Partes de Mim – Capítulo 43

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

CARLITO

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

ISABELITA

JANDIRA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE


CENA 01. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. INT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

ENRICO        —  Desculpe, gente. Mas eu não estou entendendo nada!

JANDIRA      —  Não se preocupe, meu filho. Eu te explico o que tá acontecendo.

FLÁVIA        —  Mamãe!

JANDIRA      —  Deixa eu explicar pro menino o que tá acontecendo, Flávia! Sabe o que é que é menino? É que a Flávia e o Vicente se esqueceram de me avisar que iriam jantar fora.

ENRICO        —  Essa que é a Jandira, pai?

VICENTE      —  É.

ENRICO        —  Muito prazer!

JANDIRA      —  Acredite, o prazer é todo meu.

ENRICO        —  Uma senhora elegante como ela não parece nem um pouco com o que o senhor disse, pai.

JANDIRA      —  Não acredite em tudo que seu pai diz, menino. Ele e eu temos as nossas desavenças como qualquer outra pessoa, mas no fundo a gente se gosta.

VICENTE      —  (Sarcasmo) É. Eu diria bem lá no fundo, no fundo mesmo, sabe? No pré-sal!

Jandira e Vicente trocam olhares e sorrisos debochados.

FLÁVIA        —  Sente-se, mamãe!

JANDIRA      —  (Se senta) Claro. Vocês estão jantando o quê?

FLÁVIA        —  Escalope.

JANDIRA      —  Nossa! Que chique!

ENRICO        —  Garanto que uma senhora como você, elegante não vê nada demais num escalopezinho.

JANDIRA      —  Ah, obrigada pelo elegante!

VICENTE      —  (P/Flávia, cochicha no ouvido dela) O que sua mãe tá fazendo aqui?

FLÁVIA        —  (P/Vicente, cochicha no ouvido dele) E eu é que vou saber, Vicente? Ela deve ter nos seguido!

Vicente olha Jandira que está a olhar pra ele com sorriso debochado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. HOSPITAL. QUARTO. INT. NOITE.

Gael ali deitado desacordado. Marta e Miguel entram acompanhados de uma enfermeira, que sai logo em seguida.

MARTA        —  Ai, meu filho. Você sempre se metendo em encrenca!

MIGUEL        —  Mas a questão é: o que aconteceu dessa vez pra eles terem batido nele?

MARTA        —  Não sei, meu filho. Mas olha como ele está. Cheio de hematomas.

MIGUEL        —  (P/si) Estranho que ele tinha recebido uma ligação. 

MARTA        —  O que você disse, Miguel?

MIGUEL        —  Nada!

Fecha em Miguel ali pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. CASA DE MAZÉ. QUARTO DE JU E ANA. INT. NOITE.

Juliana e Ana sentadas conversando.

ANA              —  Ai… Eu nem sei o que fazer, sabe?

JULIANA      —  Como assim?

ANA              —  Sei lá. Eu ando meio estranha ultimamente.

JULIANA      —  Ainda não entendi.

ANA              —  É que eu sempre foquei na minha carreira e nunca me preocupei em namorar, casar…

JULIANA      —  E o que é que tem?

ANA              —  É que hoje o filho do seu Vicente que morava no exterior voltou ao Brasil e eu senti uma coisa estranha.

Juliana sorrir.

ANA              —  Tá rindo de que, Ju?

JULIANA      —  É obvio que você gostou do filho do chefe!

ANA              —  Não! Não pode ser.

JULIANA      —  Por que não pode ser? Seja feliz, prima! Eu hein! Para de ficar se preocupando! Você tem mais é que gostar de alguém e se jogar! Seja feliz!

ANA              —  Eu sei que deveria, mas não com o filho do meu chefe!

JULIANA      —  Se não for ele, vai ser quem então? Você nunca comentou comigo que tinha se interessado por alguém antes.

ANA              —  É. Se o Enrico quiser alguma coisa comigo, eu vou investir nele!

JULIANA      —  É, mas vê se não vá se iludir demais, hein! Homem nenhum vale o sofrimento de nós mulheres!

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. NOITE.

Alfredo e Rô sentados conversando.

