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Se Não For Você, Não Será Mais Ninguém! – Capítulo 11 – O demônio dos sonhos – Parte 1 – Isa Miranda

Capítulo 11 – O demônio dos sonhos – Parte 1

— ZiXuan poderia andar mais rápido com essas compras? – Wei Ying estava agitado empurrando o carrinho do mercado, vez ou outra olhava a tela do smartphone, verificando se o sinal havia voltado, desde que entrou no local o sinal sumiu e com isso ele não conseguia mais responder as mensagens de WangJi. – Esse aí está bom, A-Li gosta de bem maduro. – Apressando o outro que escolhia algumas frutas e toda vez que ele parava para pegar itens da lista de compras.

— Wei Ying, não estou com pressa, ainda temos muito que ver no mercado. – ZiXuan tentava a todo custo manter o rapaz junto com ele, mas a sua paciência começou a diminuir a cada resmungar do garoto. – Vá na parte de congelados e pega esses itens da lista. – Entregou a Wei Ying um pedaço do papel.

— Ah, me entrega logo, vou pegar e assim vamos logo para casa, Lan Zhan vai acabar indo embora com minha demora. – Pegou o papel e foi para as bancadas de frios no lado oposto de onde estavam.

— Ele veio te ver, claro que ele vai esperar. – Observou ele se afastar e caminhou para outro lado, chegando perto da porta de saída pegou o seu smartphone e ligou para YanLi, após dois toques foi atendido. – A-Li, já terminou tudo?

“— Ainda não, ele está agitado, não é?”

— Muito, reclamando além do normal, não sei mais o que fazer para segurar ele aqui.

“— Dei-me um minuto, vou pensar em algo.”

Na residência, YanLi caminhava pelo quintal até o portal de entrada do antigo templo, haviam tocado a sineta e ciente da presença dos convidados, abriu-o sorrindo para o trio.

—Sr. WangJi. – Afastou para que ele entrasse. – Bem-vindo. – Olhou a dupla que entrou logo atrás. – Dr. SiZhui e Sr. JingYi que bom que vieram, A-Ying vai ficar muito feliz em revê-los.

WangJi curvou leve a cabeça cumprimentando-a ao entrar no local.

— Nos não íamos perder a comemoração. – SiZhui sorrindo cumprimentou-a.

— Parece-me agitada? – JingYi reparou que ela estava no telefone com alguém.

“—A-Li, é o sr. WangJi?” – ZiXuan agitou-se do outro lado da linha.

— Sim, ZiXuan, só um minuto. – Olhou para eles e sem jeito explicou a situação. – ZiXuan levou A-Ying ao mercado, precisávamos tirar ele de casa para arrumar tudo, mas as crianças estão agitadas e acabei atrasando os preparativos da festa dele. – Olhou para WangJi. – Ele quer vir embora.

WangJi, suspirou suavemente, sabendo do tamanho que era ansiedade de Wei Ying, notando o olhar da jovem suplicando por ajuda, decidiu ir até o mercado para encontra-los.

— Vou até eles.

— Ah que bom, vou precisar de pelo menos uma hora para arrumar tudo. – Voltou a falar com o noivo. – ZiXuan, sr. WangJi está indo encontra-los, aguenta mais um pouco. – Desligou a chamada e sorriu ao trio.

— Não se preocupe, SiZhui e JingYi irão ajudar. – WangJi olhou-os e virou-se para ir ao local sendo seguido por YanLi que lhe orientou a direção do estabelecimento.

Logo que ele saiu, a jovem voltou e olhou os dois rapazes ainda um tanto sem jeito.

— Desculpem-me, fazer os convidados trabalharem na organização, mas eu realmente sou grata pela ajuda.

— Não se preocupe, não é trabalho nenhum. – SiZhui caminhou para dentro da residência.

JingYi o seguiu e logo depois YanLi entrou, estavam todos arrumando o local, enfeitando com balões e fitas coloridas.

No mercado, Wei Ying já tinha pego quase todos os itens da lista, andou empurrando o carrinho até encontrar com ZiXuan perto do caixa.

— Ei, ZiXuan, já fiz minha parte, você ainda está de mãos vazias? – Wei Ying notou por fim que o sinal do seu telefone voltou quando um bip da mensagem ecoou do bolso de seu casaco. – Olha, voltou finalmente o sinal, deve ser mensagem de Lan Zhan. – Pegou o aparelho do bolso e abriu o aplicativo de mensagens, sorrindo em seguida. – Lan Zhan está vindo.

