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Partes de Mim – Capítulo 49

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ALFREDO 

BRUNA

CARLITO

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOÃO

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MIGUEL

RICARDO

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ARMANDO, JOVEM, PEGUETE DE JANDIRA. 


CENA 01. BARRACÃO VELHO. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

CARLITO      —  Nossa! Mas isso lá é jeito de receber um amigo?

ARMANDO   —  Amigo? E você acha que um amigo faz isso com o outro?

CARLITO      —  Faz. Faz sim. Desde o exato momento em que você descobre o que não deveria e pode colocar planos de toda uma vida em risco. Convenhamos que alguma ação deve ser tomada.

Fecha em Armando com ódio nos olhos. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Alfredo e Juliana chegam da rua.

JULIANA      —  Ai seu Alfredo… O senhor jura mesmo que não vai falar nada pra dona Glória?

ALFREDO     —  Eu já não falei que eu não vou falar nada, Juliana. Fique calma.

Glória vem da cozinha.

GLÓRIA        —  Ah… Então, Juliana quer dizer que você sai sem ao menos dizer aonde vai?

JULIANA      —  Eu só fui até a portaria.

GLÓRIA        —  Fazer o quê?

JULIANA      —  Eu fui… Eu fui…

ALFREDO     —  Eu que pedi pra ela me encontrar na portaria.

GLÓRIA        —  Mas pra quê?

ALFREDO     —  Ai, Glória você pergunta muito.

GLÓRIA        —  Tudo bem então. Vá cuidar dos seus serviços, Juliana.

JULIANA      —  Sim, senhora. Com licença.

Ela vai para a cozinha.

GLÓRIA        —  Cadê a Sol, Alfredo? Vocês me saem juntos e agora só você voltou?

ALFREDO     —  A Sol ficou na orla dando uma espairecida.

GLÓRIA        —  Eu não sei o que tanto a Solange ver naquela orla. Enquanto não acontecer uma desgraça ela não para. (Lembra) Ah, Alfredo… Já ia me esquecendo. A Bruna tá lá na cobertura.

ALFREDO     —  Que bom que ela veio.

GLÓRIA        —  E trouxe um namoradinho com ela.

ALFREDO     —  Provavelmente deve ser o João, amigo dela.

GLÓRIA        —  Amigo, mas até que os dois formam um casal simpático.

ALFREDO     —  Ele é um bom menino, mas a Bruna não gosta dele. Deixa eu ir lá falar com eles. 

Alfredo sobe a escada.

CORTA PARA:

CENA 03. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali a beber um copo d’água. Maria de F. vem do quartinho de empregada.

MARIA DE F.—  Ah apareceu. Aposto que a chata da dona Glória estava pedindo pra você fazer alguma coisa absurda.

JULIANA      —  Não dê uma de que não sabe… 

MARIA DE F.—  Como assim, Juliana?

JULIANA      —  Aposto que foi você que me viu sair e falou pra ela, não foi?

MARIA DE F.—  Claro que não. Eu fiquei nesta cozinha o dia inteiro.

JULIANA      —  Para de mentir, Maria!

MARIA DE F.—  Olha, eu tenho a consciência de que não falei nada pra ninguém. Agora, fica a critério seu acreditar ou não!

Maria vai para a sala.

JULIANA      —  (P/si) Não adianta vir com esse papinho não. Eu sei muito bem que ela quer me ferrar!

CORTA PARA:

CENA 04. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente e Ricardo ali numa reunião.

VICENTE      —  Então tem algo errado, Ricardo. Não é possível que isso esteja acontecendo.

RICARDO     —  Foi exatamente o que eu pensei! É impossível o resultado da construtora ser tão diferente de um mês para o outro.

VICENTE      —  Sim, e você como diretor financeiro tem que investigar isso direito.

RICARDO     —  Pode deixar.

Enrico entra na sala.

ENRICO        —  Eu não sabia que vocês estavam em reunião.

VICENTE      —  Estávamos. Acabamos agora

RICARDO     —  Bom, então deixa eu ir, que tenho que investigar isso aqui mais a fundo. Pode ser um erro de cálculo.

VICENTE      —  Torcemos para que seja isso mesmo.

ENRICO        —  Espera aí, Ricardo. Desde que eu cheguei a gente não conversou direito.

RICARDO     —  (Não entende) Ah é?

ENRICO        —  Claro. Eu queria saber mais do diretor financeiro desta empresa. Quero conhecer o cara que ajuda a manter essa construtora de pé nas finanças. Onde você mora? Tem filhos? Quantos?

