Partes de Mim – Capítulo 36

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JOANA

JOÃO

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

PEDRO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE


CENA 01. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 21 do capítulo anterior. Maria de F. entra arrematando.

MARIA DE F.—  Como assim o que eu estou fazendo aqui? Você por acaso está sofrendo de Alzheimer é?

MARTA        —  Ha, Ha, Ha… Muito engraçado! Agora diz logo o que você quer que a empregada tá na cozinha.

MARIA DE F.—  E daí? Ela não pode saber que a patroa dela está recebendo uma velha amiga?

MARTA        —  Nós não somos amigas!

MARIA DE F.—  Então você prefere dizer a verdade?

MARTA        —  Diz logo o que você quer traste!

MARIA DE F.—  (Debocha) Ai como eu sonhei com esse dia. Eu sempre soube que a gente trocaria juras de amor!

MARTA        —  (Entredentes, invocada) Vá direto ao ponto!

MARIA DE F.—  Tá legal! Eu quero grana, quero conversar sobre esses últimos vinte anos.

MARTA        —  Mas aqui não dá!

MARIA DE F.—  Então vamos para outro lugar! Você paga!

MARTA        —  Tá!

Marta pega sua bolsa e as duas saem. CAM mostra Mazé, que sai da cozinha e ali fica desconfiada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol sentada pensativa. A campainha toca.

SOL               —  (P/si) Deve ser a Karina.

Ela abre a porta e Karina logo a abraça chorando.

SOL               —  Meu Deus, Karina! O que aconteceu?

KARINA       —  Eu não aguento mais, Sol. Não tô aguentando mais.

Sol sem saber o que fazer. Corte descontínuo: Sol e Karina sentadas no sofá. Karina bebendo água.

SOL               —  Tá mais calma agora?

KARINA       —  Sim.

SOL               —  Então agora me conta o que aconteceu.

KARINA       —  Desde que eu conheci o Miguel parece que a minha vida virou de cabeça pra baixo. Tô sendo perseguida pela Adriana que não perde uma oportunidade de falar alto pra todo mundo que eu sou a responsável pela infelicidade do noivado dela.

SOL               —  Mas pelo que eu sei o noivado dela já estava turbulento antes de você conhecer o Miguel.

KARINA       —  Eu sei! Mas você acha que ela vai falar isso? Claro que não! É mais conveniente ela me acusar!

SOL               —  Olha, Karina… Não vai ser nada fácil. A única coisa que eu posso te dizer é pra você ter paciência e se afastar um pouco de tudo isso.

KARINA       —  Nem me fale em afastar! Briguei com a Adriana na cantina da universidade e nós duas levamos uma suspensão de dois dias!

SOL               —  Não era isso que eu pensei, mas logo que já levou a suspensão, tente usá-la a seu favor! Use esses dois dias para colocar tudo em ordem. Acredite, eu sei como você se sente. Isso já aconteceu comigo, não dessa forma, mas já aconteceu. Eu sei que nossa mente fica turbada, cheia de pensamentos… O melhor que você tem a fazer é tentar espairecer um pouco.

Sol pega na mão de Karina. Karina dá um sorrisinho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. LEBLON. AVENIDA. CARRO GLÓRIA. INT/ EXT. DIA.

Glória ao volante e Alfredo no carona. Carro parado no semáforo.

ALFREDO     —  Obrigado mesmo por ter me salvado, Glória!

GLÓRIA        —  Que isso, Alfredo?! 

ALFREDO     —  Eu sinceramente não sei o que seria de mim tendo que voltar pra casa com a Renata.

GLÓRIA        —  É, mas agora você vai ter um tempinho pra pensar o que vai fazer da vida.

ALFREDO     —  É, mesmo não sabendo se é a coisa certa aceitar o seu convite.

GLÓRIA        —  Ah… Para com isso, Alfredo! Claro que a coisa certa era você ter aceitado! O que não tinha condições é você voltar pra casa com sua ex-esposa sem querer.

ALFREDO     —  É, mas vejamos qual vai ser a reação da Sol quando me ver entrando na casa de vocês.

GLÓRIA        —  Ela vai aceitar. Você é meu convidado. Ela vive convidando um monte de pessoas. Por que eu não posso ter um convidado?

ALFREDO     —  Vinte anos se passaram e vocês duas não mudaram nada.

