Partes de Mim – Capítulo 37

PARTES  DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JOANA

JOÃO

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE


CENA 01. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Maria de F. ali a sorrir, quando arremata.

MARIA DE F.—  (P/si) Eu nunca pensei que a Sol também estivesse aqui no Leblon.  Muito bom tudo isso. Agora sim as coisas estão começando a dar certo para o meu lado. Com mais essa arma, a Marta está em minhas mãos mais do que nunca!

Ela sorrir e segue caminhando. CAM de longe mostra Sol e Karina conversando fora de áudio. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. IPANEMA. QUIOSQUE. EXT. DIA.

Miguel e Adriana sentados tomando uma água de coco.

MIGUEL        —  Agora que os ânimos se acalmaram. Será que você pode me explicar por que estava querendo se jogar no mar?

ADRIANA     —  Olha, Miguel. Eu não estou nada legal desde a nossa separação.

MIGUEL        —  Legal, agora vai jogar a culpa no tempo que nós estamos dando?

ADRIANA     —  Não me interprete mal. É que nós estávamos dando um tempo e eu tinha esperança que de que a gente ainda voltaria, mas aí depois de ver você na companhia da Karina eu percebi que não tinha mais volta.

MIGUEL        —  Logo que estamos sendo sinceros um com o outro, eu também vou me abrir com você e te dizer qual é a real. Nós dois somos muito diferentes um do outro. Eu me iludi pensando que a Karina é a pessoa certa pra mim.

ADRIANA     —  Então você está dizendo que não está dando certo com ela?

MIGUEL        —  Não, não está. Até porque não tem como dá certo uma coisa que nem começou!

ADRIANA     —  Mas eu pensei que vocês estavam namorando já!

MIGUEL        —  Não. Até se beijamos, mas depois do que aconteceu na Cantina, a Karina me acha uma praga que só leva coisa ruim pra vida dela!

ADRIANA     —  Nossa! Que horror, Miguel! Não fale uma coisa dessas! Eu inclusive gostaria de me desculpar pelo que fiz na universidade! Eu não me contive e acabei metendo os pés pelas mãos.

MIGUEL        —  Tudo bem.

Os dois se olhando, rola um clima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. AEROPORTO. ÁREA DE DESEMBARQUE. INT. DIA.

Vicente ali nervoso, não para de mexer com as mãos a espera de Enrico.

VICENTE      —  (P/si, nervoso) Por que está demorando tanto?

CAM mostra vários passageiros que começam a sair. Enrico aparece, avista o pai e acena pra ele que retribui.

VICENTE      —  (P/si, feliz) Meu filho!

Enrico se aproxima, coloca a mala no chão e dá um abraço apertado no pai.

VICENTE      —  Meu filho, mas que saudade!

ENRICO        —  Pai… O senhor continua galã!

VICENTE      —  Ah, que isso! Galã está é você! Cadê a sua noiva? Você não disse que estava noivo de uma americana?

ENRICO        —  Estava. Mas quando eu contei pra ela a minha vontade de voltar a morar no Brasil, ela não aceitou e nós terminamos!

VICENTE      —  Que pena, filho! Poxa, a Lindsay era tão simpática!

ENRICO        —  É, mas não deu certo, né, pai. E como vão as coisas por aqui?

Enrico pega a mala e os dois se direcionam a saída com Vicente arrematando.

VICENTE      —  Caóticas!

ENRICO        —  Mas por quê?

VICENTE      —  É uma longa e complicada história…

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali séria a olhar pela janela e a tomar uma xícara de café. Mazé vem da cozinha e começa a limpar a mesa.

MARTA        —  Ah, é você que tá aí, Mazé.

MAZÉ            —  Sim, sou eu. Que mulher era aquela?

MARTA        —  (Finge não entender) Como assim? De que mulher você está falando, Mazé?

MAZÉ            —  Da mulher que veio aqui hoje mais cedo.

MARTA        —  Então você viu ela?

MAZÉ            —  Não. Eu só ouvi lá da cozinha ela falando de vinte anos atrás. Eu não sabia que a senhora tinha uma amiga há tantos anos.

MARTA        —  Duas coisas. Primeira: você não acha que é feio ficar ouvindo a conversa da sua patroa, da mulher que paga o seu salário, não?