— Wei Ying, vamos pagar as compras. – ZiXuan foi para o caixa.

Wei Ying digitava na tela do aparelho respondendo ansioso as mensagens de WangJi.

“Lan Zhan, fica ai me esperando, já chego em casa.”

O agito era tanto que não notava ZiXuan pedir para tirar as compras do carrinho.

— Ele está demorando a responder.

— Você é chato, vai ver que ele se cansou e foi embora. – Sorrindo, ZiXuan provocou o garoto.

— Ele não foi embora, Lan Zhan disse que vinha, ele prometeu.

— Calma… – Continuando a colocar as mercadorias na bancada do caixa, balançou a cabeça negando, enquanto tinha um leve sorriso vitorioso pela provocativa bem-sucedida.

— Wei Ying.

Wei Ying ainda olhava a tela do aparelho quando ouviu seu nome vindo da porta do estabelecimento, a voz foi reconhecida de imediato, o rapaz chegou a arfar ao virar o rosto e depara-se com WangJi que caminhava até ele.

— Lan Zhan. – Murmurou o nome alheio sentindo um leve arrepio na nuca, seu coração saltou no peito, estava tão ansioso em vê-lo que por um momento perdeu as palavras.

— Sr. WangJi. – ZiXuan cumprimentou-o e olhou Wei Ying. – Eu disse que ele não iria embora.

Wei Ying ainda olhava Lan WangJi um tanto encantado quando ouviu o risinho provocativo de ZiXuan.

— Disse nada. – Estreitou os olhos para ele.

WangJi mantinha os olhos sobre Wei Ying quando falou a ZiXuan.

— Srta. YanLi pediu que retornasse.

— Claro, estou terminando, obrigado.

— Lan Zhan, eu… – Wei Ying se aproximou sorrindo, após se recuperar daquela emoção ao rever WangJi, começando a tagarelar. – Olha, não consegui responder suas mensagens, esse lugar não pega o sinal, fiquei nervoso pela demora de ZiXuan, não consegui responder.

WangJi olhava-o e fez um gesto com a cabeça para segui-lo, caminhando para a saída do local. Wei Ying, seguia-o ainda falando sem parar da demora de ZiXuan no mercado.

— ZiXuan demorou tanto, Lan Zhan… – Wei Ying caminhava ao lado de WangJi no estacionamento. — Por isso você veio, não é?

— Vocês vieram de carro?

— Sim.

WangJi parou ao lado de seu carro e abriu a porta.

— Vamos.

Wei Ying rapidamente entrou no carro, radiante nem se preocupou mais com o outro que estava ainda no mercado.

WangJi entrou e assumiu o volante, ligando o veículo em seguida, fez a manobra e saiu do estacionamento.

— Wei Ying, aonde quer ir?

— Ah?! Não vamos para casa?

— Vim passar um tempo com você, sua família sabe.

Os olhos do rapaz brilharam e com o sorriso ainda maior que o costumeiro fez o olhar de WangJi oscilar levemente, apesar de sua expressão passiva não denunciar que seu coração pulsava intensamente no peito.

Virando no banco do carona, Wei Ying ficou pensativo, estava perto do anoitecer e muito frio, mas para onde iriam? De repente lembrou de um local que sempre quis ir para passear e só fora uma vez.

— Vamos para Rua Wangfujing. – Sorrindo olhou-o – Eu só fui lá uma vez e queria conhecer melhor.

— Hm. – Concordando – Nunca fui.

— Ah?! Como nunca foi?

— Trabalho.

— Credo Lan Zhan, você não sai para se divertir?

— Não.

Chocado o rapaz olhava-o imaginando como o outro fazia para se divertir nas horas vagas.

— Você não se diverte Lan Zhan? O que faz para se distrair?

— Eu leio, ouço música, toco a guqin, medito… – Olhou-o no canto dos olhos. – Pratico artes marciais com espada.

Wei Ying balançou a cabeça negando com sorriso arteiro na face.

— Lan Zhan essas coisas até acho legal, mas só isso…? – Voltou olhar para a rua, continuando a tagarelar. – Ler é chato, música é legal, tocar instrumento é bom, medita… – Fez uma careta. – E meditar é argh…

— Deveria meditar.

