Partes de Mim – Capítulo 54

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

CARLITO

CRISTINA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JOANA

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ADVOGADO1 e 2, ADVOGADO (MARTA), ARMANDO, HOMEM1 E  ZÓI. 

 

CENA 01. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Continuação última cena do capítulo anterior. 

GLÓRIA        —  Estou à espera de uma resposta, Maria! Que história é essa de você sentadinha conversando com a Marta num quiosque?

MARIA DE F.—  Eu estava pedindo uma informação a ela!

GLÓRIA        —  Mas precisava se sentar?

MIGUEL        —  Foi exatamente o que eu disse pra Marta!

MARIA DE F.—  Ela que insistiu! Pelo amor de Deus, dona Glória! Seja lá quem for essa Marta, só pelo jeito que vocês ficaram dá pra ver que essa mulher não presta! E eu não tenho nada a ver com essa mulher! Eu preciso desse emprego.

MIGUEL        —  Calma, Maria. Não é por isso que você vai ser demitida.

GLÓRIA        —  É, mas que isso é estranho é! Agora vamos conhecer a Juliana. Vem Miguel.

Eles saem da cozinha.

MARIA DE F.—  (P/si) Droga! Essa velha tá colocando o plano em risco! Se ela continuar assim, terá que sair de cena! Pode parecer que não, mas ela é perigosíssima! Velha enxerida!

CORTA PARA:

CENA 02. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 17, do capítulo anterior. 

ADRIANA     —  Ainda não me acostumei com o fato de sempre que entrar na sala do MEU pai, dar de cara com você, garota!

KARINA       —  É? Pois eu se fosse você iria se acostumando. Até porque pelo que todo mundo sabe, eu sim fui contratada de forma honesta e por mérito. Já você…

A partir deste ponto a discussão começa e as falas se sobrepõem.

ADRIANA     —  O que você tá querendo insinuar com isso, garota?

KARINA       —  O que você entendeu! Você só está nesta empresa por ser filha do dono! Caso contrário, estaria longe daqui!

ADRIANA     —  (Joga os papéis no chão) Sugiro que a subalterna pegue esses papéis antes que o seu Vicente entre por aquela porta e ache que você é uma desleixada que deixa as coisas jogadas por aí!

KARINA       —  Eu não vou pegar porcaria de papel nenhum! Não sou cachorrinho de ninguém!

ADRIANA     —  É? Mas eu se fosse você começaria a ser! Quando você menos esperar, estará fora dessa empresa!

KARINA       —  Escuta aqui, garota/

Ricardo entra interrompendo-a.

RICARDO     —  O que é que tá acontecendo aqui, gente?

ADRIANA     —  A sua filhinha que acha que pode falar comigo como bem entende!

KARINA       —  Não é bem assim! Ela jogou os papéis no chão para me humilhar!

RICARDO     —  As duas estão erradas! Esse é um ambiente corporativo, deixem as desavenças de vocês da porta pra fora! 

ADRIANA     —  Ah, Ricardo! Vá dar liçãozinha de moral nesta mal-educada da sua filha. Com licença!

Adriana sai.

KARINA       —  O senhor tá vendo, né, pai? Eu não vou aguentar essa garota querendo me humilhar sempre que tem uma oportunidade não!

RICARDO     —  Calma, filha! Calma que nós vamos resolver isso!

CORTA PARA:

CENA 03. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali sentada. 

ANA              —  (P/si) Se acha uma menina tão da alta classe carioca, mas é barraqueira! Mas também não posso crucificá-la por isso, os pais são outros que não param de brigar dentro da construtora! Se a imprensa soubesse o que se passa nas dependências internas desta construtora… É cada polêmica!

VICENTE      —  (OFF, alto) Ah, faça-me o favor, né, Cristina!

ANA              —  (P/si) Com esses pais também…

CORTA PARA:

CENA 04. CONSTRUTORA MACEDO. SALA DE REUNIÃO. INT. DIA.

Cristina e Vicente ainda a debater sobre a construtora.  Os advogados conversando entre si. 

CRISTINA     —  A única coisa que você fez foi me dar um par chifres com aquela mulher que eu nunca vi! E nunca quero bater de frente com ela! 

