Partes de Mim – Capítulo 39

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

PEDRO

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM1, ZÓI


CENA 01. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol e Juliana ali sentadas.

SOL               —  Então você sabe fazer de tudo na cozinha?

JULIANA      —  Sei! Lá em casa quem cozinha nos dias de semana sou eu. Minha mãe trabalha aqui no Leblon também e chega tarde.

SOL               —  Ah sim. Mas seria algum problema trabalhar no Leblon pra você?

JULIANA      —  Não! Problema nenhum. Eu estou à procura de um emprego já faz tempo.

SOL               —  Então sinta-se parte da família! Você está contratada!

JULIANA      —  (Feliz) É sério?

SOL               —  Sim. Você pode começar agora mesmo se quiser.

JULIANA      —  Só se for agora!

SOL               —  Então vamos à cozinha que eu vou te mostrar onde estão as coisas pra você não ficar perdida!

As duas vão para a cozinha.

CORTA PARA:

CENA 02. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

MARIA DE F.—  Até que essa velha não mudou muito.

MARTA        —  Só está mais velha.

MARIA DE F.—  E agora, o que a gente faz?

MARTA        —  O que a gente faz? Vamos ver se dona Glo nos leva a algum lugar.

CAM mostra as duas, que atravessam a rua e entram na orla seguindo Glória que segue caminhando descontraída. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Alfredo e Karina ali sentados nas espreguiçadeiras.

KARINA       —  Bem que a Sol me disse que a história de vocês era meio conturbada.

ALFREDO     —  Éramos muito jovens, sabe? Não sabíamos nem como lidar com a situação.

KARINA       —  Com todo respeito, eu acho que nem se fosse hoje em dia que vocês estão mais maduros, não conseguiriam se conformar. Imagine ter os seus filhos sequestrados na maternidade.

ALFREDO     —  É um baque tão forte…

KARINA       —  E vocês não têm nem ideia de onde os filhos de vocês estão?

ALFREDO     —  Pior que não. Depois de vinte anos, você até aprende a aceitar, mas ainda dentro de você, bem lá no fundo, você sente um vazio, sabe? É a falta dos meus filhos! Não sei se eles estão vivos ou mortos e isso acaba com qualquer pai, com qualquer mãe!

KARINA       —  Imagino.

CORTA PARA:

CENA 04. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia vem do quarto com algumas peças de roupas de Murilo. Jandira chega com o cabelo para o alto e um pouco tonta.

FLÁVIA        —  Mamãe? O que aconteceu com a senhora?

JANDIRA      —  Nada, Flávia! Nada!

FLÁVIA        —  Como nada? A senhora me chega nesse estado e não foi nada? Anda! Eu estou à espera de uma resposta!

JANDIRA      —  (Debocha) Então se senta que a resposta vai demorar.

FLÁVIA        —  A senhora tá fora de casa desde aquela hora que eu te vi lá embaixo esperando as suas amigas?

JANDIRA      —  Sim. Qual é o problema?

FLÁVIA        —  Todos! A senhora sai, não fala pra onde vai! Se acontecer alguma coisa não sei onde procurar o corpo!

JANDIRA      —  (Cai na real) Nossa! Estamos tendo uma inversão de papéis aqui!

FLÁVIA        —  Do que a senhora tá falando, mamãe?

JANDIRA      —  Essa fala é minha! Eu que deveria falar assim. Eu que deveria se preocupar com você!

FLÁVIA        —  É, mas como a senhora não tem juízo algum, coube a mim tentar colocar na sua cabeça!

Flávia vai para a lavanderia, que fica na direção da cozinha.

JANDIRA     —  (P/si) Cara… Eu virei à filha e a Flávia a mãe!

CORTA PARA:

CENA 05. UNIVERSIDADE NOVO RIO. CORREDOR. INT. DIA.

Corredor movimentadíssimo de estudantes que entram e saem das salas a todo instante. Miguel e Pedro vêm caminhando.

MIGUEL        —  Pedro, logo que o Gael ainda não chegou, eu queria te fazer uma pergunta.

PEDRO          —  O quê?

MIGUEL        —  Você pediu pra ele fazer alguma coisa recentemente?

PEDRO          —  Não. Por quê?

MIGUEL        —  É que ele ontem me veio com um papo estranho de que tinha um amigo pedindo pra ele fazer alguma, mas ele não estava confortável com o pedido do amigo.

