Partes de Mim – Capítulo 48

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

JOÃO

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ARMANDO, HOMEM1, PEGUETE DE JANDIRA E ZÓI. 

 

CENA 01. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Todos ali trabalhando. Joana sorridente a arrumar sua nova mesa.

JOANA          —  (P/si) Assim ficou perfeito! Ansiei tanto por esta mesa, esta cadeira. (Senta-se na cadeira e fica rodando) E agora ela é minha.

Rosangela chega da rua.

ROSANGELA —Espero que esteja se divertindo, editora chefe.

JOANA          —  E estou mesmo queridinha. Inveja mata, viu. Olha pra mim e chora!

ROSANGELA —Chorar? Você não merece. A única coisa que você merece é pena!

JOANA          —  Ah, meu amor. Eu tenho certeza que não mais do que você!

ROSANGELA —Ah não?

JOANA          —  Não!

ROSANGELA —Você sabe muito bem que eu sou mais qualificada do que você para sentar nesta cadeira!

JOANA          —  (Debocha) Não é o que vimos nos últimos meses depois do afastamento do Alfredo!

ROSANGELA —Pois é, mas nada tira da minha mente que um certo alguém andou armando por debaixo dos panos para tudo dar errado.

JOANA          —  Não me venha com conversinha mole, Rosangela! Se você não é capaz de assumir um cargo de tamanha responsabilidade como este não tente arrumar culpados pelo seu fracasso!

ROSANGELA —Logo que eu sou fracassada e despreparada… Veremos como você se sairá neste cargo!

Rô vai pra sua mesa e volta ao trabalho.

JOANA          —  (P/si) Ridícula! Se ela tá pensando que vai me desmoralizar, ela está muito enganada! Eu vou tirar essa redação do inferno que ela jogou e a leva-la a glória!

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE MARTA. QUARTO MARTA. INT. DIA.

Marta entra, fecha a porta e arremata.

MARTA        —  (P/si) Como que ele pôde ser tão idiota ao ponto de deixar de usar uma máscara, um toca ninja, alguma coisa…?! E agora mais isso pra me preocupar! Como se já não bastasse o: coitadinha da Sol, do Miguel. Agora tenho que me preocupar com o serviço de porco que aqueles palermas prestaram!

Ela fica ali séria. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Mazé ali ainda digerindo as informações passadas.

MAZÉ            —  (P/si) Não é possível que o Carlito esteja no mundo do crime…. Mas por quê? Por que ele iria se meter nessas coisas?

Ela leva a mão até a cabeça e cambaleia até desmaiar no chão. CAM dá um close nela desmaiada no chão. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Maria de Fátima terminando de preparar uma jarra de suco. Ela distribui o suco em quatro copos. Olha para certificar-se de que não há ninguém e tira do bolso o saquinho de pó e hesita pensativa.  

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 05. CAFETERIA DE LUXO. INT. DIA.

INSERT da cena 13 do capítulo 46

Marta e Maria de F. ali sentadas a conversar.

MARIA DE F.—   Mas você não acha que isso é um pouco demais não?

MARTA          —   Claro que não! Quando se tem o inimigo por perto, você não pode marcar bobeira.

MARIA DE F.—   Mas aí já é maldade demais.

MARTA          —   O que está acontecendo com você, Maria? Não foi você que voltou há meses atrás disposta a acabar comigo? Queria porque queria vingança e agora tá aí hesitando em fazer uma coisa simples!

MARIA DE F.—   Ah, claro. A coisa mais simples do mundo é envenenar alguém para ficar cego!

MARTA          —   Fala baixo! Quer que toda a cafeteria escute!? E outra, você está sendo paga. Aliás, muito bem paga por sinal!

MARIA DE F.—   Tá, e como seria isso?

Marta tira da bolsa um saquinho com pó branco e passa a Maria de F.

MARTA          —   Guarda isso rápido!

MARIA DE F.—   É isso aqui que eu vou ter que colocar na bebida dela?

