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Partes de Mim – Capítulo 59 – Penúltimo

PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ANA

CARLITO

CRISTINA

ENRICO

GAEL

GLÓRIA

ISABELITA

KARINA

MARIA DE FÁTIMA

MARTA 

MIGUEL

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ARMANDO, HACKER, HOMEM1, POLICIAIS MILITARES,  POLICIAIS FEDERAIS e ZÓI. 


CENA 01. JOALHERIA. FRENTE. EXT. DIA.

Armando e Carlito saem da joalheria apressados, montam nas motos e se afastam em altíssima velocidade. CAM mostra a movimentação de pessoas curiosas saindo de algumas lojas vizinhas à joalheria e acudindo a mulher atropelada. 

CORTA PARA:

CENA 02. LEBLON. RUAS. EXT. DIA.

Os dois nas motos pilotando como uns selvagens da motocicleta. Ultrapassando todos os carros, alguns motoristas buzinam indignados. Ritmo.Corta para um ponto mais a frente: um carro da polícia ali parado no semáforo, quando recebe uma chamada.

VOZ FEMININA — (OFF) Atenção todas as unidades! Roubo na joalheria do Leblon agora mesmo! Dois homens encapuzados! Repito, dos homens encapuzados fugindo em motos de rally.

Eles passam pelo semáforo vermelho velozmente. Os dois policiais da viatura, ligam a sirene e começa a perseguição. Ritmo.Corta para as motos: Armando olha para trás e a viatura se aproximando rapidamente.

ARMANDO   —  (Gritando) Sujou, Carlito!

CARLITO      —  (Olha) Já sabe o que fazer, né?

Armando meneia a cabeça que sim. CAM abre o plano. Os dois se dispersam por ruas distintas e os policiais escolhem seguir Carlito. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. LOCAL ERMO DESCAMPADO. EXT. DIA.

A van da dedetizadora se aproximando em baixa velocidade. Zói salta da van e vomita.

HOMEM1      —  Mas como é fraco. Num aguenta nada você, hein, Zói!

ZÓI                —  Claro! Você viu o que fez com aquela mulher?! Ela foi arremessada pro alto!

HOMEM1      —  Ela também não tinha nada que se meter aonde não devia! O que a gente faz agora?

ZÓI                —  E eu que vou saber? O chefe só disse pra nós esperar ele aqui!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 04. RIO DE JANEIRO. RUAS. EXT. DIA.

Carlito em alta velocidade quase atropela uma senhora que ia atravessando na faixa de pedestre. Ela, de tamanho susto, é acudida pelas pessoas passando no momento. A viatura passa disparada. Corta para a moto: Carlito olha pelo retrovisor e arremata.

CARLITO      —  (P/si) Tá na hora de acabar com isso.

Ele freia a moto bruscamente e a vira de frente para a viatura. A viatura para, os policiais saltam com as armas em punho.

POLICIAL1   —  Mãos ao alto! Desça da moto!

Carlito salta da moto.

POLICIAL1   —  Jogue a arma no chão!

Carlito joga arma no chão e olha para o alto. Os dois policiais cautelosos vem se aproximando. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta abre a porta e Maria de F. entra arrematando.

MARIA DE F.—  Então quer dizer que você me deixou naquela pensão de quinta e está aqui no bem bom?

MARTA        —  Os meus filhos estão morando com aquela mulher. Aonde mais você achou que eu estava morando?

MARIA DE F.—  Mas como é canalha! Nem mesmo num momento como este que eu sou a única aliada, você me dá valor!

MARTA        —  Que dar valor, o quê? Nós não estamos num relacionamento!

MARIA DE F.—  Estamos sim. Nós temos laços fortíssimos! Inclusive financeiros!

MARTA        —  Isso por que você me chantageava. Mas agora que a Sol já descobriu tudo, o seu argumento foi pro ralo.

MARIA DE F.—  Sim, mas em nome das nossas histórias juntas, acho que poderíamos continuar aliadas!

