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Se Não For Você, Não Será Mais Ninguém! – Capítulo 1 – Fique comigo – Isa Miranda

Capítulo 1 – Fique comigo

No hospital geral, logo que deram entrada, Wei Ying ainda tagarelava preso a maca, foi direcionado para ambulatório sendo acompanhado de Lan WangJi.

Um homem vestido de jaleco branco se aproximou, enquanto os paramédicos soltavam com cuidado as faixas de segurança.

— HanGuang-Jun. – O homem se curvou ao outro solene, após receber um aceno de cabeça, virou-se para o rapaz deitado, tentando acalmá-lo. – Muito bem rapaz, como se chama? – Pegou de seu bolso uma pequena lanterna e acendeu olhando os olhos e examinando o ferimento na cabeça.

— Wei Ying.. E doutor, eu estou bem, não precisa me internar.

O jovem médico sorriu e virou o rosto para Lan WangJi.

— Veremos, primeiro os exames, depois direi. – Tocou o ferimento, um talho na testa do rapaz. – Suturar. – Recebeu da enfermeira o kit necessário para limpeza do loca. – Levar uns pontos. – O jovem médico era gentil e demonstrava simpatia.

— O braço. – Lan WangJi estava o tempo todo do lado.

— Ah, eu estou bem, já cai muitas vezes, não está quebrado.

WangJi tocou e apertou o punho do rapaz.

— Aiiii, calma, isso dói.

— Hn.

— HanGuang-Jun, isso é cruel.

Lan WangJi girou os olhos sutilmente e voltou a face ao jovem médico que sorriu enquanto preparava agulha para dar os pontos.

— SiZhui não há ossos quebrados.

— Provavelmente uma luxação, nada que um tempo imobilizado não resolva.

E sobre protestos do rapaz, SiZhui suturou o ferimento, uma fileira de dez pontos sobre a sobrancelha esquerda.

— Vamos aos exames Wei Ying.

— Isso dói. – Resmungando depois de choramingar, olhou para Lan WangJi. — Eu estou bem, não precisa de exames.

— O médico que decide.

SiZhui juntamente com a enfermeira, prepararam a maca e outro enfermeiro veio para levar a sala de exames. Wei Ying estava atento a todos os detalhes, percebendo que o homem que havia salvo tinha roupas caras e elegantes, assim como o médico que não vestia o mesmo traje do hospital. Lan WangJi optou por aguardar enquanto fazia uma chamada. Enquanto se dirigiam para sala de exames, SiZhui instruía a enfermeira sobre os procedimentos.

— Ei, doutor SiZhui…

— Sim. – Sorriu ao rapaz gentilmente.

— Esse homem que salvei, HanGuang-Jun, vocês se conhecem? Ele é rico, certo?

— Lan WangJi é o segundo herdeiro da Família Lan, e nos conhecemos sim, ele é meu pai.

— Ah! – Wei Ying ainda mais curioso continuou a perguntar. — E doutor não é médico desse hospital, acertei?

— Não, sou médico da família, quando HanGuang-Jun me ligou informando o que aconteceu, vim de imediato, não se preocupe, será bem tratado. – SiZhui tocou o ombro do rapaz e olhou os enfermeiros para prepara-lo para os exames.

Os olhos de Wei Ying tinham um certo brilho arteiro.

“Ha ha ha ha, tirei a sorte grande, será que posso pedir um prêmio? Ou ele pode comprar meus amuletos, dá um bom dinheiro. Não posso ficar muito tempo nesse hospital, preciso juntar mais rápido dinheiro e voltar para casa.”

— Doutor SiZhui, depois dos exames, posso ir embora?

— Calma rapaz, ainda nem começamos.

Por uma hora foram feitos todos os tipos de exames, eram tantos que a expressão tediosa na face do rapaz já começara a se irritar.

— Doutor SiZhui, acho que já está bom de exames.

SiZhui acompanhava-o para o quarto.

— Não se preocupe Wei Ying, já acabaram, agora vou esperar resultados de alguns, enquanto isso, fará uma refeição e descansará.

Quando entraram no quarto, Wei Ying estava aos protestos pedindo para ir embora, Lan WangJi estava elegantemente sentado em um sofá lateral com um outro rapaz bem vestido que lhe entregava uma pasta preta.

— JingYi, não o esperava aqui. – SiZhui o cumprimentou.