MARTA          —   Isso, mas dê um jeito de fazer isso sem que ninguém perceba que é você!

MARIA DE F.—   Pode deixar!

Fecha em Marta ali maligna. Instantes. Tensão.

Fim do insert.

CORTA PARA:

CENA 06. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Continuação da cena 04. Maria de Fátima ali ainda pensativa. Juliana vem da sala e arremata.

JULIANA      —  A dona Glória está esperando o suco!

Ela assustada guarda no bolso o saquinho de pó.

JULIANA      —  O que você tem aí?

MARIA DE F.—  (Nervosa) Nada!

JULIANA      —  Como: nada? Eu cheguei aqui e você logo escondeu o que tinha na mão.

MARIA DE F.—  (Áspera) Não era nada demais, tá, Juliana?

JULIANA      —  Tá bom. Também não precisa ser grossa!

MARIA DE F.—  Desculpe. É que eu não tô muito bem hoje.

JULIANA      —  É, percebe-se. Desde que você chegou que tá agindo estranho.

MARIA DE F.—  (Muda de assunto) Melhor levar o suco da dona Glória antes que ela venha atrás.

Ela pega a bandeja e vai para a sala. Juliana permanece ali desconfiada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 07. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Glória, Bruna e João ali sentados. 

BRUNA         —  Dona Glória, a senhora tem certeza que eles foram mesmo a Delegacia? Eles estão demorando muito.

GLÓRIA        —  Calma, Bruna. Essas coisas demoram mesmo. E você, garoto? Não disse uma palavra desde que chegaram.

BRUNA         —  É que o João é um pouco vergonhoso.

GLÓRIA        —  Ah, mas não precisa não! Querendo ou não, a Bruna e eu agora temos um laço em comum.

BRUNA         —  Pois é. Já que meu pai veio morar aqui…

JOÃO            —  Bonita casa da senhora.

GLÓRIA        —  Obrigada! Eu acho que ele iria gostar mais da piscina, né, Bruna?

BRUNA         —  É, pode ser que ele goste.

GLÓRIA        —  Leve-o até lá então, menina.

BRUNA         —  Você quer ir João?

JOÃO            —  Claro.

BRUNA         —  Então vamos.

Os dois sobem a escada.

GLÓRIA        —  (P/si) Como é difícil fazer sala pra essa menina! Na mesma hora em que parece está tudo bem ela coloca o fato do pai dela está morando aqui. Ela não consegue aceitar o Alfredo ter vindo morar aqui ao invés de voltar pra casa!

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Renata e Flávia ali sentadas.

RENATA       —  Sabe, as vezes eu fico pensando: será mesmo que o Alfredo e eu temos mesmo jeito?

FLÁVIA        —  Claro que tem amiga. Por que essa dúvida a essa altura do campeonato?

RENATA       —  Sei lá! Depois que ele foi morar na casa da ex dele eu fiquei ainda mais insegura com o nosso casamento.

FLÁVIA        —  Mas você sabe que é a culpada disso, né?! Se você não tivesse dado o tal tempo no casamento de vocês, nada disso estaria acontecendo agora.

RENATA       —  Verdade. Eu só fiz reclamar desde então, mas a culpada disso tudo sou eu. Por isso mesmo que eu tenho que dar um jeito de reconquistar o Alfredo.

FLÁVIA        —  Bom, eu não sei como você pode fazer isso, mas já te dou total apoio!

RENATA       —  Desde que você chegou que eu só tenho falado de mim. Nem te perguntei como vão as coisas com o filho do Vicente.

FLÁVIA        —  Tudo na mesma! Mas pelo menos parece que ele desistiu de mim. Faz umas semanas que eu não sei o que é o desconforto de ter que habitar o mesmo ambiente que ele.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Jandira entra se agarrando com seu peguete. Os ficam no sofá no maior amasso.

JANDIRA      —  Espera aí, cara. A Flávia pode estar em casa.