VICENTE      —  (Sorrir) Que isso, Enrico? Aí você já tá querendo saber a vida pessoal do Ricardo.

RICARDO     —  (Sorrir) Deixa, Vicente. Sim, eu tenho uma filha. Ela inclusive estava aqui no processo seletivo. Karina, o nome dela. E eu moro no mesmo prédio em que a construtora possui um apartamento.

ENRICO        —  Ah sim. Muito bom saber. Obrigado, Ricardo.

RICARDO     —  (Sorrir, sem entender) De nada.

Ricardo sai e fecha a porta.

ENRICO        —  Mas esse apartamento ao qual ele se referiu fica no mesmo prédio em que a Flávia mora?

VICENTE      —  Sim, mas será que agora você pode me explicar o porquê desse monte de perguntas ao Ricardo?

VICENTE      —  Agora não vai dar, pai. Eu tenho que sair.

Ele sai apressado.

VICENTE      —  (P/si) Esse Enrico não tem jeito. Vá entender o que ele queria sabendo da vida do Ricardo.

CORTA PARA:

CENA 05. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Alfredo, Bruna e João ali sentados nas espreguiçadeiras.

ALFREDO     —  Pensei que você já tinha esquecido de mim, filha.

BRUNA         —  Nunca! Por que o senhor tá falando isso?

ALFREDO     —  Ah, sei lá.

BRUNA         —  Pai, não precisa se preocupar. Minha mãe mais do que ninguém é a que está me incentivando a vir aqui.

JOÃO            —  Desculpa me intrometer, mas a Bruna está falando a verdade. Eu vi a dona Renata mandando ela vim ver o senhor.

ALFREDO     —  Que bom. Eu também quero manter uma relação de amizade com a sua mãe. Até porque nós temos algo em comum.

BRUNA         —  O quê?

ALFREDO     —  Você. Manter uma saudável relação quando se tem um filho no casamento é essencial.

CORTA PARA:

CENA 06. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Miguel ali sentado. Karina se levanta já arrematando.

KARINA       —  Miguel, você está indo longe demais com tudo isso!

MIGUEL        —  Não, Karina, não estou!

KARINA       —  Isso pode ser uma inofensiva coleção de recortes de jornais sobre o roubo de bebês.

MIGUEL        —  Do jeito como você fala até parece que isso é a coisa mais normal do mundo! Mas não é!

KARINA       —  Tá, suponhamos que isso tenha algum significado… O que você acha que esses recortes de jornais representam?

MIGUEL        —  Sei lá! A verdade é que eu não sei o que pensar!

KARINA       —  Ah bom, pensei que você estava achando que vocês eram fruto do roubo.

MIGUEL        —  Se bem que essa é uma hipótese que eu não posso descartar.

KARINA       —  Larga de ser maluco, Miguel! O que te faz pensar que sua mãe, a mulher que te trouxe ao mundo seria capaz de fazer uma atrocidade dessas?

MIGUEL        —  Não sei! Eu tô muito confuso com tudo isso!

KARINA       —  Então trate de colocar a cabeça no lugar antes de ficar imaginando essas loucuras!

Fecha em Miguel ali confuso. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Glória ali pensativa. Maria de F. vem da cozinha e vai subir a escada, quando Glória a impede.

GLÓRIA        —  Maria, vem aqui, por favor.

MARIA DE F.—  Pois não, dona Glória?

GLÓRIA        —  Você por acaso sabe aonde a Juliana foi?

MARIA DE F.—  Não, senhora. Eu fiquei na cozinha o dia todo.

GLÓRIA        —  Ah sim. Eu queria que você me ajudasse com uma coisa.

MARIA DE F.—  O quê? Pode falar.

GLÓRIA        —  Quero que você fique de olho nessa Juliana.

MARIA DE F.—  Mas por que, dona Glória? A Juliana é uma menina tão certinha.

GLÓRIA        —  Era o que eu também achava. Mas uma pessoa que sai no meio do expediente, tá pedindo pra arrumar encrenca com a dona da casa.

MARIA DE F.—  Mas dona Glória, eu não quero trair a confiança da Juliana.

GLÓRIA        —  É justamente pra ajudar ela que eu estou lhe pedindo esse favor. Eu quero que você me avise caso ela cometa algum ato que não deveria ser tomado porque eu quero que ela se mantenha nesta casa. A Sol vai muito com a cara dessa menina. Cá entre nos… Eu não queria que ela tivesse sido contratada, mas a Sol ouve alguém…?