ALFREDO     —  Rosangela, você não pode desistir! Eu sempre deixei claro aos diretores do jornal que eu confiava no seu trabalho!

ROSANGELA—Eu sei, Alfredo. Por isso mesmo que eu não queria tomar tal decisão sem antes vir aqui conversar com você.

ALFREDO     —  Pedido negado! Por mim, você não abandona o cargo na redação.

ROSANGELA—Eu não entendo! Quando era você no comando nada disso acontecia. E eu estou sem o que fazer porque até a diretoria não me apoia! Eu sou rejeitada desde o nível mais baixo até o topo da pirâmide.

ALFREDO     —  Olha, eu não entendo porque a diretoria tá agindo desse jeito. Eu nunca imaginei que eles virariam as costas pra uma pessoa num cargo como aquele de tamanha responsabilidade.

ROSANGELA—É disso que eu tô falando. Entende agora por que eu não consigo entender?

ALFREDO     —  Entendo. Se você quiser eu acho que sei o que fazer.

ROSANGELA—O quê?

ALFREDO     —  Amanhã você vai ver o que é!

CORTA PARA:

CENA 05. HOSPITAL. QUARTO. INT. NOITE.

Marta ali acariciando o rosto de Gael desacordado.

MARTA        —  (P/si) Meu filho… Por que você tem que fazer essas coisas? Poxa, porque você não é como o Miguel, que não faz esse tipo de coisas e nem se mete com gente errada!? Eles poderiam ter te matado!

Miguel entra.

MARTA        —  O doutor falou o quê?

MIGUEL        —  Disse que o Gael está desacordado porque eles deram um sedativo pra ele. É que ele tava muito agitado e sentindo muitas dores.

MARTA        —  Meu Deus!

MIGUEL        —  Então, mãe. O doutor disse que a gente não pode mais ficar aqui! Nós temos que ir embora!

MARTA        —  Não! Eu me recuso a sair de perto do meu filho!

MIGUEL        —  Não há nada que a gente possa fazer, mãe! O melhor é voltar pra casa e amanhã a gente volta e ver como estão às coisas.

MARTA        —  Ah, tá. Então o melhor é fazer isso mesmo.

Os dois saem do quarto. Marta sai aflitíssima. CAM mostra Gael desacordado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. BARRA. RESTAURANTE CHIQUE. INT. NOITE.

Vicente, Flávia, Enrico, Jandira e Murilo ali sentados à mesa socializando. Jandira e Enrico sorrindo, Flávia e Vicente sérios. Murilo agora a jogar no cel.

ENRICO        —  (Sorrindo) Ai, Jandira… Eu não tinha noção que você era tão divertida.

JANDIRA      —  Isso é o que sempre me dizem! Agora eu preciso ir ao toalete. Com licença.

Jandira levanta-se e vai para o toalete.

ENRICO        —  Por que o senhor disse que ela era doida, pai? Ela é superelegante e ainda é divertida.

VICENTE      —  É, talvez eu tenha me enganado redondamente!

FLÁVIA        —  Preciso ir ao toalete também. Licença.

Flávia levanta-se e vai para o toalete. Enrico fica a olhar para o bumbum da mesma, Vicente olha para ver o que o filho tanto olha e Enrico logo desvia o olhar e sorrir sem graça. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. BARRA. RESTAURANTE. TOALETE F. INT. NOITE.

Jandira ali lavando a mão. Flávia entra.

JANDIRA      —  Imaginei que você viria atrás de mim.

FLÁVIA        —  O que a senhora pensa que tá fazendo, hein?!

JANDIRA      —  Como assim, minha filha?

FLÁVIA        —  Não se faça de desentendida que a senhora sabe muito bem do que é que eu estou falando!

JANDIRA      —  Eu não estou fazendo nada demais! Apenas estou jantando com minha família. Ou vocês não são mais a minha família?

FLÁVIA        —  Deixa de bobeira, mamãe! É claro que somos sua família.

JANDIRA      —  Bom ouvir isso. Até porque uma família de verdade não deixaria um membro de fora de um jantar chiquérrimo como esse!

FLÁVIA        —  Mamãe, olha, desculpe. O Vicente não queria que o Enrico tivesse uma má impressão da gente. 

JANDIRA      —  Ah sim. Então eu sou a que envergonha a família, é isso?