GLÓRIA        —  (Brinca) Mudamos… Pra pior!

Os dois sorriem. Corta pra fora do carro: o semáforo fica verde e o carro vai se afastando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Campainha tocando sem parar. Flávia vem do quarto.

FLÁVIA        —  (P/si) Gente, quem será que tá querendo acabar com a minha campainha?

Ela abre a porta e Renata entra arrematando.

RENATA       —  Desculpa sair entrando assim amiga, mas eu preciso desabafar com você!

FLÁVIA        —  Que cara é essa, Renata? O que aconteceu?

RENATA       —  Eu perdi o meu marido!

FLÁVIA        —  (Se assusta) Como assim, Renata? O Alfredo morreu?

RENATA       —  Não!

FLÁVIA        —  (Aliviada) Ah bem… Então o que aconteceu pra você ter perdido ele?

RENATA       —  O Alfredo foi pra casa daquela mulher que ele namorou.

FLÁVIA        —  (Surpresa) Não acredito.

RENATA       —  Ele foi pra casa daquela mulher e ainda me tratou mal.

FLÁVIA        —  Nossa, amiga. Eu sinceramente não sei o que te dizer. Você acha que o Alfredo ainda gosta dessa mulher?

RENATA       —  Acho. Se não gostasse ele não teria ido pra lá. Ele teria vindo pra nossa casa ficar comigo e com a nossa filha.

FLÁVIA        —  Mas ele não pode abandonar um casamento só porque essa mulher apareceu.

RENATA       —  Agora eu estou convencida de que o nosso casamento talvez não tenha mais solução.

FLÁVIA        —  Claro que tem, amiga!

RENATA       —  Jura? Então me diga que solução porque eu não consigo enxergar!

FLÁVIA        —  A solução eu não sei. Mas como dizem: pra tudo tem um jeito. Eu acho que com o Alfredo indo pra casa dessa mulher, ele pode tirar um tempo pra pensar.

RENATA       —  Ótimo! Aí mesmo que ele não volta pra casa!

CORTA PARA:

CENA 05. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ricardo sai da sala de Vicente e Ana sai da sala de Cris com uma pasta. 

RICARDO     —  Como a Cristina tá?

ANA              —  Não sei. Ela nem olhou pra minha cara. Estava de costas olhando pela janela e assim ficou. E o seu Vicente?

RICARDO     —  Tá ali aflito com a possibilidade da construtora falir ou ser vendida.

ANA              —  Mas a construtora corre risco com a separação deles?

RICARDO     —  O pior é que corre.

ANA              —  Então os nossos empregos também estão por um triz.

Ricardo meneia a cabeça concordando.

RICARDO     —  A resposta pra essa traição tava tão na cara e eu não enxerguei.

ANA              —  Como assim?

RICARDO     —  Eu não sei se comentei com você, mas eu vi o carro do Vicente parado em frente ao prédio que eu moro.

ANA              —  Sim, eu acho que você chegou a comentar comigo.

RICARDO     —  Então… O Vicente estava na casa da Flávia, filha daquela mulher que teve aqui esses dias, Jandira.

ANA              —  (Surpresa) Então é com a filha dessa Jandira que o seu Vicente estava traindo a dona Cristina?

RICARDO     —  Sim.

Fecha em Ana ali boquiaberta.

CORTA PARA:

CENA 06. UNIVERSIDADE NOVO RIO. CORREDOR. INT. DIA.

Corredor movimentadíssimo. Gael e Pedro caminhando.

PEDRO          —  Nossa! Do jeito que você fala dessa Juliana só despertou ainda mais o meu interesse em conhecê-la.

GAEL            —  Eu tenho certeza que você vai adorar ela. A Ju é aquele tipo de garota que parece que não encontramos mais, sabe? Ela sabe me ouvir, sabe me dar conselhos. Ela foi a grande responsável por eu esquecer o que o Miguel e a dona Marta fizeram me acusando de roubo.

PEDRO          —  Que bom, cara. Se você tá feliz então invista na relação de vocês.

Miguel se aproxima.

MIGUEL        —  Caramba! Finalmente encontrei vocês!

GAEL            —  E aí, como foi?

MIGUEL        —  E aí que a Adriana conseguiu acabar com a minha relação com a Karina.