PEDRO          —  Não fui eu não cara.

MIGUEL        —  Então de que amigo será que ele estava falando?

PEDRO          —  Não sendo o mesmo do carro roubado, tá bom!

MIGUEL        —  Foi exatamente isso que eu pensei! Mas ele disse que não era ele não.

PEDRO          —  Cara, eu adoraria te ajudar, mas eu não sei quem pode ser.

Pedro vai caminhando e Miguel parado fica ali intrigado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Cris ali a digitar no notebook. Ricardo entra.

RICARDO     —  Cristina, eu sei que você está ocupada, mas eu queria roubar um pouquinho do seu tempo.

CRISTINA     —  Seja breve!

RICARDO     —  É que minha filha está cursando arquitetura e aí eu queria saber se há possibilidade de ela estagiar aqui ou não pode porque é minha filha?

CRISTINA     —  Ricardo, você já percebeu que os presidentes dessa empresa eram casados? É claro que não tem problema ela ser sua filha! Mas não será por isso que ela terá vantagem!

RICARDO     —  Não, claro. Disso eu tenho total ciência.

CRISTINA     —  Ela pode se inscrever e participar do processo seletivo. Se ela for capaz de fazer parte do nosso time de colaboradores, ela fará!

RICARDO     —  (Feliz) Ok, Cristina. Vou falar agora mesmo com o departamento de Recursos Humanos. Obrigado.

CRISTINA     —  De nada.

Ele sai.

CRISTINA     —  (P/si) É claro que uma das vagas é de minha filha. O resto a filha do Ricardo pode concorrer com os outros candidatos! 

CORTA PARA:

CENA 07. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Rô chega e já se senta frente ao computador e o liga.

ROSANGELA—(P/si) Graças a Deus que a TI trocou o computador.

Joana se aproxima.

JOANA          —  Nossa! A Rosangelazinha não acha que está atrasada demais não?

ROSANGELA—E você não acha que deveria tomar conta da sua vida não?

JOANA          —  Nossa! Além de chegar atrasada ainda trouxe o mau humor com você, é?!

ROSANGELA —Vê se me deixa em paz hoje que eu preciso entregar uma matéria que deveria ter sido entregue hoje de manhã!

Ela começa a digitar, Joana se vira de costas pra Rô e arremata…

JOANA          —  (P/si) Ah, tem que entregar uma matéria, é? Não no que depender de mim. Sabotagem. Essa palavra me define nesse momento!

Ela sorrindo de deboche volta a se sentar a sua mesa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali perdida no meio de toda aquela papelada sobre sua mesa.

ANA              —  (P/si) Meu Deus, onde que tá o relatório que era pra entregar ao seu Vicente?

Ela continua a procurar. Vicente e Enrico chegam.

VICENTE      —  Bom dia, Ana.

ANA              —  (Sem olhar pra eles) Bom dia, seu Vicente.

VICENTE      —  Logo de manhã e já está esse caos?

ANA              —  (Olha e se encanta com Enrico) É que me entregaram tudo de uma vez só… Quem é ele?

VICENTE      —  Esse é o meu filho que estava morando no exterior.

ENRICO        —  Prazer, Enrico!

ANA              —  O prazer é todo meu!

Ele aperta mão dela.

VICENTE      —  Alguma ligação, Ana?

Ela não responde olhando caidinha por Enrico.

ENRICO        —  Ela tá bem, pai?

VICENTE      —  Não sei. Ana? Ana, acorda!

ANA              —  Ah, seu Vicente… Desculpa. É que eu estou pensando numa coisa aqui.

VICENTE      —  Ah sim. Alguma ligação?

ANA              —  Ainda não, mas qualquer coisa eu passo pra sua sala.

VICENTE      —  Ok. Vamos, Enrico.

Os dois entram na sala de Vicente.

ANA              —  (P/si, abana-se de calor) Nossa! Nem parece que é filho do seu Vicente. Lindo!

Ela fica ali caidinha de amor por ele. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. LEBLON. PRÉDIO DE SOL. FRENTE. EXT. DIA.

Glória vem caminhando e entra no prédio. CAM mostra mais ao fundo, Maria de F. e Marta.

MARIA DE F.—  Ela entrou aí nesse prédio. Será que é algum hotel?

