Partes de Mim – Capítulo 42

PARTES  DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

PEGUETE DE JANDIRA.

CENA 01. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina ali sentada à mesa a mexer no notebook. CAM detalha a tela do notebook, ela está a ver o perfil de Miguel na rede social.

KARINA       —  (P/si, fecha o notebook) Não, Karina! Não vale a pena. O Miguel não é o cara certo. (Indecisa) Ah, sei lá. Mas ele só trouxe coisa ruim pra minha vida.

Ricardo chega do trabalho.

RICARDO     —  Oi, filha.

KARINA       —  Oi, pai. O senhor chegou mais tarde hoje.

RICARDO     —  É que hoje o meu dia foi uma loucura. Ainda mais quando chega o fim do mês… Eu tenho que analisar e lançar todas as contas e lucros da construtora.

KARINA       —  Ah sim. Tá vendo só porque eu não optei por essa carreira? É complexa demais!

RICARDO     —  (Brinca) Não optou porque é boba! E sua mãe já chegou?

KARINA       —  Duvido! Só nove, dez horas como sempre.

RICARDO     —  Rosangela não muda mesmo! Não sei como é que pode. Bom, agora eu vou tomar um banho e relaxar.

KARINA       —  Vai descansar, pai.

Ele vai para o quarto. Karina abre o notebook e volta ver o perfil de Miguel na rede social. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Murilo ali a jogar. Flávia entra.

FLÁVIA        —  Filho?

Ele continua a olhar para o jogo.

FLÁVIA        —  Filho, não fica com raiva da mamãe. Eu sei que errei, mas foi só dessa vez.

MURILO       —  E o pior é que ainda diz que a vó Jandira é irresponsável! Mas não foi o que aconteceu hoje.

FLÁVIA        —  Eu sei que eu errei. E a sua avó até pode ser irresponsável, mas não quando se trata do netinho querido dela.

MURILO       —  A senhora preferiu fazer compras com a Renata ao invés de me buscar no colégio.

FLÁVIA        —  Eu sei, mas não fica assim não que daqui a pouco seu pai e eu temos uma grande surpresa pra você!

MURILO       —  (Curioso) Ah é? E o que é?

FLÁVIA        —  Se eu contar deixa de ser uma surpresa, né, Murilo!? Mas eu garanto que você vai gostar! 

CORTA PARA:

CENA 03. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Recepção com poucas pessoas esperando. Miguel chega com Gael apoiado em seus ombros.

MIGUEL        —  (P/Gael) Aguenta mais um pouco que a gente já chegou!

Miguel olha por alguém para achar ajuda.

MIGUEL        —  (Alto) Alguém pode me ajudar aqui?

Uma enfermeira se aproxima.

MIGUEL        —  O meu irmão foi espancado!

Eles levam Gael para uma sala. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Glória e Alfredo conversando. Sol ao lado a mexer no cel.

ALFREDO     —  Sabe, Glória…? Eu acho que ela tá me odiando.

GLÓRIA        —  Que isso, Alfredo. Não fale uma coisa dessas. A sua filha não deve ter atendido porque estava ocupada.

ALFREDO     —  Se fosse isso ela já teria retornado a ligação. Eu acho que a Renata tá fazendo a cabeça da menina.

GLÓRIA        —  Olha, eu acho que não. A Renata não tem tanta influência sobre uma adolescente de 17 anos.

ALFREDO     —  Será, Glória?

GLÓRIA        —  Bom, pelo menos é o que eu acho.

ALFREDO     —  Então se ela estiver com ódio de mim, é por contra própria.

GLÓRIA        —  Para de bobeira Alfredo. Né, Sol?

SOL               —  O que, mãe?

GLÓRIA        —  Fala pro Alfredo que a Bruna não tá com ódio dele.

SOL               —  E por que ela estaria com ódio do pai?

GLÓRIA        —  Você tá aqui esse tempo todo e não prestou atenção na conversa?

