Partes de Mim – Capítulo 41

PARTES  DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RENATA

RICARDO

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ADVOGADO (AGUINALDO), HOMEM1, PEGUETE DE JANDIRA E  ZÓI. 

CENA 01. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta e Adriana ali sentadas conversando.

MARTA        —  Você só pode estar de brincadeira, Adriana!

ADRIANA     —  Eu não. Eu só fiquei assim porque eu realmente amo ele.

MARTA        —  Eu sei, mas daí tentar fazer uma loucura dessas convenhamos aqui que é literalmente loucura!

ADRIANA     —  Sim, mas agora eu já tentei fazer e ele me impediu!

MARTA        —  Ainda bem. Olha, escuta o que eu vou te dizer. Não vale a pena tentar fazer isso por ninguém!

ADRIANA     —  É, depois de tentar eu vi que realmente não vale a pena.

MARTA        —  Bom, no seu caso valeu a pena! Ele pelo jeito tá te aceitando melhor depois de tudo que você fez.

ADRIANA     —  É, acho que foi uma estratégia bem executada.

MARTA        —  Arriscada demais! Porém, teve um final feliz.

CORTA PARA:

CENA 02. TRÍPLEX DE SOL. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Glória, Alfredo e Karina ali sentados à mesa almoçando.

GLÓRIA        —  Olha, eu fiquei duvidosa quando a Sol me contou que essa menina era qualificada, mas depois de provar isso aqui eu retiro tudo que disse!

ALFREDO     —  Realmente esse escondidinho está dos deuses!

KARINA       —  Uma das melhores comidas que eu já comi.

GLÓRIA        —  Com certeza não é melhor do que a sua mãe, né!

KARINA       —  Como se minha mãe cozinhasse!

GLÓRIA        —  Que isso, Karina. Não me diga que ela nunca fez nada pra vocês?

KARINA       —  Não. Se não fossem as empregadas lá de casa, nós morreríamos de fome.

ALFREDO     —  Mas você deve saber fazer alguma coisa.

KARINA       —  Agora que eu estou aprendendo com a empregada lá de casa. Já sei fazer o básico.

GLÓRIA        —  Então você ainda vai cozinhar aqui pra gente ver se é bom, né?

KARINA       —  Acho que não é uma boa ideia. 

GLÓRIA        —  Por quê?

KARINA       —  O meu arroz virou o famoso arroz papado.

Alfredo e Glória sorriem. Sol desce a escada séria e senta-se a mesa.

GLÓRIA        —  Nossa, minha filha. Que cara é essa?

SOL               —  Cara de quem tá sofrendo com uma enxaqueca fortíssima e não quer nenhuma falação!

Closes alternados em Alfredo, Glória e Karina. Todos surpresos. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Cris ali sentada trabalhando. Tel. fixo começa a tocar.

CRISTINA     —  (Ao tel.) Fala! O que, Ana? Ah, o Aguinaldo tá aí? Mande-o entrar!

Ela desliga

CRISTINA     —  (P/si) Ótimo! Ansiei tanto pela visita desse advogado.

Ana entra acompanhada do advogado.

ANA              —  Com licença, dona Cristina. Aqui está o senhor Aguinaldo.

ADVOGADO—  Como vai, dona Cristina?

CRISTINA     —  Bem, Aguinaldo.

Eles se cumprimentam com um aperto de mão.

CRISTINA     —  Sente-se. E você, Ana? O que ainda faz aí?

ANA              —  (Cai em si) Ah, desculpe, dona Cristina. Com licença!

Ela sai e fecha a porta.

CRISTINA     —  Fico feliz que o senhor tenha tirado um tempinho para conversarmos na sua agenda super lotada.

ADVOGADO—  É, eu estou com meia hora livre para conversarmos.

CRISTINA     —  Ah sim. Prometo que não ultrapassaremos isso.

ADVOGADO—  Então, você me ligou dizendo que quer entrar com o pedido do divórcio, é isso?

CRISTINA     —  Sim, Aguinaldo. É que eu descobrir a infidelidade do Vicente e não tem porque continuar com o nosso casamento.

ADVOGADO—  Sim, sim… Mas os dois estão de acordo com o divórcio?

CRISTINA     —  Olha, eu não conversei com ele diretamente sobre, mas eu tenho certeza que ele vai querer ficar com a outra.

Os dois continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. PRÉDIO DE FLÁVIA E RICARDO. FRENTE. EXT/ INT. DIA.