MARTA        —  (Saca a arma e mira em Maria) Não vejo mais sentido algum manter você como minha aliada! Você agora tá pior do que papel higiênico usado. Não tem como virar você do outro lado e usar, assim como um pobre faz!

MARIA DE F.—  Então é isso? Você vai matar a única pessoa que te ajudou todo esse tempo?

MARTA         —  O que você acha?

Fecha em Maria de F. ali aflitíssima sob a mira de Marta. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 06. LEBLON. CAFETERIA CHIQUE. INT. DIA.

Rô e Isabelita ali sentadas. Rô recebe uma mensagem no cel.

ISABELITA   —  Mensagem de quem? Espero que seja do Ricardo.

ROSANGELA —É o Alfredo.

ISABELITA   —  O seu chefe?

ROSANGELA —É. (Lê a mensagem para si)

ISABELITA   —  Eu queria conhecer esse Alfredo só pra dizer na cara dele que ele deveria te forçar a tirar umas férias!

ROSANGELA —(P/si) Essa é a minha chance!

ISABELITA   —  Chance de que, minha filha?

ROSANGELA —Depois eu explico, mãe. Agora eu preciso ir.

ISABELITA   —  Espera, Rosangela! Aonde você tá indo desse jeito?!

Rô sai apressada.

ISABELITA   —  (P/si) Rosangela não tem jeito não! Não sei porque eu ainda perco o meu tempo com uma causa perdida como essa!

CORTA PARA:

CENA 07. RIO DE JANEIRO. RUAS. EXT. DIA.

Continuação imediata da cena 04. Os dois policiais se aproximando.  Carlito olha para o alto. 

POLICIAL1   —  Tá olhando pro alto por quê?

POLICIAL2   —  Tá pedindo ajuda divina agora?

Policial1 segura o braço de Carlito e o outro vai verificar a sacola das joias que está com ele.

POLICIAL2   —  Positivo. São diamantes e outras preciosidades dentro da sacola.

Corta para a CAM aérea de um drone: o drone com o alvo no peito do Policial2, atira e ele cai. O outro Policial assustado, coloca a arma na cabeça de Carlito e o faz de escudo. Corta para CAM terrestre:

POLICIAL1   —  O que foi isso?

CARLITO      —  (Aponta) Aquilo ali.

POLICIAL1   —  Um drone?

O policial atira em direção ao drone, que voa para mais distante. Corta para a CAM aérea do drone: o drone com o alvo posicionado no pescoço do Policial1, atira e o mesmo cai com sangue esguichando pelo pescoço. Carlito pega a sacola da riqueza e faz um sinal de Ok com o polegar em direção ao drone. Monta na moto e disparado vai se afastando. CAM terrestre mostra o drone. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. SALA TODA ESCURA. INT. DIA.

CAM dá um close na tela do controle do drone ainda ali o mesmo local.

HACKER      —  (Voz desfigurada) Mais uma etapa concluída com sucesso!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 09. LOCAL ERMO. EXT. DIA.

Homem1 e Zói terminando de se trocarem.

ZÓI                —  O que a gente faz com essa roupa da dedetizadora?

HOMEM1      —  Deixa aí na van mesmo.

ZÓI                —  Mas e se eles descobrirem?

HOMEM1      —  A vida útil dessa van termina aqui agora!

ZÓI                —  (Vê Armando se aproximando) Olha lá quem tá chegando?

HOMEM1      —  (Olha) Mas cadê o outro?

ZÓI                —  Será que o chefe deu um fim no Armando?

A moto se aproxima e derrapa ao parar. Armando tira o capuz.

ZÓI                —  Ué!

HOMEM1      —  Você, mas cadê o chefe?

ARMANDO   —  Era o que eu também gostaria de saber. Tivemos que nos separar. A polícia tava na nossa cola!

HOMEM1      —  Caramba, cara. Espero que o chefe consiga escapar!

ARMANDO   —  Mas ele vai! Nós temos ajuda aérea e terrestre!