PEGUETE     —  Tomara que ela não esteja. Por que aí nós vamos experimentar aquela posição nova, hein? Que tal?

JANDIRA      —  Quantas você quiser! Mas antes que preciso saber se a Flávia está em casa ou não. (Chama) Flávia? Flávia, você tá em casa?

PEGUETE     —  Pelo jeito estamos sozinhos!

JANDIRA      —  Até a empregada tá de folga hoje. Então vamos fazer gostoso sem correr risco!

Eles voltam a se beijar intensamente e caem no sofá, aonde continuam com os amassos. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Sol ali sentada pensativa. Alfredo se aproxima. 

ALFREDO     —  Te procurei por todo canto. Olha, eu queria me desculpar por ter precipitado as coisas.

SOL               —  Que bom que você sabe que é isso que você fez.

ALFREDO     —  Desculpa! Eu tenho que respeitar o seu espaço.

SOL               —  Ah, que bom que você finalmente entendeu isso! Não tem porque você continuar insistindo! Se eu realmente quisesse que a nossa relação retornasse, você não acha que eu mesmo já teria tomado a iniciativa?

ALFREDO     —  Então você tá querendo dizer que não sente mais nada por mim?

Ela fica desconfortável e não responde.

ALFREDO     —  Fala, Sol! Eu preciso saber se estou perdendo tempo ou não!

SOL               —  Tá, Alfredo! A verdade é que eu ainda gosto de você, mas há tantos empecilhos no nosso caminho que eu fico sem saber o que fazer.

ALFREDO     —  Tudo bem. Pelo menos agora eu sei o que você sente. Eu vou voltar, você ainda vai ficar?

SOL               —  Sim. Eu preciso espairecer mais. Voltar pra casa com a mamãe falando na minha cabeça não tem a menor condição de se pensar em nada!

ALFREDO     —  Tudo bem. Então até mais.

SOL               —  Até!

Ele vai caminhando e Sol fica olhando-o se afastar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta vem do quarto descontraída e ao ver Mazé ali desmaiada no chão, corre para ajudá-la. 

MARTA        —  (Assustada) Mazé! Mazé acorda, Mazé! Ai meu Deus do céu! (Chama) Miguel! Miguel!

Ela acorda meio zonza.

MAZÉ            —  (Faz careta de dor) Ai, que dor de cabeça!

MARTA        —  Graças a Deus você acordou, Mazé! O que aconteceu? Você tá bem?

MAZÉ            —  Não foi nada demais não dona Marta. Acho que foi uma queda de pressão.

MARTA        —  Então venha. Vou te ajudar a sentar no sofá.

Marta a coloca sentada no sofá.

MARTA        —  Não sai daí que eu vou pegar aquele aparelho de pressão.

Marta vai para o quarto.

MAZÉ            —  (P/si) O Carlito é um bandido! Como eu não desconfiei todos esses anos? Dormindo com o bandido sem saber.

Marta volta com o aparelho e já o coloca no braço de Mazé. 

MARTA        —  Você costuma desmaiar assim?

MAZÉ            —  Não! Tantos anos de trabalho nesta casa e eu nunca havia desmaiado.

MARTA        —  Estranho. Muito estranho isso. Tem muito tempo que você não faz exames?

MAZÉ            —  E pobre vai fazer exames com que dinheiro, dona Marta? Pobre só trabalha pra comer. Tô com meu muro pra embolsar e até hoje não conseguir.

O aparelho apita e Marta o tira do braço de Mazé.

MARTA        —  É. Tá baixa a sua pressão mesmo. Vou pegar um pouco de sal pra você colocar debaixo da língua. Pelo menos dizem ser bom.

Ela vai para a cozinha.

MAZÉ            —  (P/si) Quem diria que depois de anos cuidando desta família, a dona Marta iria se preocupar comigo assim.

CORTA PARA:

CENA 12. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali organizando algumas papeladas. Adriana entra furiosa já arrematando. 