FLÁVIA        —  Não, mamãe. Eu não disse isso!

JANDIRA      —  Não diretamente, mas indiretamente você quis dizer isso!

FLÁVIA        —  Desculpa, mamãe. Eu sei que erramos. Mas a senhora deu a volta por cima, hein! Chegou toda chique ao restaurante.

JANDIRA      —  Claro. Quando te excluírem, te jogarem pra escanteio, você dá a volta por cima! E não deixe sempre de ser linda e maravilhosa!

Fecha em Flávia, que dá um sorrisinho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. NOITE.

Karina ali sentada fazendo uma vídeo chamada com sua avó, Isabelita.

KARINA       —  (P/cel.) Ai, vó. Que bom que a senhora aprendeu a mexer no celular.

ISABELITA   —  Não vou mentir pra você não, minha neta. Eu tomei uma surra, mas aprendi.

KARINA       —  Que bom. Assim a gente pode conversar com mais frequência.

ISABELITA   —  Verdade. E a sua mãe?

KARINA       —  Dona Rô? Tá aonde a senhora já imagina!

ISABELITA   —  Não creio! A Rosangela tem que deixar de ser assim!

KARINA       —  Pois é, vó. Eu estava enfrentando diversos dilemas na minha vida e tinha que desabafar com outra mulher, porque minha própria mãe não me dá o mínimo de atenção!

ISABELITA   —  Eu não sei como pode a Rosangela continuar colocando o trabalho antes de você, do Ricardo. Em falar em Ricardo… Ele ainda tá aturando isso?

KARINA       —  (Sorrir) Tá sim.

Ricardo vem do quarto.

RICARDO     —  Falando com quem aí, filha?

KARINA       —  Com avó Isabelita!

Ele se aproxima.

RICARDO     —  (Acena) Oi, dona Isabelita.

ISABELITA   —  Oi, genro querido. Estava agora mesmo falando com a Karina que não sei como você consegue aturar a Rosangela até hoje desse jeito!

RICARDO     —  Olha, dona Isabelita. Eu não vou mentir pra senhora. A Rosangela está cada vez pior. Pra senhora ver. (Mostra o relógio) são quase dez da noite e ela ainda não chegou.

CAM mostra Isabelita ao cel. de Karina meneando a cabeça negativamente reprovando o ato da filha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. NOITE.

Mazé, Juliana e Ana sentadas jantando.

JULIANA      —  Mas mãe, a senhora não pode ficar brigando com o pai desse jeito.

MAZÉ            —  E por que não? O seu pai não faz nada que preste! Eu hein! Ele era pra fazer as coisas aqui em casa.

JULIANA      —  Eu sei, mãe. Mas a verdade é que vocês dois brigam por qualquer coisa.

MAZÉ            —  Qualquer coisa não! É ele que tem esse espírito infeliz da preguiça!

Ju e Ana sorriem.

ANA              —  Olha como a tia Mazé fala. Gente…

MAZÉ            —  O quê? Eu apenas estou falando a verdade.

JULIANA      —  Eu sei. Mas vocês dois precisam fazer as pazes!

MAZÉ            —  Eu não!

JULIANA      —  Mãe, mas e se ele não voltar pra casa?

Ela dá de ombros: “tô nem aí”. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. RIO DE JANEIRO. EXT. AMANHECER.

Takes descontínuos do amanhecer no Rio. Nascer do sol na orla do Leblon. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA.

Gael ali deitado, ele tenta dá uma levantadinha, mas não consegue. Miguel entra.

MIGUEL        —  E aí, cara?

GAEL            —  Fala aí. Valeu mesmo por ontem.

MIGUEL        —  Que nada, cara. Nós somos irmãos. Pode contar comigo pra qualquer coisa!

GAEL            —  Eu sei. Mas é que eu sou a ovelha negra da família e você que é o certinho.

MIGUEL        —  Mas isso não me impede de te ajudar nos piores momentos. E para com esse negócio de ovelha negra. Nós somos gêmeos, mas totalmente distintos no jeito de ser, só isso!

GAEL            —  Mesmo assim obrigado, cara.

MIGUEL        —  Agora você vai ter que me contar o que aconteceu.

