não querer sair de casa.

RENATA       —  Ah é? Então tá explicado a guerra que foi acordar. Mas e aí, conseguiu pensar em alguma coisa boa?

BRUNA         —  Pensei em várias coisas. Mas algumas eu acho que não vai dar pra fazer.

RENATA       —  Não quero nem ouvir! Só por isso eu já acho que é algo absurdo!

BRUNA         —  (Sorrir) Pior que é mesmo… A senhora vai visitar ele hoje? 

RENATA       —  Vou sim. E espero que quando chegar lá, eles tenham boas notícias.

BRUNA         —  Como assim?

RENATA       —  É que o doutor disse que ele poderia ganhar alta hoje, mas tudo dependeria da bateria de exames que ele ia fazer.

BRUNA         —  Então tomara que os resultados dos exames foram bons pra ele voltar pra casa logo.

RENATA       —  É, mas agora vamos que você já está atrasada.

BRUNA         —  Mas eu nem escovei os dentes.

RENATA       —  Escova na escola quando puder! Quem mandou não querer acordar? Vamos.

Bruna pega sua mochila e as duas saem.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta, Miguel e Gael sentados à mesa tomando café da manhã

MARTA        —  Meus filhos, eu acho que devo um pedido de desculpas a vocês dois.

GAEL            —  Se for pela sua ignorância ontem eu aceito! Mas a senhora foi muito rude!

MIGUEL        —  Desculpas pelo quê?

MARTA        —  Com o Gael é por isso mesmo que ele disse e com você é por não te apoiar.

MIGUEL        —  (Não entende) Como assim?

MARTA        —  Quando eu recebi a notícia de que você e a Adriana tinham terminado eu confesso… Eu fiquei furiosa! Mas eu fiquei furiosa contigo porque eu quero o melhor pra você, Miguel!

MIGUEL        —  Mas se a senhora quer mesmo o melhor pra mim, então tem que aprender a me apoiar independentemente das decisões que eu tomo!

MARTA        —  Foi isso mesmo que ontem conversando com a Adriana eu enxerguei.

CAM mostra a reação dos gêmeos que ficam sem entender.

MIGUEL        —  Como que a senhora conseguiu chegar a essa conclusão ontem depois de conversar justamente com a Adriana? Toda vez que ela me vê junto da Karina ela fica furiosa!

MARTA        —  Mas aí é que está meu filho… A Adriana enxergou que a relação de vocês não tem mais futuro!

MIGUEL        —  Essa é nova pra mim!

GAEL            —  Pra mim também! Eu nunca pensei que ela poderia aceitar bem o fim do noivado de vocês.

MARTA        —  Mas ela enxergou, Miguel. Ela enxergou e agora quer conversar com você sobre o fim do relacionamento.

MIGUEL        —  Se for pra conversar de um jeito maduro eu até aceito.

Fecha em Marta com cara de que: “deu certo”. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. HOSPITAL CRISJUDAS. QUARTO. INT. DIA.

Alfredo ali deitado entediado. Rosangela entra.

ROSANGELA —Oi, Alfredo.

ALFREDO     —  (Feliz) Rô! Que surpresa boa!

ROSANGELA —Como você tá?

ALFREDO     —  Simplesmente vivendo! Mas e aí, como estão as coisas?

ROSANGELA —Nada boas.

ALFREDO     —  Como assim?

ROSANGELA —Não! Eu vim aqui pra ver como você está. Não vou ficar falando da redação.

ALFREDO     —  Para de bobeira e fala logo, Rô!

ROSANGELA —Indignação! Essa é a palavra que mais me descreve. Você acredita que alguém teve a coragem de sabotar a edição de anteontem do jornal?

ALFREDO     —  Mas como assim, Rô? Isso é uma coisa muito grave!

ROSANGELA —Eu sei! Mudaram muitas coisas e propositalmente, inseriram vários erros de português!

ALFREDO     —  Nossa! Eu não imagino como a diretoria ficou!

ROSANGELA —O quê?! Você precisava ver como o diretor geral soltou fogo pelas ventas! E o pior de tudo é que a responsável por tudo agora sou eu!