CAM do alto se aproxima de um carro ali estacionado. CAM detalha que o vidro está embasado e o carro está balançando. Ouvimos daqui um suspiro. Corta para dentro do carro: Jandira ali sorrindo, ascende um cigarro. O peguete a vestir-se.

JANDIRA      —  Nossa! Até que você foi bem!

PEGUETE     —  Fui, não fui?

JANDIRA      —  É, mas deixou a desejar num ponto.

PEGUETE     —  Que ponto?

JANDIRA      —  Você não quis fazer a posição do brucurú.

PEGUETE     —  Mas aqui dentro do carro não tinha como fazer isso! É apertado!

JANDIRA      —  Por isso mesmo! Quanto mais apertado melhor!

Ela abre a porta do carro e vai saltar.

PEGUETE     —  Pera aí, você vai aonde?

JANDIRA      —  Como assim? Estou indo embora!

PEGUETE     —  Mas já? Depois do que aconteceu aqui eu pensei que a gente tinha algo especial!

JANDIRA      —  Eu já falei: pega, mas não se apega!

Ela sai do carro dando altas gargalhadas e fecha a porta.

PEGUETE     —  (P/si) Poxa, eu pensei que era especial pra ela!

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. DIA.

Miguel ali com fones de ouvido a escrever no notebook. Adriana entra.

ADRIANA     —  (Chama) Miguel? Miguel? Você tá me ignorando, é? (Repara o fone) Ah… O bendito fone de ouvido.

Ela se aproxima e coloca a mão no ombro dele, que se assusta e arremata.

MIGUEL        —  (Se assusta) Adriana? (Tira os fones) O que você tá fazendo aqui?

ADRIANA     —  Eu vim fazer uma visita à dona Marta e ela me disse que você estava aqui no quarto. Aí eu resolvi ver como você está.

MIGUEL        —  Tô bem. Mas você sabe que tá errada, né?

ADRIANA     —  Por quê?

MIGUEL        —  Você está no meu quarto!

ADRIANA     —  Sim, mas e daí?

MIGUEL        —  Como: daí? Daí que você não pode ficar no meu quarto!

ADRIANA     —  Calma, Miguel! Se esse é o problema eu saio!

MIGUEL        —  Não me entenda mal, Adriana! É que é um pouco novidade esse negócio de você está no meu quarto, sabe?

ADRIANA     —  Sei… Tão certinho você!

MIGUEL        —  Pois é. Pior que eu nem sei com quem eu me pareço porque minha mãe é isso aí que você vê e o meu pai Marcílio, também não era assim.

ADRIANA     —  Às vezes pode ser algum parente que você não ver e mora longe.

Os dois ficam ali sorrindo e pinta um clima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. ESTRADA DE TERRA DESERTA. EXT. DIA.

O carro dos capangas de Ratão se aproxima e alta velocidade jogando poeira para o alto. Carlito, Zói e Homem1 saltam do carro. Zói puxa Gael pela blusa para fora do carro.

GAEL            —  (Desesperado) Pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus! Não me matem!

CARLITO      —  Nós não vamos te matar playba!

GAEL            —  Então o que vocês querem comigo?

ZÓI                —  Tá desentendido agora, playba!?

HOMEM1      —  Ele sabe muito bem o que é.

CARLITO      —  Vamos simplificar as coisas de uma vez. Você vai participar do esquema!

GAEL            —  Mas eu já disse que não tenho interesse em participar!

CARLITO      —  Vocês ouviram isso, rapaziada?

ZÓI                  É, acho que ele ainda não entendeu!

HOMEM1      —  Playba você não entendeu o que tá acontecendo?

CARLITO      —  (P/Homem1) Pode deixar que eu vou dar uma palavrinha com ele. (P/Gael) Playba… Você não tem escolha! Não somos nós e sim o Ratão Máster. Ele quer você dentro do esquema! E se você não participar, será levado pra ele fazer o que quiser com você.

GAEL            —  Cara, eu quero andar certo! Eu não quero me meter nisso!

CARLITO      —  Chega! Cansei de dialogar com ele!

Carlito acena para Zói e Homem1 que cercam Gael. Homem1 o segura e Zói dá socos em sua barriga. Carlito de costas para a cena, arremata.

CARLITO      —  (P/si) As coisas não deveriam ser assim! Mas ele não quer ajudar!

CAM volta a mostrar Gael sendo golpeado pelos capangas de Ratão Máster. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 07. CONSTRUTORA MACEDO. SALA RICARDO. INT. DIA.

