Partes de Mim – Capítulo 55

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JOÃO

JULIANA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ADVOGADO (MARTA), ARMANDO, HOMEM1, ZÓI. 

CENA 01. DELEGACIA. FRENTE. EXT. DIA.

Dois policiais ali na porta de entrada. Marta e o advogado saem.

ADVOGADO—  Lembre-se do que eu falei pra senhora, dona Marta. Em hipótese alguma a senhora pode deixar o estado do Rio de Janeiro.

MARTA        —  Eu sei, garoto. Tenho muita coisa pra resolver aqui no rio ainda. Jamais deixaria o rio com as coisas no estado em que estão.

Maria de F. se aproxima.

MARIA DE F.—  Marta? O que você faz fora a delegacia?

ADVOGADO—  Amiga da senhora, dona Marta?

MARTA        —  Ai, garoto. Você não tem mais o que fazer, não? Você me tirou da cadeia e eu agradeço, mas minha vida pessoal não lhe diz respeito!

ADVOGADO—  Sim senhora. Desculpe, essa não foi a minha intenção. Bom, agora eu vou indo, mas se a senhora precisar de alguma coisa pode me ligar.

MARTA        —  Muito obrigado.

O Advogado se afasta.

MARIA DE F.—  Tu é arretada mesmo! Num é que já tá fora da cadeia?

MARTA        —  Vamos conversar em outro lugar. É arriscado demais continuar aqui em frente à delegacia.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 02. LEBLON. QUIOSQUE. EXT. DIA.

Marta e Maria de F. ali a tomar uma água de coco.

MARTA        —  Embora eu tenha vontade de voltar pra casa e tomar um banho, tirar essa roupa… Eu fico pensando com que cara eu volto lá e encaro todos.

MARIA DE F.—  Todos não! Só o Gael. O Miguel já foi morar com a mãe dele.

MARTA        —  Como é que é? É inacreditável que o Miguel correu para os braços daquela mulher!

MARIA DE F.—  Você quer dizer da verdadeira mãe dele, né!

MARTA        —  Isso não vem ao caso agora! E você? Como conseguiu driblar ele, porque ele te viu na orla comigo há alguns meses atrás?

MARIA DE F.—  Eu disse o mesmo que você na época! Eu estava pedindo uma informação.

MARTA        —  Ótimo! Já tem coisas demais dando errado na minha vida, pelo menos isso ainda está a salvo.

MARIA DE F.—  O que você pretende fazer agora?

MARTA        —  Sei lá. Não posso sair do Rio de Janeiro. Mas também não conseguiria sair dessa cidade e deixar tudo isso pra trás sem antes dar um fim.

MARIA DE F.—  Como assim, Marta?

MARTA        —  (Cínica) Nada. Apenas quero que a justiça seja feita. Se eles quiserem ir morar com a verdadeira mãe deles, eu não estou nem aí.

Fecha em Maria de Fátima desconfiada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 14 do capítulo anterior. Sol ali a porta e Gael sem saber o que dizer.

SOL               —  Eu posso entrar?

GAEL            —  Claro! Desculpe, é que eu estou surpreso com a sua visita.

Ele fecha a porta e os dois caminham até o sofá e se sentam.

SOL               —  Pois é. O Miguel chegou lá em casa sozinho e disse que você não quis ir. Olha, eu quero que você saiba que eu não estou aqui para te pressionar a morar com a gente. Apenas quero que você saiba que caso mude de ideia, as portas lá de casa estarão abertas pra você.

GAEL            —  Obrigado… Sol. Mãe… Tudo isso ainda é muito confuso.

SOL               —  Eu sei. Eu entendo o quão confuso está sendo pra você e para o Miguel saber de toda essa história depois de vinte anos.

GAEL            —  A sensação que eu tenho é que vivi todos esses anos uma vida de mentira. Tudo que disseram, falaram não era verdade.