ADRIANA     —  Que história é essa de eu não ter passado no processo seletivo?!

VICENTE      —  Antes de mais nada… Que tom de voz é esse que você está usando comigo? Eu sou seu pai!

ADRIANA     —  Será que é meu pai mesmo? Um pai jamais deixaria a própria filha de fora e privilegiar os outros filhinhos de empregados!

VICENTE      —  Dobre a sua língua antes de falar qualquer besteira! E saiba que esse processo seletivo foi o mais transparente possível!

ADRIANA     —  Mas pra que isso, gente? O senhor praticamente me desmoralizou perante os demais!

VICENTE      —  Se você não era qualificada o suficiente pra passar no processo seletivo, eu não posso fazer nada! 

ADRIANA     —  Nunca imaginei que ouviria isso saindo da boca do senhor! Depois que saiu de casa não tá nem aí pra mais ninguém!

VICENTE      —  Isso não é verdade! Você é minha filha e eu me preocupo com você sim! Mas desde o exato momento em que você acha que só porque é filha do dono, que vai ter alguma vantagem você está completamente enganada! Essa construtora foi erguida com transparência! E Justa com todos os funcionários independentemente de nível hierárquico!

ADRIANA     —  (Grita, furiosa) Que ódio! Ódio!

Ela sai e bate à porta violentamente.

VICENTE      —  (P/si) Mimadinha demais pro meu gosto! Se ela não chegou ao nível dos demais candidatos, eu que não posso ser injusto só por ela ser minha filha!

CORTA PARA:

CENA 13. CONSTRUTORA MACEDO. SALA RICARDO. INT. DIA.

Ricardo ali pensativo, feliz. Ana entra e arremata.

ANA              —  Ricardo do céu… Você ouviu o piti da filhinha do dono?

RICARDO     —  Ouvi. Essa menina é escandalosa demais, hein! Desnecessário isso tudo! Mas você sabe o motivo para tal escândalo?

ANA              —  Ela não passou no processo seletivo e ficou furiosa.

RICARDO     —  (Sorrir) Não brinca. Já a Karina é só felicidade. Ela começa semana que vem.

ANA              —  Mas a sua filha é muito mais do que a outra que se acha a dona do pedaço.

RICARDO     —  Querendo ou não ela é a futura dona disso tudo aqui, né, Ana?

ANA              —  Misericórdia! Eu que não quero mais estar aqui quando essa época chegar!

RICARDO     —  (Sorrir) Pelo jeito ela estava confiante pela construtora ser da família dela.

ANA              —  Primeiro que isso já deveria ser proibido! Se ela não for bem no estágio obviamente eles vão falar super bem da filha.

RICARDO     —  Não o Vicente! Ele é justo! 

ANA              —  É o único, né! Se dependesse da Cristina, a Adriana seria a primeira a passar! Mas eu não a crucifico não. A dona Cristina é super arrogante! Por que a filha não seria?

RICARDO     —  Pois é, mas mesmo assim ainda é desqualificada!

Os dois sorriem da situação. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. PRÉDIO DE FLÁVIA E RICARDO. FRENTE. EXT. DIA.

Miguel vem caminhando e olhando para o cel. ele para em frente ao prédio. CAM detalha a tela do cel. com as imagens dos recortes de jornal. 

MIGUEL        —  (P/si) Eu preciso conversar com alguém sobre isso antes que eu exploda por guardar isso só pra mim! Bem que eu poderia conversar sobre isso com a Karina, mas será que ela me receberia? É claro que não, né idiota!? Despois de tudo que aconteceu não tenho nem cara pra falar com ela!

CORTA PARA:

CENA 15. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Maria de Fátima ali a varrer em volta da piscina.

MARIA DE F.— (P/si) Preciso tomar mais cuidado! Se a Juliana me ver mais uma vez ela vai desconfiar! Ela é tão novinha pra virar um alvo nesta casa! Como se já não bastasse a Sol e agora a dona Glória. Mas a nojenta da Glória é por minha conta mesmo. 