Ricardo ali a mexer no cel. Ana entra.

ANA              —  Ricardo… Ricardo…

RICARDO     —  O que, Ana?

ANA              —  Você não vai adivinhar quem veio aí para falar com a dona Cristina.

Ele espera uma resposta dela. Instantes.

RICARDO     —  Quem?! Fica aí me olhando com essa cara e não fala nada!

ANA              —  Um advogado! Acho que é pra falar sobre a separação deles.

RICARDO     —  Ah, tá. Você interrompe o meu trabalho pra falar isso? Faça-me o favor, né, Ana!?

ANA              —  Ah… Como se você tivesse fazendo alguma coisa de tão importante assim. Tava aí mexendo no celular que eu vi!

RICARDO     —  Fala baixo! Se o Vicente ou a Cristina ouvem isso pode não pegar bem pra mim!

ANA              —  Ah… Agora você tá preocupado com os diretores, é?

RICARDO     —  Sai daqui, Ana! 

Ele joga uma caneta nela, que sai sorrindo.

CORTA PARA:

CENA 08. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE CRIS. INT. DIA.

Cris e doutor Aguinaldo (Advogado) ali sentados.

CRISTINA     —  O senhor acha que tem como fazer isso?

ADVOGADO—  Olha, a prática do adultério já foi prevista no código penal, porém, foi revogado art. 240, que previa o encarceramento de 15 dias a 6 meses para quem “pulasse a cerca”.

CRISTINA     —  Então eu fui enganada por anos e o Vicente vai ficar assim, impune?

ADVOGADO—  O máximo que você poderia fazer seria entrar com um processo por danos morais. Só que você não sofreu, por exemplo, humilhação no seu âmbito social. Então descarte essa hipótese!

CRISTINA     —  Então deixa pra lá. Minha batalha com ele será outra!

ADVOGADO—  Pelo que apurei vocês se casaram no regime parcial de bens.

CRISTINA     —  Sim.

ADVOGADO—  Então o que é de um é do outro. Vocês têm que partilhar os bens, ou vendê-los e dividirem o lucro que der.

Fecha em Cristina invocada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. ESTRADA DE TERRA DESERTA. EXT. DIA.

CAM vem detalhando o corpo de Gael. Começamos pelos pés, subindo até as pernas com hematomas, subindo mais, ele com a mão sobre a barriga, seu rosto com alguns hematomas e sangue. CAM abre o plano, Gael ali no chão cuspindo sangue, tenta se levantar, mas não consegue, pois está debilitado. Carlito se aproxima.

CARLITO      —  Eu sinceramente não queria chegar a esse ponto! Mas você resiste mesmo sabendo que se trata do Ratão Máster fazendo esse convite! Vou perguntar mais uma vez… você vai participar do esquema?

Gael olhando para o chão meneia a cabeça que sim.

CARLITO      —  Ótimo. Em breve entro em contato dando a sua missão.

Carlito, Zói e Homem1 entram no carro que dá ré e para. De dentro do carro, Homem1 arremata.

HOMEM1      —  A gente vai deixar ele aqui mesmo, chefe?

CARLITO      —  Sim.

ZÓI                —  E se ele morrer aqui sozinho?

CARLITO      —  Ele deve ter um celular pra pediu socorro!

O carro vai se afastando. Gael tenta se levantar novamente, mas não consegue. Ele desiste de levantar e fica ali no chão deitado. CAM abre o plano nele ali deitado sobre a terra da estrada. Conforme a CAM abre o plano, percebemos que a estrada está num local isolado. Vegetação dos dois lados e a estrada ao meio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. RIO DE JANEIRO. EXT. ANOITECER.

Takes descontínuos do anoitecer na cidade maravilhosa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Marta vem do quarto.

MARTA        —  (P/si) Aproveitar que não tem ninguém e finalmente vou conseguir fazer a minha ligação!

Ela disca no cel. Mazé vem da cozinha.

MAZÉ            —  Dona Marta?

MARTA        —  (Áspera) Mas o que é que é agora, hein, Mazé? Inferno! Desde cedo que eu tô tentando fazer uma ligação, mas sempre quando eu penso em ligar alguém chega e me atrapalha! Diz logo o que você quer!

MAZÉ            —  Eu só queria dizer que a gente trocou gato por lebre.

MARTA        —  Mas como assim?