— HanGuang-Jun pediu umas informações, estava perto e resolvi trazer e claro… – O outro rapaz sorriu e se aproximou da cama onde Wei Ying havia sido colocado com auxílio dos enfermeiros. – Ver de perto quem salvou HanGuang-Jun. Sou Lan JingYi, e rapaz está se sentindo melhor?

— Estaria melhor se pudesse ir embora. – Resmungou virando o rosto chateado.

— Não. – Lan WangJi falou de onde estava e continuou olhando o conteúdo da pasta. – Não irá embora.

— Wei Ying, seja paciente. – SiZhui sorriu a ele gentil. — Vamos aguardar os exames.

Wei Ying bufou e encostou a cabeça no travesseiro, de certa forma estava cansado e aquela cama era a melhor coisa que pôde se deitar em toda sua vida. Não tardou muito para pegar no sono, SiZhui já havia administrado alguns medicamentos no soro que recebia. Algumas horas depois, Wei Ying despertou sonolento, ouvia vozes baixo conversando e seu nome, resolveu fingir que ainda dormia para saber o que falavam.

— HanGuang-Jun, todos os exames prontos, aparentemente o atropelamento não deixará sequelas, a pancada na cabeça e o corte, são amenos, nada que prejudique o cérebro. O bom que é agiu rápido, os ossos foram restaurados de imediato com sua energia espiritual, mas por precaução pedi que imobilizasse o braço e a perna até estar completamente curado. Os demais exames que me preocuparam um pouco, o jovem Wei Ying está com anemia e inicio de uma pneumonia, prescrevi um tratamento e posso acompanhar caso deseje. – SiZhui olhou para Wei Ying de onde estava. – Garantirá que fique bem de saúde.

Wei Ying fingindo dormir, ficou confuso sobre a parte que falaram de seu ossos serem restaurados por energia espiritual, aquilo era estranho e decidido a ouvir mais continuou em silêncio.

— Cuidarei dessa parte. – Lan WangJi olhava para Wei Ying deitado na cama. – Algo mais?

— Ele falou o tempo todo, acredito que isso seja um bom sinal de está psicologicamente bem. – SiZhui se levantou e caminhou a beira da cama examinando o cateter que estava na mão esquerda do rapaz, regulando o soro. — Ele deve acordar com fome, pedi que preparasse uma refeição leve, deseja que traga algo para HanGuang-Jun?

— Hn.

SiZhui curvou a WangJi e se retirou, deixando-o com o rapaz que fingia dormir. Levantou e caminhou até ele, parando do lado da cama. Silencioso ficou um bom tempo observando até que estendeu a mão e tocou leve a face afastando a mecha de cabelo que caía sobre os olhos.

Suaves batidas na porta chamaram sua atenção e WangJi se afastou para abri-la, a enfermeira trazia a refeição para Wei Ying, depois de deixar ao lado da cama, saiu.

— Wei Ying.

Wei Ying continuava de olhos fechados, fingindo dormir.

Lan WangJi caminhou até a bandeja e abriu a tampa da pequena tigela de sopa que, de imediato, exalou o aroma no ar. O rapaz abriu os olhos e sentindo doer o braço tentou se sentar, mas fez uma careta de dor com o movimento brusco da perna. WangJi aproximou e segurou seu braço com gentileza para o rapaz se apoiar na cama.

— Coma.

Estendeu a bandeja e apoiou sobre uma mesa móvel.

— HanGuang-Jun, obrigado! – Ao inspirar o aroma, Wei Ying virou quase de uma vez a sopa, reclamando um pouco por estar quente.

— Não precisa me chamar assim. – WangJi em sua típica expressão fria observava o rapaz.

— Como eu devo chamar? Todos chamam assim. – Terminou de todo conteúdo da tigela.

— Hn.

— Será que tem mais? – Wei Ying estendeu a pequena tigela, olhando para a outra bandeja.

WangJi pegou a pequena tigela e serviu mais da sopa, voltou a estender para o rapaz.

— Lan Zhan.

Wei Ying pegou sorridente aquela tigela e voltou a tomar em goles generosos, olhou por cima da borda da tigela para WangJi. Engoliu um pouco do líquido cremoso e sorrindo voltou a tagarelar.

— Lan Zhan, essa sopa está ótima.

— Wei Ying, quando foi a última vez que comeu?

Wei Ying voltou a tomar goles generosos, recordando da conversa que ouvira enquanto fingia dormir.