MARTA        —  Com certeza não. Tá com cara mais de um condomínio residencial.

MARIA DE F.—  Então elas devem está mesmo morando aqui no Rio.

MARTA        —  Não! Não pode ser! Infeliz!

MARIA DE F.—  Calma lá, Marta! Você mesma não tinha um plano? O capítulo anterior se encerrou com você dando a entender que tinha uma carta na manga!

MARTA        —  E tenho uma carta na manga! Se elas realmente estiverem morando aqui no Rio é só a gente dá um susto de boas vindas ao Rio.

MARIA DE F.—  Até que não é uma má ideia. Considerando a fama que o Rio de Janeiro tem.

MARTA        —  Então vamos… Preciso agir!

MARIA DE F.—  Vamos pra onde?

MARTA        —  Eu preciso dá uns telefonemas!

As duas seguem se afastando da CAM. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 10. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol vem da cozinha e Glória chega da caminhada.

SOL               —  Como foi à caminhada, mamãe?

GLÓRIA        —  Nada demais. E a tal menina?

SAOL            —  Para com essa mania mamãe!

GLÓRIA        —  Que mania, Sol?

SOL               —  De ficar falando desse jeito das pessoas. Ela tá na cozinha.

GLÓRIA        —  Então você decidiu contratar a primeira que aparece?

SOL               —  Sim. A primeira que apareceu é mais qualificada do que parece!

GLÓRIA        —  Com aquela cara de vinte anos que ela tem? Duvido!

SOL               —  Para de julgar as pessoas pela idade, mamãe! Eu também me surpreendi, mas ela é qualificadíssima para a vaga!

GLÓRIA        —  Então ela vai ser cozinheira?

SOL               —  Sim.

GLÓRIA        —  Então agora temos que conseguir uma arrumadeira, governanta ou mordomo.

SOL               —  Pra que isso tudo?

GLÓRIA        —  Olha o tamanho dessa casa, Sol! Com certeza precisaremos de uns cinco, seis funcionários.

SOL               —  Nossa! Então a gente vai gastar muito!

GLÓRIA        —  Não! Não foi você que cresceu o olho nesse tríplex!? Agora aguenta, minha filha!

Glória sobe a escada deixando Sol ali pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.

Carlito, Homem1 e Zói ali sentados.

ZÓI                —  E o Armando? Eu nunca mais vi ele.

CARLITO      —  Armando agora tá só com o ratão máster.

ZÓI                —  Ah é?

CARLITO      — É. Ele já era o único que conhecia o chefe máster, e agora tá trabalhando com ele mesmo.

HOMEM1      —  E o que a gente faz com o playba?

CARLITO      —  O que vocês fazem? Eu já não disse, palerma?

HOMEM1      —  Ah é. Tinha esquecido.

Atenção Sonoplastia: Cel. De Carlito começa a tocar.

CARLITO      —  É a minha filha. Não façam nenhum barulho. (Ao cel.) Oi, filha. Então você conseguiu o emprego? Que bom. Tá, pode deixar que eu aviso sua mãe sim. Tirar o que do freezer pra janta? Um pote de frango. Tá bom, filha. Boa sorte aí. Tchau!

Ele desliga.

HOMEM1      —  Que lindo! A filha trabalha e o pai não.

ZÓI                —  (Sorrindo) É. Às vezes eu fico pensando o que a patroa fala disso!

CARLITO      —  Vocês estão engraçadinhos demais hoje! Saiam. Podem sair que eu tenho mais o que fazer.

ZÓI                —  Tá bom, chefe. Só não conta pro ratão máster que nós fez essa brincadeira.

CARLITO      —  Saiam logo daqui! Eu não vou falar nada pro ratão não!

Homem1 e Zói saem e Carlito vai para o quarto.

CORTA PARA:

CENA 12. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes descontínuos do passar de algumas horas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. DIA.

Adriana ali sentada pensativa.

ADRIANA     —  (P/si, sorrir) Realmente o que o Miguel disse não era mentira… Nós dois somos muito diferentes um do outro.

Ela fica ali pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Insert da cena 01 do capítulo 08.

Miguel e Adriana ali caminhando. Sem tomar água de coco.

MIGUEL        —   Hoje a dona Marta deve tá na bad.

ADRIANA      —   Por quê?