GAEL            —  Que relação? Pelo que eu sei você não pediu ela em namoro.

MIGUEL        —  Não tinha pedido ainda! Mas tinha esse plano para o nosso futuro.

PEDRO          —  Como a Adriana conseguiu acabar com o seu relacionamento com a Karina?

MIGUEL        —  Diante de tudo que tem acontecido desde que nos aproximamos a Karina disse que é melhor eu ficar longe dela. (Triste) Disse ainda que a vida dela se tornou um inferno.

GAEL            —  Não fica assim, meu irmão.

MIGUEL        —  Tipo, ela disse na minha cara que eu só atraí coisa ruim pra vida dela.

Closes alternados. Miguel triste, Gael com as mãos no ombro do irmão e Pedro lamenta maneando a cabeça negativamente.

CORTA PARA:

CENA 07. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol e Karina sentadas conversando.

KARINA       —  Ai, Sol… Eu não sei o que seria de mim sem você. Eu estaria até agora sem saber o que fazer e uma pilha de nevos por não ter ninguém pra desabafar.

SOL               —  Sempre que precisar eu estou aqui para te ouvir e dar conselhos. Pode usar e abusar! Nessas horas eu fico pensando: se eu estivesse com os meus gêmeos, será que eu seria uma boa mãe conselheira?

KARINA       —  Não tenho dúvidas que sim! Eu queria tanto que minha mãe fosse assim como você!

Sol sorrir. E Glória entra ajudando Alfredo.

GLÓRIA        —  Sol! Você tá em casa?

Sol que está de costas para a porta se vira e se surpreende com Alfredo. Closes alternados em todos. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 08. LEBLON. CAFETERIA DE LUXO. INT. DIA.

Cafeteria com movimento mediano. Marta e Maria de F. ali sentadas a uma mesa.

MARTA        —  Fala logo o que você quer saber que eu não tenho o dia todo!

MARIA DE F.—  Calma, Martinha… Você não acha que tá muito nervosinha não? Eu quero saber como foram esses últimos vinte anos.

MARTA        —  Bem, graças a Deus.

MARIA DE F.—  Ah, claro! Com filhos que não lhe pertence não poderia ser de outra forma!

MARTA        —  Sério que você quis vir para um local público expor isso para todos?

MARIA DE F.—  Não! Apenas estou assinalando que o oposto de bem a Sol deve ter ficado nesses últimos vinte anos. Você tem notícias dela?

MARTA        —  Nunca mais a vi depois do que aconteceu!

MARIA DE F.—  Às vezes eu fico pensando em como ela deve estar hoje em dia.

MARTA        —  (Bate na mesa) Escuta aqui, se você me trouxe até aqui pra ficar de palhaçada, eu vou embora!

MARIA DE F.—  Eu se fosse você abaixava a crista que todos estão olhando.

Maria de F. disfarça sorrindo para os outros. Marta tira da bolsa um talão de cheque e assina e o deixa ali sobre a mesa.

MARTA        —  Aí está a sua grana! Agora eu tenho que ir.

Ela se levanta e maria de F. arremata. 

MARIA DE F.—  Pode sentar aí se você quer continuar com a sua vidinha de madame!

Marta a encara por um instante e se senta.

MARTA        —  Você tá me ameaçando? O que você acha que vai ganhar com esse joguinho?

Maria de F. pega o cheque e o analisa.

MARIA DE F.—  (Olhando p/ cheque) Bom, não era o que eu queria, mas por hoje dá pra sobreviver.

Fecha em Marta a encarando com ódio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 07.

SOL               —  Mamãe? Alfredo?

ALFREDO     —  Sabia que era uma má ideia, Glória! Vou embora!

GLÓRIA        —  Você não vai a lugar algum Alfredo! Sol, o Alfredo vai ficar conosco aqui até se recuperar.

SOL               —  Desculpe, mas eu não estou entendendo nada.

GLÓRIA        —  Eu explico. É que o Alfredo não quer voltar pra casa porque a relação dele com a esposa está estremecida e aí eu ofereci o nosso tríplex para a estadia dele.

ALFREDO     —  Não se preocupe, Sol. Assim que eu tiver uma melhora mínima, eu vou embora.

SOL               —  Não, Alfredo! Mamãe te convidou e você pode ficar o tempo que for necessário.