— Eu?! Não. – Negou veemente. – Não conseguiria.

— Deveria, é muito ansioso.

— Eu não sou ansioso, só não gosto de esperar.

WangJi olhou-o ao para em um sinal vermelho.

— Ahhh, tá bom, sou ansioso… – Rolou os olhos.

— Estamos chegando.

— Já?

— Hm.

Wei Ying olhou-o pela janela ao abrir continuando a falar.

— Lan Zhan, definitivamente vou te ensinar a se divertir, não é saudável viver só de trabalho e coisas certinhas. – Fez uma breve careta quando notou que WangJi havia encontrado um local para estacionar. – Ei, Lan Zhan, quero ver aqueles espetinhos de escorpião, vamos comer?

WangJi franziu levemente a testa, não respondeu, saltando do carro esperou pelo garoto, que agitado rapidamente fechou a porta do carro parando ao lado dele.

— Vamos Lan Zhan, quero ver tudo.

Agarrou a mão dele e o puxou para seguirem a Rua Wangfujing, aquele local era um dos pontos mais famosos de Pequim, no entanto era mais interessante a noite. Como WangJi havia combinado com a irmã de Wei Ying, distrair o rapaz, ficariam até anoitecer para que ele visse a rua que havia o mercado noturno de comidas e que vendia os espetinhos de insetos.

Conforme caminhavam pela larga rua, Wei Ying praticamente fazia um interrogatório sobre os gostos de WangJi, na verdade ele havia pensado nessa forma de abordar o assunto que mais lhe interessava, e conforme perguntava e recebia respostas mesmo que curtas, chegou ao ponto que queria, saber sobre Wei WuXian.

— Lan Zhan. – Tomando goles de chocolate quente, sentou em uma cadeira em frente a casa de chá que haviam parado. – O que fazia para se divertir quando tinha minha idade?

WangJi sentou em outra cadeira ao lado dele e tomou pequeno gole da bebida quente. Virou a face para o rapaz.

— Sempre estudava, não havia tempo para diversões.

— Ah, que chato, são as quatro mil regras de sua família certo?

— Hn.

— Então, se não se divertia, não tinha amigos. – Olhou-o um pouco triste. — Credo Lan Zhan, tem que ter um amigo ao menos. – Sorveu mais um pouco do chocolate quente.

— Meu irmão.

— Irmão não conta.

WangJi olhou-o com leve brilho inquietante nos olhos claros.

— Conta. – Wei Ying sorriu sem jeito. – Irmão é da família, ele conta, mas não conta… – Gesticulou por fim com a mão. – Ah, você entendeu.

— Wei Ying.

— Hum? – Tomando outro gole olhou-o por cima da borda do copo.

— O que quer saber?

— Errr…

— Houve um.

— Wei WuXian? – Adiantou-se em tocar no nome, percebendo que poderia ter feito besteira cobriu os lábios com uma das mãos.

— Desde o dia que você pronunciou esse nome, esperava que voltasse a perguntar. – WangJi olhava-o intensamente, apesar da face inexpressiva. Seus olhos tinham um brilho além do normal.

— Vocês eram amigos?

— Não.

— Ah, entendo.

— Ele queria, eu não.

Wei Ying  ficou prestando atenção, queria perguntar mais, porém algo dentro dele o impedia de continuar.

— Quando percebi, ele se foi, não houve tempo.

WangJi virou o rosto observando as pessoas caminhando pela rua. Seu coração batia forte, a sensação era boa em está com Wei Ying, mesmo que fosse uma outra pessoa em uma nova vida, ainda assim era Wei Ying e falar sobre o passado era só uma forma de reconforta seu coração. WangJi voltou a face para o garoto.

— O que mais quer saber?

Wei Ying ficou calado e pestanejou ao perceber que aquele assunto realmente afetava WangJi, sorriu por fim e curvou leve a cabeça.

— Não é nada demais, somente saber que teve um amigo, Lan Zhan, agora você tem mais um amigo. – Wei Ying colocou o copo na mesinha e levou os três dedos ao alto. – Serei seu amigo para sempre.