MAZÉ            —  Eu não fiquei ouvindo nada não, dona Marta! Mas é que a mulher que veio aqui tem um tom de voz alto.

MARTA        —  E segundo: por que tamanho espanto com a visita dela?

MAZÉ            —  É que em todos esses anos que eu trabalho aqui na casa da senhora, poderia contar nos dedos a quantidade de pessoas que vieram aqui.

MARTA        —  (Intimidadora) Então você tá querendo dizer que eu não sou sociável, é isso?

MAZÉ            —  (Medo) Não, dona Marta não é isso! (Disfarça) Eu acho que esqueci a água do café no fogo.

Ela corre pra cozinha e Marta sorrir.

MARTA        —  (P/si, sorrir) Tão bom quando elas ficam desse jeito! Até parecem cachorrinhos encurralados.

Ela fica ali a sorrir.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Bruna ali triste e João sentado ao seu lado.

JOÃO            —  Não fica assim, Bruna!

BRUNA         —  E você queria que eu ficasse como? O meu pai está morando na casa da ex dele! Será que você não consegue entender a gravidade disso?

JOÃO            —  Eu sei. Mas ele deve ter os motivos dele.

BRUNA         —  Que motivos? Ele cansou da nossa família e agora quer reviver um romance de vinte anos atrás!?

JOÃO            —  É, realmente é algo inexplicável. Mas por que você não faz o seguinte: liga e ver o que ele tem a dizer.

BRUNA         —  Não. Não vou dar ouvidos a ele! Logo que ele quis assim, eu não vou fazer mais nada… Nem procurá-lo mais eu vou!

JOÃO            —  Mas ele é seu pai, Bruna!

BRUNA         —  Ele não pensou que era meu pai quando resolveu ir morar na casa daquela mulher!

CORTA PARA:

CENA 06. RIO DE JANEIRO. EXT. ANOITECER.

Atenção Sonoplastia: Ao som de All Star – Cássia Eller.

Takes descontínuos do anoitecer na cidade maravilhosa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Cristina ali sentada pensativa, quando Vicente entra com Enrico.

VICENTE      —  Isso meu filho. Vem, pode entrar!

CRISTINA     —  Mas o que é que é isso? O que significa isso?

ENRICO        —  Significa que eu estou de volta ao Brasil!

CRISTINA     —  Sim, mas o que você está fazendo aqui? Seu pai não mora mais nesta casa!

ENRICO        —  Ele não mora, mas eu vou morar!

CRISTINA     —  De jeito nenhum! Ponha-se porta a fora!

ENRICO        —  Eu não vou a lugar nenhum! Vocês ainda não se separaram. Então o apartamento ainda pertence aos dois.

VICENTE      —  Eu falei com você Enrico, que não era uma boa ideia, mas/

CRISTINA     —  (Corta) Você nem fala! Quer saber de uma coisa…? Se você quer ficar, então fica Enrico! Só não olhe e nem fale comigo!

Ela vai para o quarto.

ENRICO        —  Não se preocupe que eu não tenho intenção de ser seu amigo! Aliás, eu nunca tive! Só quis ficar aqui mesmo pra te irritar!

VICENTE      —  Tem certeza que não quer ir pra um hotel? Eu não digo que te levo lá pra casa porque os quartos estão todos ocupados!

ENRICO        —  Tudo bem, pai. Eu fico aqui mesmo. Não quero perder a oportunidade de irritar a Cristina e a filhinha dela!

VICENTE      —  Então eu já vou indo. Amanhã eu passo aqui pra te buscar bem cedo.

ENRICO        —  Tá bom, pai. Amanhã eu quero conhecer a construtora e a sua nova família!

VICENTE      —  Pode deixar que eu vou falar com a Flávia a respeito.

Vicente dá um abraço no filho e sai.

ENRICO        —  (P/si, sorrir) Já vi que vou me divertir muito aqui nessa casa!

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Gael ali a mexer no cel. CAM detalha a tela do cel. ele está a ver uma foto de Juliana.

GAEL            —  (P/si, apaixonado) Como é linda!

Atenção Sonoplastia: seu cel. começa a tocar.

GAEL            —  (P/si) Número desconhecido? Quem será?

