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Riacho Paraíso – Capítulo 29 – Últimas Semanas

 

 

O fogaréu chega na área da aldeia Toriba, uma enorme cortina de fumaça invade as ocas e os índios correm desesperados. Sami ver um pequeno índio sentado no chão e chorando, ele pega a criança no colo e de longe ver a cacica Jaci na porta da oca dela e passando mal, então, corre em direção a ela.

—Cacica! Cacica Jaci!

Sami consegue conduzir a cacica para longe do incêndio.

 

 

Anderson estava acordado e Inácio entra no quarto da UTI.

—Pai, como está? —aproximou-se da cama.

—O corpo todo dolorido.

—Não é por menos, é um milagre ter sobrevivido o acidente.

—É talvez se tivesse morrido seria melhor, não causaria tantos problemas.

—Não diga isso, pai, todo mundo ficou preocupado com você. Eu mesmo virei a madrugada esperando a hora que você poderia receber visitas.

—É por caso tenho que me comover com isso?

—Tá difícil, doutor Anderson, você sempre com uma resposta ácida na ponta da língua.

—Não seria eu se não fosse assim.

—E a Fernanda?

—A essa hora tá no Almirante.

—Por ironia do destino foi aquele doutorzinho que salvou a minha vida, só pode ser a vida debochando comigo.

—Deveria estar grato.

—Hum, ele fez a função dele como médico.

—Aceite que está devendo uma a ele. Não seja prepotente.

—Prepotente, eu? Quero ver se fosse com você se iria gostar de ser salvo por seu inimigo.

—Ao contrário de você, eu não tenho inimigos.

—Pois mesmo que o Marcos ter me salvado, eu não vou desistir da minha ribeirinha. Só preciso sair daqui o quanto antes.

Marcos entra no quarto.

—Esse não morre mais. —riu Anderson.

—Falavam de mim, mas já sei que da sua parte não foi nada bom, Anderson.

—Ainda bem que você sabe que não simpatizo nenhum pouco com você e isso já me poupa de hipocrisias.

—Ótimo, eu não suporto hipocrisias, se não gostam de mim que sejam verdadeiros e neste quesito admiro sua sinceridade. É melhor inimigos revelados do que inimigos que fingem ser amigos.

—Como está o estado de saúde do pai? —perguntou Inácio olhando para Marcos.

—Está em uma boa melhora e pela noite se tudo continuar progredindo pra melhor, então, vou transferi-lo para o quarto.

—Que bom saber disso. Logo, saíra deste hospital, tenho fé, pai.

—Hum-hum, minha melhora tem um nome: Fernanda. É só colocar a minha ribeirinha do meu lado que saio deste hospital em dois tempos e ainda planto bananeira.

Anderson, Inácio e Marcos dão risada.

—O pai diz cada coisa.

—Então, que mágica tem a Fernanda que é capaz de cura um paciente da UTI tão rápido? Tenho que descobrir esse mistério para curar os outros pacientes também. —disse risonho.

—Não acredito que nesse tempo todo que está ciscando no terreno não percebeu o que a minha ribeirinha tem de tão especial? Ela tem tudo que eu quero e preciso.

—É claro que sei, a Fernanda é única, é uma mulher incrível.

—Ela é minha, se contente com isto, doutor Marcos.

—Bom, o que eu sei é que ela é livre para escolher quem ela quiser ficar. Com licença. —saiu.

—Você não desiste mesmo, hein? Ela o ama e você está sobrando nessa.

—Você que pensa, guri do mato. A ribeirinha me ama.

 

Os brigadistas contém as queimadas na aldeia Toriba. Anahí acaba de chegar na aldeia e ver a vegetação toda destruída pelo fogo, animais silvestres mortos queimados como o tamanduá bandeira, o tatu e a cobra, os olhos da índia enchem de lágrimas até que viu um filhote de veado-campeiro ferido ao lado da mãe morta.

—Calma, eu vou cuidar de você. —pega o filhote de veado-campeiro e sai em direção as ocas.

Anahí se aproxima dos demais indígenas e ver Cacica Jaci sentada em uma cadeira sendo amparada pelos demais e Sami ao lado.

—Acabo de chegar do hospital e fiquei sabendo do que aconteceu após chegar alguns Toriba feridos.

—Anahí, foi horrível, minha filha.

—O fogo avançou rápido na aldeia.

—Achei esse filhote veado-campeiro ao lado da mãe morta, ele está ferido, coitadinho.

—Lá naquela cabana as autoridades ambientais estão cuidando dos animais feridos. —apontou para o lugar.

Anahí saiu em direção a cabana.

—Estou preocupada com os demais indígenas porque muitos se feriram com essa queimada.

—Sangue Toriba é forte e vamos sobreviver a essa tragédia. O Grande Espírito me mostrou em uma visão.

—O que será essas queimadas? São da natureza ou são da mão do homem branco?

—Isso o Grande Espírito não me revelou.

 

Rafael, sentado no braço do sofá, Luana em pé ao lado do marido e Jacinta um pouco afastada próxima da poltrona os três estão na sala do casarão da Dois Rios.

—Triste de ver tanto animal morto e as terras pretas iguais carvão. Nunca vi algo parecido neste anos todos que trabalho no pantanal.

—É Jacinta, é um misto de tristeza, de impotência e injustiça. Essas queimadas mexeram comigo.

