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Partes de Mim – Capítulo 40

PARTES  DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RENATA

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM1 E ZÓI. 

CENA 01. LEBLON. QUIOSQUE. EXT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

MARTA          Como assim você conhece aquela mulher, Miguel?

MIGUEL          Ela veio falar comigo e nós conversamos por bastante tempo.

MARTA        —  Sobre o que vocês conversaram?

MIGUEL        —  Ah, ela me deu alguns conselhos quando eu ainda estava próximo da Karina.

MARTA        —  Ah é? Legal. 

MIGUEL        —  Não desvie o rumo da conversa, mãe! O que aquela mulher estava fazendo aqui com a senhora?

MARTA        —  Nada, Miguel! Ela só estava pedindo informação!

MIGUEL        —  Ah, e pra fornecer uma informação ela precisava sentar a mesa, tomar uma água de coco!?

MARTA        —  Chega! Assunto encerrado!

Marta se levanta e vai pagar o que consumiu. Miguel ali desconfiado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia e Jandira ali sentadas.

JANDIRA      —  Não fique se culpando por isso, filha!

FLÁVIA        —  Não sei, mãe… Parando pra pensar eu acho que sou a verdadeira culpada.

JANDIRA      —  Mas não é! É uma das culpadas, mas não carregue toda essa cruz sozinha!

Atenção Sonoplastia: A campainha toca.

JANDIRA      —  Deixa que eu atendo.

Jandira vai até a porta e a abre. Renata entra arrematando.

RENATA       —  Ai, amiga, eu preciso conversar!

FLÁVIA        —  Calma, Renata. Aconteceu alguma coisa?

RENATA       —  O Alfredo não voltou mesmo pra casa!

JANDIRA      —  Ih… Já tô vendo aonde essa conversa vai parar. Tchauzinho.

FLÁVIA        —  Tá indo aonde mamãe?

JANDIRA      —  Rosetar!

Jandira sai dando gargalhadas.

FLÁVIA        —  Senta, Renata.

RENATA       —  Como o Alfredo pode ter coragem de fazer isso?

FLÁVIA        —  Ai, amiga, você esteve aqui ontem e disse a mesma coisa. Eu acho que sei uma terapia que pode te ajudar a espairecer.

RENATA       —  Que terapia? Eu que não vou fazer terapia por causa do Alfredo!

FLÁVIA        —  Amiga, eu estou falando de compras.

RENATA       —  Essa terapia eu aceito fazer por causa do Alfredo! Ainda vou usar o cartão de débito dele de propósito.

FLÁVIA        —  (Sorrir) Então vamos.

Flávia pega sua bolsa e as duas saem.

CORTA PARA:

CENA 03. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA

Cristina ali sentada a trabalhar analisando alguns documentos. Enrico entra com uma pasta.

CRISTINA     —  Essa não! Será que agora onde eu estiver você vai me seguir assombração!?

ENRICO        —  O seu sarcasmo me deixa com mais vontade de retribuir na mesma moeda, sabia?

CRISTINA     —  Ah é?

ENRICO        —  É, e quando eu entro no jogo, não é pra perder!

CRISTINA     —  O que você deseja azucrinando a minha vida, hein, moleque!?

ENRICO        —  Nada. Eu sou filho do Vicente que por sinal é um dos proprietários dessa construtora. Apenas vim trazer essa pasta com alguns documentos que ELE me pediu pra entregar!

CRISTINA     —  Está entregue! Agora pode sair!

ENRICO        —  Pode deixar. (Debochado) Com licença!

Ele sai. Cristina fica ali séria. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Sol ali de pé, feliz da vida. Glória vem da cozinha.

GLÓRIA        —  Tá toda felizinha assim por quê?

SOL               —  Nada não!

GLÓRIA        —  Como: nada não!? Você não estava tão feliz assim até uns minutos atrás.

SOL               —  É que eu estou me sentindo poderosa!

GLÓRIA        —  Por quê?

SOL               —  Como assim? Tem que ter algum motivo agora?

GLÓRIA        —  Claro! Ninguém fica assim de uma hora pra outra. E o pior, sem motivo algum!

SOL               —  Ah, mamãe! Me deixa em paz!

Ela sobe a escada.

GLÓRIA        —  (P/si) Estranha! A cada hora tá de um jeito diferente! Bipolar!

CORTA PARA:

CENA 05. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Sol entra, tranca a porta, senta-se na cama e arremata. 