Ele atende.

GAEL            —  (Ao cel.) Alô!

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Gael, Gael… Aqui é o ratão! Você ainda está me devendo uma!

GAEL            —  (Ao cel.) Não! Não estou devendo nada a vocês! Eu já paguei tudo.

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Pagou, mas não pagou a paciência que nós teve em esperar você pagar!

GAEL            —  (Ao cel.) Eu não vou fazer nada pra vocês!

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Ah, você vai sim!

GAEL            —  (Ao cel.) Não vou!

Ele desliga o cel. e ali fica super aflito. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina sentada cabisbaixa. Ricardo chega do trabalho.

RICARDO     —  Oi, filha.

KARINA       —  Oi, pai.

RICARDO     —  Ei. Tá tristinha assim por quê?

KARINA       —  É que o meu dia hoje foi de cão.

RICARDO     —  Como assim, filha? O que aconteceu?

KARINA       —  É que logo cedo na faculdade, eu tomei uma suspensão!

RICARDO     —  (Surpreso) Como é que é? Suspensão? Nem no colégio aconteceu isso! Me explica essa história direito, hein, mocinha!

KARINA       —  É que a ex do Miguel estava na cantina gritando pra todo mundo que eu era a culpada dela ter se separado dele… Daí nós brigamos e o reitor suspendeu as duas.

RICARDO     —  Mas e o trabalho que a gente lutou tanto pra fazer? 

KARINA       —  Não pude nem entregar!

RICARDO     —  Caramba!

KARINA       —  Mas eu mandei uma mensagem para o professor e ele disse que eu posso mandar o trabalho em PDF que ele aceita.

RICARDO     —  Que bom, filha. Assim pelo menos você não fica sem nota. Olha, eu sei que você realmente gosta desse rapaz, mas eu queria deixar claro pra você que desde que vocês se aproximaram que as coisas ruins não param de acontecer com você!

KARINA       —  Eu sei, pai. Percebi isso hoje e dei um basta em tudo. Não quero mais só quem traz problemas pra mim!

RICARDO     —  É isso aí, filha!

Ele abraça a filha que continua triste. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Juliana ali sentada. Mazé chega do trabalho.

MAZÉ            —  Oi, filha! Boa noite!

JULIANA      —  (Feliz) Oi, mãe! A senhora não vai acreditar!

MAZÉ            —  Acreditar no quê? Qual é a novidade dessa vez?

JULIANA      —  Eu acho que vou conseguir um emprego!

MAZÉ            —  (Feliz) Que bom, filha! (Cai na real) Mas espera aí. Como assim: eu acho que conseguir?

JULIANA      —  É que tudo vai depender do meu contato. É uma mulher que acabou de se mudar de São Paulo e ainda não tem empregada.

MAZÉ            —  Que bom. Espero que ocorra tudo bem! E seu pai? Foi atrás de emprego?

JULIANA      —  Não pelo que eu saiba! Falei com ele do emprego e parece que ele não ficou muito contente não.

MAZÉ            —  Ué! Mas como assim? O Carlito não trabalha e não quer que você trabalhe também!? Eu hein!

Ela vai para o quarto e Juliana sorrir.

CORTA PARA:

CENA 11. JORNAL. REDAÇÃO. INT. NOITE.

Todos já foram embora, apenas Joana terminando de juntar suas coisas. Rô volta da TI com o notebook.

JOANA          —  Nossa! Sumiu a tarde toda, menina. (Cínica) Eu fiquei preocupada com você!

ROSANGELA — Não me venha com cinismo a essa altura do campeonato não, que eu sou capaz de te esgoelar!

JOANA          —  Nossa! Que selvagem! Conseguiu resolver o problema do computador?

ROSANGELA — Não! Agora ri da minha cara!

JOANA          —  Claro que não! Afinal de contas isso pode acontecer com qualquer um nessa redação!

ROSANGELA — É, mas eu não tiro da cabeça que pode ter sido você.

JOANA          —  Acredite do que você quiser, Rosangela! Eu tenho a consciência limpa de que não fiz nada!

Joana sai e Rô fica ali séria e termina de guardar suas coisas, uma papelada ela coloca na bolsa.

ROSANGELA — (P/si) Por causa desse bendito computador agora eu vou ter que levar trabalho pra casa!