MIGUEL        —   É que hoje faz cinco anos que o nosso pai morreu.

ADRIANA      —   Nossa, meu amor! Eu não sabia, sinto muito!

MIGUEL        —   Tudo bem, meu amor. Eu já conseguir compreender a falta que ele faz, mas parece que a dona Marta ainda não. Com certeza ela está baixo-astral astral hoje.

ADRIANA      —   Então eu vou com você lá fazer uma visitinha a ela.

MIGUEL        —   Então vamos.

Eles começam a andar, mas Miguel vê que mais à frente há uma senhora de rua sentada num cobertor pedindo esmola.

ADRIANA      —   O que é que foi, Miguel? Por que você parou? 

MIGUEL        —   Olha aquela senhora.

ADRIANA      —   O que é que tem ela?

MIGUEL        —   A coitadinha tá ali pedindo ajuda!

ADRIANA      —   Ah não! Você não vai lá não, né?

MIGUEL        —   E por que não?

Ele vai caminhando em direção à senhora e Adriana faz um carão e segue-o.

MENDIGA     —   Por favor, moço! Me ajuda! Eu não como nada desde ontem!

MIGUEL        —   Nossa! Uma senhora da sua idade não pode ficar sem comer.

Ele tira a carteira do bolso.

ADRIANA      —   Você ficou maluco, Miguel? Tirando a carteira na rua desse jeito, você tá pedindo pra ser assaltado!

Ele passa a ela uma nota de cem.

MENDIGA     —   (Surpresa) Nossa! Não precisava disso tudo não moço!

MIGUEL        —   Isso não foi nada demais! Eu tenho certeza que esse dinheiro será mais útil pra você do que pra mim!

MENDIGA     —   Muito obrigada, moço! Eu nem sei como te agradecer!

MIGUEL        —   Só de ver esse sorriso de gratidão, você já me pagou!

ADRIANA      —   Agora chega! Vamos, né, Miguel?!

Ela sai praticamente puxando-o. A mendiga fica ali feliz e guarda o dinheiro olhando para os lados. Instantes.

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 15.APART DE VICENTE E CRISTINA. SALA. INT. DIA.

Continuação da cena 13.

ADRIANA     —  (P/si) Eu só acho que os opostos se atraem. Eu sei que não fui uma boa noiva. Mas eu garanto que se ele me desse uma chance eu poderia provar que vou me tornar uma pessoa melhor! Eu amo tanto ele. Não posso perdê-lo assim! Um homem tão bom… Viu uma senhora precisando de ajuda e não deixou de estender a mão e ajudá-la. Eu tenho que aprender a ser como ele!

CORTA PARA:

CENA 16. UNI NOVO RIO. ESTACIONAMENTO. EXT. DIA.

Clima de suspense! Gael ali parado encostado em seu carro. Seu cel. começa a tocar. Ele atende.

GAEL            —  (Ao cel.) Alô?

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Já pensou bem e decidiu que vai aceitar o meu convite pra participar do esquema, né?

GAEL            —  (Ao cel.) Não! Eu já disse que eu não vou fazer nada!

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Você tá pensando que isso aqui é um joguinho? Aqui eu mando e você obedece, playba!

GAEL            —  (Ao cel.) E se eu não quiser fazer?

HOMEM        —  (OFF, voz alterada) Bom, se você não quiser fazer, a gente vai fazer alguma coisa com as pessoas que você ama! Não se esqueça que nós sabemos aonde você mora!

GAEL            —  (Ao cel.) Mentira! Eu nunca dei o meu endereço pra vocês! E para de infernizar a minha vida!

Ele desliga e fica ali aflito.

GAEL            —  (P/si) Eu não posso fazer o que ele tá me pedindo! Eu posso ir em cana por causa disso!

O cel. dele notifica mensagem.

GAEL            —  (Lê) Saiba que você vai se arrepender dessa decisão!

Miguel se aproxima.

MIGUEL        —  Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

GAEL            —  Não! 

MIGUEL        —  Ah tá! Tá aí todo estranho… Vamos?

GAEL            —  Bora!

Os dois entram no carro que vai se afastando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 17. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali a digitar no notebook. Enrico a olhar pela janela.

ENRICO        —  Todos esses anos e a Construtora Macedo continua liderando as licitações de obras aqui no Rio de Janeiro.