MAZÉ            —  O açougueiro vendeu maminha no lugar da picanha.

MARTA        —  Ah tá. Se esse é o problema então leva a carne pra você que eu me recuso a comer essa carninha de quinta! Era só isso que você queria?

MAZÉ            —  Sim.

MARTA        —  Agora saia que eu preciso fazer uma ligação!

Mazé volta para a cozinha olhando-a desconfiada. Marta pega o cel. e liga. Certifica-se de que Mazé não está a escutar.

MARTA        —  (Ao cel.) Oi. Aqui é uma pessoa que está precisando da ajuda de vocês. Eu preciso dar um susto numa certa pessoa!

Ela fica ali sorrindo malignamente. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 12. BARRA SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. INT. NOITE.

Flávia e Renata levantando-se da mesa, caminham com suas sacolas.

RENATA       —  Então você vai mesmo conhecer o filho do Vicente?

FLÁVIA        —  Sim, hoje em um jantar.

RENATA       —  E a sua mãe vai estar presente?

FLÁVIA        —  Claro que não! Se mamãe estiver presente é mico na certa! Ela não sabe se portar nesses locais.

RENATA       —  Hum… Pelo visto a coisa vai ser chique, hein!

FLÁVIA        —  Vai mesmo! O Vicente reservou em um dos restaurantes mais caros do Rio.

RENATA       —  Tudo isso pra conhecer o… Qual é o nome dele mesmo?

FLÁVIA        —  Enrico.

RENATA       —  Enrico! Você não acha que ele tá exagerando demais, não?

FLÁVIA        —  Achar eu até acho. Mas se ele quer pagar… Quem sou eu pra me meter?

As duas vão caminhando pelo corredor do shopping. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. NOITE.

Sol e Glória ali.

GLÓRIA        —  Você não acha que foi indelicada hoje mais cedo?

SOL               —  Sinceramente? Não acho não! Quando estou com enxaqueca não gosto de ninguém falando perto de mim!

GLÓRIA        —  Tá melhor?

SOL               —  Agora que tomei o remédio sim.

Juliana vem do quartinho pronta para ir embora.

JULIANA      —  Posso ir, Sol?

SOL               —  Claro! Você já deveria ter ido se quer saber!

JULIANA      —  Amanha que horas?

GLÓRIA        —  Oito da manhã.

JULIANA      —  Tudo bem. Tchau.

SOL               —  Tchau.

GLÓRIA        —  Espere menina!

SOL               —  O que é que é agora, hein, mamãe?

GLÓRIA        —  Me deixa, Sol! Eu hein! (P/Ju) Parabéns! Muito bom! Muito bom mesmo!

JULIANA      —  (Feliz) Obrigado, dona Glória. Com licença!

Juliana sai pela sala.

GLÓRIA        —  Tá querendo calar a minha boca por quê?

SOL               —  Não é isso. É que eu pensei que a senhora ia falar alguma coisa indevida!

GLÓRIA        —  Você tá achando o quê!? Que eu tô caduca? Eu hein!

Glória vai para a sala.

SOL               —  (P/si) Ê drama que não tem fim!

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE MARTA. QUARTO GÊMEOS. INT. NOITE.

Miguel e Adriana ali sentados ouvindo música, partilhando o mesmo fone.

ADRIANA     —  Nossa! Eu adoro Adele!

MIGUEL        —  Ela é a melhor! Ouça a potência dessa voz.

ADRIANA     —  Linda! Você acredita que a primeira vez que eu chorei foi com uma canção dela?

MIGUEL        —  (Sorrir) Sério? Não brinca.

ADRIANA     —  É sério.

MIGUEL        —  Então canta um pedaço aí pra mim!

ADRIANA     —  Não vou cantar! É Someone like you.

MIGUEL        —  Realmente é uma linda canção.

Cel. de Miguel começa a tocar. Ele pega. CAM detalha a tela do cel. com o nome: GAEL. Ele atende.

MIGUEL        —  (Ao cel.) Fala. Calma, calma! Me explica o que aconteceu.

Reação de Adriana curiosa e preocupada com o que pode ser.

MIGUEL        —  (Ao cel.) Tá, mas aonde você está? Eu estou indo aí te buscar!

Ele desliga.

ADRIANA     —  O que aconteceu, Miguel?

MIGUEL        —  Eu preciso sair!

Ele pega a chave na mesa e sai, CAM fecha em Adriana ali sem entender nada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 15. CONTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Recepção vazia. Ricardo sai de sua sala. Vicente e Enrico também saem da sala de Vicente.