WangJi olhou-o por uns segundos, um leve sorriso apareceu em seus lábios, sentia uma imensa vontade de trazer o garoto para seus braços, porém, aquele momento e local não era apropriado.

— Vamos voltar. – WangJi levantou.

— Ah, já vamos embora? Mal chegamos, ainda quero comer escorpião.

— Compramos e vamos voltar, já está tarde.

— Ah, ok, ok, ok… – Quando levantou, Wei Ying fungou e espirrou, apesar de está bem agasalhado havia uma brisa fria na noite.

— Wei Ying.

— Sim, Lan Zhan… – Quando virou para o outro recebeu um cachecol branco com bordados azuis na pontas, surpreso olhou-o e depois para WangJi. – Não tinha visto que tinha um cachecol.

— Estava dentro do bolso do meu casaco. – WangJi ajeitava-o em volta do pescoço de Wei Ying. – Vamos.

Wei Ying sorriu e seguiu ao lado de WangJi para o comercio noturno de iguarias que desejava tanto provar, mas vez ou outra abaixava o rosto para sentir o cheio de sândalo que o cachecol tinha, era o aroma de WangJi e isso o deixava ainda mais feliz.

No orfanato, todos aguardavam por eles, YanLi já havia preparado o macarrão, as crianças já haviam pintados os ovos de vermelho e colocado sobre a mesa, os balões coloridos enfeitavam o ambiente, além disso ZiXuan comprou um bolo para cantarem par...

No orfanato, todos aguardavam por eles, YanLi já havia preparado o macarrão, as crianças já haviam pintados os ovos de vermelho e colocado sobre a mesa, os balões coloridos enfeitavam o ambiente, além disso ZiXuan comprou um bolo para cantarem parabéns. Meng Su estava satisfeita comentando com SiZhui e JingYi que aquele momento era especial por ter o neto vivo, um duplo aniversário.

YanLi estava perto da janela quando ZiXuan se aproximou dela.

— Segundo Dr. SiZhui eles já estão chegando.

— Que bom, eles demoraram.

— A-Li sabe como é A-Ying, deve ter arrastado sr. WangJi para todo lado.

— Sim, pobre Sr WangJi. – Sorriu quando notou o farol do carro virar na curva da rua onde moravam. – São eles, vamos todos apaguem as luzes. As crianças sorriam baixinho, e todos estavam esperando no escuro, prontos para a entrada do rapaz.

WangJi seguia Wei Ying quando entraram no quintal do templo.

— Lan Zhan, está tudo escuro. – Notou que dentro da casa estava silencioso. – Será que aconteceu algo? – Sem esperar pela resposta do outro correu afoito entrando pela porta de qualquer jeito.

— FELIZ ANIVERSÁRIO WEI YING!!!! – Todos gritaram e as crianças correram para agarrar o irmão.

— O que?!! – Muito surpreso, mal pode acreditar no que viu olhando todos a sua volta. Retribuiu os abraços das crianças que pulavam e jogavam fitinhas coloridas nele. — Por que? Quando? – Buscou com olhar por WangJi. – Lan Zhan, sabia?

— Hm. – Confirmou com olhar.

— A-Ying, felicidades. – YanLi abraçou-o.

— Deixa-me abraçar meu neto. – Meng Su veio sorridente abraçando-o. – Estamos felizes por ter você conosco, queríamos comemorar.

— Vó Su, meu aniversário já passou.

— Sim, mas decidimos comemorar de novo, você estava dormindo e nem viu o bolo que compramos.

Wei Ying estava em coma quando completou 15 anos, naquela ocasião, mesmo no hospital YanLi, ZiXuan e Meng Su cantaram parabéns para ele.

Todos sentaram a mesa, para festejar, Wei Ying recebeu os presentes de SiZhui e JingYi, assim como os de sua irmã e ZiXuan. Realmente aquela noite estava sendo especial para o rapaz, duplamente feliz por ter as pessoas que ele mais amava perto dele. Vez ou outra olhava para WangJi e sorria ainda mais, ele tinha muita sorte em ter conhecido e seu coração dizia que foi a melhor coisa que lhe aconteceu.

Não era realmente aniversário dele, mas o fato de se reunirem já se tornara uma data importante, dessa maneira mesmo que as tradições fossem quebradas, o que importava era comemorar a vida e todos tinham isso em seus corações.