VICENTE      —  É, meu filho. Fruto de muito trabalho e esforço. Uma pena que eu agora corro o risco de perder tudo.

ENRICO        —  Como assim perder tudo, pai?

VICENTE      —  É que eu consegui a construtora depois que me casei com a Cristina. E agora eu acho que ela pode entrar com um recurso e me tirar tudo.

ENRICO        —  Mas ela não pode fazer isso, pai!

VICENTE      —  Bom, eu não tenho certeza, mas ouvi dizer que agora quem trair perde o direito sobre os bens que o casal conseguiu juntos.

ENRICO        —  Eu nunca ouvi falar nisso.

VICENTE      —  Quer ver só.

Vicente pesquisa na internet. E Enrico vai para perto dele ver também.

ENRICO        —  (Lê) Na divisão dos bens é mantido o regime de separação escolhido previamente pelo casal, ou seja, o fato de traído ou sofrido uma traição não altera o que foi decidido antes do casamento.

VICENTE      —  (Aliviado) Graças a Deus! Eu nunca me senti tão bem quanto estou agora! Então eu não corro o risco de perder a minha Construtora!

ENRICO        —  Não corre, mas olha o que está escrito aqui sobre danos morais. 

VICENTE      —  (Lê) Para processar o cônjuge por danos morais em caso de traição é necessário comprovar que o ato realmente causou prejuízos emocionais ou psicológicos.

ENRICO        —  O senhor acha que corre esse risco?

VICENTE      —  Não. Que prejuízo emocional ou psicológico eu fiz a Cristina passar?

ENRICO        —  Eu sei pai, mas ela com toda certeza vai vir com tudo pra cima do senhor!

Fecha em Vicente aflito. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia ali sentada entediada a mudar a TV de canal. Jandira vem do banheiro, já que tomou um banho e melhorou a aparência.

JANDIRA      —  Tava aqui pensando numa coisa.

FLÁVIA        —  (Sarcasmo) Ah, a senhora pensa, é?

JANDIRA      —  Não deboche. É coisa séria.

FLÁVIA        —  No que você estava pensando, mamãe?

JANDIRA      —  Você não ficou ligando pra mim a noite toda como de costume. Aconteceu alguma coisa?

FLÁVIA        —  A minha noite de ontem foi tão turbulenta quanto o passeio da senhora com as suas amigas!

JANDIRA      —  Ah, mas não foi mesmo! Aposto que a sua noite não deve uma coisa chamada brucurú!

FLÁVIA        —  Claro que não! Que diabos é isso?

JANDIRA      —  É uma posição que você faz assim/

FLÁVIA        —  (Corta, grita) É melhor eu não saber! Minha noite foi turbulenta porque o Vicente chegou do trabalho ontem me dizendo que a ex-esposa dele descobriu tudo.

JANDIRA      —  Mas como assim, filha?

FLÁVIA        —  Parece que alguém seguiu ele no dia do jogo do Murilo e tirou umas fotos de nós dois juntos.

JANDIRA      —  Nossa! Mas nós já sabíamos que esse dia chegaria, né?

FLÁVIA        —  Eu sei. Só que eu nunca imaginei que a Construtora também estaria em jogo com o divórcio dele. Todos esses anos de trabalho e o Vicente pode… Sei lá. Perder tudo por minha causa!

JANDIRA      —  Não diga isso, minha filha!

Flávia ali aflita recebe um abraço de Jandira. 

CORTA PARA:

CENA 19. CASA DE MAZÉ. QUARTO DE JU E ANA. INT. DIA.

Carlito ali olhando tudo no guarda roupas da filha.

CARLITO      —  (P/si) Tenho a impressão de que a Juliana tá escondendo alguma coisa da gente… Mas o que poderia ser?

Ele olha para o criado mudo e vai até o mesmo e não o consegue abrir, pois está trancado.

CARLITO      —  (P/si) Aqui. A resposta pra minha pergunta pode estar aqui. Mas não tem como abrir.

Ele fica ali pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Mazé ali trocando os lençóis das camas. Seu cel. começa a tocar.

MAZÉ            —  (Ao cel.) Oi, filha. Pode falar.

JULIANA      —  (OFF) Oi, mãe. Eu liguei pro seu Carlito, mas eu tenho certeza que ele ia esquecer de te avisar.

MAZÉ            —  (Ao cel.) Avisar o que, filha?