RICARDO     —  Vicente? E eu pensando que você não tinha vindo hoje.

VICENTE      —  Vim, mas como o meu filho estava aqui, quase não sair da sala hoje.

RICARDO     —  Seu filho? O que morava no exterior?

VICENTE        É. Esse aqui é o Enrico.

RICARDO     —  Prazer, Enrico. Sou Ricardo.

ENRICO        —  Fala aí, Ricardo.

Os dois se cumprimentam com um aperto de mão.

VICENTE      —  Agora nós estamos indo porque o Enrico vai conhecer a Flávia e o Murilo.

RICARDO     —  Ah sim. E a Jandira?

VICENTE      —  Deus queira que ela não esteja lá!

Vicente sorrir e junto de Enrico saem.

ENRICO        —  (Saindo) Quem é Jandira, pai?

RICARDO     —  (P/si, sorrindo) Quando conhecer a figura vai se assustar!

CORTA PARA:

CENA 16. TRÍPLEX DE SOL. CORREDOR. INT. NOITE.

Alfredo sai do quarto, pega o cel. e disca.

ALFREDO     —  (P/si) Vai, filha, atende… Caixa postal. Nem pude conversar com a minha filha antes de vir pra cá. Espero que ela não esteja com ódio de mim assim como a Renata deve tá.

Ele desce a escada.

CORTA PARA:

CENA 17. APART DE RENATA. SALA. INT. NOITE.

Bruna ali a olhar para o cel. CAM detalha a tela do cel. com a mensagem: Chamada perdida: PAI. 

BRUNA         —  (P/si) Depois de ter abandonado essa família quer ligar pra saber das coisas, é? Não atendo! Não atendo! Quem mandou ir morar na casa daquela mulher?! (Indecisa) Se bem que ele é meu pai, né! Mesmo não gostando do que ele fez eu não posso simplesmente negar a existência dele! (Determinada) Não! Não vou dar o braço a torcer! Alfredo pra mim agora é apenas um conhecido!

Ela joga o cel. ali pelo sofá e fica ali determinada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta ali a olhar pela janela. Adriana vem do quarto dos gêmeos.

ADRIANA     —  Dona Marta?

MARTA        —  Ah, oi, Adriana. Tava aqui pensando na vida.

ADRIANA     —  Ah sim. É sempre bom refletir em certos momentos.

MARTA        —  É verdade.

ADRIANA     —  A senhora viu o jeito que o Miguel saiu?

MARTA        —  Não. Eu estava no quarto. Acabei de vir pra sala agora. Mas de que jeito ele saiu?

ADRIANA     —  Saiu logo depois de recebeu uma ligação.

MARTA        —  Ligação de quem?

ADRIANA     —  Aí é que está à incógnita! Ele não me falou e saiu rapidamente.

MARTA        —  E essa agora! Talvez seja alguma coisa com o Gael. Esse menino sumiu! Desde cedo que eu não o vejo.

CORTA PARA:

CENA 19. PRÉDIO DE SOL. FRENTE. EXT. NOITE.

Juliana ali a espera de alguém. CAM mostra Mazé se aproximando.

MAZÉ            —  Oi, filha.

JULIANA      —  Oi, mãe.

MAZÉ            —  (Impressionada) Nossa! É nesse prédio chique que você trabalha?

JULIANA      —  É. A senhora tem que ver o tríplex da minha patroa!

MAZÉ            —  Nossa! A mulher é cheia da grana mesmo, hein!

JULIANA      —  Se é! Mas e a senhora trabalha longe daqui?

MAZÉ            —  Não. Vinte minutos andando.

JULIANA      —  Nossa! Então somos quase vizinhas!

MAZÉ            —  É mesmo. Mas vamos andando que nós temos muito chão pela frente até chegar em casa.

As duas vão caminhando e conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Clima de Suspense! Cristina ali em pé ao cel.

CRISTINA     —  (Ao cel.) Como assim ainda não foi possível fazer? Eu disse pra você dar o seu jeito de fazer isso até o fim do dia! Não interessa! Você é incompetente! Isso tem que ser feito o quanto antes pra ninguém ficar sabendo! Se deixar muito pra cima o Ricardo vai acabar vendo e já era!

Enrico entra, Cris nem o percebe.

CRISTINA     —  (Ao cel.) Se isso não for feito amanhã pode esquecer! Eu já disse o valor que você vai ter que…

Ela vê Enrico e logo desliga o cel.

