Partes de Mim – Capítulo 38

PARTES  DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

PEDRO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM1, ZÓI

CENA 01. RIO DE JANEIRO. EXT. AMANHECER.

Takes descontínuos do amanhecer na cidade linda do RJ. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Ricardo e Karina vêm dos seus respectivos quartos. Rô está a dormir de bruços na mesa, em cima dos papéis e do notebook.

RICARDO     —  Era só o que me faltava! A Rosangela dormiu aqui!

KARINA       —  É, ela ontem não estava pra brincadeira quando disse que tinha que terminar o trabalho.

RICARDO     —  (Chama) Rosangela? Rosangela, acorda!

ROSANGELA —(Acorda, assustada) O que aconteceu?

RICARDO     —  O que aconteceu foi que você dormiu aqui!

ROSANGELA —Nossa! Que horas são?

RICARDO     —  (Olha p/ relógio) Vinte pras oito!

ROSANGELA —Eu não posso chegar atrasada! Eu tenho que entregar essa matéria ainda hoje!

Ela corre para o banheiro.

RICARDO     —  Chega a ser tão recorrente que eu nem me surpreendo mais! Você não vem, filha?

KARINA       —  Esqueceu, pai, eu estou suspensa da faculdade.

RICARDO     —  Ah é. Por quanto tempo?

KARINA       —  Dois dias.

RICARDO     —  Então se cuida, filha. E aproveite bem esses dois dias para pensar a respeito. Tchau.

KARINA       —  Tchau, pai.

Ele sai. Karina vai para a mesa tomar café, mas a mesma está ocupada com a papelada de Rô.

KARINA       —  (P/si) A bagunça da dona Rosangela não deixou as empregadas colocarem a mesa do café.

Ela começa a organizar a papelada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia, Vicente e Murilo sentados à mesa a tomar um rico café da manhã.

FLÁVIA        —  Então o seu filho voltou ontem?

VICENTE      —  Voltou. Eu tinha até esquecido que ele vinha. Mas também, com essa montanha de problemas, não tem como lembrar mesmo!

FLÁVIA        —  Veja pelo lado positivo. Talvez o seu filho possa te ajudar com alguma coisa.

VICENTE      —  Acho que não. A área do Enrico é Comércio Exterior. A única coisa que ele pode fazer é liderar a equipe de compras.

FLÁVIA        —  E quando a gente vai conhecer ele?

MURILO       —  É, se eu tenho um irmão, quero conhecer ele!

VICENTE      —  Não se preocupem que eu já tenho uma ideia.

FLÁVIA        —  Ah, é? E o que seria?

VICENTE      —  Vamos todos jantar fora para conhecer o Enrico. Que tal?

FLÁVIA        —  Acho que é uma boa ideia!

MURILO       —  Quantos anos tem o meu irmão, pai?

VICENTE      —  Sinto muito desapontá-lo, Murilo. Mas ele tem 26 anos!

MURILO       —  É velho!

Flávia e Vicente sorriem.

FLÁVIA        —  Não vá falar isso com o seu irmão, não, hein! Esse Murilo…

CORTA PARA:

CENA 04 APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Miguel e Gael sentados à mesa tomando café da manhã prontos para irem à faculdade.

MIGUEL        —  E aí, decidiu o que vai fazer?

GAEL            —  Não vou fazer.

MIGUEL        —  Ótima escolha! Nunca devemos fazer coisas que nos deixa desconfortável!

GAEL            —  Obrigado por ter aberto os meus olhos.

MIGUEL        —  Que isso, cara. Precisar é só falar.

Mazé vem da cozinha com uma jarra de suco e serve Miguel.

GAEL            —  E a dona Marta? Ainda tá dormindo?

MIGUEL        —  Não sei. Você viu ela hoje, Mazé?

MAZÉ            —  Não. Pensei que ela ainda estava dormindo.

GAEL            —  Deixa eu ver se ela tá no quarto.

Gael vai para o quarto da mãe.

MIGUEL        —  E como é que vai a vida, Mazé?

MAZÉ            —  Difícil, né, Miguel! Com pobre não tem tempo bom! Quando você acha que vai sobrar cinquenta reais pra você comprar o que quer, o gás acaba, a conta de luz vem mais cara… É um problema sério.

Miguel sorrir. Gael vem do quarto.

GAEL            —  Nada.

MIGUEL        —  Ela não está no quarto?