JULIANA      —  (OFF) Que eu conseguir o emprego.

MAZÉ            —  (Ao cel., feliz) Ai que bom, filha!  

JULIANA      —  (OFF) A dona Solange gostou tanto de mim que já me contratou e eu tô aqui preparando o almoço.

MAZÉ            —  (Ao cel.) Graças a Deus, filha. Eu sabia que você ainda conseguiria arrumar um emprego e que daria tudo certo.

GLÓRIA        —  (OFF) Mas o que significa isso?

JULIANA      —  (OFF) Mãe, eu preciso desligar aqui!

MAZÉ            —  (Ao cel.) Tá bom, filha.

Ela desliga.

MAZÉ            —  (P/si) Pelo jeito alguém não gostou de ver ela falando no celular.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 21. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali aflita com Glória a olhar pra ela seriamente.

GLÓRIA        —  Sol me contou que apesar de ser novinha, você era qualificada, mas vejo que temos um câncer entre nós!

JULIANA      —  (Não entende) Câncer? Que câncer?

GLÓRIA        —  Você assim como os milhares de jovens tem o vício de fazer as coisas com o celular na mão.

JULIANA      —  Não. Não é isso dona…?

GLÓRIA        —  Glória!

JULIANA      —  Glória. É que eu estava ligando pra minha mãe para avisar que se ela chegar em casa e eu não estiver, é porque eu conseguir o emprego.

GLÓRIA        —  Ah sim. Então você é dessas que se preocupa com sua mãe?

JULIANA      —  Sim. Até porque ela não iria parar de me ligar pra saber aonde eu estou!

GLÓRIA        —  Gostei disso! Eu como mãe tenho que lhe dizer. Essa sua atitude hoje em dia é louvável!

JULIANA      —  Obrigado.

GLÓRIA        —  E então? O que você está fazendo para o almoço?

JULIANA      —  Chega mais perto. Vem sentir o cheirinho da panela. Eu estou fazendo um picadinho de…

Ela continua a falar de fora de áudio. Ju abre a panela e Glória gosta o odor da comida dela. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Sol vem caminhando, avista Alfredo falando com Karina, ela logo se esconde e fica a ouvir a conversa.

ALFREDO     —  Eu não vou mentir pra você, Karina. Eu ainda sinto alguma coisa pela Sol.

Reação de Sol feliz ao saber disso.

ALFREDO     —  (Cont.) Mas eu sinceramente não sei o que é. Sabe? Eu posso estar perfeitamente confundindo as coisas.

KARINA       —  Como assim, Alfredo?

ALFREDO     —  Eu posso ter um sentimento de carinho por ela devido a nossa história de amor de vinte anos atrás.

KARINA       —  Sei, mas você não arriscaria um palpite sobre o que pode ser esse sentimento aí dentro de você?

ALFREDO     —  Ah, sei lá, Karina… Acho que pode ser paixão, amor ainda por ela!

Fecha em Sol feliz com a confissão de Alfredo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 23. LEBLON. QUIOSQUE. EXT. DIA.

Marta e Maria de F. ali a tomar uma água de coco.

MARIA DE F.—  Então o próximo passo vai ser esse mesmo?

MARTA        —  Vai. Você me entendeu, né?

MARIA DE F.—  Acho que sim.

MARTA        —  A coisa mais simples do mundo. Você só tem que se infiltrar, se ela estiver morando aqui mesmo, na casa dela!

MARIA DE F.—  Mas como seria isso?

MARTA        —  Eu ainda não sei. Mas você vai ter que se infiltrar nem que seja como empregada!

MARIA DE F.—  De jeito nenhum! Eu nunca limpei privada de madame!

MARTA        —  Mas pelo bem do dinheiro que você ganhará fazendo isso, você vai fazer sim!

MARIA DE F.—  Desde que seja um valor que me agrade!

Marta avista Miguel se aproximando das duas.

MARTA        —  (Discreta) Meu filho dá vindo aí. Mete o pé!

Ela se levanta e vai andando, Miguel se aproxima e sem entender arremata.

MIGUEL        —  Quem era aquela mulher, mãe?

MARTA        —  Não era ninguém não!

MIGUEL        —  Como não era ninguém? Eu acho que conheço essa mulher!

Fecha em Marta aflita com a situação. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 39º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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