ENRICO        —  Alguma coisa secreta que eu não poderia ouvir?

CRISTINA     —  Não! Desliguei porque minhas coisas só dizem respeito a mim! Chegar de fininho e ficar ouvindo a conversa dos outros é ridículo!

ENRICO        —  Não ouvi nada demais. Apenas a parte em que você fala de algum valor. Quer valor é esse?

CRISTINA     —  Larga de ser ridículo, garoto! Não devo satisfação da minha vida a um moleque como você!

Cris vai para o quarto, com Enrico arrematando

ENRICO        —  Isso! Solta todo o seu veneno cascavel! Solta tudo pra não morrer envenenada por si mesma! (P/si) Agora, que você está escondendo alguma coisa é inegável!!!

CORTA PARA:

CENA 21. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Carlito, Homem1 e Zói ali sentados.

ZÓI                —  Ratão Máster acha que depois do que nós fez com o playba ele vai ajudar nós?

HOMEM1      —  Depois de ter levado uma surra, duvido que ele vai continuar negando participar!

CARLITO      —  Eu chamei vocês aqui pra outra coisa!

HOMEM1      —  Que coisa?

CARLITO      —  Uma madame ligou pro chefe pedindo nossos serviços.

ZÓI                —  Uma madame? Esse tipo de gente também usa nossos serviços?

HOMEM1      —  Pessoas assim são as que mais usam o serviço da gente.

CARLITO      —  Enfim… Ela quer que a gente dê um susto numa pessoa.

ZÓI                —  Quem?

CARLITO      —  Não sei! Amanhã ela vai vir mostrar a foto de quem é. O que interessa aqui é que nós não podemos deixar essa oportunidade passar. Temos que dar um susto dos bem dados na pessoa!

ZÓI                  Pode deixar com nós!

HOMEM1      —  Isso é moleza pra gente!

CORTA PARA:

CENA 22. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Jandira ali mexendo no cel. e a beber uísque.

JANDIRA      —  (P/si) Eu falei com ele pra pegar e não se apegar, mas pelo visto ele não entendeu a mensagem! Não gosto desse tipinho!

Flávia chega do shopping com algumas sacolas.

JANDIRA      —  Nossa! Vejo que a tarde foi das compras com a amiguinha.

FLÁVIA        —  Comprei sim algumas coisas pra mim, mamãe. O Vicente, dono do dinheiro não fala nada.

JANDIRA      —  Não fala porque é otário!

FLÁVIA        —  Por que essa implicância de repente, hein, mamãe? A senhora nunca se meteu nas minhas compras!

JANDIRA      —  Sim, nunca me meti, mas desde o exato momento em que você prefere sair com a sua amiguinha que só te chama pra gastar e esquece que tem um filho para pegar na escola, eu me meto bem mesmo!!!

FLÁVIA        —  Nossa, mamãe! Eu esqueci mesmo do Murilo!

JANDIRA      —  Pois é. E vou logo avisando que ele não tá nada feliz com você.

FLÁVIA        —  (P/si) Justo hoje! Ele não pode ficar chateado comigo. E o negócio?

JANDIRA      —  Que negócio é esse que você tá falando aí, Flávia?

FLÁVIA        —  Nada não, mamãe! Vou falar com o Murilo!

Ela pega suas sacolas e vai para o quarto. Jandira ali desconfiada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 23. ESTRADA DE TERRA DESERTA. EXT. NOITE.

Escuridão total. Vemos uma sombra de uma pessoa caminhando com dificuldade, mas a frente uma luz forte surge e vem se aproximando, deciframos que se trata de um carro. Carro para. Gael perante o farol se ajoelha no chão, não aguentando mais ficar de pé. Miguel salta do carro e vem ajudar o irmão.

MIGUEL        —  (Aflito) Gael, o que aconteceu com você?

GAEL            —  (Caretas de dor) Uns caras me deram uma surra!

MIGUEL        —  Mas por quê?

GAEL            —  (Caretas de dor) Eles me sequestraram e depois me espancaram.

MIGUEL        —  Vem. Nós temos que ir para o hospital o mais rápido possível!

Miguel levanta o irmão e o coloca no banco de trás do carro. Entra, e dá a partida com o carro. Corta para dentro do carro: Miguel acende a luz interna do carro e Gael ali a fazer caretas de dores, muito machucado, com vários hematomas nos braços, rosto… Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO 41º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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