VICENTE      —  Chega, Cristina! Você fala como se eu fosse o único culpado do nosso casamento ter chegado ao nível que chegou! Mas duvido que você fala que foi a primeira a querer a separação de corpus!

CRISTINA     —  Evidente! Você acha mesmo que eu ia continuar dormindo na mesma cama que você desconfiando que você tinha uma amente? Ingênua fui eu em achar que era só uma amante. Era uma família! Tem até um filho de dez anos!

VICENTE      —  (P/Advogados) Como vocês estão vendo, vai ser difícil!

ADVOGADO—  Até pode ser difícil, mas não impossível!

AGUINALDO—  Concordo! Durante a discussão de vocês dois o meu colega e eu chegamos à conclusão de que vocês dois tem que ficar de igual pra igual. Porém, com uma terceira pessoa!

CRISTINA     —  Como é que é?

VICENTE      —  Eu não entendi.

ADVOGADO—  O melhor seria vocês ficarem com 45% cada e deixar 10% para acionistas!

CRISTINA     —  De jeito nenhum! A construtora sempre operou com capital fechado.

VICENTE      —  Exatamente! Por que a essa altura do campeonato teríamos que abrir?

AGUINALDO—  Porque vocês não entram em um acordo e nós achamos que essa é a melhor opção!

CRISTINA     —  Vocês são pagos para defender os nossos interesses pessoais e não ficar de achismo!

VICENTE      —  Nisso eu tenho que concordar com a Cristina! Hoje como vocês viram, não vai ser possível chegarmos a um acordo, mas Cristina e eu continuaremos a dialogar até que alguma proposta seja satisfatória para ambas as partes!

CRISTINA     —  Isso mesmo. Agora vocês podem ir. Qualquer novidade eu ligo pra você Aguinaldo!

AGUINALDO—  Tudo bem. Com licença!

Os advogados saem. Cristina e Vicente sérios trocam olhares. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.

Alfredo chega a redação junto do Diretor do Jornal. Todos ficam sem entender nada.  

DIRETOR      —  Bom dia a todos! Gostaria de fazer um comunicado.

ROSANGELA —(P/si) Tomara que seja a volta do Alfredo.

DIRETOR      —  Bom, o nosso amigo Alfredo aqui precisou se ausentar da redação devido a um acidente. Mas com imensa alegria que eu comunico a vocês que ele está de volta ao seu cargo de editor chefe!

Todos ficam felizes, exceto Joana.

JOANA          —  Parabéns, Alfredo! Seja muito bem-vindo!

ALFREDO     —  Muito obrigado, Joana! 

ROSANGELA —(P/si) Mas como é que pode ser tão falsa assim?

ALFREDO     — (P/todos) Bom, gente. Eu gostaria de agradecer a todos pela força. Sempre que a Rô ia me visitar, ela levava mensagens de vocês me desejando melhora, desejando que eu voltasse logo à redação. Por isso, o meu muito obrigado a todos! Eu gostaria também de agradecer a Rosangela por ter assumido essa responsabilidade na minha ausência.

JOANA          —  Só uma correção, Alfredo. A Rosangela não estava mais no cargo. Eu assumi.

ROSANGELA —(P/si) Não perde uma oportunidade de se amostrar!

ALFREDO     —  Ah sim. Então o meu muito obrigado a Rosangela e a Joana. E é isso, gente.

Todos aplaudem Alfredo.

DIRETOR      —  (Aperta a mão de Alfredo) Seja bem vindo de volta, Alfredo!

ALFREDO     —  Muito obrigado!

O Diretor sai da redação e Alfredo aproxima-se de Rô.

ALFREDO     —  Mas que história é essa de você não ser a editora chefe na minha ausência?

ROSANGELA —Ela lutou, lutou até conseguir que a diretoria me tirasse do cargo e desse a ela!

CORTA PARA:

CENA 06. BARRACÃO VELHO. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental de Cacife Clandestino – Sangue Bom.

Armando ali a desenhar o plano perfeito para o “roubo da joalheria”. Instantes. Carlito chega com uma sacola com duas quentinhas.

CARLITO      —  E como é que tá o andamento do plano?

ARMANDO   —  Tá indo. Tá fluindo.

CARLITO      —  Hoje o cardápio é feijoada, hein! (Abre a quentinha) Humm. Nossa! Mas que cheiro maravilhoso! Se o gosto estiver como o cheiro deve tá divino!