Atenção Sonoplastia: Ela pega o cel. do bolso e arremata.

MARIA DE F.—  (P/si) O que será que a Marta quer agora, hein? (Ao cel.) Fala.

MARTA        —  (OFF) Como é que estão as coisas por aí?

MARIA DE F.—  (Ao cel.) Quase fui pega pela Juliana com o pó, mas conseguir contornar a situação.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 16. APART DE MARTA. QUARTO MARTA. INT. DIA.

Marta ali em pé a falar ao cel.

MARTA        —  (Ao cel.) Você só pode ter ficado maluca! Eu falei pra você dar um jeito de fazer sem que ninguém desconfie e você vai lá e faz tudo errado! Tá querendo afundar o barco mais naufragado do que já está?

MARIA DE F.—  (OFF) Fique tranquila que eu vou tomar mais cuidado. Mas por que você está falando isso? Algo deu errado aí?

MARTA        —  (Ao cel.) Tudo! Contratei aqueles dois palermas para fazerem aquele serviço de assustar a Sol e os dois idiotas não usaram nada para tapar o rosto! Agora a polícia tem a cara do Carlito em tudo quanto é jornal!

MARIA DE F.—  (OFF) Mas isso não vai sobrar pra você não, né?

MARTA        —  (Ao cel.) Claro que não! Quem conseguiu se manter invicta por vinte anos consegue passar mais essa! Mas eu te liguei justamente por isso. Eu quero que você fique de olho aí na casa. Tenta descobrir o que a polícia sabe até agora.

MARIA DE F.—  (OFF) Tá bom, Marta. Qualquer novidade eu te ligo!

Ela desliga.

MARTA        —  (P/si) Eu não vou em cana por causa da idiotice daqueles dois! Mas não vou mesmo!

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 17. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Karina ali a digitar no notebook. Atenção Sonoplastia: a campainha toca.

KARINA       —  Já vai! (Ela abre a porta e surpreende-se) Miguel? O que você está fazendo aqui?

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 18. BECO. EXT. DIA.

Carlito sério se aproxima de Zói e Homem1 e arremata. 

ZÓI                —  Que cara é essa, chefe? Nem parece aquele que estava feliz no Leblon com o plano da joalheria.

CARLITO      —  (Pega Zói pela blusa) Você perdeu a noção do perigo, é?

ZÓI                —  Que isso, chefe?

HOMEM1      —  Não precisa disso não.

CARLITO      —  Por que você deixou a gente dar um susto nas madames do Leblon sem usar uma touca ou uma máscara?

ZÓI                —  Porque eu esqueci.

CARLITO      —  É? E pelo seu e o meu esquecimento nós agora estamos com as caras estampadas em todos os jornais do Rio.

ZÓI                —  Mas como assim, chefe?

CARLITO      —  Parece que uma Câmera de segurança filmou tudo!

ZÓI                —  Eu não quero voltar pra cadeia!

CARLITO      —  Então faça como eu! Fuja sem deixar rastros.

ZÓI                —  Você vai pra onde, chefe? Eu posso ir também?

CARLITO      —  Claro que não! Com as nossas caras por aí o quanto menos andarmos juntos será melhor! E vocês dois fiquem atentos que mesmo não estando aqui fisicamente eu vou continuar ajudando Ratão Máster.

Carlito vira as costas e vai se afastando.

HOMEM1      —  Como vocês puderam esquecer de tapar o rosto?

ZÓI                —  Ah, e eu que tinha que pensar em tudo? Claro que não! O braço direito de Ratão Máster é ele, não eu!

HOMEM1      —  Cara, eu tô muito curioso pra saber desse Ratão Máster.

ZÓI                —  Mas você sabe que ele nunca apareceu, né?

HOMEM1      —  Por isso mesmo. O único que poderia nos falar sobre isso é o Armando. Ela sabia mais do Ratão Máster do que a gente.