ALFREDO     —  Muito obrigado.

GLÓRIA        —  Me ajuda aqui, Karina a colocar ele no sofá.

KARINA       —  Claro!

As duas apoiam para que ele se sente no sofá.

SOL               —  Mamãe, venha comigo que a gente precisa conversar.

As duas vão para a cozinha.

GLÓRIA        —  Espera aí, Alfredo que eu já volto!

CORTA PARA:

CENA 10. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Sol e Glória vêm da sala.

SOL               —  Será que a senhora pode me explicar o que significa aquilo?

GLÓRIA        —  Ué! Eu estou simplesmente ajudando um velho amigo que não queria voltar pra casa.

SOL               —  Não minta na cara de pau, mamãe! Eu sei que a senhora tá fazendo isso sem a única intenção de ajudá-lo!

GLÓRIA        —  Que isso, minha filha?! E isso lá é jeito de falar com sua mãe? Eu estou sim ajudando o Alfredo com a única intenção da recuperação dele!

SOL               —  Sei. Só te falo uma coisa: não conte comigo!

Sol volta para a sala e Glória sorrir e arremata.

GLÓRIA        —  (P/si) Vejamos se você não vai ajudar!

CORTA PARA:

CENA 11. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali sentado tentando concentrar-se no trabalho. 

VICENTE      —  (P/si) Caramba! Eu não consigo me concentrar. Do jeito que as coisas estão a construtora realmente vai acabar indo à falência. Com toda essa pressão e tensão não há possibilidade de concentração.

Atenção Sonoplastia: Cel. dele começa a tocar. Ele pega e arremata.

VICENTE      —  (P/si) Enrico? (Ao cel.) Fala, filho. Mas como assim você já está no país? No aeroporto ainda por cima?! Tá, pode deixar que eu estou indo aí te buscar. Não precisa pagar táxi não. Em meia hora eu estou aí.

Ele desliga.

VICENTE      —  (P/si) Em meia hora ou em uma hora e meia dependendo do transito.

Ele sai apressado.

CORTA PARA:

CENA 12. IPANEMA. PEDRA DO ARPOADOR. EXT. DIA.

Fraco movimento de banhistas devido ao dia nebuloso. Adriana ali sentada.

ADRIANA     —  (P/si, chora) Como eu pude ser tão burra assim? Agora mesmo que o Miguel não vai querer mais falar comigo! Aquela infeliz ainda saiu como a vítima de história.

Ela invocada, joga uma pedrinha nas águas do mar agitado.

ADRIANA     —  (P/si) Se bem que depois do episódio de hoje, ela não quis nem falar com o Miguel. Se eu conseguir o que eu estou pensando que conseguir, agora vai ser moleza ter o Miguel de volta. A única coisa que eu preciso fazer agora e dar tempo ao tempo e aí terei o Miguel de volta.

Ela dá um sorrisinho maligno. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE MARTA. QUARTO DE MARTA. INT. DIA.

Mazé ali passando um pano úmido dos móveis, quando para e arremata.

MAZÉ            —  (P/si) Muito estranho aquela mulher aparecer na casa da dona Marta agora e falar de vinte anos atrás. Eu não me lembro de ter visto ela aqui alguma outra vez. Dona Marta não tem muitos amigos, dá pra contar nos dedos as pessoas que já vieram aqui. Estranho…. Muito estranho.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 14. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Sol entra na suíte, tranca a porta e se senta na cama, aonde arremata.

SOL               —  (P/si) Sei muito bem qual é o plano da mamãe com essa historinha de tá enfiando o Alfredo aqui dentro de casa. Mas ela se engana se tá pensando que nós dois vamos reatar só porque ela tá colocando ele aqui entro de casa. (Indecisa) Eu sei que a verdade é que eu nunca conseguir esquecer o Alfredo, mas agora as circunstâncias são outras. Há vinte anos atrás não haveria tantas pessoas sofrendo como agora. Eu não posso simplesmente entrar na vida do Alfredo depois de vinte anos e acabar com o que ele construiu junto dessa mulher. Seria um ato desumano de minha parte.

CORTA PARA:

CENA 15. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Todos trabalhando a todo vapor. Rosangela ali concentrada comendo uns biscoitos. O notebook dela começa a estalar e a tela começa a acender e apagar.