SOL               —  Não! Eu estou aqui conversando com a Karina. Como a senhora é chata, hein, mamãe!

Sol sobe a escada para seu quarto.

ALFREDO     —  Quando eu digo que minha presença nesta casa é um incomodo você não gosta, Glória!

GLÓRIA        —  Claro que não gosto! Até porque isso não é verdade.

ALFREDO     —  Então me explica porque a Sol tá agindo desse jeito.

GLÓRIA        —  Isso é coisa da Sol. Você sabe como ela é.

ALFREDO     —  Eu sabia! Depois de vinte anos eu imaginei que ela estaria completamente diferente.

GLÓRIA        —  Pois é, Alfredo. Mas você se enganou redondamente! (Brinca) Ela continua a mesma chata de galocha de sempre.

Os dois sorriem.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Jandira ali sentada mexendo no cel. Vicente chega do trabalho.

VICENTE      —  Boa noite, Jandira!

JANDIRA      —  Estava boa! A noite estava boa!

VICENTE      —  Se é por causa de minha presença você vai ter que me aturar! Como que dizem hoje em dia mesmo…? Ah, lembrei. “Atura ou surta”!

JANDIRA      —  Nossa! Como está sarcástico hoje. Tá pegando uma terceira, é?

VICENTE      —  Olha o que você fala, hein! Se a Flávia escuta uma coisa dessas você acaba com o meu casamento!

JANDIRA      —  Casamento era o que você tinha com a legítima esposa. Isso aqui é mais uma sem-vergonhice mesmo!

VICENTE      —  Ah, então você quer falar disso, é?

JANDIRA      —  Querer eu não quero, mas você não me deixa outra opção!

VICENTE      —  Vou ver minha esposa e meu filho que eu ganho mais!

Ele vai para o quarto.

JANDIRA      —  (P/si) Todo errado e ainda se acha o dono da razão!

CORTA PARA:

CENA 06. JORNAL. REDAÇÃO. INT. NOITE.

Redação vazia. Somente Joana ali a terminar de guardar seus pertences e Rô a digitar no notebook como se não houvesse amanhã.

JOANA          —  (P/si) Nossa! A menina tá desesperada mesmo!

Ela termina de guardar suas coisas e se aproxima.

ROSANGELA—Nem vem, Joana! Nem vem que eu tenho mais o que fazer!

JOANA          —  Tô vendo. Aliás, não se falava outra coisa na redação hoje a não ser o fato da Rô, queridinha do Alfredo ter levado uma bronca da diretoria.

ROSANGELA—Eu quero mais é que você e os que estão comentando se explodam!

JOANA          —  Nossa! Que agressiva!

ROSANGELA—Comentar a bronca que eu levei todo mundo comenta. Agora quero ver comentar o fato de que todas as matérias estão sumindo do meu computador como num passe de mágica! Isso ninguém comenta! Aliás, se estiverem pensando que eu não sei que estão querendo puxar o meu tapete, estão muitíssimo enganados!

Joana sorrir debochadamente e sai da redação. Rô volta a digitar velozmente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Carlito ali sentado comendo um sanduíche. Na mesinha de centro, vários copos e pratos sujos. Ana chega do trabalho.

ANA              —  Oi, Carlito! Boa noite!

CARLITO      —  Boa noite.

ANA              —  A Ju tá em casa?

CARLITO      —  Por que a pergunta?

ANA              —  É que sempre que a gente chega a casa tá cheirando com perfume do tempero dela.

CARLITO      —  A Ju não te contou?

ANA              —  Contar o quê?

CARLITO      —  Ela conseguiu o emprego de… (Desdém) empregada!

ANA              —  (Feliz) Não brinca, Carlito! Sério? Mas que legal! A Ju merece.

Ana vai para o quarto.

CARLITO      —  (P/si, invocado) É, merece muito ser empregada doméstica! 