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta sentada assistindo TV. Miguel chega da rua.

MARTA        —  Ah… Lembrou que tem casa, é? Por pouco eu pensei que você agora vivia como um sem teto!

MIGUEL        —  Sem historinhas, mãe! Minha vida tá um caos pra senhora ainda ficar falando na minha orelha!

MARTA        —  O que aconteceu, meu filho?

MIGUEL        —  Vou te contar já sabendo que a senhora vai adorar saber disso. A Karina se afastou de mim!

MARTA        —  Não vou esconder a minha felicidade não! Aquela garota não é pra você, Miguel!

MIGUEL        —  Sendo ou não sendo, agora não interessa mais! Ela disse que quer ficar longe de mim!

MARTA        —  Mas o que levou ela a dizer tal coisa?

MIGUEL        —  É que a Adriana brigou com ela na cantina da universidade e as duas foram suspensas!

MARTA        —  (Cínica) Não acredito que isso aconteceu de novo! Eu falei com a Adriana pra ela parar com essa ideia de fica provocando a menina.

MIGUEL        —  Pois é, mas foi o que aconteceu. Depois conversando com ela, ela disse que estava se sentindo muito mal com a nossa separação e por isso estava querendo se jogar da pedra do arpoador.

MARTA        —  Quem? A Karina?

MIGUEL        —  Não. A Adriana!

MARTA        —  (Surpresa) O quê? A Adriana estava pensando em se matar?! Meu Deus!

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia e Murilo ali sentados à mesa. Ela ajudando o filho com a lição de casa.

FLÁVIA        —  Presta atenção, Murilo! Olha que você está usando o sinal errado. O X é o que mesmo?

MURILO       —  Multiplicação!

FLÁVIA        —  E por que tem uma cruzinha de + aí?

MURILO       —  Ih… É mesmo.

FLÁVIA        —  (Imita) É mesmo. Agora apague e começa tudo de novo!

Vicente chega do trabalho.

VICENTE      —  Boa noite, família!

FLÁVIA        —  Oi, meu amor.

MURILO       —  Oi, pai.

VICENTE      —  Fazendo o dever de casa, campeão?

MURILO       —  Tô.

FLÁVIA        —  Mais errando do que acertando, mas está fazendo!

VICENTE      —  (P/Flávia) Será que a pode conversar?

FLÁVIA        —  Claro. (P/Murilo) Continua fazendo aí que eu já volto!

Flávia e Vicente vão para o quarto. CAM permanece ali em Murilo fazendo a lição de casa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE RENATA. SALA. INT. NOITE.

Renata chega da rua.

RENATA       —  (Chama) Filha? Bruna, você tá em casa?

Ela vem do quarto.

BRUNA         —  Oi, mãe.

RENATA       —  Filha… Eu sei que foi um baque muito forte essa decisão do seu pai, mas/

BRUNA         —  (Corta) Não tenta justificar o que ele fez! O que ele fez foi uma tremenda de uma canalhice! Eu nunca vi um pai trocar a esposa e a filha por uma namoradinha de vinte anos atrás!

RENATA       —  Eu sei que é difícil de entender, mas agora temos que dá tempo ao tempo e ver como as coisas serão daqui pra frente!

BRUNA         —  Eu sei, mas… Eu não consigo entender!

RENATA       —  (Abre os braços) Vem aqui filha!

Bruna se aproxima e se aconchega nos abraços da mãe. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Alfredo ali sentado. Glória desce a escada. 

GLÓRIA        —  Tudo pronto pra quando você quiser se deitar.

ALFREDO     —  Obrigado, Glória! E a Sol? Ainda não voltou?

GLÓRIA        —  Ainda não. Mas você sabe como a Sol é. Às vezes ela precisa ficar na rua espairecendo.

ALFREDO     —  Até porque não é todo dia que o passado de vinte anos atrás volta a sua vida e ainda nesse estado.

GLÓRIA        —  Que isso, Alfredo! Eu já disse que sua estadia aqui não é incomodo algum!

Sol chega da rua.

GLÓRIA        —  Vejam se não é a Margarida que resolveu aparecer!