Fecha em Homem1 e Zói sem entender. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 05. Marta ainda com a Maria de F. 

MARIA DE F.—  Então vai lá, Marta! Me mata! Me mata logo!

Marta tem uma crise de riso e começa a dar altas gargalhadas.

MARIA DE F.—  Você é doente, Marta!

MARTA        —  (Sorrindo) Você deveria ver a sua cara!

MARIA DE F.—  Claro! Aponta esse troço pra mim, você queria que eu ficasse como?

MARTA        —  Só estava lhe dando um susto pra você ficar esperta!

MARIA DE F.—  Não achei graça nenhuma!

CORTA PARA:

CENA 11. LOCAL ERMO DESCAMPADO. EXT. DIA.

Armando, Homem1 e Zói ali a admirar a van da dedetizadora em chamas. 

ZÓI                —  Daqui a gente vai pra onde, Armando?

ARMANDA   —  (Olha para o relógio) Calma que daqui há dez segundos vocês vão ver.

Um helicóptero surge e começa a pousar.

HOMEM1      —  Caramba vocês pensaram em tudo mesmo, hein!

O Helicóptero aproxima-se do solo, mas não encosta. Armando começa a colocar as sacolas que vieram com ele no helicóptero.

ARMANDO   —  (P/Piloto) Pontual, o cara! Bem na hora em que marcamos.

ZÓI                —  Mas e o chefe? Nós não pode ir sem ele!

HOMEM1      —  Olha ele vindo lá!

CAM mostra Carlito vindo em alta velocidade com duas viaturas da policias vindo mais atrás. Um dos policias se pendura na porta e dispara duas vezes contra Carlito, mas não acerta.

ARMANDO   —  Vamos! Subam!

Os três sobem no helicóptero que se afasta um pouco do solo, Carlito vem na moto em direção ao Helicóptero. Ele olha o penhasco e arremata.

CARLITO      —  Só uma chance!

Ele salta da moto em movimento e se agarra no esqui do helicóptero, que levanta voo rapidamente. CAM mostra a moto explodindo em SLOW ao se chocar com as pedras. Os Policias saltam das viaturas e começam a atirar em direção ao helicóptero, mas sem sucesso.

CORTA PARA:

CENA 12. CÉU. HELICÓPTERO. INT. DIA.

Armando e Zói tentando puxar Carlito.

ARMANDO   —  (P/Homem1) Ajuda aqui!

Homem1 dá uma forcinha e eles conseguem puxar Carlito para dentro do helicóptero. Carlito respira rapidamente.

ARMANDO   —  (Brinca) Agora que já está aqui sã e salvo, não vai ter um infarto, né?

CARLITO      —  É muita adrenalina prum cara da minha idade!

ZÓI                —  Agora nós tá sem rumo e com o bolso cheio!

HOMEM1      —  É isso aí! Agora é só comemorar o sucesso!

Fecha em Armando, que mantém uma certa estranheza. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. TRÍPLEX DE SOL. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Campainha tocando. Glória ali sentada no sofá a folear uma revista. Sol desce a escada.

SOL               —  Mamãe, a senhora não tá ouvindo a campainha?

GLÓRIA        —  Ouvir eu até ouvir, mas isso é trabalho da Mazé e da folgada da Juliana.

SOL               —  Lá vem a senhora implicando com a menina!

Sol abre a porta e Rô arremata.

ROSANGELA —Olá, Solange. Eu sou, Rosangela, colega de trabalho do Alfredo. Será que poderíamos conversar?

Fecha em Sol sem entender o que Rô está a fazer ali. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CONSTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Cristina entra, se senta, o tel. fixo toca, ela atende.

CRISTINA     —  (Ao tel.) Alô? Você? O que você quer? (Feliz) Não acredito! Então deu certo? Mas quando vai ser? Não, não. Pode deixar que a construtora vai levar essa!

Ela fica ali séria. Instantes. Mistério.

CORTA PARA:

CENA 15. AEROPORTO DE JACAREPAGUÁ. PISTA DE POUSO. EXT. DIA.