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Marta ali ao cel. andando de um lado para o outro inquieta, aflita.

MARTA        —  (P/si) Anda, Miguel… Vai, atende. Caixa postal.

Ela desliga.

MARTA        —  (P/si) Meu Deus do céu. Eu não vou aguentar ficar aqui parada enquanto os meus filhos estão por aí Deus lá sabe onde! (Lembra) O Gael! Talvez ele me atenda.

Ela disca no cel.

MARTA        —  (P/si) Vai Gael… Vai, atende!

Ela permanece ali aflita pendurada ao cel. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Murilo ali arrumado a jogar vídeo game. Vicente e Flávia também arrumados para o jantar. Eles falam baixo para Murilo não ouvir.

VICENTE      —  Não quero saber, Flávia! A sua mãe não pode pisar naquele restaurante!

FLÁVIA        —  Eu sei, Vicente! Mas o que você quer que eu faça se ela está em casa? Não tem como a gente sair de fininho sem que ela veja.

VICENTE      —  Droga! Vou ligar pro Enrico e mandar ele se adiantando.

Vicente puxa o cel. do bolso e disca.

VICENTE      —  (Ao cel.) Enrico, vai se adiantando pro restaurante que nós tivemos um probleminha aqui. Não, não precisa se preocupar que nós já estamos indo. Tchau.

Ele desliga.

VICENTE      —  Agora é só arrumarmos um jeito de se livrar da Jandira!

FLÁVIA        —  Ai meu Deus. Eu não me sinto nem um pouco confortável com isso porque ela é minha mãe!

VICENTE      —  É sua mãe, mas você já viu como ela se porta e se veste? Não tem condições de ela habitar aquele sofisticado restaurante!

Fecha em Flávia desconfortável com tal situação. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. NOITE.

Sol andando de um lado para o outro arrematando.

SOL               —  (P/si) Mamãe ao invés de ficar jogando o Alfredo pra cima de mim, deveria vender aquela mansão inútil de São Paulo. Ficar gastando aqui e lá não tem lógica! Mas não… Ela se quer pensa nisso. O foco dela é jogar o Alfredo pra cima de mim e vice e versa.

Glória entra.

GLÓRIA        —  Então você fica aqui feito uma louca falando sozinha e ainda por cima falando mal de mim?

Fecha em Sol olhando a mãe seriamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Enrico vem do quarto vestido de smoking. Adriana chega da casa de Marta.

ADRIANA     —  Nossa! Tá todo chique, hein!

ENRICO        —  Gostou? É importado!

ADRIANA     —  Ah sim. Que legal! Viu a dona Cristina por aí?

ENRICO        —  Infelizmente assim que cheguei dei de cara com ela sentada nesse sofá.

ADRIANA     —  Engraçado que vocês dois se referem um ao outro do mesmo jeito!

ENRICO        —  Sabe o que é isso? É sincronismo de ódio. Com licença!

Ele sai.

ADRIANA     —  (P/si) Gente… Tanto ódio, tanto rancor entre esses dois. E eu continuo sem saber o motivo!

CORTA PARA:

CENA 12. RIO DE JANEIRO. EXT. NOITE.

Takes descontínuos do passar de uma hora. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Jandira ali a falar no cel. Flávia escondida a espionar a mãe.

JANDIRA      —  (Ao cel.) Não vou encontrar mais com você! Como por quê? Eu disse que era pra você não se apegar! Tá eu sei que tudo foi muito bom, mas… Tá, você venceu! Eu vou! Mas essa vai ser a da despedida, hein. Tô descendo!

Ela se levanta e Flávia se esconde mais. Jandira sai.

FLÁVIA        —  (P/si) Só pode ser um dos amantes dela! (Chama) Pode vim, Vicente.

Vicente vem com Murilo.

VICENTE      —  Cadê a Jandira?

FLÁVIA        —  Ela saiu.