ZÓI                —  Ele até podia ajudar nós, mas o cara sumiu!

HOMEM1      —  O chefe disse que ele desistiu dessa vida e foi embora pro Espírito Santo.

ZÓI                —  (Debocha) O cara mora no Espírito Santo e me vem pro Rio ser ladrão… O espírito é santo mesmo?

Os dois ficam ali sorrindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Continuação não imediata da cena 17. Miguel ali sentado. Karina vem da cozinha com um copo d‘água para Miguel, que bebe tudo.

KARINA       —  Pronto, agora que você já está hidratado, será que tem como você me dizer o que está fazendo aqui?

MIGUEL        —  Karina, eu sei que te procurar depois de tudo que nós passamos não é certo, mas eu não posso ficar com isso só pra mim.

KARINA       —  (Não entende) Como assim, Miguel? Do que é que você está falando?

Ele tira o cel. do bolso e dá a Karina.

MIGUEL        —  Disso!

Ela olha as informações.

KARINA       —  Tá, mas isso aqui são recortes de jornais antigos.

MIGUEL        —  Sim. Mas o que isso está fazendo nas coisas da dona Marta?

KARINA       —  Sei lá. Vai que ela coleciona recortes de jornais…?

MIGUEL        —  Mas se fosse apenas uma coleção, teriam outras manchetes além do roubo desses bebês.

KARINA       —  É, realmente é estranho isso. Mas o que você quer me mostrando isso?

MIGUEL        —  Eu trouxe porque precisava mostrar isso para mais alguém.

KARINA       —  Se é só isso por que não mostrou a Adriana?

MIGUEL        —  Você é a pessoa em quem eu mais confio! Depois disso, nem minha mãe é mais confiável!

CORTA PARA:

CENA 20. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE REUNIÃO. INT. DIA.

Enrico ali senado pensativo.

ENRICO        —  (P/si) Ai Karina… Você é tão legal. Difícil de acreditar que ela existe mesmo! Normalmente, todas são como a ridícula da Adriana. Mas não… Você, Karina é diferente. É linda, agradável… Será que eu tô mesmo gostando dela? Não.. Eu acabei de conhecer ela. Mas a verdade é que eu me encantei por ela. Linda!

Ele olha para uma cadeira que está fora da mesa e percebe a garrafinha de água da Karina. Ele aproxima-se do objeto, pega-o e arremata.

ENRICO        —  (P/si) Essa é a garrafinha dela.

Insert Flash da cena 18 do capítulo 47 de Karina com a garrafinha.

ENRICO        —  (P/si) Sim, é dela mesmo! Preciso descobrir onde ela mora.

Ele sai da sala de reunião com a garrafinha.

CORTA PARA:

CENA 21. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Bruna e João ali sentados nas espreguiçadeiras.

JOÃO            —  É muito lindo e romântico essa vista aqui.

BRUNA         —  É linda sim. Agora, romântica só você que tá vendo isso.

JOÃO            —  O que você tem, Bruna? Tá aí calada desde que subimos.

BRUNA         —  Não tô nada feliz com a saída do meu pai com essa mulher.

JOÃO            —  O que você tem contra essa mulher, hein?

BRUNA         —  Ela é a responsável pela separação dos meus pais.

JOÃO            —  Mas você tem certeza disso?

BRUNA         —  Claro que tenho! Ela foi namorada do meu pai. A mãe dela aproveitou da fragilidade do meu pai no hospital convidando-o pra morar aqui só pra filha dela ficar com ele de novo!

JOÃO            —  Nossa! Tô surpreso agora. Quem vê você e a dona Glória conversando como estavam lá embaixo, pensa que vocês duas se são super bem.

BRUNA         —  Ela pode até ir com a minha cara, mas eu não vou com a dela!

JOÃO            —  Então você tá vivendo de aparência?