SOL               —  Eu tô muito feliz, de verdade. De ter reencontrado vocês. A Marta roubou vocês na maternidade na madrugada do dia em que nasceram. Se eu fiquei com vocês por 30 minutos no colo foi muito… Depois disso, só agora posso tocar nos meus filhos. (Acaricia o rosto do filho) Só agora posso sentir, viver com vocês.

Gael toma a iniciativa e abraça Sol, que se aconchega no abraço do filho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.

Vicente ali sério a trabalhar. Karina com receio a olhar para ele.

KARINA       —  Seu Vicente, desde que o senhor voltou que parece estar aflito com algo, mas eu tenho uma dúvida a respeito de sistema.

VICENTE      —  Ah, claro, Karina. Desculpe se eu cheguei com essa cara amarrada e não estou lhe ajudando.

Vicente se aproxima de Karina para olhar o notebook dela.

KARINA       —  Não é nada demais. É que eu queria saber desse erro que aqui. Não consigo fazer mais nada.

VICENTE      —  Nunca vi esse erro antes. Já tentou fazer login de novo? Já reiniciou o notebook?

KARINA       —  Ainda não.

VICENTE      —  Então tente. Se não der certo, a gente chama a TI.

Vicente volta ao seu lugar e ali fica aflito, passando a mão na cabeça.

KARINA       —  Seu Vicente… Eu sinto que se o senhor não falar o que está lhe deixando desse jeito, vai explodir!

VICENTE      —  Verdade, Karina. Olha, eu estou com sérios problemas para entrar em acordo com a Cristina. Ela tá querendo se dar bem. Mas comigo ela não vai conseguir. Eu vou lutar até o fim para que eu não saia perdendo nesse divórcio!

KARINA       —  Bastante complicado mesmo.

VICENTE      —  Nem me fale!

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE RENATA. SALA. INT. DIA.

Flávia e Renata ali a tomar um cafezinho. 

RENATA       —  E o lindo do Murilinho, como está?

FLÁVIA        —  Tá bem. Foi para o shopping com o irmão.

RENATA       —  O Enrico levou o Murilo para o shopping?

FLÁVIA        —  Levou! Ele praticamente sequestrou o meu filho sem a minha autorização, mas o Vicente achou lindo!

RENATA       —  Ah, mas eles precisam desse tempinho juntos. Até para se conhecer mais.

FLÁVIA        —  É pode ser. Mas e a Bruna?

RENATA       —  Tá na praia.

FLÁVIA        —  Com quem? Algum namoradinho?

RENATA       —  Não. Mas bem que poderia ser. O João veio aqui e a convidou para tirá-la da rotina, segundo ele.

FLÁVIA        —  Esses dois só vivem juntos, né, menina?

RENATA       —  Pois é. Eu já falei pra Bruna que ela deveria namorar ele, mas ela não me escuta!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 06. LEBLON. PRAIA. AREIA. EXT. DIA.

Praia cheia. João e Bruna ali sentados na areia. 

JOÃO            —  E aí, Bruna, tá gostando?

BRUNA         —  É. Até que não está tão ruim assim. Realmente você tinha razão. Sair de casa me fez bem. Assim eu posso ver gente e espairecer.

JOÃO            —  Viu só? Eu não disse que seria bom?

BRUNA         —  É, você tem se preocupado bastante comigo. Muito obrigado mesmo, João! Você tem sido um amigo muito legal.

JOÃO            —  (OFF) Amigo? Mas eu não quero ser só amigo. Eu tenho que avançar nessa conversa pra conseguir sair da frendzone.

JOÃO            —  Mas você não acha que poderíamos ser mais do que amigos?

BRUNA         —  Mas como assim, João? Nós sempre fomos amigos.

JOÃO            —  Eu sei. Mas a verdade é que… (pega na mão dela) Desde que nos conhecemos que eu quero ser mais do que um amigo.