MURILO       —  Por que estamos saindo sem avó Jandira saber?

FLÁVIA        —  Nada não, filho. É que ela não gosta muito de restaurantes.

VICENTE      —  Agora chega, né. Vamos logo! E pelo elevador de serviço!

Os três saem.

CORTA PARA:

CENA 14. PRÉDIO DE FLÁVIA E RICARDO. FRENTE. EXT. NOITE.

CAM do lado de fora do carro a mostrar Jandira e seu Peguete no maior amasso.

JANDIRA      —  Nossa! Mas que vontade toda é essa?

PEGUETE     —  É você que me deixa assim!

Ele volta a beijá-la. Ela o interrompe e se senta no banco do carona.

JANDIRA      —  Chega! Calma, touro! Eu preciso de uma pausa pra respirar!

CAM mostra o carro de Flávia saindo da garagem.

JANDIRA      —  A Flávia saindo de casa? Mas por que será que ela não me disse nada?

PEGUETE     —  Flávia, quem é Flávia?

JANDIRA      —  Minha filha! Quer saber de uma coisa? Siga aquele carro!

PEGUETE     —  Pode deixar. Seu desejo é uma ordem!

O carro dá a partida e vai se afastando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. JORNAL. REDAÇÃO. INT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: Instrumental “Frustração” entra aqui.

Rosangela ali a digitar rapidamente. Ela para e debruça sobre a mesa.

ROSANGELA—(P/si) Deus! Não tô mais aguentando essa pressão! É muita coisa sobre as costas de uma pessoa só. E com o universo conspirando contra mim tá sendo mais difícil ainda! Preciso desabafar.

Ela pega o cel. e disca.

ROSANGELA—(Ao cel.) Alfredo?

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 16. APART DE RENATA. SALA. INT. NOITE.

Bruna ali sentada triste. Renata vem do quarto.

RENATA       —  Filha, desde a hora que eu cheguei que você tá aí desse jeito! Você tem certeza que não quer mesmo conversar sobre o que é?

BRUNA         —  Tá mãe. É que eu recebi uma ligação do papai.

RENATA       —  E o que ele disse?

BRUNA         —  Não sei. Eu não atendi.

RENATA       —  Mas filha… Por que você não atendeu?

BRUNA         —  Porque quando ele saiu de casa pra viver na casa daquela mulher, ele não trocou só a senhora não. Ele trocou a nossa família!

RENATA       —  Eu sei que o que ele fez foi errado e tudo mais… Só que ele é seu pai. Mesmo fora de casa ele não deixará de te amar filha!

BRUNA         —  Eu não entendo a senhora! Não foi a senhora mesma que me disse que não valia a pena?

RENATA       —  Sim, não valia a pena ficar sem comer por causa disso! Se você continuasse daquele jeito, estava correndo risco de ser hospitalizada! Eu sei que não é fácil. Pra mim também não está sendo nada fácil… Mas você não pode simplesmente negar que seu pai existe de uma hora pra outra!

Fecha em Bruna ali pensativa no que fez. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Carlito ali com os pés na mesinha de centro. Na mesma ainda estão os copos e pratos sujos. Mazé e Juliana chegam do trabalho.

MAZÉ            —  (Firme) Mas o que significa isso, Carlito?

CARLITO      —  Oi, nega. Algum problema?

MAZÉ            —  Todos! Olha como está essa sala! Imunda!

CARLITO      —  E o que você vai fazer pro jantar?

CAM em SLOW se aproxima de Mazé não acreditando no que ouviu.

JULIANA      —  Opa! Acho melhor ir pro meu quarto!

Juliana vai para o quarto.

MAZÉ            —  Você tá me achando com cara de quê? De doméstica?

CARLITO      —  Não, nega, não é isso.