SOL               —  (P/si) Alfredo ainda gosta de mim. Estou feliz, mas agora parando pra pensar bem no que ele disse, eu não sei se valeria a pena reviver esse amor! Ele agora tem uma família. Eu não posso simplesmente destruir tudo que ele construiu ao lado da esposa dele. Enquanto ele não se divorciar eu me mantenho firme! Embora seja difícil porque eu o amo. Mas eu tenho que ser forte!

CORTA PARA:

CENA 06. JORNAL. COPA. INT. DIA.

Rô ali sentada a tomar um cafezinho com biscoitos. Joana entra para pegar uma xícara de café.

JOANA          —  (Debochada) Gente, não teve tempo nem pra tomar um café em casa?

ROSANGELA—Por que você não toma conta da sua vida, hein?

JOANA          —  Olha que uma pessoa num cargo como o de editor chefe não pode tratar os outros assim não!

ROSANGELA—Quando o outro é você, eu posso sim!

JOANA          —  (Senta-se) Mas agora falando sério, Rô. Eu tenho pensando muito ultimamente e eu acho que estou cometendo uma injustiça com você. 

ROSANGELA—Ah, Joana. Poupe-me do seu cinismo!

JOANA          —  Não! Eu estou falando sério! É que eu fiquei furiosa com o fato de a diretoria ter dado a você o cargo, mas agora eu vi que eles tomaram essa decisão porque você é a pessoa mais qualificada pra isso.

ROSANGELA—Eu adoraria acreditar que você está falando a verdade, mas eu sei que isso não passa de falsidade. Com licença!

Rô se levanta e volta à redação.

JOANA          —  (P/si, sorrir) É, pode crer que isso não foi verdade. A partir de hoje essa será a minha estratégia. Vou deixá-la louquinha!

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta e Miguel chegam da rua.

MIGUEL        —  Eu tô te falando, mãe. Eu tenho certeza que eu conheço aquela mulher!

MARTA        —  Chega, Miguel! Você não para de falar nisso desde a orla! O assunto já deu o que tinha que dar.

MIGUEL        —  Tá, eu sei que estou sendo insistente, mas/

MARTA        —  (Corta) Mas nada! Eu não quero ouvir mais nada relacionado a isso! Eu já disse que a mulher queria uma informação! Fim de papo!

MIGUEL        —  Tudo bem.

MARTA        —  E o seu irmão?

MIGUEL        —  Ele me deixou na orla e disse que vinha pra casa.

Mazé vem do quarto.

MARTA        —  Mazé, o Gael tá em casa?

MAZÉ            —  Ele até tava, mas saiu não tem muito tempo.

MARTA        —  Vá entender vocês. Uma hora vocês estão dentro de casa e na outra já sumiram!

CORTA PARA:

CENA 08. LEBLON. AVENIDA. EXT. DIA.

Clima de tensão! Carro de Gael passando pela CAM. Um tempo depois, um carro preto vem se aproximando, vemos que dentro do carro estão: Carlito, Homem1 e Zói. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali cozinhando apressada, corta legumes aqui, mexe na panela dali…

JULIANA      —  (P/si) Tudo tem que sair perfeito! Nada pode dar errado!

Alfredo vem da sala.

ALFREDO     —  Nossa, mas que cheirinho bom é esse?

JULIANA      —  Ah, oi.

ALFREDO     —  Oi, você é a menina que ia fazer entrevista com a Sol?

JULIANA      —  Sim, sou eu.

ALFREDO     —  Pelo visto já foi contratada.

JULIANA      —  Sim, eu sou a Juliana.

ALFREDO     —  Eu, Alfredo.

JULIANA      —  Muito prazer!

ALFREDO     —  O que você faz aí que o cheirinho tá indo no andar de cima?

JULIANA      —  É escondidinho. Venha sentir o cheiro.

Ele se aproxima, ela abre a panela e ele sente-se maravilhado.

ALFREDO     —  Nossa! Se o gosto tiver do jeito que tá o cheiro… Eu engordo mais um quilo.

Os dois sorriem.

JULIANA      —  O senhor é marido da Sol?

ALFREDO     —  Não! Eu na verdade sou amigo da família.

JULIANA      —  Ah sim.

Alfredo volta para a sala.

JULIANA      —  (P/si) Como você é burra, hein, Juliana! Perguntar se o cara é marido da Sol… Onde eu tava com a cabeça? Logo no primeiro dia e eu mesma já quero me estragar?!