ALFREDO     —  Meu Deus. Mas que situação!  Você acha que pode ter sido alguém em especial?

ROSANGELA —Com certeza! Eu tenho certeza que foi a Joana!

Joana entra no quarto com um rosas brancas.

JOANA          —  Não tô acreditando que você veio falar mal de mim pro Alfredo no hospital!

Closes alternados nos três. Rô com ódio, Joana com a típica carinha de debochada e Alfredo sem graça. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 19. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Jandira ali sentada no sofá. À mesa estão: Flávia e Murilo que, por sinal, está uniformizado. 

FLÁVIA        —  (P/Murilo) Come rápido que a gente já devia ter saído!

Ela vem até Jandira e arremata.

FLÁVIA        —  Mamãe, a senhora sabe do Vicente?

JANDIRA      —  Ele saiu cedo.

FLÁVIA        —  Mas por quê?

JANDIRA      —  Ele disse que ia sair cedo pro Ricardo não ver ele e ficar ainda mais desconfiado.

FLÁVIA        —  Claro! Depois do que a senhora fez qualquer um desconfiaria.

JANDIRA      —  Você fala como se o problema fosse eu.

FLÁVIA        —  E não é, não?

JANDIRA      —  Claro que não! Você acha que é normal uma pessoa ficar se escondendo porque vive uma vida dupla?

FLÁVIA        —  Normal não é! Mas daqui a pouco isso tudo vai acabar.

JANDIRA      —  Por quê? Você vai deixar ele? Nossa! Não poderia ter recebido notícia melhor nesses últimos dias.

FLÁVIA        —  Claro que não, mamãe! É que o Vicente tá se separando da esposa legítima dele.

JANDIRA      —  Ah é? E por que será? Ela descobriu tudo?

FLÁVIA        —  Não! Ele disse que as coisas não estavam mais dando certo e eles decidiram tomar essa decisão.

JANDIRA      —  Ah sim… Agora, eu se você tomaria cuidado, hein!

FLÁVIA        —  Tomar cuidado com o quê?

JANDIRA      —  Se ele fazia essa safadeza com a outra, por que ele não pode fazer o mesmo com você?

FLÁVIA        —  Ai, mamãe, pelo amor de Deus! O Vicente não teria coragem de fazer uma coisa dessas comigo!

JANDIRA      —  Não sei porque você tem tanta certeza assim. Ele foi capaz de fazer a canalhice com a esposa que ele jurou diante de Deus respeitá-la até o fim de sua vida… E não vai fazer com você por que se vocês não juraram nada pra ninguém? Faça-me rir!

Fecha em Flávia ali pensando na possibilidade. Instantes. 

CORTA PARA:

CENA 20. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Vicente ali conversando com Ana.

VICENTE      —  Entendeu, Ana?

ANA              —  Entendi, seu Vicente.

VICENTE      —  Na próxima vez fica mais atenta para não cometer esse mesmo erro.

Cristina chega.

CRISTINA     —  Bom dia, Ana.

ANA              —  Bom dia, dona Cristina.

VICENTE      —  Bom dia pra você também, Cristina!

CRISTINA     —  Bom dia só é designado para pessoas não canalhas e enganadoras. Com licença!

Cristina vai para sua sala.

ANA              —  O senhor entendeu alguma coisa?

VICENTE      —  Acho que entendi! 

Ele vai para a sala de Cristina. 

ANA              —  (P/si) E o dia já começa assim…

CORTA PARA:

CENA 21. CONSTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Cristina ali preparando sua mesa, Vicente entra.

VICENTE      —  O que você quis dizer com aquilo, Cristina?

CRISTINA     —  Ora, Vicente… Não dê um de idiota pro meu lado não que você sabe muito bem do que eu estou falando!

VICENTE      —  Não, não sei!

CRISTINA     —  Então continue fingindo que não tá entendendo. Só adianto uma coisa… Quando a resposta vir, ela virá com tudo!

VICENTE      —  Abre o jogo, Cristina! O que você descobriu?

Fecha em Cristina séria. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 34º CAPÍTULO

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Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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