ROSANGELA —Que isso, gente? O que tá acontecendo com o notebook?!

Joana de sua mesa sorrir. O computador para de estalar e apaga. Rô dá umas batidinhas no notebook.

ROSANGELA —(P/si) Vamos lá meu filho! Volte a funcionar que eu preciso terminar o meu trabalho.

Joana se aproxima.

JOANA          —  Acho que o notebook não pode te ouvir.

ROSANGELA —Foi você, né sua filha da mãe?!

JOANA          —  Que isso? Agora o seu computador dá uma pane e a culpada sou eu?

ROSANGELA —Se não foi você, então por que está com essa cara de cínica?

JOANA          —  Muito engraçada, você, Rosangela. Agora tudo que acontece nessa redação a culpada sou eu. (Debocha) Será que eu sou a responsável pelo derretimento das calotas polares, dos quarenta graus que faz aqui no Rio no verão?! Será que eu sou a culpada de tudo isso?

ROSANGELA —Você é a culpada só de existir! Dá licença que eu vou na TI!

Rô pega o notebook e sai da redação. Joana sorrir e arremata.

JOANA          —  (P/si) Não sou a culpada, mas que eu fiquei feliz, fiquei. Tudo que der ruim pro lado da Rosangela eu adoro!

Ela volta a sua mesa e continua a trabalhar.

CORTA PARA:

CENA 16. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Bruna chega do colégio acompanhada de João.

BRUNA         —  Meu pai já deve ter chegado. Entra, João.

João entra.

JOÃO            —  Confesso que tô com medo e conhecer seu pai.

BRUNA         —  Ah, para de bobeira, João! Meu pai não é nenhum monstro não!

JOÃO            —  (P/si, entredentes) Espero que não.

BRUNA         —  O que você disse?

JOÃO            —  Nada.

BRUNA          —(Chama) Mãe? Mãe? A senhora tá em casa? (P/João) Espera aqui João que eu vou ver se ela tá no quarto com o papai.

Ela vai para o quarto.

JOÃO            —  (P/si) Ai Jesus… Não sei porque eu tô tão nervoso assim. Até parece que eu vou pedir a mão da Bruna. (Pensa) Se bem que não seria uma má ideia. (Cabisbaixo) Se ela gostasse de mim e não do Lucas.

Bruna volta já pendurada ao cel. ligando pra mãe.

BRUNA         —  Eu não tô entendendo! O meu pai ou a minha mãe já deveriam ter chegado.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Renata ali sentada sozinha. Ela sente seu cel. vibrando. Flávia vem da cozinha.

FLÁVIA        —  Ela já vai trazer o nosso lanchinho.

RENATA       —  Deixa eu atender aqui que é a Bruna.

FLÁVIA        —  Claro amiga. Atende sua filha.

RENATA       —  (Ao cel.) Fala Bruna.

BRUNA         —  (OFF) Cadê a senhora? Cadê o papai?

RENATA       —  (Ao cel.) Então filha… É uma história complicada. Seu pai não quis voltar pra nossa casa!

BRUNA         —  (OFF) Mas como assim? Se ele não voltou pra nossa casa, ele foi pra onde? Não precisa responder! Aquela mulher roubou o meu pai de mim!

Ela desliga.

RENATA       —  (Ao cel.) Espera, filha. Não desliga.

FLÁVIA        —  O que aconteceu?

RENATA       —  Como eu já esperava a Bruna ficou revoltada e desligou o celular na minha cara!

FLÁVIA        —  Vai ser difícil pra ela engolir essa!

RENATA       —  Nem me fale!

CORTA PARA:

CENA 18. LEBLON. CAFETERIA DE LUXO. INT. DIA.

Cafeteria mais movimentada do que na cena 08. Marta e Maria de F. ali sentadas conversando. Maria de F. terminando de comer um bolo de chocolate.

MARTA        —  Agora que você já se divertiu fazendo as piadinhas mais ridículas que eu já vi na vida e terminou de comer feito uma vaca… Será que agora eu posso pagar a conta que deve tá mil reais e a gente ir embora?

MARIA DE F.—  Calma Martinha…. Você tá muito apressadinha pra uma pessoa que eu vou ver todos os dias.

MARTA        —  Olha só, você não vai querer ficar me extorquindo todo dia, né?