— Quando tem, quando me doam, quando eu vendo meus amuletos… Ah, eu comi hoje, batatas assadas. – Sorriu. — Ah meus amuletos… – Tentava mudar de assunto e olhou pelo quarto em busca de sua sacola.

— Compro todos.

— Ah? Jura? – Os olhos do rapaz brilharam. – Ah, viu só, agora tenho para comer quando for embora.

— Não irá embora.

Wei Ying olhou-o incrédulo.

— Por que, Lan Zhan?

Lan WangJi se afastou da cama e foi para o sofá, sentou e pegou seu laptop, abriu e começou a ler.

— Ei, Lan Zhan…? Por que? Lan Zhan…? – Wei Ying colocou a tigela vazia sobre a mesinha e afastou. – Lan Zhan, por que não posso ir embora?

— Descanse, é proibido falar no hospital.

— Ah? – Wei Ying bufou, virando o rosto. – Lan Zhan, você é mandão… Doutor SiZhui irá me dar alta e vou embora, quero ver me impedir.

Lan WangJi continuava silencioso, lendo algo na tela do aparelho.

— Lan Zhan… Lan WangJi… HanGuang-Jun… – Wei Ying chamava-o quando sentiu a garganta arder e de repente sua voz sumiu.

Assustado começou a bater na cama, gesticulando e acenando para Lan WangJi que o olhou, colocou o aparelho do lado no sofá, levantou e caminhou até Wei Ying que ainda tentava falar, apontando para a garganta com os olhos arregalados. WangJi o fez deitar, puxou as mantas claras e o cobriu.

— Está tarde, durma.

Wei Ying por alguma razão a qual ele não entendia por que não conseguir falar e tão logo que WangJi o cobriu, não conseguiu mais se mexer. Ficou um bom tempo tentando imaginar se a pancada na cabeça realmente não tinha afetado algo nele. Se desesperou em alguns momentos acreditando que nunca mais falaria, outra vezes tentava se mexer em vão, por fim vencido pelo cansaço acabou dormindo novamente.

Na madrugada, Wei Ying acabou acordando, aquele horário estava muito silencioso, o andar onde ficara era uma área reservada no hospital, afastada de alas da emergência, abrindo os olhos recordou que tinha perdido os movimentos do corpo, no entanto quando tentou se mexer sorriu feliz que o pior não tinha acontecido.

Levantou o corpo e sentou na cama, olhando diretamente para Lan WangJi que estava sentado no sofá de olhos fechados com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas nos joelhos, a posição de meditação era conhecida pelo rapaz. Lentamente, puxou o cateter do pulso e saiu da cama, pegando sua sacola, andou sorrateiro até a porta.

Quando tocou a maçaneta para abrir, sentiu o ar gelar a espinha e uma mão empurrar a porta para fechar novamente.

— Ahhh, Lan Zhan, estava acordado? Claro que estava ha ha ha…

— Wei Ying, fique.

— Lan Zhan, eu agradeço a ajuda, eu salvei você… – Wei Ying virou-se para WangJi. – Eu preciso ir, ficamos quites, certo?

— Wei Ying, está doente.

— Que nada, isso é bobagem ha ha ha…

— Não.

Wei Ying engoliu seco, não sabia mais o que fazer para convencer o outro a deixa-lo ir, pensativo voltou a argumentar.

— Lan Zhan, eu tomarei os remédios que o doutor SiZhui prescreveu, farei tudo. – Levantou a mão com os três dedos apontando para o céu. — Acredite em Wei Ying, ficarei bem. – Sorriu por fim.

— Volte para cama, amanhã discutimos. – WangJi afastou para o rapaz passar.

— Lan Zhan, eu…

— Wei Ying. – WangJi olhou-o sério uns minutos, inspirou baixo. – Fique até ficar curado.

Wei Ying não tinha outra opção, talvez quando saísse do hospital conseguisse fugir de WangJi, por hora pensou que seria melhor concordar.

— Lan Zhan, está bem, ficarei até ficar curado. – Voltou para a cama, após sentar deitou se cobrindo como um bolo no meio da mesma.

“Lan Zhan, vou ficar até conseguir fugir, he he he…”

Continua…

Atualização dos capítulos terça, quinta e sábado às 22h 

 

POSTADO POR

Isa Miranda

Isa Miranda

Escritora, design digital, editora de vídeos, assessora e divulga autores iniciantes. Publica em plataformas digitais, participa de antologias, escreve para o Cyber TV, mãe de Rafael e Yasmin e não gosta de café.

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