O helicóptero terminando de pousar no heliporto, ao lado da pista de pouso. Todos saltam.

ARMANDO   —  Vou ali acertar o valor do piloto e ver o nosso voo.

CARLITO      —  Claro, Armando. Vai lá.

Armando segue para uma cabine distante do heliporto. Carlito fica ali pensativo, cabisbaixo.

ZÓI                —  Chefe?

CARLITO      —  O que, Zói?

ZÓI                —  Aconteceu alguma coisa?

CARLITO      —  Não!

HOMEM1      —  Tem certeza, chefe? Nem parece o mesmo que há uns minutos atrás escapou da polícia de um jeito extraordinário!

CARLITO      —  Vocês acham que adrenalina é tudo, mas não é! A verdade é que eu fiquei pensando na minha vida antes dessa bomba explodir e eu aparecer na imprensa.

ZÓI                —  Mas chefe, tu não era o que mais queria esse golpe?

CARLITO      —  Sim, mas daí eu penso que não vou mais voltar a ver minha família… Principalmente minha filha!

CORTA PARA:

CENA 16. TRÍPLEX DE SOL. COBERTURA. EXT. DIA.

Glória e Gael ali deitados nas espreguiçadeiras.

GLÓRIA        —  Juliana agora que sabe que você é dono da casa, tá se achando.

GAEL            —  Para com isso, vó. A Ju não tá se sentindo nada confortável com a senhora falando isso dela por aí.

GLÓRIA        —  E eu com isso? Ela está sim se achando e eu não vou me calar!

GAEL            —  Tá, vó. Mas eu queria conversar com a senhora sobre outra coisa.

GLÓRIA        —  Pode falar, meu neto.

GAEL            —  A senhora e todo mundo já devem ter notado que mesmo o Miguel voltando com a Adriana, ele ainda continua meio… Sei lá, parece triste.

GLÓRIA        —  Eu percebi isso. Ele parece estar desconfortável.

GAEL            —  É, pode ser isso.

GLÓRIA        —  Tá, mas você queria conversar comigo só sobre isso?

GAEL            —  Não! Eu na verdade, queria pedir a ajuda da senhora.

GLÓRIA        —  Pra quê?

GAEL            —  A senhora com esse seu jeito poderia conversar com o Miguel e a Adriana e dizer que eles estão vivendo de aparências.

GLÓRIA        —  Mas como assim: “a senhora com esse seu jeito”?

GAEL            —  É que a senhora quando tem que falar, fala mesmo!

GLÓRIA        —  É… Talvez seja desse empurrãozinho que o Miguel e essa garota precisam para deixar de lado essa relação mascarada deles!

CORTA PARA:

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CENA 17. AEROPORTO DE JACAREPAGUÁ. PISTA DE POUSO. EXT. DIA.

CAM mostra Armando ali na cabine a olhar seriamente para Carlito, Zói e Homem1. Corta para Carlito:

HOMEM1      —  Pois é, chefe. Mas agora bola pra frente. E o senhor ainda vai poder entrar em contato com ela.

ZÓI                —  Isso se a menina ainda querer falar com ele!

HOMEM        —  (Cutuca Zói) Cala boca!

Armando se aproxima com meia garrafa de champanhe.

ARMANDO   —  Tudo certo, gente. 

CARLITO      —  O que você tá fazendo com meia garrafa de champanhe?

ARMANDO   —  Era a única que eles tinham para comemorarmos. Comprei com um cliente do aeroporto que tinha acabado de estourá-la. Vamos?

HOMEM1      —  Próxima parada agora é o país dos Hermanos.

ZÓI                —  (Comemora) Uhu!

Corta para um outro ponto do aeroporto:  CAM mostra o piloto dentro do avião bimotor. O piloto liga o motor. Armando, Carlito, Homem1 e Zói sobem no avião. Armando fecha a porta e o mesmo começa o processo de decolagem. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. PRÉDIO DE RICARDO E FLÁVIA. FRENTE. EXT. DIA.