BRUNA         —  Claro! Meu pai tem que pensar que eu me dou super bem com esse povo pra não pensar que minha mãe tá colocando coisa da minha cabeça.

JOÃO            —  Bem maquiavélica você, hein!

BRUNA         —  Já tenho tudo esquematizado!

Fecha em João surpreso. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. ESTRADA DE TERRA. INT. DIA.

Carlito ali ao volante.

CARLITO      —  (P/si) Preciso desaparecer até a poeira abaixar. Imagina como a nega vai reagir quando ver a cara o marido dela estampada no jornal. E a Juliana então…? Não queria dar esse desgosto pra minha filha, mas enfim, acontece! Fazer o quê? De hoje em diante minha nova casa será por aqui mesmo.

CORTA PARA:

CENA 23. PRÉDIO DE SOL. FRENTE. EXT. DIA.

Gael e Juliana ali de pé conversando.

JULIANA      —  Quando você ligou dizendo que estava aqui embaixo e queria conversar eu fiquei surpresa.

GAEL            —  É que tem tantas coisas acontecendo, sabe? Aí eu pensei em te ver.

JULIANA      —  É, mas você sabe que não pode vir até aqui porque senão eu corro o risco de perder o meu emprego, né?

GAEL            —  Eu sei. Só vim aqui mesmo porque eu tenho a necessidade de conversar contigo.

JULIANA      —  Mas então diga lá o que está te deixando desse jeito.

GAEL            —  Olha, a coisa é bem complica então eu não posso te contar tudo. Apenas algumas partes.

JULIANA      —  Você só pode estar de brincadeira, né, Gael?! Você interrompe o meu sérvio, se alguém me pega aqui conversando contigo eu corro o risco de ficar desempregada e você não pode contar o que é?

GAEL            —  Tenta me entender, Ju. É um caso complicado que eu não posso sair contando pra todo mundo.

JULIANA      —  Então vai, Gael. Fala que eu não tenho muito tempo.

GAEL            —  O que você faria se seus amigos ficassem te pedindo favores?

JULIANA      —  Fazer um favor para um amigo não é nada demais.

GAEL            —  É, mas e quando isso te deixa desconfortável?

JULIANA      —  Aí é só não fazer, ué!

GAEL            —  Mas e se o buraco for mais embaixo? E se a pessoa pudesse lhe prejudicar de alguma forma?

JULIANA      —  Você está sendo chantageado, Gael?

GAEL            —  Não. Claro que não.

Alfredo aproxima-se.

ALFREDO     —  Juliana, o que você tá fazendo aqui fora?

JULIANA      —  Ai Jesus! É agora que eu perco o meu emprego.

ALFREDO     —  Não. Pode ficar tranquila que eu não vou falar nada com ninguém, mas eu sugiro que você suba antes que a Glória lhe pegue aqui embaixo.

JULIANA      —  Pode deixar, Alfredo.

ALFREDO     —  Como vai, garoto?

GAEL            —  Tudo bem.

Alfredo o encara por um instante e entra no prédio.

JULIANA      —  Olha, Gael. Eu abordaria te ajudar, mas agora não dá. Me liga depois e a gente marca alguma coisa pra conversar. Pode ser?

GAEL            —  Pode.

Ela o beija e entra no prédio.

GAEL            —  (P/si) Cara mais estranho! Ficou me encarando.

CORTA PARA:

CENA 24. BARRACÃO VELHO. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental suspense entra aqui.

CAM mostra um homem amordaçado, mas não deixa seu rosto evidente. Corta para a porta do barracão: um homem entra e a CAM vai seguindo seus passos até aproximar-se do homem amordaçado. CAM mostra que o homem trata-se de ARMANDO. Ele acorda assustado e ao ver o homem, grita.

ARMANDO   —  (Grita) Me tira daqui seu desgraçado! Me tira daqui!

CAM revela o rosto de Carlito, que está a sorrir. Closes alternados em Armando e Carlito. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 48º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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