MAZÉ            —  (Firme) Você é um imprestável que não gosta de fazer nada! E agora acha que nós, as mulheres que trabalhamos nesta casa vamos chegar cansadas do dia inteirinho de serviço e ainda limpar, passar e cozinhar? Se você estiver pensando que há empregadas dentro dessa casa, você está muito enganado!

CARLITO      —  (Firme) Chega! Cansei de ser tratado desse jeito! Você não me respeita! Sabe que eu estou passando por uma situação delicada de saúde e mesmo assim não perde a oportunidade de pisar em mim!

MAZÉ            —  Pisar em você? Então falar a verdade agora é pisar em você? Você é inacreditável, Carlito!

Ela vai para o quarto. Carlito permanece ali invocado. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 18. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Miguel ali aflito. Marta chega.

MARTA        —  Filho…

MIGUEL        —  Mãe! Ainda bem que a senhora chegou.

MARTA        —  O que aconteceu com o seu irmão, Miguel?

MIGUEL        —  Eu não sei ao certo. Ele me disse que foi sequestrado por uns caras que levaram ele pra uma estrada deserta e lá deram uma surra nele.

MARTA        —  (Aflita) Meu Deus! Mas por que fizeram isso justo com o Gael?

MIGUEL        —  Não sei mãe. O mais estranho foi que não levaram nada dele.

MARTA        —  Nem o celular?

MIGUEL        —  Não!

Miguel puxa o cel. de Gael do bolso.

MIGUEL        —  Ele me ligou do celular dele pedindo ajuda.

Closes alternados em mãe e filho intrigados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. CASA DE MAZÉ. QUARTO DE JU E ANA. INT. NOITE.

Ana ali sentada. Juliana atrás da porta.

JULIANA      —  Acho que a discussão chegou ao fim.

ANA              —  Por que eles estavam discutindo dessa vez?

JULIANA      —  Porque a casa tá uma bagunça só.

ANA              —  Olha, não é porque eu sou sobrinha da tia Mazé, não, mas… Caramba bem que os seu pai poderia dar uma ajudinha dentro de casa, né?

JULIANA        Também acho! Mas se engana quem pensa que essa discussão dos dois é de hoje… Eles brigam por isso há anos!

ANA              —  Sério? Essa é a primeira que eu vejo. E como foi lá no emprego novo?

JULIANA      —  Foi maravilhoso, Ana! A Sol é um amor de pessoa. A dona Glória, mãe dela, parece ser mais casca grossa, mas mesmo assim me elogiou e tudo.

ANA              —  Que bom! Fico feliz que esteja ocorrendo tudo bem.

JULIANA      —  Tá indo tudo bem graças a Deus. Eu demorei tanto pra arrumar um emprego, sabe? Mas bem lá no fundo eu tinha medo de passar por aquele episódio que eu prefiro esquecer!

ANA              —  Verdade. Não vale a pena ficar remoendo isso!

Fecha em Juliana, que meneia a cabeça positivamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. INT. NOITE.

Clima sofisticado. Todas as mesas ocupadas. Enrico ali sentado aflito.

ENRICO        —  (P/si) Será que o meu próprio pai vai me dar um bolo?

CAM mostra Vicente, Flávia e Murilo entrando no restaurante. Eles falam com a Hostess fora de áudio e se aproximam da mesa.

VICENTE      —  Desculpa o atraso, Enrico! É que tivemos um imprevisto.

Ele se levanta e logo se encanta com Flávia. Ele olhando-a. Em SLOW um vento forte bate nos cabelos da mesma, fazendo com que eles voem. Ela a sensualizar pra ele em seus pensamentos.

VICENTE      —  Enrico? Que cara é essa?

ENRICO        —  (Cai em si) Ah, nada pai. Muito prazer!

FLÁVIA        —  O prazer é todo meu.

VICENTE      —  Essa é a Flávia. Minha Flavinha querida. E esse é o nosso filho Murilo.

ENRICO        —  Fala aí cara. Toca aqui!

Eles se cumprimentam apertando as mãos.