MARIA DE F.—  Tá bom, dona Glória. Pode deixar que qualquer coisa eu falo com a senhora.

GLÓRIA        —  Faça isso.

Maria sobe a escada e Glória permanece ali séria.

CORTA PARA:

CENA 08. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Maria de F. sai da casa e começa a varrer o chão, disfarçando para ouvir o que Alfredo está a conversar com a filha e o amigo.

MARIA DE F.—  (P/si) Preciso ouvir alguma coisa sobre o tal roubo se não a Marta me mata.

BRUNA         —  Então, pai. Assim que chegamos a dona Glória disse que o senhor estava na delegacia com a Sol. Aconteceu alguma coisa?

ALFREDO     —  Bom, filha. Eu acompanhei a Sol porque a Glória não pôde ir. Mas nós fomos até lá para a Sol reconhecer o homem nas imagens das câmeras de segurança.

BRUNA         —  Ah, tá.

JOÃO            —  Esse Rio de Janeiro está perdido mesmo, né, seu Alfredo?

ALFREDO     —  Pois é, João. E agora a polícia está atrás dos bandidos.

BRUNA         —  Tomara que eles sejam pegos!

Maria de F. volta para dentro da casa atraindo a atenção dos três que ficam sem entender.

BRUNA         —  Nem vi que essa empregada tava próximo da gente.

ALFREDO     —  Não liga não. Ela só tava fazendo o serviço dela.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada pensativa. 

Atenção Sonoplastia: cel. de Marta começa a tocar. 

MARTA        —  (P/si) Espero que esteja ligando por um motivo relevante. (Ao cel.) Fala.

MARIA DE F.—  (OFF) Dei uma sondada aqui pela casa e ouvi o Alfredo comentando que a Sol foi a delegacia reconhecer os bandidos.

MARTA        —  (Ao cel.) Mas só isso?

MARIA DE F.—  (OFF) Pelo que eu ouvi é só isso. Por enquanto ninguém sabe que foi você que mandou roubar a Sol!

MARTA        —  (Ao cel.) Larga de ser idiota! Quer me queimar, fala logo cacete! Cuidado com o que você fala! Não se esqueça que se eu cair, você também cairá!

MARIA DE F.—  (OFF) Há controvérsias, querida! Mas voltando ao assunto…. Eu acho que você deveria ligar para eles e ver como estão as coisas.

MARTA        —  (Ao cel.) Porque eu perderia o meu tempo? A essa altura eles devem ter sumido no mapa.

MARIA DE F.—  (OFF) Mas mesmo assim não custa nada você procurar saber.

MARTA        —  (Ao cel.) É. Por um lado até que você tem razão. Se eles baterem com a língua nos dentes, eu tô ferrada. Continue a investigar e qualquer novidade me avisa, hein! Agora eu preciso ver isso o quanto antes.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 10. BARRACÃO VELHO. INT. DIA.

Armando ali amarrado. 

ARMANDO   —  Cadê aquele desgraçado? (Grita) Alguém me ajuda! Socorro!

Carlito entra com duas quentinhas.

CARLITO      —  Ai, Armando. Olhar pra você aí neste estado deplorável dar até pena, sabe?

ARMANDO   —  Acho melhor você guardar a sua peninha pra você mesmo quando eu sair daqui!

CARLITO      —  (Debocha) Nossa! Vingativo ele!

ARMANDO   —  Você não é homem! Literalmente é um rato! Um homem resolveria isso de outra forma!

CARLITO      —  (Saca a arma) Ah é? E como você quer resolver isso? Aperto o gatilho e está tudo resolvido!

Armando o encara com medo e olha para a arma apontada para ele.

CARLITO      —  O que foi? O Armando, verdadeiro homem que gosta de resolver as coisas de outro jeito está aí feito uma estátua por quê? Não me diga que uma arminha como esta intimidou o homem de ferro que você é?!

Fecha em Armando com ódio de Carlito. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. DIA.

Jandira ali no maior love com seu Peguete. CAM vai passando pelo chão aonde estão as roupas de Jandira e o Peguete. CAM segue até focar nos dois transando no sofá, mas não mostra explicitamente. Flávia chega da rua. 

FLÁVIA        —  (Firme) Mas o que significa isso, mamãe?

JANDIRA      —  Sujou!

Jandira e o Peguete logo pegam suas as roupas no chão e se tapam.