BRUNA         —  Mas que/

JOÃO            —  (Corta, tapando a boca dela) Shiii… Não fala nada. A verdade é que eu te amo, Bruna! Eu sempre te amei! Mas você nunca me quis! Sempre preferiu dar bola pro Lucas playboy.

BRUNA         —  João, eu também gosto muito de você, mas se rolar alguma coisa e não der certo a nossa amizade, que é maravilhosa vai acabar!

JOÃO            —  Mas não custa nada tentar e fazer com que tudo dê certo!

Os dois se olham por um instantes. Rola um clima…

Atenção Sonoplastia:Olha o Que o Amor me Faz – Sandy e Júnior entra aqui.

E lentamente se aproximam e se beijam apaixonados. Instantes. Romance.

CORTA PARA:

CENA 07. BECO. EXT. DIA.

Zói ali sentado. Marta e Maria de F. se aproximam.

MARIA DE F.—  Marta, eu nunca imaginaria que você frequentava esse tipo de lugar.

MARTA        —  Não frequento! Os palermas que fizeram o serviço de porco com a Sol vivem por aqui.

Zói avista as duas e se levanta.

ZÓI                —  O que a madame que mandou nós pra furada tá fazendo aqui?

MARTA        —  Não mandei ninguém pra furada! A culpa não é minha se você e o seu parceiro juntos tem o cérebro de um hamster!

ZÓI                —  Mas o que a madame quer?

MARTA        —  Na verdade, eu vim aqui pra fazer uma encomenda!

Closes alternados em todos. Marta e Zói a se encarar sérios. Maria de F. com medo do âmbito. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 08. BARRA SHOPPING. ÁREA KIDS. INT. DIA.

Em cortes descontínuos: Murilo a se divertir nos vários brinquedos do shopping e Enrico a olhar e sorrir para o irmão. Instantes. Murilo cai de um brinquedo e desmaia. Enrico corre para ajudar o irmão.

ENRICO        —  Murilo! Acorda Murilo!

Funcionários da área Kids se aproximam.

FUNCIONÁRIO  —      O que aconteceu, senhor?

ENRICO        —  Ele desmaiou! Preciso levá-lo para o hospital!

Enrico pega Murilo no colo e sai apressado com o irmão.

CORTA PARA:

CENA 09. BARRACÃO VELHO. INT. DIA.

Carlito e Armando ali a almoçar.

ARMANDO   —  Você acha mesmo que aqueles dois palermas vão dar conta de tudo?

CARLITO      —  Tem que dar! Afinal de contas ninguém vai sair perdendo. Depois desse golpe, o Caribe nos espera!

ARMANDO   —  Com certeza! Mas antes, eles terão que fazer tudo conforme planejado.

CARLITO      —  O Zói é o mais palermão do que o outro, mas eu tenho certeza que eles vão dar conta do recado

ARMANDO   —  Tomara, porque se isso der erro, é cana pra todo mundo!

CARLITO      —  Ué! Não foi você mesmo que falou que para cada etapa havia um plano B?

ARMANDO   —  Sim. Mas para tudo existe uma margem de erro inevitável.

Fecha em Carlito apreensivo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. BECO. EXT. DIA.

Continuação não imediata da cena 07. Conversa a meio. Marta, Maria de F., e Zói ali.

ZÓI                —  Então a madame acha que é só chegar aqui e dizer o que quer? Tá achando isso aqui com cara de farmácia, que você chega e pede o remédio no balcão?

MARTA        —  Você tá cheio dos trocadilhos, das piadinhas hoje, né? E por incrível que pareça eu não estou com paciência nenhuma! Se você não pode arrumar o que eu quero é só falar que eu vou atrás de outro!

ZÓI                —  Calma, madame. Também não é assim. Quanto a madame está disposta a pagar?

MARTA        —  O preço justo!

ZÓI                —  A madame é boa de negociar. Espera aí que eu vou pegar o produto.

Zói se embrenha mais para dentro dos becos e some.