CORTA PARA:

CENA 10. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali analisando um relatório e Enrico a mexer no cel. CAM detalha a tela do cel. ele está a ver uma foto de Lindsay.

VICENTE      —  Olhando fotos da Lindsay?

ENRICO        —  (Guarda o cel., disfarça) Não! Claro que não!

VICENTE      —  Não precisa mentir pra mim, Enrico. Eu conheço bem quando um homem está olhando fotos da ex.

ENRICO        —  Tá, eu tava dando uma olhada no perfil dela.

VICENTE      —  Por quê?

ENRICO        —  Eu quero saber se ela já está em outra.

VICENTE      —  Ah, tá. Até porque depois dela você não deve ter namorado mais ninguém, né?

ENRICO        —  Pior que não. Tô um tempão sem me interessar por alguém.

VICENTE      —  Você ainda ama a Lindsay, não ama?

ENRICO        —  Eu queria poder dizer que não, mas eu amo sim.

VICENTE      —  O relacionamento de vocês acabou só porque você estava voltando ao Brasil ou teve outro motivo e eu não tô sabendo?

ENRICO        —  Ela… Me pegou no flagra!

VICENTE      —  Não vai me dizer que você a traiu.

ENRICO        —  Pior que trair, pai.

VICENTE      —  Ah, Enrico!!!

ENRICO        —  É que eu não pude evitar!

VICENTE      —  Ah, você poderia sim! Poderia muito bem ter evitado. Uma moça maravilhosa quanto a Lindsay você não vai encontrar nunca mais!

Fecha em Enrico pensando em seus atos, arrependido. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. BARRA SHOPPING. LOJAS. INT. DIA.

Em cortes descontínuos rápidos. Flávia e Renata as compras. Entram numa loja e outra e outra e mais outra. Sempre a experimentar as novidades da moda. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Alfredo e Glória ali sentados conversando.

GLÓRIA        —  Até que eu gostei dessa menina!

ALFREDO     —  Eu também. A comida dela parece ser boa.

GLÓRIA        —  É, mas isso nós veremos quando experimentarmos. Nem sempre comida cheirosa é gostosa!

ALFREDO     —  Isso é verdade.

Atenção Sonoplastia: cel. de Alfredo notifica mensagem. Ele o pega e lê.

ALFREDO     —  Essa não! Era só o que me faltava!

GLÓRIA        —  O que, Alfredo? Aconteceu alguma coisa?

ALFREDO     —  A Renata.

GLÓRIA        —  A sua esposa?

ALFREDO     —  É. Ela tá estourando o meu cartão do banco no shopping! Ela sabe que eu não tô afastado do trabalho e ela ficar gastando desse jeito!

GLÓRIA        —  Sinto um cheirinho.

ALFREDO     —  Cheirinho de quê?

GLÓRIA        —  Vingança!

Fecha em Alfredo que meneia a cabeça concordando.

CORTA PARA:

CENA 13. BARRA SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. INT. DIA.

Renata a Flávia ali sentadas a tomar um suco de laranja, várias sacolas ali sobre as cadeiras.

RENATA       —  Ai, amiga. Você tava certíssima. Eu estava mesmo precisando disso!

FLÁVIA        —  Viu só? Eu não te disse que compras era o que nós estávamos precisando?

RENATA       —  É, ainda mais depois de estourar o cartão do Alfredo do banco.

FLÁVIA        —  Ai, amiga. Eu acho que você não deveria ter feito isso.

RENATA       —  Por quê? Na hora de se aboletar na casa de uma ex-namorada ele não pensou duas vezes! Nada mais justo do que eu me dar esses mimos agora! Afinal de contas eu mereço!

FLÁVIA        —  É, mas as compras ainda não tiraram a minha preocupação com o Vicente.

RENATA       —  O que aconteceu?

FLÁVIA        —  É que a esposa dele descobriu tudo e agora ele tá com medo de perder a construtora.

RENATA       —  (Surpresa) Nossa, amiga! Mas ele corre esse risco?

FLÁVIA        —  Nós ainda não sabemos ao certo, mas ele acha que sim.

CORTA PARA:

CENA 14. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Sol ali sentada na cama, pensativa. Karina bate na porta.

KARINA       —  (OFF) Sol! Sol, você tá aí dentro?

SOL               —  O que você quer, Karina?

KARINA       —  (OFF) Nada. Só achei estranho você ter sumido.