GAEL            —  Não.

MIGUEL        —  E essa agora! Onde será que a dona Marta foi, hein?

CORTA PARA:

CENA 05. LEBLON. CAFETERIA DE LUXO. INT. DIA.

Marta e Maria de F. sentadas. Maria comendo até encher a boca.

MARTA        —  Tenha modos, Maria! Você está num ambiente sofisticado!

MARIA DE F.—  (Boca cheia) E o que isso tem a ver? Só por que eu tô num ambiente “sofisticado” eu não posso come até encher a barriga?

MARTA        —  Poder até pode! Mas não fale de boca cheia, pelo amor de Deus!

Maria continua a comer e Marta a olhando com repúdio.

MARIA DE F.—  Vai ficar aí me olhando ou vai dizer o que vai fazer com a Sol?

MARTA        —  Pois bem, essa foto foi tirada aonde?

MARIA DE F.—  Não muito longe da sua casa. Qual é o plano?

MARTA        —  Primeiro eu tinha que ter mais informações dela. Saber se ela está realmente morando aqui no Rio ou se veio à visita.

MARIA DE F.—  E como você pretende descobrir isso?

MARTA        —  Você vai descobrir!

MARIA DE F.—  Opa, opa, opa… Eu não vim pro Rio ser investigadora!

MARTA        —  Nem se eu te pagar bem por isso?

MARIA DE F.—  Aí nós podemos começar a negociar.

Fecha em Marta com seu típico sorrisinho maligno. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 06. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. DIA.

Cristina e Adriana sentadas tomando café.

CRISTINA     —  Então você vai ficar dois dias suspensa?

ADRIANA     —  É.

CRISTINA     —  Espero que nesses dois dias você pense bem na burrada que cometeu! Eu sei que você não suporta aquela garota, mas dentro da universidade você tem que se controlar!

ADRIANA     —  É, eu aprendi a lição.

Enrico vem do quarto só de samba canção.

ENRICO        —  Bom dia, Cascavéis!

CRISTINA     —  Vista uma calça!

ENRICO        —  Por quê? Não vá me dizer que essa casa tem regras? Eu gosto de andar por aí com minha samba canção!

CRISTINA     —  É, mas essa casa não é sua! Eu mando aqui!

ENRICO        —  Sim, você pode até mandar, mas não nas minhas vestimentas!

CRISTINA     —  Deixa eu ir trabalhar antes que me estresse ainda mais!

Ela se levanta, pega sua bolsa e saindo…

CRISTINA     —  Tchau, filha.

ADRIANA     —  Tchau, mãe. (P/Enrico) Você não perde uma oportunidade, né?

ENRICO        —  Claro que não!

ADRIANA     —  O que minha mãe te fez pra você odiá-la tanto assim?

ENRICO        —  Pergunta pra ela!

Ele pega uma maçã e volta para o quarto. Adriana permanece ali sentada intrigada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. TRÍPLEX DE SOL. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Mesa de café da manhã modesta. Glória, Sol e Alfredo ali sentados.

GLÓRIA        —  Desculpe a simplicidade, Alfredo. Mas é que nós estamos sem empregada.

ALFREDO     —  Tudo bem, Glória. Se vocês quiserem eu posso perguntar a empregada lá de casa se ela conhece alguém pra indicar!

GLÓRIA        —  Ai, Alfredo, nós adoraríamos. Eu não conheço ninguém.

SOL               —  Não será necessário que eu já tenho um contato.

GLÓRIA        —  E cadê esse contato?

SOL               —  Eu acabei de ligar pra menina e ela está vindo para entrevista.

GLÓRIA        —  É gente de confiança, né?

SOL               —  Sim. Foi o Miguel que passou esse contato pra Karina.

GLÓRIA        —  Esses jovens sempre arrumando as coisas rápido demais! Bendita tecnologia!

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Renata e Bruna sentadas à mesa tomando café. Bruna triste, brincando com o bolo no prato.

RENATA       —  Filha, você não comeu nada.

BRUNA         —  Tô sem fome.

RENATA       —  Mas você tem que fazer uma forcinha. Você não quer ficar doente, quer?

Ela meneia a cabeça que não.

RENATA       —  Então coma.

BRUNA         —  Eu não consigo. É como se essa história do papai ir morar na casa daquela mulher não estivesse descendo pela minha goela, sabe?