MARIA DE F.—  Marta, você tem certeza que quer mesmo fazer isso?

MARTA        —  Olha bem pra minha cara e ver se eu tenho com o que me preocupar? Os meus filhos não são mais meus! Aquela mulher tirou eles de mim!

MARIA DE F.—  (P/si, entredentes) Madame… A madame já desceu do salto faz tempo.

MARTA        —  O que você disse?

MARIA DE F.—  Nada. Só estava pensando em voz alta.

CORTA PARA:

CENA 11. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Vicente, Ricardo e Ana ali. 

VICENTE      —  Olha só, gente. Eu peço que pelo amor de Deus vocês tenham atenção a esses detalhes! O relatório chegou até as minhas mãos com números totalmente distintos da realidade.

RICARDO     —  Vicente, olha eu sinceramente não sei o que está acontecendo com essa construtora! Eu sou diretor financeiro, mas querendo ou não vocês ainda mandam em mim! As contas chegam até mim para fazer os lançamentos, mas antes ela já passou pela mão de vocês.

VICENTE      —  Olha, Ricardo, eu sei que você é um excelente profissional! Mas tem alguma coisa de errado!

RICARDO     —  Se há um ralo dentro da construtora, ele tem que ser descoberto imediatamente!

ANA              —  Eu só entrego o que um dos dois pedem.

VICENTE      —  Eu sei, Ana. Só estou falando com você também pra você ficar mais atenta aos detalhes! Eu gosto de pensar que não há um ralo dentro da construtora e sim um equívoco!

RICARDO     —  É, mas questão que fica é: por parte de quem esse equívoco?

CORTA PARA:

CENA 12. CONSTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Ricardo e Vicente diante de Cristina. Adriana à parte sem entender nada.

VICENTE      —  Adriana, será que você poderia sair da sala? Eu preciso conversar com a sua mãe.

ADRIANA     —  Mas, pai. Eu estou/

VICENTE      —  (Corta) Saia!

Ela pega seu notebook e sai. 

CRISTINA     —  Pra que essa palhaçada?

VICENTE      —  Ouça Cristina, o Ricardo e eu achamos que há um ralo na construtora!

CRISTINA     —  Ralo? Mas como assim?

RICARDO     —  Alguém está desviando dinheiro da construtora!

CRISTINA     —  Mas isso nós já havíamos conversado há algum tempo atrás. E eu deixei bem claro que você, Ricardo, diretor financeiro da construtora deveria estar a par de tudo!

RICARDO     —  Sim, Cristina. Eu lembro. E me acusou também.

CRISTINA     —  Eu não te acusei de nada não! Só acho estranho o fato do diretor financeiro não saber.

VICENTE      —  A questão aqui agora é outra, Cristina!

CRISTINA     —  (Nervosa) Por quê? Vocês descobriram mais alguma coisa? 

VICENTE      —  Sim. Os números são alterados antes de chegar às mãos do Ricardo! Já estamos providenciando uma investigação pesada no setor financeiro.

CRISTINA     —  Eu apoio essa iniciativa!

VICENTE      —  Sim, você deve apoiar mesmo! Afinal de contas, algumas contas passam por você antes de chagar até o Ricardo.

CRISTINA     —  Você está insinuando que eu estou roubando a minha própria empresa?

VICENTE      —  Não! Mas haveremos de investigar!

O clima de tensão é quebrado com o cel. de Vicente, que começa a tocar.

VICENTE      —  (Ao cel.) Fala, Enrico! Mas como assim hospital? O que aconteceu com meu filho? Estou indo praí agora mesmo! (Desliga) Eu preciso ir.

RICARDO     —  Aconteceu alguma coisa?

VICENTE      —  (Siando, apressado) Depois a gente continua!       

Ele sai apressado. Cristina volta a mexer no notebook, Ricardo fica olhando-a desconfiado.