GAEL            —  Cara, acredite. Quanto menos você souber é melhor!

MIGUEL        —  Deixa de onda. Eu quero saber o que está acontecendo pra te ajudar! Mas se você ficar fechado, eu não vou poder fazer nada por você.

CORTA PARA:

CENA 12. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali lavando louça do café. Alfredo sentado à mesa a tomar café. Sol vem da sala.

SOL               —  Bom dia, Alfredo!

ALFREDO     —  Bom dia.

SOL               —  Acordou tarde hoje, né?

ALFREDO     —  Pois é. Eu ontem depois de conversar com a Rosangela fiquei preocupado com as coisas na redação.

SOL               —  Ah, tá. Mas eu não vi você sair ontem.

ALFREDO     —  É que a Rosangela veio aqui.

SOL               —  Aqui? Aqui em casa?

ALFREDO     —  É. Eu fui perguntar se podia recebê-la, mas você e sua mãe estavam conversando e eu não quis interromper.

SOL               —  Não, não tem problema algum ter recebido uma amiga. Ela é uma amiga, né?

ALFREDO     —  É sim.

Sol volta para a sala.

ALFREDO     —  (Não entende) O que será que ela quis dizer com amiga? (Sorrir) Tá com ciúmes, é?

CORTA PARA:

CENA 13. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Glória desce a escada. Sol pega sua bolsa e já vai saindo, quando Glória a interrompe arrematando.

GLÓRIA        —  Epa! Tá pensando que vai aonde, você?

SOL               —  Tô dando uma saidinha. Por quê?

GLÓRIA        —  Sim, mas pra onde você vai?

SOL               —  Olha, mamãe eu não deveria dizer. Mas eu sei que se não dizer a senhora vai não vai me deixar em paz. É bem capaz de ficar me ligando. Então… Eu estou indo ao shopping com a Karina.

Ela sai.

GLÓRIA        —  (P/si) Só sai pra gastar! Ganhar que é bom, nada!

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia e Murilo sentados à mesa tomando café. Jandira vem do quarto.

JANDIRA      —  (Feliz) Bom dia, família!

FLÁVIA        —  Bom dia. Nossa! Tá feliz, hein!

JANDIRA      —  Tô! Tô muito feliz mesmo! Ontem o bonitão do Enrico se encantou comigo!

FLÁVIA        —  Mamãe, pelo amor de Deus! Olha o que fala perto do Murilo!

MURILO       —  Não precisa se preocupar comigo que eu preciso pegar um livro que esqueci no meu quarto.

Ele vai para o quarto.

FLÁVIA        —  Mamãe, eu pensei que a gente já tinha conversado sobre o que falar perto do Murilo! Ele só tem dez anos!

JANDIRA      —  Eu sei, filha. Desculpa.

FLÁVIA        —  O Vicente ficou soltando fogo pelas ventas depois que a senhora chegou ao restaurante.

JANDIRA      —  Eu sei. E você acha que eu fui ao restaurante por quê? 

FLÁVIA        —  Onde a senhora arrumou aquele vestido.

JANDIRA      —  Era da esposa de um peguete. Eu estava aqui em frente ao prédio dentro do carro. Eu estava fazendo/

FLÁVIA        —  (Corta) Não precisa ser tão explícita assim! 

JANDIRA      —  Então, eu vi o carro saindo e o mandei seguir vocês.

FLÁVIA        —  Tá, mamãe. O importante agora é que a senhora foi e o Enrico gostou da senhora. Eu não vou menti pra senhora… Fiquei surpresa com a senhora se portando daquele jeito.

JANDIRA        Quando eu quero sei me portar em qualquer lugar!

CORTA PARA:

CENA 15. RUA. BECO. EXT. DIA.

Beco vazio. Marta entra no beco com medo olhando para os lados.

MARTA        —  (P/si) Daqui a pouco vou ser assaltada nessa merda aqui!

Marta vê um homem de costas pra ela. E logo fica grilada. O homem vira-se e está com uma máscara de rato.

RATÃO         —  Então é a madame que queria os nossos serviços?

MARTA        —  Sim, sou eu.

RATÃO         —  E quanto a madame está disposta a colocar a mão no bolso pelos nossos serviços.