ALFREDO     —  Olha, Sol. Eu queria que você soubesse que/

SOL               —  (Corta) Alfredo, para. Eu já falei que não é incomodo algum ter você aqui! (P/Glória) Mamãe, será que a senhora poderia nos dar licença? Eu preciso conversar com o Alfredo a sós!

GLÓRIA        —  (Feliz) Claro. Com o maior prazer.

Glória vai para a cozinha. Alfredo e Sol ficam frente a frente se olhando. Instantes. Suspense. 

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 16. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena anterior.

SOL               —  Olha, Alfredo. Eu não sei por qual motivo você aceitou o convite da mamãe, mas acho que você tem um motivo plausível pra não querer voltar pra casa!

ALFREDO     —  Sim, é que aconteceram tantas coisas entre mim e a Renata que eu/

SOL               —  (Corta) Não precisa me contar! Eu só quero que você saiba que eu precisei sair pra espairecer porque afinal de contas, o nosso passado juntos veio à tona com a sua chegada!

ALFREDO     —  É, eu também penso nisso direto.

SOL               —  Só esclarecendo também que não é exclusivamente por sua presença aqui! E que… Você sabe!

ALFREDO     —  Sei, sei bem… Quando tudo aconteceu eu sair da sua casa e nós nunca mais nos vimos!

SOL               —  Então você sabe o quão é estranho te reencontrar depois de vinte anos.

ALFREDO     —  Sei, mas agora nós estamos mais maduros. Eu acho até que se tivesse acontecido hoje em dia, nós saberíamos lidar melhor com toda aquela situação.

Ela meneia a cabeça concordando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE FLÁVIA. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Vicente e Flávia ali. Flávia já reagindo.

FLÁVIA        —  Como assim ela descobriu?

VICENTE      —  Pela foto que ela me mostrou, alguém me seguiu no dia do jogo no clubinho de futebol!

FLÁVIA        —  E você não desconfiou de nada?

VICENTE      —  Não! O pior é que agora até o futuro da construtora está em jogo!

FLÁVIA        —  O que a gente faz agora?

VICENTE      —  Eu tenho que procurar um bom advogado!

FLÁVIA        —  Poxa, meu amor. Desculpa!

VICENTE      —  Ei. Você não tem com o que se desculpar!

FLÁVIA        —  Como não, meu amor? Você nunca foi ao jogo e quando vai acontece uma coisa dessas!

VICENTE      —  Só aconteceu o que já ia acontecer em longo prazo! Já estava nos meus planos o divórcio com a Cristina. Só que as coisas aconteceram mais rápido do que eu imaginei.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. NOITE.

Cristina ali sentada séria. Adriana entra.

CRISTINA     —  Chegando a essa hora por que, filha?

ADRIANA     —  É que hoje eu tive um dia tão tumultuado que eu fiquei por aí vagando.

CRISTINA     —  O que aconteceu?

ADRIANA     —  Resumindo a melhor parte do meu dia. Eu conversei com o Miguel e parece que a gente ainda pode voltar! 

CRISTINA     —  Que bom, filha. Você não sabe o quanto eu fico feliz em saber disso! Pelo menos uma parte dessa família tem que estar feliz.

ADRIANA     —  Por quê?

Cristina olha a cara da filha e decide não falar nada.

CRISTINA     —  Nada não, filha! Você só me falou a parte boa do seu dia… E de ruim, aconteceu o quê?

ADRIANA     —  Eu e aquela outra lá brigamos na cantina e eu levei uma suspensão!

CRISTINA     —  Suspensão da faculdade?

ADIANA       —  Foi.

CRISTINA     —  Você não pode ficar se manchando assim, Adriana! Sabia que isso pode interferir quando você for arrumar um emprego depois de formada!

ADRIANA     —  Eu sei, mãe. Mas acontece que aquela menina me tira do sério!

Enrico vem do quarto.

ENRICO        —  (Debocha) Então a Adrianinha é uma barraqueira que não se contém nem mesmo dentro da faculdade?

ADRIANA     —  (Surpresa) Você? O que esse cara tá fazendo aqui?

CRISTINA     —  Seu pai apareceu aqui de surpresa com isso!

ENRICO        —  O seu desdém por mim só faz o meu sarcasmo aumentar ainda mais, Cristina.