RENATA       —  Filha, tá sendo difícil pra mim também, mas não é por isso que eu vou deixar de viver. Seu pai não escolheu viver lá? Então nós duas continuamos a viver aqui na nossa casa sem ele.

BRUNA         —  A senhora tem razão, mãe. Não vale a pena ficar até doente por um egoísta como ele foi.

Ela começa a comer.

RENATA       —  Isso, filha. Come.

CORTA PARA:

CENA 09. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Carlito ali comendo um pão com manteiga e café. Juliana vem do quarto, toda arrumada, linda.

JULIANA      —  E então, pai? Como estou?

CARLITO      —  Nossa! Você não acha que exagerou, não?

JULIANA      —  Claro que não! Eu estou indo numa entrevista de emprego.

CARLITO      —  Vestida desse jeito?

JULIANA      —  O que tem de errado com a minha roupa?

CARLITO      —  Nada! Só acho que uma roupa mais simplesinha tava bom!

JULIANA      —  Claro que não! O senhor quer que eu vá para o centro da cidade vestida como sei lá o quê?! Eu tenho que causar uma boa impressão! Me deseje sorte!

CARLITO      —  Boa sorte!

Ela sai.

CARLITO      —  (P/si) Minha filha limpando casa de madame! Não tô gostando dessa ideia!

Ele se levanta e vai olhar pela janela. CAM mostra Juliana entrando em um carrão, mais precisamente, o carro de Gael.

CARLITO      —  (P/si) Ela tá indo pra entrevista de emprego mesmo ou tá enganando todo mundo?

Ele fica ali sério, intrigado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. DIA.

Miguel ali parado a espera de algo ou alguém. CAM mostra o carro de Pedro se aproximando. Ele para e buzina.

PEDRO          —  O que você tá fazendo aí, Miguel?

MIGUEL        —  Esperando um carro que eu chamei pelo aplicativo.

PEDRO          —  Ué! Mas você não vai com o Gael?

MIGUEL        —  Vou, mas hoje ele teve outro compromisso.

PEDRO          —  Ah é? Então entra aí que eu te dou uma carona.

MIGUEL        —  Show! Vou até cancelar aqui.

Ele entra no carro.

PEDRO          —  Estranho o Gael ter ido fazer outra coisa antes da faculdade.

MIGUEL        —  Ele foi pegar a jovem que ele tá namorando em casa porque ela tem uma entrevista de emprego hoje.

PEDRO          —  Ah sim.

Pedro dá a partida e o carro vai se afastando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Maria de F e Marta ali no exato local da foto.

MARTA        —  Então foi aqui?

MARIA DE F.—  Foi. (Aponta) Ela estava sentada naquele banco ali.

MARTA        —  Ótimo! Então ela estava mais perto do que eu imaginava.

MARIA DE F.—  Não falei pra você que era perto?

MARTA        —  É, mas essa proximidade toda está me deixando preocupada.

MARIA DE F.—  Não se preocupe que ela não sabe que você está morando aqui.

MARTA        —  Eu sei. Mas com ela tão perto, num piscar de olhos descobre tudo!

CAM mostra o carro de Pedro passando, Miguel olhando.

MIGUEL        —  O que a dona Marta tá fazendo com aquela mulher?

PEDRO          —  Sua mãe? Onde?

MIGUEL        —  Ali na calçada.

O carro vai se afastando.

MARTA        —  Agora nós temos que ficar aqui.

MARIA DE F.—  Fazendo o quê?

MARTA        —  Esperando pra ver se ela vai aparecer por aqui de novo.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Karina ali terminando de tomar seu café da manhã. Rosangela vem arrumada para o trabalho.

ROSANGELA—Onde é que estão os meus papéis? (Procura) Eu perdi os meus papéis!

KARINA       —  Calma, mãe. Eu coloquei todos na sua bolsa.

ROSANGELA—Ai, filha, obrigada! Ué! O que você está fazendo em casa? Não deveria estar na faculdade?

KARINA       —  Deveria. Mas estou suspensa.

ROSANGELA—O que aconteceu? Eu tô atrasada demais, mas pode falar.

KARINA       —  Vamos fazer assim: eu estou indo na casa de uma amiga, a senhora me dá carona e eu te conto tudo no caminho.

ROSANGELA—Pode ser. Mas desde que não saia da minha rota!

KARINA       —  A senhora passa em frente ao prédio em que ela mora.

ROSANGELA—Então vamos.

As duas saem.