ENRICO        —  Nossa! Que forte esse meu irmão é!

VICENTE      —  Bom, então vamos nos sentando.

Eles se acomodam a mesa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. FRENTE. EXT. NOITE.

Carro do peguete de Jandira se aproxima e para. Ela salta e olha para o carro de Flávia.

JANDIRA      —  (P/si) Eles vieram jantar sem mim? 

PEGUETE     —  Não fica assim não, minha deusa! Com certeza eles devem tá fazendo alguma coisa que você detestaria!

JANDIRA      —  Mas mesmo assim eu deveria ter sido comunicada!

PEGUETE     —  É, isso é verdade.

JANDIRA      —  Sendo excluída pela minha própria filha e neto… Do tal de Vicente eu espero qualquer coisa, mas eu nunca esperava isso da Flávia. E do Murilo então?

Ela fica ali cabisbaixa.

CORTA PARA:

CENA 22. TRÍPLEX DE SOL. SUÍTE MÁSTER. INT. NOITE.

Sol e Glória ali na cama sentadas conversando.

SOL               —  Entendeu agora por que eu estava falando?

GLÓRIA        —  Sim, filha eu entendi. Mas você sabe muito bem que eu ainda não estou pronta para me desfazer da casa que eu conseguir junto de seu pai.

SOL               —  É, mãe, eu entendo que não deve ser nada fácil, mas a senhora tinha que pensar que não tem porquê a gente ficar com aquela mansão lá em São Paulo fechada.

GLÓRIA        —  Eu sei. Mas lembra o que você me disse?

SOL               —  Se a senhora um dia ficar pronta pra vender a casa… Pode ter certeza que eu vou te apoiar!

GLÓRIA        —  Exatamente! E cadê o apoio?

SOL               —  Tá bom, mãe. Assunto encerrado. Não toco mais nisso.

CORTA PARA:

CENA 23. RUA. BECO. EXT. NOITE.

Clima de tensão! Carlito entra no beco e ali fica sério.

CARLITO      —  (P/si) Logo que as coisas são assim… Então veremos o quão imprestável eu sou Mazé! Todos esses anos de trabalho e a mulher joga na minha cara que eu sou imprestável! Quero ver quando eu tiver montado na grana o que ela vai dizer!

CORTA PARA:

CENA 24. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Alfredo e Rô ali sentados conversando.

ROSANGELA—Então é aqui que você está morando agora?

ALFREDO     —  É. E ainda na casa de uma ex-namorada minha de vinte anos atrás.

ROSANGELA—Nossa. Nostálgico, hein!

ALFREDO     —  Nem me fale. Mas e você? Disse que precisava desabafar. Tá acontecendo alguma coisa?

ROSANGELA—Alguma coisa não, Alfredo. Tá acontecendo tudo! E tudo que há de ruim ainda por cima!

ALFREDO     —  Como assim?

ROSANGELA—Olha, eu sinceramente não sei se vou conseguir segurar o barco até você voltar, Alfredo. Tá tudo dando errado na minha gestão.

ALFREDO     —  Mas como assim dando tudo errado?

ROSANGELA—Primeiro é meu computador que deu pau essa semana e depois foi o sumiço da edição especial de aniversário do jornal.

ALFREDO     —  Mas como a edição do jornal sumiu assim?

ROSANGELA—Não sei, Alfredo! E quando vou falar com a diretoria, aqueles brutamontes ainda debocham da minha cara e dizem que querem no prazo e não interessa os problemas enfrentados! Olha, Alfredo, eu estou sinceramente pensando em desistir desse cargo antes que eu fique louca!

CORTA PARA:

CENA 25. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina ali sentada à mesa jantando sozinha. Adriana vem do quarto.

ADRIANA     —  Esperei o dia todo para termos essa conversa!

CRISTINA     —  Que conversa?

ADRIANA     —  Por que a senhora não me contou que o papai estava traindo essa família?