CRISTINA     —  O que você ainda está fazendo aqui, Ricardo? A reuniãozinha está encerrada! Ponha-se porta a fora da minha sala!

RICARDO     —  Com licença.

Ele sai. Cristina fica ali aflita. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 13. TRÍPLEX DE SOL. COZINHA. INT. DIA.

Juliana ali passando um paninho úmido na mesa da cozinha. Glória vem da sala. 

GLÓRIA        —  Você por acaso viu a Maria?

JULIANA      —  Vi não, dona Glória. Por quê?

GLÓRIA        —  Ela sumiu. (Desconfiada) Você tá com cara de quem está escondendo alguma coisa!

JULIANA      —  Eu? Não, dona Glória. O que eu teria a esconder da senhora?

GLÓRIA        —  Ah… Tá se fazendo de desentendida, é? Então deixa eu refrescar a sua memória… Você está acobertando a saída da Maria, é?

JULIANA      —  Claro que não, dona Glória! Eu juro pra senhora que se eu soubesse aonde ela está, eu falava.

GLÓRIA        —  Sei. Essa classe de domésticas não se pode confiar! É uma acobertando o erro da outra!

Miguel vem da sala.

MIGUEL        —  Vó, acho que fiz uma besteira.

GLÓRIA        —  O que foi, meu neto?

MIGUEL        —  Eu acho que tirei um parafuso da cama.

GLÓRIA        —  Mas como você conseguiu fazer uma coisa dessas?

MIGUEL        —  É que agarrou a mala na cama e eu puxei e/

GLÓRIA        —  (Corta) Não. Deixa pra explicar lá no quarto. Vamos ver o que você aprontou.

Os dois vão para a sala. Juliana fica ali mais aliviada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. BECO. EXT. DIA.

Marta entrega a Zói um envelope volumoso. Maria de F. à parte. 

MARTA        —  Espero que o produto seja mesmo de qualidade!

ZÓI                —  Claro que é! A madame pode confiar! E a grana, tá certa?

MARTA        —  Claro que tá! Pode confiar.

ZÓI                —  Ok, madame. Foi um prazer fazer negócios com a senhora!

MARIA DE F.—  Você compra as suas coisas e eu que tenho que ficar com isso na minha bolsa?

MARTA        —  Claro! Você quer que eu carregue isso por aí nas mãos? 

MARIA DE F.—  Agora a gente pode ir, né? Tô com medo desse beco.

ZÓI                —  Não tem o que temer não, madame! Tá comigo, tá com Deus!

MARTA        —  Chega de conversinha fiada que eu tenho muito o que fazer. Vamos Maria.

As duas se afastam. Cel. de Zói notifica mensagem.

ZÓI                —  (Lê) Quero você e o outro aqui as oito em ponto. Vou mandar a localização depois. (P/si) O que o chefe quer com nós?

Ele vai caminhando, apressado. 

CORTA PARA:

CENA 15. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Sol ali arregalando o olho e piscando sem parar. Gael vem da cozinha com um copo d’água. 

GAEL            —  Cê tá bem?

SOL               —  Sim, é que de repente minha visão começou a ficar turva. Mas agora voltou ao normal.

GAEL            —  Aqui sua água.

SOL               —  (Pega e toma) Obrigada.

Mazé volta do supermercado com o carrinho cheio de compras.

MAZÉ            —  O mercado hoje tava uma loucura! Depois ainda dizem que é só pobre que gosta de uma promoção. Tinha uma mulher lá no saltão correndo pra aproveitar a promoção da picanha. (Vê Sol) Ah… Tem visita? Desculpe entrar assim então.

GAEL            —  Que isso, Mazé. Você sabe que comigo você pode falar o quanto quiser. Vem cá. Essa aqui é a nossa mãe… Biológica!

MAZÉ            —  Ah, sim. 

SOL               —  Como vai, Mazé?

MAZÉ            —  Muito bem.