CORTA PARA:

CENA 13. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Alguns já ali trabalhando. Joana chega.

JOANA          —  (P/si) Ué! A editora chefe substituta ainda não chegou? Depois os outros acham que eu implico com ela. Mas olha aí. Uma mulher que tá ocupando um cargo de tamanha responsabilidade não deveria ser a última a chegar!

Joana senta-se a sua mesa e liga o computador.

JOANA          —  (P/si) Vamos trabalhar porque o dia hoje vai ser cheio.

CORTA PARA:

CENA 14. AVENIDA BRASIL. INT. DIA.

Gael ao volante e Juliana no carona.

JULIANA      —  Você tem certeza que me levar na casa da Sol não vai te atrapalhar, né?

GAEL            —  Deixa disso, Ju. Eu só tenho aula a partir do segundo tempo.

JULIANA      —  Menos mal.

GAEL            —  Eu é que pergunto se não vai dar problema pra você ter ido te buscar na porta da sua casa?

JULIANA      —  Meu pai estava em casa, mas acho que ele não percebeu. E que visão você tem de mim depois de ter visto a casa em que eu moro?

GAEL            —  (Não entende) Como assim?

JULIANA      —  Ah para, Gael! Eu não moro na zona sul como você. Num apartamento…

GAEL            —  Eu já sabia que você não tinha as mesmas condições de vida que eu. Mas e daí? Eu te amo!

JULIANA      —  Eu sei que a gente se gosta, mas isso me deixa desconfortável!

GAEL            —  Deixa de onda. O amor não tem idade, cor, classe social… Nada disso! Quando a gente ama, é pra valer! E não importa se você mora no subúrbio ou numa comunidade, eu iria continuar te amando do mesmo jeito!

Ela dá um selinho rápido nele.

CORTA PARA:

CENA 15. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana chega para trabalhar.

ANA              —  (P/si) Pelo jeito não chegou ninguém ainda!

Ela senta-se a sua mesa e liga o computador.

ANA              —  (P/si) Se bem que como não chegou ninguém ainda, eu posso dar uma olhadinha na sala da dona Cristina.

Ela se levanta, vai até a porta da sala de Cris, olha de um lado para o outro e entra.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 16. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Ana vai até a mesa e tenta abrir a gaveta, mas a mesma está trancada.

ANA              —  (P/si) Droga! Ela trancou a gaveta. Não sei porque, mas eu tenho a impressão de que a dona Cristina esconde alguma coisa.

Ela vê um arquivo deslizante pequeno e vai até o mesmo. Abre e fica procurando alguma coisa.

ANA              —  (P/si) Vejamos se eu encontro alguma coisa.

CAM mostra as pernas de alguém na porta olhando-a. pelo traje fica evidente que se trata de um homem. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 17. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes descontínuos da cidade do rio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. DIA.

Adriana ali a mexer no cel. a campainha toca.

ADRIANA     —  (Grita) A campainha tá tocando! Bando de imprestáveis esses empregados!

Ela levanta-se para abrir a porta.

ADRIANA     —  Pai?

VICENTE      —  Oi, filha.

ADRIANA     —  Por que o senhor tocou a campainha se ainda tem a chave?

VICENTE      —  É que eu não moro mais aqui.

ADRIANA     —  E como o senhor está?

VICENTE      —  Tô bem. E você, filha?

ADRIANA     —  Me recuperando. Levei uma suspensão da faculdade, mas tá tudo bem.

VICENTE      —  O que aconteceu?

ADRIANA     —  Ai, pai. Eu não tô com ânimo pra te contar essa história agora. Prometo que quando tiver afim te conto.

VICENTE      —  Tá bom, filha.

Enrico vem do quarto.

ENRICO        —  Finalmente, pai. Pensei que o senhor tivesse esquecido de mim!

VICENTE      —  Nunca! É que eu me atrasei um pouco hoje.

ENRICO        —  Mas e aí, falou com a Flávia sobre eu conhecer ela e o seu filho?

ADRIANA     —  Como assim? Flávia? Outro filho? O senhor tem outra família!?

Closes alternados em todos. Vicente nervoso, Adriana indignada, Enrico com cara de quem falou demais. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 19. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena anterior.

VICENTE      —  Filha, me escuta/

ADRIANA     —  (Corta) O senhor esteve traindo essa família a quanto tempo?

VICENTE      —  Filha, eu pensei que sua mãe tinha te falado!