SOL                 Tô bem.

KARINA       —  (OFF) Tem certeza? Eu sei muito bem que quando você quer ficar sozinha é porque tem alguma coisa acontecendo.

SOL               —  Karina, eu te adoro. Você é uma pessoa maravilhosa, mas eu realmente preciso ficar sozinha agora.

KARINA       —  (OFF) Tudo bem, Sol. Se você quer assim… Eu só queria te dizer que qualquer coisa eu tô aqui.

SOL               —  (P/si) Pior que agora eu nem sei como encarar o Alfredo depois de ter ouvido aquilo.

Sol fica ali pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. TRÍPLEX DE SOL. CORREDOR. INT. DIA.

Karina vai se afastando da porta quando ouve Sol arrematar…

SOL               —  (OFF) Eu não posso simplesmente chegar no Alfredo e dizer pra ele que eu também sinto o mesmo por ele. E a família dele?!  Eu não posso ser uma arruinadora de lares!

KARINA       —  (P/si) Coitada da Sol. Realmente ela está num dilema terrível.

Karina desce a escada.

CORTA PARA:

CENA 16. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali de pé ao cel. olhando grilada para todos os lados.

MARTA        —  (Ao cel.) Não, Maria! O Miguel não ficou desconfiado. Ele acreditou na historinha que eu inventei pra ele aqui. E olha, para com essa mania de ficar me ligando… Eu posso esquecer o celular em algum lugar e alguém pode acabar atendendo. Como que a gente vai se comunicar? Quando eu quiser e precisar ligo pra você.

Ela desliga. A campainha toca.

MARTA        —  (P/si) Mazé nem se mexe pra atender a porta. Imprestável!

Marta vai até a porta e a abre a porta.

MARTA        —  Adriana?

ADRIANA     —  Oi, dona Marta.

MARTA        —  Entre.

ADRIANA     —  Obrigado, dona Marta. Estava em casa sem fazer nada e pensei: por que não fazer uma visita à dona Marta?

MARTA        —  Fez bem em ter vindo. E para com essa bobeira de dona Marta. Pode me chamar só de Marta mesmo.

ADRIANA     —  (Sorrir) Tá bom.

MARTA        —  Mas há uma hora dessas você não deveria está na universidade?

ADRIANA     —  Sim, mas eu estou suspensa por dois dias. Não lembra que você me ligou assim que eu tomei a suspensão?

MARTA        —  Ah, é mesmo. Eu tinha me esquecido. Essa Karina sempre arrumando problema!

ADRIANA     —  Pois é, eu não sei se o Miguel te contou. Mas nós dois nos encontramos na Pedra do Arpoador e acho que nós meio que… Nos entendemos.

MARTA        —  Sério? E o safado nem pra me falar isso!

ADRIANA     —  Eu pensei que a senhora sabia.

MARTA        —  Quem me dera se os meus filhos me contassem as coisas! Mas me conta aí como foi isso.

Adriana começa a contar a história fora de áudio. Marta interessada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. LEBLON. AVENIDA. EXT./ INT. DIA.

CAM em Plano Geral a mostrar os carros de Gael e dos capangas de Ratão em perseguição. Ritmo. Corta dentro do carro de Gael:

GAEL            —  (P/si) O que esse cara quer me seguindo!?

Gael olha pelo retrovisor central e o carro se aproxima mais, deixando em evidência quem está dentro do mesmo.

GAEL              (P/si) Esses caras de novo não!

Corta para fora do carro: Gael pisa no acelerador. Corta para dentro do carro dos capangas:

ZÓI                —  Ele tá fugindo chefe!

HOMEM1      —  Pisa nesse acelerador!

CARLITO      —  Parem de falar! Inferno! Desse jeito eu bato com o carro e acabo logo com essa merda de uma vez! Falação dos Infernos!

Carlito pisa no acelerador. Corta para fora do carro: CAM vai seguindo os carros em ação. Ritmo. CAM faz um movimento a mostrar que mais a frente há um semáforo – ou SINAL como se diz no RJ – que está verde. CAM de fora do carro mostra Gael olhando intensamente para o semáforo. O carro passa. CAM faz um movimento a mostrar o carro dos capangas.

ZÓI                —  Chefe, não vai dar!

HOMEM1      —  (Fecha os olhos de medo) Eu não quero nem ver!