Karina e Enrico saem do prédio conversando.

ENRICO        —  Você deveria ir comigo qualquer dia desses.

KARINA       —  Vou pensar! No momento estou muito ocupada.

Miguel se aproxima.

MIGUEL        —  Karina, será que a gente pode conversar?

ENRICO        —  Essa não! O que esse cara tá fazendo aqui?

MIGUEL        —  Dá licença que eu quero falar com a Karina!

ENRICO        —  Quem você pensa que é pra chegar aqui desse jeito e querer papinho com a minha namorada?

MIGUEL        —  Larga esse idiota e fica comigo, Karina! (Ajoelha) Eu te amo, Karina!

ENRICO        —  (Dá um soco na boca de Miguel) Você ficou maluco, rapá?!

Miguel coloca a mão na boca, que começa a sangrar. Ele se levanta e arremata.

KARINA       —  Se eu tiver que brigar pela Karina, eu vou brigar!

ENRICO        —  Ah é? Então cai dentro que eu quebro a tua cara!

Os dois começam a briga e Miguel é atingido por socos e chutes e tenta se defender.

KARINA       —  (Desesperada) Pelo amor de Deus! Parem com isso vocês dois! Para! Larga ele Enrico! Para com isso!

Miguel grita furioso e empurra Enrico contra uma parede e começa a dá-lhe socos e chutes na altura do estômago. Enrico cai no chão desmaiado.

KARINA       —  (Acode Enrico) Enrico? Fala comigo Enrico! O que você fez, Miguel?

MIGUEL        —  Eu só me defendi! Karina eu preciso/

KARINA       —  (Corta, grita) Sai daqui! Sai daqui!

Miguel se afasta e o porteiro do prédio vem ajudar Karina com Enrico. Os dois o levam para dentro do prédio.

CORTA PARA:

CENA 19. CÉU. AVIÃO BIMOTOR. INT. DIA.

Armando ali a mexer no cel. Carlito a olhar pela janela. Zói colocando seus óculos preto e Homem1 com medo.

ZÓI                —  (Debocha) Acho que o rato aqui não é o Ratão Máster não, é você, cara!

HOMEM1      —  Me deixa, Zói. Tu sabe que eu não gosto nada dessas coisas de altura.

CARLITO      —  Cadê aquela champanhe, Armando?

ARMANDO   —  (Pega e passa a Carlito) Tá na mão!

CARLITO      —  (Coloca em três copos) Vamos fazer um brinde ao sucesso do nosso plano!

ZÓI                —  Verdade, chefe. Tudo que é bom e dá certo tem que ser comemorado!

Carlito passa um copo para Zói e outro para Homem1.

ARMANDO   —  Eu não quero não, Carlito.

CARLITO      —  Mas por que não quer?

ARMANDO   —  Só quero comemorar quando pousarmos na Argentina!

CARLITO      —  Você que sabe!

ZÓI                —  A nossa vitória!

Carlito, Zói e Homem1 brindam. Armando sério continua a olhar para o cel. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada pensativa. Maria de F. vem da cozinha comendo algo.

MARIA DE F.—  Mas e então, Marta, o que fez com que você voltasse ao apartamento?

MARTA        —  Eu fui muito burra ao pensar que não poderia voltar ao meu apartamento. Afinal, eu estou em liberdade e além do mais, o apartamento está em meu nome.

MARIA DE F.—  Verdade. Mas você tá muito quietinha pro meu gosto. Pensei que você sairia da cadeia e viria com tudo pra cima da Sol.

MARTA        —  Calma, queridinha. Tudo tem o seu momento. Deixa eles pensarem que estão na paz que eu volto para acabar com o que é bom.

MARIA DE F.—  E aonde eu entro nisso tudo?

MARTA        —  Ainda estou analisando. Mas vamos sair que eu vou te mostrar uma coisa.

MARIA DE F.—  Que coisa?