ADRIANA     —  A mamãe sabia e não me falou nada!?

ENRICO        —  (Sorrindo) É agora que o bicho pega!

ADRIANA     —  Por que vocês não me falaram nada?

VICENTE      —  Isso tudo aconteceu anteontem, minha filha!

ADRIANA     —  Pior ainda! Vocês tiveram a oportunidade de me contar! Não falaram porque não quiseram!

VICENTE      —  Filha, você não entenderia! Como que eu ia chegar pra você e dizer que eu estou com outra mulher e tenho um filho de oito anos com ela!?

ADRIANA     —  Oito anos? Nossa! Quase uma década de vida dupla então!

VICENTE      —  Me desculpa, filha?

ADRIANA     —  Agora eu entendo porque a mamãe tava tão estranha! O que o senhor fez foi uma canalhice não só contra ela, mas contra mim também!

VICENTE      —  Filha não faz assim! Eu vou me ajoelhar aqui e pedir desculpas!

ADRIANA     —  Não precisa se ajoelhar! Eu acho isso um absurdo, mas logo que a mamãe já descobriu, o senhor já fez e tem até um filho de oito anos com essa mulher… Não tem porque eu te julgar por isso!

ENRICO        —  Depois que falou tudo que queria não quer julgar? Você é uma piada, Adrianinha!

ADRIANA     —  (Firme) Não te mete nisso! (P/Vicente) Viva a sua vida, pai! Seja feliz que eu vou ser aqui com a mamãe também. (Olha pra Enrico) Ou pelo menos tentar ser!

Ela vai para o quarto.

ENRICO        —  Desculpa, pai. Eu falei demais. Mas eu pensei que ela já sabia!

VICENTE      —  Eu também pensei que a Cristina tinha falado pra ela. Agora vamos que a gente tá muito atrasado!

Os dois saem.

CORTA PARA:

CENA 20. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 16. Clima de tensão. CAM continua focada na perna do homem.

RICARDO     —  O que você tá fazendo na sala da Cris?

Ana se assusta e bate a cabeça no arquivo deslizante.

ANA              —  (Passando a mão na cabeça, faz careta) Ai. Você me deu um susto, Ricardo!

RICARDO     —  Ah é? Se você se assustou tanto assim é porque estava fazendo alguma coisa que não devia!

ANA              —  Eu tava aqui atrás de alguma coisa.

RICARDO     —  Que coisa?

ANA              —  Sei lá o quê! Eu só acho que a dona Cristina esconde alguma coisa.

Cristina entra.

CRISTINA     —  O que eu escondo, Ana?

Closes alternados, Cris séria, Ana engole seco, Ricardo sem saber o que fazer. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol ali na porta atendendo Juliana.

SOL               —  Muito prazer, Juliana.

JULIANA      —  O prazer é todo meu.

SOL               —  Entre! Vamos nos sentar.

Glória desce a escada.

GLÓRIA        —  Tem visita?

SOL               —  Tem. Ela que vai conversar comigo aqui sobre a vaga de doméstica.

GLÓRIA        —  Ah sim, então eu quero participar desse momento também.

SOL               —  Não, mamãe! A senhora não pode participar de nada! Se a senhora ficar aqui vai exigir que a menina tenha doutorado em Harvard!

GLÓRIA        —  Larga de ser mentirosa, Sol! Eu não sou assim não, viu menina.

SOL               —  É sim. A senhora estava indo aonde?

GLÓRIA        —  Caminhar.

SOL               —  Então vá que eu cuido de tudo por aqui.

GLÓRIA        —  Estou indo porque vai ser chato demais isso aí.

Ela sai para a rua.

SOL               —  Desculpe por isso, Juliana.

JULIANA      —  Não. Tudo bem.

SOL               —  Então, vamos lá..

Sol começa a entrevistar Juliana fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Carlito, Homem1 e Zói.

ZÓI                —  E aí, chefe? Qual vai se a próxima parte que nós vai fazer?

CARLITO      —  Agora só falta fazer o playba participar.

HOMEM1      —  Ratão máster tá sabendo que o playba não quer participar?

CARLITO      —  Tá. E tá furioso com isso!

ZÓI                —  Eu já falei que nós devia obrigar ele a participar!

CARLITO      —  Tô vendo que não tem outra saída!

HOMEM1      —  Então nós pode agir?