Carlito ali a olhar intensamente para o semáforo, que fica vermelho. Alguns carros param. Carlito a olhar intensamente para o semáforo. CAM mostra o caminhão vindo em direção ao cruzamento. Carlito puxando o freio de mão. CAM abre o plano e o carro “roda” na pista. O motorista do caminhão buzina indignado.

MOTORISTA—  (Indignado) Aprendeu a dirigir assim aonde? No GTA!??

Corta para dentro do carro dos capangas:

CARLITO      —  Droga! Que ódio daquele playba! Mais uma vez ele escapou! (Maligno) Mas um dia ele não vai conseguir escapar!

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 18. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali a organizar uma papelada. Enrico sai da sala de Vicente com um documento.

ENRICO        —  Ana, não é isso?

ANA              —  Sim.

ENRICO        —  O meu pai pediu para te entregar esse documento que é do departamento de compras e por engano veio parar aqui na diretoria.

ANA              —  Tudo bem. Daqui a pouco eu levo lá.

ENRICO        —  Tá bom.

Os dois se olham por um instante. Silêncio desconfortável reina.

ANA              —  Então… Você morava no exterior, né?

ENRICO        —  Sim, nos Estados Unidos.

ANA              —  Nossa, que legal! Desculpe a intromissão, mas por que você quis voltar?

ENRICO        —  É que chega uma hora que você não se sente bem em terras estrangeiras, sabe?

ANA              —  É, sei bem como é isso.

ENRICO        —  Então você já fez uma viagem internacional?

ANA              —  Eu era de Guararema, mas vim morar no Rio na casa da minha tia. Os primeiros meses são terríveis para se adaptar, mas a gente acostuma.

ENRICO        —  Ah sim… Guararema… São Paulo, não é isso?

ANA              —  É.

ENRICO        —  Legal. Agora se você me der licença…

ANA              —  Claro!

Enrico faz uma careta e entra na sala.

ANA              —  (P/si) Nossa! Eu não acredito que cometi esse King Kong. Que impressão ele vai ter de mim agora? Guararema!

CORTA PARA:

CENA 19. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Rosangela ali a digitar a todo vapor no notebook. Ela pega um copo d’água, que está ao seu lado, sem olhar para o mesmo, mas ele está vazio.

ROSANGELA—(P/si) Droga! Não posso perder tempo!

Ela se levanta e vai para a copa.

JOANA          —  (P/si) Agora é minha hora.

CAM detalha a tela do computado no ambiente corporativo.

JOANA          —  (P/si) Como que o cara do vídeo fez mesmo? Ah… Acho que ele entrava no e-mail da pessoa, copiava o endereço e depois colava no programinha: apaguei. 

Ela faz tudo que disse e surge a mensagem: “Texto apagado com sucesso”.

JOANA          —  (P/si, sorrir) Agora quero ver como ela vai entregar a matéria que já está atrasada!

Rosangela vem da copa bebendo água. Senta-se a mesa e se depara com um Word todo em branco.

ROSANGELA—(P/si) Mas como? Eu tinha digitado dez páginas da edição especial de aniversário! Que droga de computador!

JOANA          —  (P/si) Ops… Parece que eu apaguei a coisa errada.

ROSANGELA—(P/si) Agora a edição de aniversário vai atrasar e eu não posso fazer nada com essa droga de computador que me deram!

Fecha em Joana a olhar discretamente para Rô. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. BARRA SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. INT. DIA.

Renata e Flávia ali sentadas conversando. Sacolas das lojas ali.

RENATA       —  Vou ficar aqui na torcida para que não aconteça nada com o Vicente. Poxa, tantos anos de trabalho pra chegar a essa altura da vida e perder tudo.

FLÁVIA        —  Eu sei. Terrível. E o pior é que eu não paro de se sentir culpada, sabe?

RENATA       —  Por que, amiga?

FLÁVIA        —  É que eu acho que se ele não tivesse ido ao jogo nada disso teria acontecido.

RENATA       —  Amiga entenda uma coisa: não interessa o cenário. Cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Poderia até ser num lugar como essa praça de alimentação aqui, por exemplo.

FLÁVIA        —  É, bem que pensando por esse lado até que você tem razão.

RENATA       —  Fique calma, amiga. Eu tenho certeza que tudo vai se revolver!

FLÁVIA        —  Quem diria que justo você ia me ajudar, amiga. Você também tá passando pela maior barra!