CRISTINA     —  Ah… Vejo que você ficou sabendo.

ADRIANA     —  Por que a senhora não me falou nada?

CRISTINA     —  Porque eu não queria que você ficasse com raiva do seu pai.

ADRIANA     —  Vocês dois estão praticamente separados e a senhora ainda pensou nele?

CRISTINA     —  Sim. Pensei nele não. Eu pensei em você. Eu sei que você e ele se dão super bem. E eu não queria ser a ovelha negra que te contaria tudo e depois seu pai me acusar. Quem te contou? Foi o Enrico, não foi?

ADRIANA     —  Foi o Enrico, mas indiretamente!

CRISTINA     —  Sabia! Desde que aquela praga pisou aqui que eu sabia que não ia dar certo.

ADRIANA     —  Ele falou demais e o papai me contou tudo. Inclusive me contou que tem um filho de dez anos com essa mulher.

CRISTINA     —  Pra você ver. Olha o tempo que seu pai ficou nos enganado.

Fecha em Adriana, que meneia a cabeça concordando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 26. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. INT. NOITE.

Clima sofisticado. CAM vai passeando pelo restaurante até focar na mesa de Vicente. Todos a comer.

FLÁVIA        —  Então, Enrico… Seu pai disse que você estava morando no exterior?

ENRICO        —  É. Saí do país ainda criança e por lá fiquei até me formar na faculdade.

FLÁVIA        —  Você é formado em que área?

VICENTE      —  Não lembra não meu amor, que eu te falei que ele era formado em Comércio Exterior?

FLÁVIA        —  Ah é. Que cabeça a minha? Eu esqueci.

ENRICO        —  Mas é impressionante o nível das universidades no exterior.

VICENTE      —  Infelizmente o nosso país está atrasado na educação básica, que é a base de tudo!

FLÁVIA        —  O que é uma pena, né, gente! Por que educação é o único caminho.

Enrico olha Murilo a comer caladinho.

ENRICO        —  Pelo jeito o meu irmão não gosta muito de falar.

FLÁVIA        —  Só nas horas em que está comendo, né, Vicente?

VICENTE      —  Se é. Ele não para de falar quando tá com a boca vazia!

Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 27. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. FRENTE. EXT. NOITE.

Jandira e o Peguete ali fora do carro. 

JANDIRA      —  (Indignada) Como eles puderam fazer isso comigo?

PEGUETE     —  Calma, deusa.

JANDRIA      —  Calma nada! Eles estão ali jantando no maior chiquê e eu aqui do lado de fora como uma qualquer! Mas isso não vai ficar assim não! Não vai mesmo!

Ela vai atravessar a rua e o peguete a segura pelo braço.

PEGUETE     —  Espera. Você não pode entrar ali vestida desse jeito.

JANDIRA      —  O que tem de errado com a minha roupa?

PEGUETE     —  Sério mesmo que você quer uma resposta?

JANDIRA      —  Só esse olhar já me diz tudo!

PEGUETE     —  Pega o vestido da minha esposa que está no porta-malas.

JANDIRA      —  Espera aí… Você é casado? Por que você não me disse nada? Eu não pego homens casados!

PEGUETE     —  Deixa para falarmos disso depois? Vai querer o vestido ou não?

Fecha em Jandira que sorrir.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 28. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. INT. NOITE.

CAM subjetive se aproximando da mesa de Vicente.

JANDIRA      —  Boa noite! Boa noite a todos! Não me chamaram para o jantar, mas eu vim assim mesmo.

CAM abre o plano. Jandira está com um vestido vermelho chique.

FLÁVIA        —  (Surpresa) Mamãe?

JANDIRA      —  Por que a surpresa filha? Eu apenas vim jantar com vocês!

Closes alternados em todos. Vicente com raiva. Flávia sem saber o que dizer. Enrico sem entender nada. E Murilo continua a comer. Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO 42º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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