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Quem é você?

 

Quem é você?

 

Eu caminhava animado pelo evento, olhando todas as pessoas que passavam pelos estandes e atrações. Era gostoso ver as pessoas juntas em prol de um hobby que vinha se tornando cada vez mais popular. Quem diria que um dia ser nerd seria popular? Ou, melhor dizendo, ser geek, que era como os mais jovens se denominavam.

Parei em um local estratégico, liguei a câmera do smartphone virado para mim e comecei a gravar.

— Fala, galera! Tudo bem com vocês?! Eu tô aqui hoje na nossa queridíssima Geek CON 2018, pra mostrar a vocês o 2° ano do evento da nossa fabulosa cidade, que vem atraindo cada vez mais e mais pessoas! Quem sabe um dia nós cheguemos ao nível de uma COMIC CON? Não custa sonhar! — Dei um riso breve e acenei como se chamasse alguém. — Vem comigo e vamos ver o que esse ano aguarda para nós.

Caminhei pelo local gravando todas as atrações, o espaço dos jogos (e participei de quase todos, é claro), os estandes de vendas (morri numa grana preta com os quadrinhos) e todas as pessoas ali fantasiadas, incluindo casais e famílias que faziam cosplay em conjunto.

Para mim, essa era a melhor parte do evento. Ver as pessoas vestidas de personagens das obras que gostavam. Cosplays desde os clássicos princesa Lea e Darth Vader, do Star Wars, à diferentes versões do Doctor e uma menina com vestido com estampa de TARDIS, até personagens de jogos, tipo Lara Croft e Link (o nome não é Zelda!), e quadrinhos, Deadpool e Homem-Aranha eram os favoritos.

E o meu maior objetivo era tirar foto com todos eles. Principalmente com os participantes do concurso, porque evento que se prezasse tinha que ter concurso de cosplay!

Fiquei que nem pinto no lixo andando de um lado para o outro pedindo para tirar foto com todas as pessoas fantasiadas que eu via, registrando todos os personagens, conhecidos e desconhecidos. Até achar o que eu queria: a área das apresentações. O palco já estava preparado com todo o material necessário e o local para os jurados e, ao lado do mesmo, estava a área de camarins improvisados para os concorrentes. Tentei entrar lá, mas o segurança mal encarado me vetou, mesmo eu dizendo que era um youtuber que tinha um canal voltado para essa área do entretenimento. O jeito era aguardar até a apresentação, que começaria dali a uma hora.

Tempo o suficiente para fazer um lanche. Na minha correria para chegar no início do evento, havia apenas tomado um café, meu estômago urrava de fome. Pedi um lanche e procurei um canto para me sentar. Por sorte, ainda não estava no horário de maior movimentação, então não foi difícil me acomodar.

 

 

Enquanto comia, eu mexia no celular e postava algumas notícias e fotos, dando uma atualizada para meus seguidores nas redes sociais. Mal notei quando alguém esbarrou em mim e quase derrubou o aparelho da minha mão.

— Desculpe! — A garota falou nervosa e pegou os guardanapos que haviam caído no chão.

— Tudo bem. — Dei um leve sorriso para tranquiliza-la e brinquei: — Tenho reflexos ninjas! — E mostrei o celular à salvo em minha mão.

Ela deu um leve riso e ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Que gracinha. Prestes a perguntar o nome dela e me apresentar, o telefone da jovem tocou o alarme programado e ela arregalou os olhos, surpresa pela hora.

— Desculpa, eu tenho que ir, tchau! — Ela falou e saiu correndo.

Fiquei intrigado, imaginando o porquê de tanta pressa, enquanto a via quase derrubar mais coisas ao longo do caminho. Dei um leve riso e neguei com a cabeça, depois resolvi guardar o celular no bolso e terminar a refeição.

Na hora certa, eu saí da área de alimentação e voltei para o palco, acomodando-me em uma das cadeiras restantes diante do mesmo, então esperei que o show começasse.

Os cosplays estavam sensacionais. Óbvio que tinham aqueles mais simples, feitos de improviso apenas pela diversão, que fizeram a todos rir com suas cômicas apresentações. Porém, havia aqueles excepcionalmente elaborados, que me fizeram ficar de queixo caído com a perfeição.

Foram algumas horas de apresentações nas diversas categorias e, depois que os vencedores foram anunciados, eu corri para tirar selfies com todos.

Todos menos um.

Porque um cara com uma fantasia sensacional de Nazgûl parecia se esquivar de mim. A roupa estava perfeita, os tecidos, a armadura, até a miniatura da montaria, a besta alada esquisita, que carregava consigo. 

Ah, não, nenhum cosplayer iria fugir de mim. Saí de casa com o objetivo de tirar fotos com todos e era aquilo que eu iria fazer! Mas tinha que admitir que o cara era bom em sumir por entre a multidão, com uma fantasia que deveria fazê-lo parecer um farol! (Não no sentido literal, óbvio, já que um farol não era todo trajado de preto.)

Enquanto eu me apressava pelos corredores apinhados de gente, tentava imaginar porque aquela pessoa parecia fugir de mim. Aquilo só atiçava a minha curiosidade e aumentava minha vontade de descobrir quem era a pessoa.

O vi andando à frente e olhar para trás antes de acelerar o passo. Eu sorri me sentindo um detetive em perseguição. Virei no corredor mais próximo e fui pelo outro lado. O cara mal viu quando eu apareci diante dele pouco depois, surgindo no corredor principal, adjacente aos que estávamos.

— Oi! Posso tirar uma foto com você? — Perguntei antes que ele pudesse fugir.

O Nazgûl pareceu hesitante, mas depois acenou concordando com a cabeça. Eu dei um largo sorriso e tirei algumas selfies com ele, depois guardei o celular e o olhei intrigado.

— Olha, pode ser estranho, ou paranóia minha, mas estava fugindo de mim?

A pessoa fantasiada baixou a cabeça e virou-a para o lado, eu supunha que estava desviando o olhar, já que não podia ver seu rosto debaixo da máscara. Estava tímido? Por qual motivo?

— Eu fiz alguma coisa que te desagradou? — Perguntei, preocupado. O cara virou a face de volta para mim e negou rápido com a cabeça. Se não havia o ofendido, nem nada do tipo, então por quê?

Semicerrei os olhos. Perguntar o porquê parecia incisivo demais e eu estava mais curioso com outra coisa. O olhei e dei um largo sorriso, tentando ser simpático para conhecê-lo.

— Posso ver quem tá por debaixo dessa máscara? — Ele hesitou de novo e eu insisti. — Prometo que não vou contar pra ninguém que você é.

Aguardei a resposta. Pareceu uma eternidade até ele concordar com a cabeça e suas mãos se erguerem até o capacete para retirá-lo. Fiquei boquiaberto ao descobrir quem estava por trás daquela fantasia. Ninguém menos que a menina que esbarrara em mim na hora do lanche. A fantasia a deixava mais alta e o traje escondia muito bem suas formas femininas.

— Uau! — Exclamei, admirado.

A garota sorriu tímida e ajeitou o cabelo da mesma forma que antes.

— Essa é uma forma bem única para “nenhum homem é capaz de me matar”, não acha? — Citei e ela riu da piada pra lá de infame. — Por que fugiu de mim?

— Eu… fiquei com vergonha. — Ela corou.

— Será que essa vergonha te permitiria aceitar meu convite para falar de nerdices? — Sorri.

Ela riu de novo e negou com a cabeça, depois passamos a caminhar juntos pelo resto do evento.

 

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POSTADO POR

Fabi Prieto

Fabi Prieto

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