CARLITO      —  O que vocês sabem sobre a vida dele?

ZÓI                —  Eu sei que ele mora nos Leblon lá.

HOMEM1      —  Eu também só sei isso.

CARLITO      —  A gente tem que descobrir onde ele mora, onde ele estuda… Nós temos que pegar ele!

ZÓI                —  Pode deixar com nós! A gente fica lá pela zona sul dando umas cantadas nas madames e a gente pega ele!

CARLITO      —  Você não tem que ficar dando cantada em ninguém! Larga de ser idiota que a gente não pode arrumar problema por lá! Arrumar problema na zona sul é pedir pra ser preso! Vocês só façam o que eu mandar!

Zói e Homem1 com receio meneiam a cabeça que sim.

CORTA PARA:

CENA 23. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 20.

CRISTINA     —  Anda! Fala o que eu escondo, Ana!

ANA              —  Não é nada disso que a senhora tá pensando dona Cristina. (Disfarça) É que eu estava pensando que a senhora escondia alguma balinha.

CRISTINA     —  (Não entende) Balinha?

ANA              —  É. É que hoje eu acordei em cima da hora e pra não perder o ônibus, eu saí de casa sem escovar os dentes!

CRISTINA     —  Então não fale mais nada! Não quero a minha sala com cheiro de bafo.

Tira da bolsa algumas balinhas de hortelã e passa a ela.

CRISTINA     —  Toma! Agora vá melhorar esse hálito!

Ela empurra Ana para fora de sua sala.

CRISTINA     —  E você, Ricardo?

RICARDO     —  Nada. Só estava procurando a Ana pra ela pegar alguns documentos para mim mais tarde.

CRISTIAN     —  Ah sim, então me dê licença.

Ricardo sai. Cris fica ali com cara de nojo, funga e certifica-se de que não há mau cheiro.

CRISTINA     —  (P/si) Minha sala não está poluída.

CORTA PARA:

CENA 24. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana e Ricardo ali.

RICARDO     —  Conseguiu disfarçar bem, hein!

ANA              —  Eu deveria ser atriz! Seria das boas ainda!

RICARDO     —  Mas aqui entre nós… Você escovou os dentes, né?

ANA              —  Claro, né, Ricardo?! Aquilo foi só pra despistar a atenção dela.

RICARDO     —  Ótimo. Então me dá umas balinhas aí.

Ela dá todas pra ele.

ANA              —  Pode ficar com tudo.

Ela vai pra sua mesa e Ricardo coloca uma bala na boca.

RICARDO     —  Você estava lá procurando o que exatamente, Ana?

ANA              —  Sei lá. Alguma coisa naquele arquivo deslizante dela. É que eu acho que tem alguma cosia de errado com ela, sabe?

RICARDO     —  Que motivos ela te deu pra você desconfiar dela assim?

ANA              —  Sei lá! Acho que é minha intuição.

Ricardo vai pra sua sala. Ana certifica-se de seu bafo.

ANA              —  (P/si) Tá um bafinho do bem!

CORTA PARA:

CENA 25. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Marta e Maria de F. ali observadoras.

MARIA DE F.—  Nós estamos aqui um tempão e até agora nada!

MARTA        —  Espera! Tem que ter paciência. Uma hora ou outra alguém vai aparecer.

MARIA DE F.—  Será que é só eu que enxergo que isso é uma total perda de tempo!?

MARTA        —  Larga de ser chata, Maria! Você mais do que ninguém deveria estar empenhada nisso! Afinal de contas, a única pessoa que vai sair ganhando dinheiro com isso é você!

Maria vê Glória caminhando na orla. CAM também mostra.

MARIA DE F.—  Olha, Marta.

MARTA        —  (Olha) Ora, ora, ora… Vejam se não é a dona Glo. Ela odiava quando eu a chamava assim. A coisa é mais grave do que imaginávamos.

MARIA DE F.—  Por quê?

MARTA        —  A tal de Sol está no Rio com a múmia da mãe dela. Não tô gostando do rumo que as coisas estão tomando. Ela deve tá morando aqui no rio mesmo. Mas esteja ou não esteja morando aqui no rio, ela vai ficar traumatizada e vai querer voltar pra mansão dela em São Paulo!

MARIA DE F.—  O que você vai fazer?

MARTA        —  Você nem imagina!

Ela fica ali a sorrir malignamente. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 38º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on google
Google+
Share on tumblr
Tumblr