FLÁVIA        —  A senhora ficou maluca, mamãe?! E se fosse o Murilo que tivesse chegado?

JANDIRA      —  Mas não foi ele, Flávia! Quanto drama!

FLÁVIA        —  (P/Peguete) E você? Fora daqui! Fora da minha casa!

JANDIRA      —  (P/Peguete) Vai, neim. Depois a gente conversa!

Ele sai nu, todo sem graça e tapando as partes baixas.

FLÁVIA        —  A senhora ao invés de melhorar só piora! Esse apartamento é  meu e eu não teria coragem de fazer isso na sala! Qualquer pessoa pode entrar e ver vocês dois fazendo isso!

JANDIRA      —  Não tem coragem porque é careta! E eu quero mais é que se dane quem chegar! (Brinca) Se entrar na brincadeira, aí que ficas bom!

FLÁVIA        —  Isso! Brinca mesmo! Olha só, mamãe! Eu não quero isso dentro da minha casa! A senhora está entendendo?

JANDIRA      —  Tá bom, Flávia! Eu já saquei o que você quer dizer! Quer dizer que a casa é sua e eu não posso trazer um amigo!

FLÁVIA        —  Não é isso, mamãe! Trazer alguém a senhora até pode, mas não pra fazer essa pouca vergonha aqui!

JANDIRA      —  (Debocha) Pode deixar! Na próxima eu levo ele pro seu quarto!

Ela vai para o quarto dando altas gargalhadas.

FLÁVIA        —  Mamãe, para com isso! Esse homem está proibido de colocar os pés neste apartamento! (P/si) Parece que não entende! Que saco!

Ela fica ali furiosa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Karina e Miguel ali sentados.

MIGUEL        —  É, Karina… Talvez você tenha razão mesmo. Eu não tenho porque ficar com essa desconfiança.

KARINA       —  Claro que não, Miguel. Olha, eu não conheço a sua mãe, mas acho que ela não seria capaz de uma coisa dessas.

MIGUEL        —  Muito obrigado por ter me ouvido, Karina. Mesmo depois de tudo que aconteceu entre a gente.

KARINA       —  Olha, Miguel. Se você não se importa, eu não gostaria de falar sobre isso.

MIGUEL        —  Claro. Tem toda razão. E a Sol? Você tem visto ela?

KARINA       —  Não. Mas hoje mesmo ela me ligou pra avisar que a polícia identificou um dos bandidos que nos roubaram na saída da joalheria.

MIGUEL        —  Ah sim. Não fiquei sabendo desse caso não.

KARINA       —  Pois é, mas/

A campainha toca interrompendo-a.

MIGUEL        —  Tá esperando alguém?

KARINA       —  Não. E o porteiro nem ligou avisando. Deixa eu ver quem é.

Ela abre a porta e Enrico entra arrematando.

KARINA       —  (Surpresa) Enrico?

ENRICO        —  Oi, Karina. Eu vim trazer….

Ao ver Miguel, ele para de falar e os dois ficam a se encarar. Karina fecha a porta e arremata.

KARINA       —  Como você dizia: veio trazer o quê?

ENRICO        —  (Encarando Miguel) A sua garrafinha. Você esqueceu lá na construtora.

KARINA       —  Ah sim, obrigada, Enrico. Mas não precisava ter ocupado todo o seu tempo vindo trazer.Meu pai trabalha lá.

ENRICO        —  Eu sei. Mas eu fiz questão de vir pessoalmente.

KARINA       —  Deixa eu te apresentar. Esse aqui é um grande amigo. Miguel.

ENRICO        —  Fala aí cara.

MIGUEL        —  E aí.

KARINA       —  Vamos nos sentar então.

Eles se sentam e Karina começa a falar fora de áudio. Miguel e Enrico se olhando sérios. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. RIO DE JANEIRO. EXT. ANOITECER.

Takes aéreos descontínuos do anoitecer na cidade maravilhosa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia atende a porta. 

FLÁVIA        —  Enrico?

Ele entra.

ENRICO        —  Espero não estar incomodando, Flávia.

FLÁVIA        —  Não! Só estou surpresa.

ENRICO        —  Faz tempo que eu não vejo meu irmãozinho.

FLÁVIA         —  Ah sim. Ele está no quarto dele jogando vídeo game.

Jandira vem do quarto.

JANDIRA      —  Ora, ora, ora… Vejam quem está aqui.

ENRICO        —  E aí, Jandira?

JANDIRA      —  E aí que eu levei uma bronca hoje da mamãe Flávia!