As duas se cumprimentam com um aperto de mãos e dois beijinhos no rosto.

MAZÉ            —  Ainda bem que a senhora veio! Convença ele a ir morar com vocês!

SOL               —  Conversamos sobre isso já. Falei pra ele que quando ele tiver pronto, as portas de casa estarão aberta esperando por ele.

MAZÉ            —  Gostei dela, Gael! Parece ser mais gente fina e não arrogante como a outra.

Eles sorriem e continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. RIO DE JANEIRO. EXT. ANOITECER.

Takes descontínuos do anoitecer no rio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Vicente e Enrico ali aflitos. Flávia chega acompanhada de Renata.

FLÁVIA        —  Cadê meu filho? Como o meu filho está?

VICENTE      —  Calma, Flávia. Calma que o Murilo está bem.

FLÁVIA        —  Mas o que aconteceu exatamente? Não é possível o meu filho sair para se divertir e vir parar num hospital!

VICENTE       —Ele se desequilibrou num brinquedo e acabou se machucando.

FLÁVIA        —  (Dá bolsadas em Enrico) Isso é sua culpa seu irresponsável!

ENRICO        —  Ele se desequilibrou!

FLÁVIA        —  Não interessa! Você deveria ter ficado de olho nele! 

Vicente a contém.

FLÁVIA        —  Um irresponsável. É isso que você é!

RENATA       —  Calma, amiga!

VICENTE      —  Você está num hospital, Flávia! Contenha-se!

FLÁVIA        —  Claro que tem que estar do lado do filho! Foi o primeiro a apoiá-lo em levar o meu filho pra sair e terminar o dia num hospital!

Flávia solta-se dos braços de Vicente e sai da recepção.

RENATA       —  Vou falar com ela.

Renata sai apressada atrás da amiga.

ENRICO        —  Desculpa, pai. Eu juro que quando vi ele já estava caindo.

VICENTE      —  Eu sei, Enrico. A Flávia tá nervosa.

Fecha em enrico aflitíssimo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. ESTRADA DE TERRA. INT. NOITE.

Luz interna do carro acesa. Zói e Homem1 dentro do carro. 

ZÓI                —  Você tem certeza que tá indo pelo caminho certo, cara?

HOMEM1      —  Claro que tô! Olha o GPS aí que você vai ver a rota que tô indo.

ZÓI                —  Num sei não. Por que o chefe viria pra esses lados?

HOMEM1      —  Porque ele é um fugitivo da polícia! (Ironia) Você queria que ele estivesse aonde? Naquele famoso hotel de Copacabana?

ZÓI                —  Eu sei, cara! Tô matutando aqui o que ele pode tá querendo com nós.

HOMEM1      —  Deve ser alguma notícia nova do esquema.

CORTA PARA:

CENA 19. BARRACÃO VELHO. FRENTE. EXT. NOITE.

Carlito na porta do barracão a observar o carro se aproximando. Zói e Homem1 saltam do carro.

ZÓI                —  Caramba, chefe, mas que lugar horrível é esse?!

CARLITO      —  Na condição de foragido não tem como optar por um hotel cinco estrelas!

HOMEM1      —  E aí, chefe? Como é que tá essa força aí?

CARLITO      —  Bem. Agora vamos entrando que eu tenho uma novidade.

Eles entram no barracão.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 20. BARRACÃO VELHO. INT. NOITE.

Eles entram. CAM mostra um homem de costas.

Ao entrar os dois dão de cara com Armando e quase morrem do coração.

ZÓI                —  Não sabia que tava aqui na companhia de alguém, chefe!

CARLITO      —  Sim, estou. Revele-se!

Armando vira-se e os dois ficam surpresos.

ARMANDO   —  E aí, rapaziada? De boa?

ZÓI                —  Você? Eu pensei que tava morto!

Closes alternados em todos. Homem1 e Zói boquiabertos, Armando e Carlito sorriem. Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO 55º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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