MARIA DE F.—  Não sei. Isso vai depender do quanto você colocar a mão no bolso e liberar de grana.

MARTA        —  Você acha mesmo que vai continuar assim a vida toda?

MARIA DE F.—  Você por acaso está me ameaçando?

MARTA        —  Não. Apenas estou dizendo que se continuarmos nessa velocidade, você vai me levar a falência há daqui uns cinco anos.

MARIA DE F.—  Cinco anos tá bom. Até lá seus filhos já se formaram e eu vou continuar te extorquindo e você será obrigada a extorquir seus filhos.

Marta séria se levanta e vai até o balcão pagar a conta. Maria de F. sorrir e faz careta porque comeu demais.

CORTA PARA:

CENA 19. IPANEMA. PEDRA DO ARPOADOR. EXT. DIA.

Não há mais ninguém na pedra do Arpoador exceto Adriana sentada.

ADRIANA     —  (P/si) Eu não tenho mais motivos para acreditar no amor. A única pessoa que eu amo depois de meus pais não gosta mais de mim.

Ela percebe a onda forte batendo na pedra e se levanta.

ADRIANA     —  (P/si) Dizem que a esperança é a última que morre, mas acho que  não mais chance de voltar com o Miguel.

Ela vai se aproximando da ponta da pedra. Ela olha o mar agitado e arremata.

ADRIANA     —  (P/si) Por que não acabar logo com isso de uma vez por todas?!

Ela abre os braços e dá o primeiro passo, quando é contida por Miguel.

MIGUEL        —  O que você pensa que tá fazendo, Adriana?

ADRIANA     —  Miguel?

Os dois se olhando. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 20. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. EXT. DIA.

Alfredo ali sentado. Glória vem da cozinha com duas xícaras de chá numa bandeja.

ALFREDO     —  A senhora viu o jeito como a Sol saiu? Ela praticamente arrastou a menina que tava aqui pra fora de casa.

GLÓRIA        —  Você assim como eu sabe como a Sol é. Olha, eu não vou ficar aqui mentindo pra você, Alfredo… A Sol não está muito confortável com a ideia de você continuar morando aqui.

ALFREDO     —  Eu sei. Percebi isso assim que pisei aqui.

GLÓRIA        —  Mas não a entenda mal. Eu que tomei essa decisão sem ao menos avisá-la.

ALFREDO     —  Eu já falei o que a gente deveria fazer, mas a senhora fica hesitando.

GLÓRIA        —  Claro! Eu não vou deixar que você volte pra casa se você não quer voltar!

ALFREDO     —  Mas eu acho que pra evitar todo esse constrangimento é o melhor a se fazer.

Fecha em Glória meneando a cabeça que não.

CORTA PARA:

CENA 21. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Orla com movimento mediano. Sol e Karina caminhando tomando uma água de coco.

SOL               —  Não aguentava mais ficar naquela casa com o Alfredo lá.

KARINA       —  Pois é, mas ele vai ter que ficar por bastante tempo morando com vocês.

SOL               —  Eu sei!.

KARINA       —  Você ainda o ama, né, Sol?

SOL               —  Muito! Prova disso é que desde que nos separamos há vinte anos atrás, eu não me envolvi com mais ninguém. Em contrapartida, eu não posso acabar com a vida de uma mulher inocente e da filha deles. Eu não posso simplesmente chegar e roubar o marido e pai de mãe e filha.

KARINA       —  Eu te entendo.

CAM mostra do outro lado da rua, Maria de F. caminhando descontraída. Ela olha para a orla e vê Sol e Karina.

MARIA DE F.—  (P/si) Pera aí! Será que é quem eu estou pensando que é?

Ela pega o seu cel. e coloca na foto de Sol, vinte anos mais nova e fica analisando. CAM detalha a foto e depois Sol, que se senta com Karina num dos bancos da orla.

MARIA DE F.—  (P/si) Solange Moraes! Mas como esse mundo é pequeno, não é mesmo? Eu diria que é uma ervilha. Não poderia ter reencontrado ela em melhor momento.

Maria de F. tira uma foto de Sol com Karina sentada e fica ali sorrindo. CAM mostra Sol e Karina conversando fora de áudio. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 36º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on google
Google+
Share on tumblr
Tumblr