FLÁVIA        —  Espero que a senhora não cometa essa loucura de novo!

JANDIRA      —  Loucura é quem não aproveita a vida e vive uma vida careta e cafona como você! (P/Enrico) E você gostosão? Veio me ver, é?

ENRICO        —  Adoraria dizer que sim, mas eu vim ver o Murilo.

JANDIRA      —  Ah… Espero que seja só o Murilo mesmo, hein! Com licença.

FLÁVIA        —  Tá indo aonde, mamãe?

JANDIRA      —  Terminar o que você não me deixou mais cedo.

Ela sai. Enrico vai sentar-se no sofá.

FLÁVIA        —  Não! Não senta aí não!

ENRICO        —  Por quê?

FLÁVIA        —  É que esse sofá está… Está estranho. Acho que ele está velho demais e quando se senta, ele afunda.

ENRICO        —  Ah sim. Então eu vou lá no quarto do Murilo.

FLÁVIA        —  Vai sim. É o melhor que você faz.

Ele vai para o quarto de Murilo. Flávia aproxima-se do sofá.

FLÁVIA        —  (P/si) Esse sofá tá precisando de uma placa avisando do nível de radiação. Talvez pior do que a de Chernobyl. Nunca mais olho pra você, senhor sofá, com os mesmos olhos.

CORTA PARA:

CENA 15. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Gael ali sentado assistindo TV. Miguel, sério chega da casa de Karina. 

GAEL            —  Nossa! Mas que cara é essa? Algo me diz que você passou por um dia difícil. Acertei não acertei?

MGUEL         —  Pois é. Descobri umas coisas aí que estão me deixando aflito demais.

GAEL            —  Que coisas?

MIGUEL        —  Não sei se eu deveria falar disso com você.

GAEL            —  Tá vendo só? Depois quando eu me acho excluído das coisas você fica dando um de que não sabe porquê.

MIGUEL        —  Tá bom, Gael. Eu falo. A dona Marta tá em casa?

GAEL            —  Não. Ela saiu agora a pouco. Disse que tinha ia se encontrar com uma amiga.

MIGUEL        —  Assim é melhor. O que eu vou falar tem a ver com ela. 

GAEL            —  Ih… Tô começando a ficar preocupado!

MIGUEL        —  É que esses dias eu entrei no quarto da dona Marta e achei umas coisas…

GAEL            —  Que coisas? Fala, Miguel! Quer me matar do coração, de aflição, de curiosidade?!

MIGUEL        —  Calma! (Passa o cel. ao irmão) Tudo que você precisa ver está aí neste celular.

GAEL            —  (Olhando as fotos) Tá, mas isso aqui são só recortes de jornais. 

MIGUEL        —  Mas o estranho é que todos são da mesma matéria.

GAEL            —  É. Isso é verdade. Roubo de gêmeos… Vai que ela ficou com medo do mesmo acontecer com a gente?

MIGUEL        —  Sei lá, Gael! Só sei que eu encontrei isso dentro de uma caixinha preta.

GAEL            —  Então vamos aproveitar que ela não tá em casa e ver!

MIGUEL        —  Não sei se deveria, mas estou louco pra ver esses recortes de novo!

Os dois vão para o quarto de Marta.

CORTA PARA:

CENA 16. LEBLON. ORLA. EXT. NOITE.

Sol ali para a olhar para o mar agitado. 

SOL               —  (P/si) As ondas do mar… Elas vão e vem. Por que a vida também é assim, hein? As coisas vêm e vão. Mas nem todas são assim.

Corta para um outro ponto da orla: Marta atravessa a rua e entra na orla, sob a narração de Sol.

SOL               —  (P/si) Alguns fatos nas nossas vidas parecem ser crônicos. É como se fosse um tsunami que chegasse e devastasse tudo. Até você se reerguer e segui em frente, construir tudo de novo é mais difícil, trabalhoso…

Marta aproximando-se de Sol. Um jovem com um patinete elétrico vem por de trás de Marta e grita.

JOVEM         —  (Grita) Cuidado, senhora!

Marta esbarra em Sol e nem percebe que é Sol, pois está a gritar.

MARTA        —  (P/Jovem, grita) Olha por onde anda seu marginal! Nem nas calçadas mais nós temos paz!

Ela olha Sol que já estava a encarar ela.

SOL               —  (Surpresa) Marta?

Closes alternados nas duas. Sol surpresa. Marta nervosa. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 49º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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