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Plantão Backstage – 03/04/2020

Bom dia, leitor(a)! Hoje é sexta-feira. O Plantão de hoje será em ritmo de Observatório, mas a internet resolveu me deixar na mão e não tive como deixar a resenha pronta a tempo. Então a resenha da novela Relações Destrutivas (Rajax) vai dividir espaço com a de Amada Família (Megapro) na atração dominical. Então vamos embarcar em outro quadro do programa.

Selecionei alguns vícios de linguagem bem irritantes na hora da leitura para mostrar pra você. 

A NÍVEL DE:

Todo mundo já leu essa expressão em alguma frase em tom “formal”, “empresarial”, “acadêmico” e por aí vai. Por exemplo:

O Brasil é um país desenvolvido a nível de cultura.

A frase parece muito bem escrita, não é. Só parece. A forma a nível de não existe na modalidade formal da língua e não passa de um modismo; portanto, evite-a.

O Brasil é um país culturalmente desenvolvido.

Existe a forma ao nível de (note o ao), que significa à mesma altura ou profundidade de, o que não deve ser confundido com a versão errônea acima. Exemplo:

Aquela casa se situava ao nível da praia.

“PORISSO” E “CONCERTEZA”:

As locuções por isso e com certeza não se juntam, não formam uma palavra só.

Concerteza Com certeza ela virá à festa, porisso por isso separe uma cadeira para ela.

“À” PARTIR DE:

Partir é um verbo, logo não aceita artigo antes dele. A crase em à, por sua vez, é formada pela junção da preposição a com o artigo a. Se verbo não pede artigo, então não tem como formar a crase. Conclusão: não existe crase na frente de verbo. A forma correta, então, é a partir de.

A partir de hoje, as publicações na plataforma começam depois das sete.

PREPOSIÇÃO NO FINAL DA FRASE:

Você já deve ter visto construções como a que se segue:

Acabei de assistir à novela. Vamos conversar sobre.

Sobre o quê, caramba? Ok, sabemos que é sobre a novela, mas a modalidade formal da língua portuguesa não permite o uso das preposições desacompanhadas de complemento. Na verdade, há estruturas no inglês que jogam as preposições para o final da frase, e isso foi mal adaptado para o nosso idioma, gerando maus exemplos como o de cima.

A regra é: se usar preposição, coloque complemento. Assim:

Acabei de assistir à novela. Vamos conversar sobre ela.
Acabei de assistir à novela. Vamos conversar sobre isso.
Acabei de assistir à novela. Vamos conversar.

O último exemplo não deixa claro que o assunto da conversa é a novela (pode ser qualquer tema), mas também tem uma construção gramatical correta.

“VOU ESTAR FAZENDO” GERUNDISMO:

Outra “praga” mal adaptada do inglês ao português, esse vício é conhecido por causa da maneira de falar de muitos atendentes de telemarketing. Assim como foi publicado no Observatório do último domingo (29), o verbo no gerúndio pode representar uma ideia de continuidade, simultaneidade ou ação/fenômeno momentâneo, como em:

Suzana estava passando roupa quando Olavo voltou pra casa.
Distraída, Alícia vive tropeçando nos degraus.
Gilda está arrumando a mesa para o almoço.

Observe agora uma frase típica dos operadores de telefonia, telemarketing, consultórios e afins:

Vou estar providenciando o reagendamento da consulta.

Essa frase não tem nenhuma das três ideias a serem expressas pelo gerúndio, logo ele não deve ser usado. Prefere-se trocá-lo pelo infinitivo ou pelo futuro do presente (mais formal), pois se trata de uma simples ação, que, no caso, é a de reagendar. Assim:

Vou providenciar o reagendamento da consulta.
Providenciarei o reagendamento da consulta.

Em outra oportunidade, trago outros vícios bem irritantes. No mais, desejo um ótimo almoço, um excelente fim de semana e o principal, que é saúde. Até a próxima!

POSTADO POR

Marcelo Delpkin

Marcelo Delpkin

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