—Rafael, não podemos permitir que essas situação nós abata. Somos os Barreto e vamos reconstruir tudo que o fogo nós tirou.

—Luana, meu amor, nesta madrugada tão angustiante e depois que amanheceu em ver o estrago que restou, passou tanta coisa na minha cabeça, eu lembrei dos meus pais e dos seus anos de dedicação a essas terras, da minha mãe na cama do hospital me fazendo jurar que está fazenda continuaria sendo produtiva e de cuidar do meu irmão caçula.

—Eu te entendo, amor. —o abraça por trás e o beija o rosto.

— Me lembro como hoje mamãe me disse: “Rafael, quando eu fechar os olhos você não será mais um guri e sim o dono destas terras assim como seu irmão, mas ele ainda é guri demais pra administrar tudo. Daqui pra frente é você e a sorte.”

—Dona Eulália, que Deus a tenha, era uma mulher de pulso firme assim como a dona Luana.

—É uma pena que não tive a oportunidade de conhecer minha sogra.

—Depois que minha mãe fechou os olhos, lá estava eu sozinho imaturo um rapaz de dezenove anos, inexperiente e com irmão caçula de catorze anos que nem aí tinha interesse com as terras. Eu enfrentei muito obstáculo pela frente, gente sabida que confiei e me puxaram o tapete, fui enganado, duvidaram da minha capacidade, afinal, era um garoto, porém, soube me reerguer e aprendi a lidar com a vida como ela realmente é.

—Eu me lembro de tudo isso, eu dizia que tivesse paciência e que confiasse que no final para quem age com verdade e honestidade dá tudo certo.

—Foi sim, Jacinta, e te agradeço pelo seu carinho e sua força, foi e é uma segunda mãe para mim e para o Anderson.

—Vai dizer o Anderson sobre as queimadas?

—Não, amor, não vou. Eu não quero que o Anderson piore porque mesmo que ele nunca tenha se importado com a administração destas terras, acredito eu que deva existir algum valor sentimental nele pela memória de nossos pais.

—Certo, você tem razão, amor. —afastou-se e sentou ao lado do marido.

—Eu ainda tenho mais essa preocupação: o Anderson.

 

A tarde, Amélia andava pelas estrada até que uma caminhonete parou e Diogo sai rapidamente em direção a ela.

—Amélia!

—Socorro! —gritou Amélia ao ver Diogo correndo em sua direção.

—Vem cá! Vem! —ele a puxa e tampa a boca dela.

—Socorro! —gritou abafado.

—Quietinha, se você cooperar vai ser melhor.

Diogo arrasta Amélia para dentro da caminhonete e ela em desespero tentava se desvencilhar dele que abre uma das portas da caminhonete e a joga para dentro do banco dos passageiros.

—O que você vai fazer comigo, Diogo? Me solta, Diogo!

—Tá doida, guria? Você me vale muito dinheiro. —ele tira um lenço de dentro do bolso e tampa a boca dela que de repente desmaia.

—Mais fácil do que roubar doce da boca de criança. —fechou a porta da caminhonete.

 

Anderson recebia a visita de Fernanda.

—Soube que já vai para o quarto.

—É, pra você ver o bem que você me faz, minha ribeirinha.

—Já falou com a sua mulher?

—Mulher? A única que tenho é você.

—Anderson, me poupe, você ainda é casado com a Verônica.

—Verônica pouco se importa comigo, acho que torce que eu me dê mal pra ficar com a minha herança.

—Ela tem o direito de saber do que aconteceu com você.

—Vamos falar de nós. O nosso beijo lá na sala da tua casa.

—O que tem aquele beijo?

—Você me correspondeu admita.

—Não correspondi nada. E você não tinha o direito de me beijar de supetão e olha no que deu?

—Bem que você gostou.

—Anderson, se vai ficar falando deste beijo eu vou embora. —dirige em direção a porta.

—Não, não, não vá, eu preciso de você aqui comigo. Eu preciso de você, Nanda, da sua presença, do seu cheiro, da sua pele, da sua voz, minha ribeirinha.

—Haja paciência para aguentar essas suas declarações de amor baratas, repetitivas e cansativas.

—Admita que você não se cansa de ouvi-las, você gosta de me ver assim louco apaixonado por você.

—Eu vou embora.

—Espera, me faz um favor antes de ir.

—Qual?

—Liga para o Darlan, eu quero falar com ele.

—Você ainda não o viu?

—Não.

—Tá bom, eu vou fazer esse favor para você e depois vou embora.

 

Darlan estava em uma cabana dentro do acampamento nas suas terras.

—Alô? —atendeu o celular.

—Oi, filho. —falava pelo celular de Fernanda, ela segura o celular para ele porque seus braços estão engessados.

—Pai?

—É, eu acordei. Não foi dessa vez que seu pai foi dessa pra melhor. —risonho.

—Que bom.

—Onde você está? Ainda não te vi.

—Pai, estou muito atarefado com o projeto do hotel fazenda e não deu tempo para ir aí no hospital.

De repente entra Diogo na cabana.

—Seu Darlan.

Darlan ver Diogo.

—Eu vou ter que desligar. Depois a gente se fala. Tchau. —desliga. —Espero que essa sua guria não me decepcione e que esteja altura da propaganda que você fez dela, hein, Diogo, eu paguei caro por ela.

—Garanto que não vai se decepcionar com Amélia.

 

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POSTADO POR

Raphaelle Leandro

Raphaelle Leandro

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