ARMANDO   —  Para de falar na comida que você tá atrapalhando!

CARLITO      —  Ih, foi mal cara! Sua mente tá trabalhando tão criativa assim?

ARMANDO   —  Claro! É um roubo arriscado! Cada passo desse esquema tem que ser planejado!

CARLITO      —  Mas e se por acaso as coisas não saírem como planejamos?

ARMANDO   —  Para cada etapa deste esquema há um plano B.

CARLITO      —  Então me explica mais como vai funcionar.

ARMANDO   —  Vai ser assim: no dia nós vamos para a cidade e entramos na van…

Ele continua a explicar fora de áudio. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Gael chega da rua ainda estarrecido. Mazé vem do quarto.

MAZÉ            —  Onde você foi, Gael do céu? Eu fiquei aqui super preocupada com você.

GAEL            —  É. Eu dei uma saída aí.

MAZÉ            —  E pela sua cara as coisas não saíram como você desejava, né?

GAEL            —  Pois é, Mazé. Eu fui até a delegacia.

MAZÉ            —  Delegacia? O que você foi fazer lá?

GAEL            —  Fui falar com aquela mulher que eu pensava ser a minha mãe.

MAZÉ            —  Mas Gael, você não deveria ter ido até lá.

GAEL            —  Mas eu precisava! Eu queria olhar nos olhos dela e ver se ela teria coragem de mentir pra mim!

MAZÉ            —  E pelo visto ela não mentiu.

GAEL            —  Não! (Chora) Ela disse que deveria ter nos deixado numa lata de lixo, Mazé! Que tipo de mulher que até alguns dias atrás foi nossa mãe por vinte anos, fala uma coisa dessas?!

MAZÉ            —  (Abraça ele) Oh, Gael. Não fica assim não. Eu sei que é muito difícil quando a gente descobre uma coisa terrível de uma pessoa que nunca imaginamos. Agora você tem que esquecer essa mulher e ficar com a sua verdadeira família!

Fecha em Gael ainda chorando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Glória e Miguel descem a escada. Sol ali sentada. 

SOL               —  Ainda estão fazendo um tour pela casa?

MIGUEL        —  É. A dona Glória/ quer dizer, a minha avó. Estava me apresentando as empregadas, mas não encontramos a outra, né, vó?

GLÓRIA        —  Pois é, meu neto. Nós procuramos a Juliana, mas não a vimos por aí.

SOL               —  Ela foi na portaria resolver um problema pra mim.

Juliana entra.

GLÓRIA        —  Olha ela aí. Não morre tão cedo.

JULIANA      —  O quê? (Vê Miguel, fica surpresa) Gael?

SOL               —  Você conhece o meu filho, Juliana?

JULIANA      —  (Surpresa) Filho da senhora?

SOL               —  É.

Closes alternados. Juliana boquiaberta. Sol, Glória e Sol sem entender. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. BECO. EXT. DIA.

Zói e Homem1 ali sentados.

HOMEM1      —  Nada do chefe ainda, Zói?

ZÓI                —  Nada! Desde que saiu naquele dia corrido. Não ligou mais.

HOMEM1      —  E tu fica de olho, hein, Zói! Quase todo dia tem polícia andando por aqui.

ZÓI                —  E eu não sei? Eu tô aqui, mas tô ligado! Em cana eu não vou nunca mais!

HOMEM1      —  Pode crer.

Atenção Sonoplastia: cel. de Zói começa a tocar.

HOMEM1      —  Quem é?

ZÓI                —  É o chefe.

HOMEM1      —  Então atende.

ZÓI                —  (Ao cel.) Fala, chefe!

CARLITO      —  (OFF) Como tão as coisas por aí? 

ZÓI                —  (Ao cel.) Tudo na maior paz.

CARLITO      —  (OFF) A polícia tem aparecido por aí?

ZÓI                —  (Ao cel.) Quase todos os dias!

CARLITO      —  (OFF) Então fica ligado que eu preciso de você fora da cadeia!

ZÓI                —  (Ao cel.) Pode deixar, chefe!

CARLITO      —  (OFF) Olha só, amanhã eu vou passar algumas mensagens com instruções do que vocês devem fazer.

ZÓI                —  (Ao cel.) Mas instruções do que, chefe?