MARTA        —  Quanto vocês quiserem! Mas não pode ser nada exorbitante! O importante é que o meu serviço seja executado da melhor maneira possível!

RATÃO         —  Gostei da madame! Curta e grossa. Vai direto ao ponto.

MARTA        —  Comigo é assim. Enrolar pra quê?

RATÃO         —  A madame tem fotos da pessoa?

MARTA        —  Tenho.

Ela tira da bolsa uma foto de Sol conversando com Karina na orla, a mesma que Maria de F. tirou há alguns capítulos atrás.

RATÃO         —  As duas?

MARTA        —  Não. Só a da esquerda. A mais velha.

RATÃO         —  E o que a senhora quer que a gente faça?

MARTA        —  Dê um susto! Mas dê um susto dos bem dados mesmo!

RATÃO         —  Pode deixar!

Fecha em Marta sorrindo malignamente. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 16. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente e Ricardo sentados conversando.

RICARDO     —  Se não fosse você falando eu com certeza não acreditaria! É inimaginável á Jandira um dia se portando bem.

VICENTE      —  Mas pode acreditar, meu amigo. Quando ela chegou eu fiquei com o coração na mão. Não é só por causa do Enrico, mas é porque o ambiente em que estávamos não permite esse tipo de pessoa.

RICARDO     —  É verdade. E o pior é que vexame nesses lugares são sempre lembrados.

VICENTE      —  Pois é. Mas ocorreu tudo bem e o Enrico ainda gostou dela.

RICARDO     —  Quero ver até quando ela vai ficar escondendo a verdadeira identidade dela!

VICENTE      —  Eu também. Mas isso não é o que me preocupa tanto nesse instante!

RICARDO     —  O que mais tá te deixando aflito?

VICENTE      —  O divórcio! Finalmente contatei meu advogado e ele disse que eu vou ter que entrar em comum acordo com a Cristina.

RICARDO     —  Agora eu entendo o motivo da sua preocupação. Cristina é osso duro de roer!

Fecha em Vicente aflito. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Todos ali trabalhando a todo vapor. Alfredo chega à redação.

ALFREDO     —  Bom dia, gente.

FIGURANTES—Bom dia!

Alfredo se aproxima da mesa de Rô. Joana a olhar sem entender nada.

ROSANGELA—(Surpresa) Alfredo? O que você tá fazendo aqui?

ALFREDO     —  Por que o espanto, Rô? Apenas vim fazer uma visitinha.

Joana se aproxima.

JOANA          —  Ai, Alfredo, que bom que você está melhor. Já vai voltar?

ALFREDO     —  Não, Joana. Infelizmente ainda não. Por mim eu voltava agora, mas os médicos disseram que eu ainda não estou 100% pra voltar.

JOANA          —  Que pena, Alfredo. Você faz muita falta nessa redação! Desde que você saiu que as coisas estão fora de controle aqui! Eu sei que a Rosangela é superexperiente, mas, ela ainda não está pronta para assumir um cargo de tamanha responsabilidade como este.

ALFREDO     —  É, Joana, mas eu não tenho absolutamente nada a ver com isso. Foram os diretores do jornal que escolheram a Rô para me substituir.

JOANA          —  Ah sim. Agora deixa eu voltar ao trabalho.

Joana volta a sua mesa.

ROSANGELA—Mas como pode ser tão folgada?

ALFREDO     —  Por isso mesmo que eu estou aqui! Depois da nossa conversa de ontem, eu acho que você tem razão! Pode ser que seja ela armando pra você!

CAM mostra Joana séria a olhar para os dois. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. DIA.

Adriana ali sentada pensativa.

ADRIANA     —  (P/si) Então quer dizer que o Gael tá aprontando de novo? Pra mim isso não novidade nenhuma! Ele sempre foi malucão!

Enrico vem do quarto.

ENRICO        —  O que você faz aqui?

ADRIANA     —  Eu moro aqui!

ENRICO        —  Não é isso que eu estou falando. Você não está cursando arquitetura? (Olha p/ relógio) Há essa hora você deveria estar na faculdade.

ADRIANA     —  Deveria! Mas estou suspensa dois dias e você sabe muito bem disso!