MARTA        —  Você vai ver em primeira mão o local aonde tudo vai ter um fim!

As duas saem para a rua. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 21. APART DE RICARDO E RÔ. SALA. INT. DIA.

Karina ali limpando o rosto de Enrico com um paninho.

ENRICO        —  Deixa aquele moleque comigo. Na próxima, eu acabo com a raça dele!

KARINA       —  Na próxima não! Não haverá próxima! Será que sou só eu que tenho noção de que isso não é legal? Vocês acham mesmo que precisam lutar por mim?

ENRICO        —  E não é a lei dos mais fortes?

KARINA       —  Isso não se aplica na nossa situação!

ENRICO        —  Claro que se aplica. Tô brincando Karina. Eu sei que isso foi errado, mas daí o cara se ajoelhar na minha frente e falar que te ama. Desculpe, mas eu não aguentei.

KARINA       —  Eu sei. Mas isso poderia muito bem ter sido evitado.

ENRICO        —  Como assim, Karina? Do jeito que você está falando até parece que a culpa é minha!

KARINA       —  Claro que não, Enrico! Só acho que vocês dois erraram!

ENRICO        —  Não interessa! O mais errado nessa história é ele e fim de papo! O cara me vem com esse papinho de que te ama na minha frente e você queria que eu fizesse o quê? Que ele aplaudisse e desse todo o apoio a ele!

KARINA       —  Não seja idiota, Enrico! Você sabe muito bem que não é isso que eu disse!

ENRICO        —  Ah, agora eu que tô sendo o idiota? (Se afasta dela) Chega, Karina! Já saquei qual é a tua!

KARINA       —  Como assim, Enrico?

ENRICO        —  Você ainda gosta daquele cara!

KARINA       —  Claro que não! De onde você tirou isso?

ENRICO        —  De onde eu tirei isso? É sério que ainda me pergunta isso? Faz o seguinte: volta com ele, volta! Porque pra mim já deu!

Enrico sai, batendo a porta violentamente. Karina fica ali estarrecida. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 22. CONSTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Cristina ali feliz a mexer no notebook. Vicente entra.

VICENTE      —  Nossa! Pelo visto a oficialização do divórcio te deixou muito animada.

CRISTINA     —  Não é isso, Vicente.

VICENTE      —  Ah, é o que então?

CRISTINA     —  Coisas minhas. Mas o que você veio fazer aqui?

VICENTE      —  Vim para conversarmos sobre a construtora.

CRISTINA     —  Se for pra falar sobre a crise financeira que estamos passando, eu acho que as coisas podem melhorar.

VICENTE      —  Sério? Porque os números não são nada animadores.

CRISTINA     —  Ainda não são. Mas eu sei que as coisas vão melhorar.

VICENTE      —  Não sei aonde você arrumou tanta esperança, mas torço muito pra que você esteja certa!

CORTA PARA:

CENA 23. CÉU. AVIÃO BIMOTOR. INT. DIA.

Armando ali a sorrir olhando para Zói, Homem1 e Carlito dormindo.

ARMANDO   —  Mas como é fácil!(Aproxima-se do piloto) Vou abrir a porta aqui pra despachar aquele peso desnecessário, pode ser?

O piloto faz sinal de ok. Armando abre a porta do avião. Saca uma faca e crava no pescoço de Zói e Homem1.

CORTA PARA:

CENA 24. CÉU. AVIÃO BIMOTOR. EXT. DIA.

Avião estabilizado. Os corpos de Zói e Homem1 são jogados do avião. CAM vai acompanhando os corpos até os mesmos se chocarem no mar.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 25. CÉU. AVIÃO BIMOTOR. INT. DIA.

Armando ali olhando Carlito ainda vivo e sem ferimento algum.

ARMANDO   —  Você, Carlitinho da Silva, eu deixei por último. E sabe por quê? Você terá uma morte mais lenta que os demais. Não tinha nada contra os outros dois, mas eram palermas demais para continuarem vivos. (Saca a arma com silenciador e num gesto rápido dá o primeiro tiro na perna de Carlito) Será que doeu?