CARLITO      —  (OFF) No momento certo vocês vão saber!

Carlito desliga.

ZÓI                —  (Ao cel.) Alô, chefe?

HOMEM1      —  (Curioso) O que ele falou?

ZÓI             —  Que amanhã vai mandar mensagens com instruções.

HOMEM1      —  Mas instruções pra quê?

ZÓI                —  Ele disse que no momento certo nós ia saber.

Closes alternados nos dois ali intrigados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. TRÍPLEX DE SOL. SALA ENORME. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 08. 

GLÓRIA        —  Responde à pergunta da Sol, Juliana! Você conhece o Miguel?

JULIANA      —  Sim, quer dizer não! Eu conheço Gael. Você mentiu pra mim dizendo que seu nome era Gael?

MIGUEL        —  Não! É que o Gael é meu irmão gêmeo.

JULIANA      —  Ah tá. O Gael chegou a comentar comigo mesmo que tinha um irmão gêmeo. Foi quando nós conhecemos a Sol.

SOL               —  Verdade, Juliana. Eu também havia esquecido.

GLÓRIA        —  Enfim, Juliana. Como você conhece o Gael?

JULIANA      —  Bom, eu nem sei se deveria falar isso, mas como a dona Sol já sabe não tem por que eu ficar escondendo isso. O Gael é meu namorado!

Glória começa a rir.

GLÓRIA        —  Só eu que achei que isso foi uma piada?

SOL               —  E por que ela mentiria mamãe? O Gael é mesmo namorado dela!

GLÓRIA        —  Sei lá. Eu não quero julgá-la, mas como ela sabe que o Gael é rico…

JULIANA      —  Olha, dona Glória. A senhora está sim me ofendendo e julgando a minha pessoa!

MIGUEL        —  Agora que eu estou lembrando. O Gael falou sim uma vez que o nome da namorada dele era Juliana. Eu só ainda não tinha visto quem era.

JULIANA      —  Se vocês ainda duvidam eu vou ligar pra ele.

Ela pega o cel. e começa a teclar com Sol arrematando.

SOL               —  Não precisa fazer isso se você não quiser, Juliana. Nós não queremos deixá-la desconfortável.

JULIANA      —  Não! Eu faço questão de provar, principalmente pra dona Glória! (Ao cel. no viva voz) Gael?

GAEL            —  (OFF) Oi, Ju.

JULIANA      —  (Ao cel.) Gael, fala pra sua família aqui que você é meu namorado.

GAEL            —  (OFF) Minha família?

JULIANA      —  (Ao cel.) Sim. Lembra do emprego que seu irmão arrumou pra mim?

GAEL            —  (OFF) Sim, lembro.

JULIANA      —  (Ao cel.) Então, é na casa da sol.

GAEL            —  (OFF) Ah, tá. Sim pessoal. Ela é minha namorada. Ela não é linda? Desde o dia em que nos encontramos lá na orla que eu me apaixonei por ela.

GLÓRIA        —  Gente, mas será possível que todo mundo nessa família tem que se encontrar, se esbarrar na orla do Leblon?!

Todos sorriem inclusive Gael em OFF. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. CONSTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Adriana ali pensativa, invocada. Cristina entra.

CRISTINA     —  Olha, tentar dialogar com seu pai é a pior coisa que existe! Ele não aceita nada! (Percebe Adriana ali invocada) Que cara é essa, Adriana?

ADRIANA     —  É aquela menina que eu prefiro nem falar o nome!

CRISTINA     —  O que aconteceu dessa vez?

ADRIANA     —  Por pouco ela não veio pra cima de mim.

CRISTINA     —  Eu sinto muito, mas se você cair na provocação dessa menina, vocês duas terão que sair da construtora.

ADRIANA     —  Até a senhora agora?

CRISTINA     —  Ué, minha filha. Se vocês duas saírem no tapa, como aquela vez, que saíram na universidade, não em como eu te defender! Seu pai e eu temos os nossos problemas, mas jamais partiríamos para a força bruta dentro da empresa.

ADRIANA     —  É, mas essa garota não vai durar muito aqui não. O quanto eu puder infernizar a vida dela e colocá-la no seu devido lugar, eu vou fazer!

CORTA PARA:

CENA 12. JORNAL. REDAÇÃO. INT.DIA.