CRISTINA     —  Não suporto a sua presença garoto!

ENRICO        —  Então empatamos! Não gosto de você também!

Cris vai para o quarto.

ADRIANA     —  Me surpreende muito o papai não te levar pro hotel junto com ele!

ENRICO        —  Eu que fiz questão de ficar aqui!

ADRIANA     —  Claro! Até porque você adora cutucar a onça com vara curta!

Adriana vai para o quarto.

ENRICO        —  (Debochado) Volta aqui, Adrianinha! A nossa conversa tava boa. Que história de barraco na faculdade foi essa, hein? (P/si, sorrir) Poxa, o povo dessa casa não leva nada na esportiva, não?

CORTA PARA:

CENA 19. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Mazé andando de um lado para o outro, investigativa.

MAZÉ            —  (P/si) Eu tenho certeza que aquela mulher está fazendo alguma coisa com a dona Marta! Não é possível ela aparecer do nada assim! (Arregala os olhos) Será que a dona Marta tá querendo me demitir? Ela pode ser uma doméstica.

Carlito entra.

CARLITO      —  Falando sozinha, nega?

MAZÉ            —  (Sarcástica) Não. Estou falando com um amigo invisível!

CARLITO      —  Nossa, nega! Também não precisa me trata desse jeito!

MAZÉ            —  Onde você estava Carlito?

CARLITO      —  Estava com uns amigos!

MAZÉ            —  Ah, espero que você e esses seus amigos que eu nunca vi estavam atrás de emprego!

CARLITO      —  Nega! Por favor, né! Você sabe que eu ainda não estou 100%!

MAZÉ            —  Isso é o que você diz! Mas uma pessoa que não está 100%, não fica por aí andando com amiguinhos!

Ela vai pra cozinha.

CARLITO      —  (P/si) Eu ainda vou te dá muito dinheiro, nega! Você ainda vai ter orgulho do seu preto aqui!

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Gael ali aflito. Miguel deitado na cama a olhar o irmão.

MIGUEL        —  Você tá bem, cara?

GAEL            —  Por que a pergunta?

MIGUEL        —  Você tá aí todo aflito. Parece que recebeu uma visita e não gostou!

GAEL            —  Não é isso. É que às vezes eu fico pensando no que as pessoas nos pedem pra fazer.

MIGUEL        —  Como assim?

GAEL            —  É que tem um amigo que quer que eu faça uma coisa que eu não me agrado muito.

MIGUEL        —  Mas o que ele quer que você faça?

GAEL            —  Eu não posso te falar! Ele pediu pra guardar segredo!

MIGUEL        —  Com certeza esse seu amigo não é o Pedro! Ele nunca te pediria alguma coisa que te deixaria desse jeito. Não é o cara do carro roubado não, né?

GAEL            —  Não. Mas e aí? O que você faria?

MIGUEL        —  Olha, eu não sei o que é, mas seja lá o que for, você está desconfortável com tal coisa. Um conselho: um amigo jamais pediria alguma coisa que te deixaria desconfortável desse jeito!

Miguel sai do quarto. Gael permanece ali pensativo, aflito. Instantes. Tensão. 

CORTA PARA:

CENA 21. APART DE MARTA. QUARTO MARTA. INT. NOITE.

Marta sentada, quando seu cel. notifica mensagem.

MARTA        —  (P/si) O que essa Maria de Fátima quer agora?

Ela clica na mensagem e logo aparece a foto de Sol e Karina com a seguinte legenda que Marta lê.

MARTA        —  (Lê) Andando pela orla, olha quem eu tive o prazer de rever. É isso mesmo, a Sol. Ela está no Rio de Janeiro. (P/si) Não é possível! O que essa mulher está fazendo aqui?

Manda áudio no cel.

MARTA        —  (Manda áudio) Amanhã bem cedo vamos nos encontrar na mesma cafeteria! Preciso traçar uma estratégia pra ela não chegar perto dos meus filhos!

Ela joga o cel. ali na cama.

MARTA        —  (P/si, furiosa) Infeliz! O que essa peste veio fazer no Rio de Janeiro? Mas seja lá o que ela veio fazer… Ela nunca vai descobrir os meus filhos! Nunca!

Ela fica ali maquiavélica. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 37º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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