RENATA       —  Pois é, mas eu aprendi a me dar valor sabe? Se o Alfredo quer reviver um namorico da juventude ao invés de continuar com a esposa, que passou poucas e boas ao lado dele, o problema é dele! Eu vou é ser feliz ao lado da minha filha!

FLÁVIA        —  Tá certa, amiga! Certíssima!

CORTA PARA:

CENA 21. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. DIA.

Carro de Gael se aproxima. Ele entra na garagem subterrânea do prédio. O carro dos capangas de Ratão se aproxima. Eles descem do carro.

CARLITO      —  Então é aqui que o playba mora.

ZÓI                —  Eu podia jurar que era num condomínio numa rua aqui atrás.

HOMEM1      —  Eu também achei que ele morava lá.

CARLITO      —  Sabe por que isso? Por que vocês são um bando de imprestáveis que não prestam a atenção em nada que interesse!

ZÓI                —  Chefe, com todo respeito, as mulheres aqui da zona sul interessam sim!

CARLITO      —  Não interessam não! O que interessa aqui são informações do playba! Ratão Máster nos deu uma semana pra colocar ele no esquema! Se a gente não conseguir, ele ameaçou fazer alguma coisa contra nossos familiares!

HOMEM1      —  O quê!? Mas ele não pode fazer isso!

CARLITO      —  Ah, ele pode sim! É ele quem manda na área. Eu tenho que colocar as mãos no playba porque ele ameaçou minha filha.

ZÓI                —  Chefe, eu não sabia que a coisa era tão grave assim. Pode contar com a minha ajuda!

HOMEM1      —  Com a minha também.

CORTA PARA:

CENA 22. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Sol sai do closet e Glória já está ali sentada.

SOL               —  Que isso, mamãe? O que a senhora tá fazendo aqui? Eu tinha trancado a porta.

GLÓRIA        —  Tinha, mas eu tenho a chave do seu quarto.

SOL               —  Mas como assim tem a chave do meu quarto!? Saiba que isso é invasão de privacidade, tá!?

GLÓRIA        —  Que invasão o quê! Você é minha filha e nós duas compramos essa casa!

SOL               —  Sim, mas pelo menos no meu quarto eu tinha o direito de ficar sozinha.

GLÓRIA        —  Tinha, se eu não soubesse que você está de palhaçada!

SOL               —  Por que a senhora acha que isso é palhaçada?

GLÓRIA        —  Simples. Eu te conheço, Sol. Sei muito bem que não tá acontecendo nada pra você tá aqui no quarto trancada, sozinha!

SOL               —  Mamãe, a senhora acha que me conhece! Às vezes está acontecendo cosias internas com a gente. Coisa que ninguém além de você mesma sabe.

GLÓRIA        —  Isso é possível, mas acredito que isso tem a ver com o Alfredo. Acertei, não acertei?

SOL               —  Eu espero que se eu te contar a senhora fique com a língua dentro da boca!

GLÓRIA        —  Que horror, Sol! Do jeito que você fala até parece que eu sou fofoqueira!

SOL               —  Ah… E não é não?!

CORTA PARA:

CENA 23. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. DIA.

Gael sai do prédio descontraído.

GAEL            —  (P/si) Ficar em casa com a dona Marta e a nojentinha da Adriana não dá!

CAM mostra Carlito e Zói seguindo-o.

GAEL            —  (P/si) Pelo menos eu conseguir escapar daqueles caras!

CAM mostra que logo atrás de Gael está Carlito acenando para Zói que dispersa.

CARLITO      —  Olha, Gael… Eu se você fosse não teria tanta certeza assim!

GAEL            —  Você? Mas como? Vocês ficaram naquele cruzamento!

CARLITO      —  Sim, mas ainda conseguimos te apanhar e estamos aqui. Aliás, belo prédio que você mora.

GAEL            —  Então você é o Ratão Máster?

CARLITO      —  (Ri) Quem me dera! Eu sou apenas um funcionário dele.

Gael se viria para correr e Zói está ali cercando-o.

GAEL            —  Cara, pelo amor de Deus. Eu não quero participar de nada não!

CARLITO      —  Ei, calma. Calminha. 

Carro deles se aproxima, Homem1 está ao volante.

ZÓI                —  Vamos dar uma voltinha playba!

Carlito e Zói colocam Gael dentro do carro com ele resistindo.

GAEL            —  (Resiste) Me solta! Me solta! Eu não vou com vocês pra lugar nenhum!

Eles entram e o carro sai disparado que chega a cantar pneus. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 40º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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