Alfredo e Rosangela ali sentados à mesa dele. Ela apresentando pra ele algo no computador. Joana de longe a observar. 

JOANA          —  (P/si) Voltou e agora os dois não param com a fofoquinha. Droga! Não fiquei nem duas semanas no cargo e ele voltou. Deveria ter morrido!

Corta para a mesa de Alfredo:

ROSANGELA —E então, Alfredo? Você acha que está bom deste modo aqui mesmo?

ALFREDO     —  Sim, está ótimo. Na verdade, eu te chamei aqui na minha mesa por outro motivo.

ROSANGELA—Como assim?

ALFREDO     —  Eu concordo quando você disse que a Joana te sabotou. Não tem como acontecer tantos erros e problemas na gestão de uma profissional experiente e qualificada como você.

ROSANGELA —Obrigado pela parte que me toca. Mas ela ainda vai pagar pelo que fez.

ALFREDO     —  O problema é: como? Eu acho que deveríamos pensar em alguma coisa para mostrar a diretoria que você foi sofreu sabotagem! A promoção que ainda não aconteceu, tem que ser sua! Você é a mais qualificada dessa redação para o cargo, Rosangela.

ROSANGELA —É, Alfredo, mas eu tô com tantos problemas na minha vida pessoal também.

ALFREDO     —  Como assim, Rô? O que aconteceu?

Rosangela começa a falar fora de áudio. CAM mostra Joana ali a olhar para os dois seriamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali a varrer o chão. Maria de F. sai do quartinho de empregada toda arrumada para sair.

MARIA DE F.—  Oh, Juliana.

JULIANA      —  Nossa! Tá toda arrumada, hein.

MARIA DE F.—  É que eu preciso dar uma saidinha.

JULIANA      —  Você ficou louca? E a dona Glória? Ela fica marcando com os nossos horários.

MARIA DE F.—  E você vai ter que me dar cobertura!

JULIANA      —  Não! De jeito nenhum que eu vou fazer isso!

MARIA DE F.—  É? Mas eu se fosse você faria porque a dona Glória me pediu para ficar de olho em você e contar a ela dos seus atrasos. Hoje mesmo eu não contei nada pra ela que você chegou tarde.

JULIANA      —  Isso é chantagem!

MARIA DE F.—  Não queridinha. Isso se chama troca de favores! Eu não falo de você e você não fala de mim! Podemos fechar esse acordo?

JULIANA      —  Tá, eu não tenho outra escolha, né!

MARIA DE F.—  Eu Sabia que você tomaria a decisão correta. Tchauzinho, querida.

Maria sai pela porta dos fundos.

JULIANA      —  (P/si) E mais essa agora! Ter que ficar no meio de toda essa mentira.

Ela volta a varrer o chão da cozinha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Campainha tocando. Gael vem do quarto.

GAEL            —  (Grita) Já vai! (P/si) A Mazé foi ao mercado e ainda não voltou?

Ele abre a porta e se surpreende com Sol.

SOL               —  Oi, Gael. Será que a gente pode conversar?

Fecha em Gael surpreso com a visita. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 15. DELEGACIA. SALA DE VISITAS. INT. DIA.

Advogado ali. Marta entra acompanhada de um policial, que tira suas algemas. 

MARTA        —  Doutor, graças a Deus você apareceu! Pensei que os meus filhos tivessem proibido você de me defender.

ADVOGADO—  Não recebei nenhuma ordem dos gêmeos.

MARTA        —  Melhor assim! Afinal de contas, ainda sou eu quem paga os seus honorários.

ADVOGADO—  Então, dona Marta. Eu tenho ótimas notícias pra senhora!

MARTA        —  Então digas.

ADVOGADO—  O juiz concedeu o habeas corpus.

MARTA        —  (Feliz) Ai, eu não acredito! Você é muito competente mesmo!

ADVOGADO—  Mas antes eu preciso instrui-la. A senhora não pode em hipótese alguma deixar o estado do Rio de Janeiro.

MARTA        —  Não tem problema nenhum! Só de está fora dessa delegacia asquerosa, já é ótimo!

ADVOGADO—  Parabéns, dona Marta! A senhora está em liberdade temporariamente.

Fecha em Marta sorrindo malignamente. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 54º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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