Carlito se mexe, mas está dopado demais para despertar.

ARMANDO   —  (Sorrindo) Como eu anseie por esta cena. Não se pode ter misericórdia por um cara que na primeira oportunidade me trancafiou naquele barracão velho… Morrendo de fome!

PILOTO         —  Odeio ter que acabar com a sua vingança, mas já estamos quase chegando a terra firme.

ARMANDO   —  Tá ok, meu amigo. 

Armando atira no peito de Carlito duas vezes e joga seu corpo para fora do avião, fecha a porta e fica ali respirando rápido.

CORTA PARA:

CENA 26. ALTO MAR. EXT. DIA.

Corpo de Carlito se chocando com a água. Depois retorna a superfície boiando. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 27. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Ana ali trabalhando, quando quatro policiais federais entram.

POLICIAL F.—  Boa tarde!

ANA              —  (Assustada) Boa tarde.

POLICIAL F.—  (Olhando o mandado) Vicente Macedo e dona Cristina Macedo estão?

ANA              —  Estão sim, vou avisar que vocês estão aqui.

POLICIAL     —  Não será necessário! Apenas nos diga aonde é a sala deles.

ANA              —  (Aponta) É aquela ali.

Os quatro dirigem-se a sala. Ana sem entender nada. Instantes

CORTA PARA:

CENA 28. CONTRUTORA MACEDO. SALA CRISTINA. INT. DIA.

Vicente e Cristina ali sentados. Os quatro policiais federais entram.

CRISTINA     —  Que isso?

VICENTE      —  Posso ajuda-los em alguma coisa?

POLICIAL F  —  Vicente Macedo e Cristina Macedo?

CRISTINA     —  (Ao mesmo tempo) Sim.

VICENTE      —  (Ao mesmo tempo) Sim.

POLICIAL F  —  A construtora Macedo virou alvo de investigação da operação lava-jato depois de constatarmos que a construtora possui contratos com o governo do estado do Rio de Janeiro.

VICENTE      —  Mas como assim? Pelo que eu saiba nós só temos um contrato com a prefeitura para a construção de um prédio no centro.

POLICIAL F  —  Pelo visto o senhor está menos informado do que a gente. Através de investigações e de o telefone grampeado de um assessor do ex-governador… Descobrimos licitações superfaturadas que ainda iriam ser assinadas.

CRISTINA     —  Isso não pode ser verdade!

POLICIAL F  —  E ainda tem mais, a construtora pagou propina ao ex-governador para ser a vencedora das próximas obras.

Fecha em Vicente boquiaberto, Cristina por sua vez, nervosa. Instantes. 

CORTA PARA:

CENA 29. RUA DESERTA COM UM PENHASCO. EXT. DIA.

Carro de Marta se aproximando em baixa velocidade. O carro para e Maria de F. e Marta saltam do carro.

MARIA DE F.—  O que a gente tá fazendo aqui?

MARTA        —  É aqui, Maria…. É aqui que tudo vai ter um fim.

MARIA DE F.—  Como assim, Marta? Eu ainda não conseguir entender o que você quer me trazendo pra cá.

MARTA        —  Sabe, Maria… As vezes nós confiamos demais nas pessoas… E esse é o maior erro. O ser humano é traiçoeiro… A qualquer momento ele pode trair a sua confiança.

MARIA DE F.—  Do que é você está falando?

Marta afasta-se de Maria, saca a arma e atira duas vezes na cabeça.

MARTA        —  (P/si) Sem tempo pras últimas palavras que eu tenho muito o que fazer. Tive que te trazer até aqui porque no prédio as chances de dá merda são grandes!

Ela fuça os bolsos da roupa de Maria de F. e pega seus pertences e cel., coloca em seu bolso e pega o corpo pelos pés e vem caminhando, até o que o joga (corpo) no penhasco. CAM mostra o corpo caindo. Marta sorrir. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO 59º CAPÍTULO

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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