ENRICO        —  Calma. (Debocha) Ah, é… Eu esqueci que você brigou dentro da universidade. (Sorrir) Eu nunca vi duas jovens num ambiente acadêmico tão barraqueiras assim!

ADRIANA     —  É, mas é bem melhor do que ser um pé no saco!

ENRICO        —  Humm… Tá afiada hoje, hein!

ADRIANA     —  Você nem imagina o quanto!

Ele a encara sorrindo debochadamente e sai para a rua.

ADRIANA     —  (P/si) Insuportável esse Enrico!

CORTA PARA:

CENA 19. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes descontínuos da cidade do Rio, com ênfase nas praias de Ipanema, Leblon, Recreio. Todas cheias de banhistas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Juliana ali passando paninho úmido nos móveis. Glória vem da cozinha bebendo suco.

GLÓRIA        —  Você tá diferente.

JULIANA      —  Como, dona Glória?

GLÓRIA        —  Não sei. Mas parece que você não está mais como ontem. Feliz, radiante.

JULIANA      —  Pois é, dona Glória. Eu sei que eu tenho que separar vida pessoal de profissional, mas ontem depois que cheguei do trabalho meus pais tiveram uma briga feia!

GLÓRIA        —  Nossa! Mas por quê?

JULIANA      —  É que minha mãe acha que ele tem que fazer as coisas dentro de casa já       que eu, ela e minha prima trabalhamos fora.

GLÓRIA        —  Ela tem toda razão! Homem gosta de mole mesmo! Na maioria das vezes eles acham que se casaram com empregadas! Total apoio a ela nessa empreitada!

CORTA PARA:

CENA 21. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA.

Miguel, Gael e Marta ali.

MARTA        —  (Preocupada) Ai, filho. Quando o Miguel me ligou dizendo que vocês estavam no hospital eu fiquei muito preocupada.

GAEL            —  Não precisa, mãe. Eu tô bem.

MARTA        —  Graças a Deus! Mas até quando você vai continuar vivendo na sorte, meu filho!?

GAEL            —  (Não entende) Vivendo na sorte? Como assim?

MARTA        —  Você não acha que isso foi sorte não? Você foi sequestrado, não te roubaram e ainda por cima te deixaram com o celular!

GAEL            —  Eu acho que alguém que me odeia mandou fazer isso!

MARTA        —  Mas quem faria uma covardia dessas, meu filho?

GAEL            —  Não sei, mãe! Mas tem muitas pessoas por aí que são capazes de qualquer coisa!

MIGUEL        —  (Sarcasmo) É. São mesmo capazes de qualquer coisa. Até de mandar dar uma lição em alguém que esteja… No modo de ver deles: merecendo.

Fecha em Gael, que não gosta nada do que o irmão disse. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Flávia ali conversando via chamada de vídeo com Renata. 

FLÁVIA        —  Ai, amiga, o pior é que ficou um clima muito chato, sabe?

RENATA       —  Sei. Sei, mas e aí como foi com o filho do Vicente?

FLÁVIA        —  Até que foi legal. Mas o garoto não parava de olhar pra mim!

RENATA       —  (Maliciosa) Ih, amiga. Será que o garoto tá a fim de você, é?

FLÁVIA        —  Vira essa boca pra lá, Renata! Eu sou uma mulher de trinta e poucos. Um jovem de vinte e poucos anos nunca se interessaria por mim. E além do mais, eu estou muito bem com o Vicente!

RENATA       —  Mulher de trinta e poucos, mas gostosíssima, né!

FLÁVIA        —  Renata!

RENATA       —  O que é? Eu estou falando a verdade, ué!

Atenção Sonoplastia: Campainha toca. 

FLÁVIA        —  A campainha tocou aqui, amiga. 

RENATA       —  Tá bom, amiga. Vai lá atender. Tchau!

Ela desliga a chama de vídeo e vai atender a porta. E surpreende-se.

ENRICO        —  Oi, Flávia.

FLÁVIA        —  Enrico? O que você tá fazendo aqui?

ENRICO        —  Eu acho que as coisas ficaram meio estranhas ontem!  Eu acabei de chegar e não quero que nossa relação fique estremecida por causa de um mal-entendido.

Closes alternados nos dois ali se olhando. Rola um clima. Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO 43º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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