A comemoração seguiu noite a dentro, após pôr as crianças menores para dormir, YanLi e ZiXuan se juntou aos demais na sala, todos haviam terminado de arrumar a pequena bagunça que ficou a sala devido a comemoração.

WangJi estava sentado em uma cadeira na varanda, ao lado da senhora Su, ela falava sem parar de quando o neto era novo e o que ele aprontava deixando todos apavorados com medo que se machucasse. Wei Ying sentou em outra cadeira ao lado de WangJi demonstrando um leve cansaço, passando a mão no pescoço, bocejou.

— Sr. WangJi, espero que o quarto preparado seja bom para pernoitar, a nossa casa é humilde, mas tudo está de acordo para tenha um boa noite de sono.

— Lan Zhan vai dormir aqui? – Wei Ying surpreso sorriu por fim adorando a ideia.

— Vamos todos dormir, já passou da hora. – Meng Su ralhou e foi para dentro da casa.

— Não lhe deu seu presente. – WangJi levantou e tirou do bolso uma caixinha comprida vermelha.

— Ah, Lan Zhan, não precisa, olha o tanto de coisas que já me deu. – Virou o rosto sorridente para ele. – Realmente não precisa, só de está aqui já é um presente.

WangJi estendeu a caixinha para ele.

— Aceite.

Wei Ying olhou a caixinha e pegou curvando a cabeça agradecendo, abriu-a e sentiu algo familiarmente estranho, era um pingente com franja lilás e um guizo que tinha em todo seu contorno desenho de lótus. Ao pegar o pingente ficou um tempo olhando-o, sem entender muito bem o que estava sentindo, parecia saudade, no entanto, era de que afinal? Levantou o rosto sorrindo para WangJi.

— É muito bonito, vou pendurar na minha mochila.

Caminharam para dentro da residência e o rapaz arteiramente falou ao outro, sem perceber que SiZhui e JingYi se aproximavam conversando com YanLi e ZiXuan.

— Lan Zhan, posso dormir com você?

WangJi olhou-o surpreso e Wei Ying percebeu que eles não estavam sozinhos e gargalhou nervoso ao ver os demais olhando para ele abismados.

— O que foi? – Sorriu novamente completando. – Dr. SiZhui e JingYi também vão dormir no mesmo quarto posso dormir com todos e Lan Zhan.

— A-Ying. – YanLi se aproximou sorrindo sem jeito. – O quarto é um tanto pequeno para três dormirem, imagina você junto, sei como você é, não vai deixá-los descansarem. – Puxou-o pela mão e o arrastou pelo corredor. – Dê boa noite a todos e vamos dormir.

— Ah!!! Eu ainda não estou com sono. – Caminhando resmungando despediu de todos. – Boa noite. – Olho para WangJi sorrindo. – Boa noite Lan Zhan.

— Hn. – Observou ambos sumirem no corredor.

— Minha nossa. – ZiXuan suspirou aliviado. – Pensei que ele iria estragar tudo.

— Tudo bem, ZiXuan, mesmo que ele insistisse, HanGuang-Jun teria outra solução. – SiZhui disse para acalmar o rapaz. – O importante é que ele não questionou o fato de ficarmos.

— Explicar a ele que é por conta do sonambulismo, possivelmente ele começaria a negar e como queremos investigar a situação é melhor que ele nem desconfie de nosso real propósito. – JingYi havia analisado toda a residência a pedido de WangJi, queria encontrar algum vestígio de manifestação espiritual, aproveitara que estava arrumando o local para o aniversário e não levantar desconfiança.

— É bom que o Dr. SiZhui veja o que acontece, nossas noites tem sido complicadas por conta desse sonambulismo de Wei Ying, eu troquei as chaves de casa, A-Li tem medo que ele abra a porta e saia andando pelas ruas, como aconteceu uma noite dessas. – ZiXuan relatava ao trio as vezes que o rapaz andava pela casa e o que ele fazia. – Ele fala com alguém, mas fala muito baixo que mal entendemos, sussurrando praticamente. A noite de ontem ele estava sentado no meio do quintal e parecia construir algo, pelos gestos que fazia com as mãos, por fim eu e A-Li entendemos que ele fazia uma flauta, pq fez o gesto de estar tocando uma.

WangJi ouvia todo relato e em seus pensamentos analisava a situação, possivelmente lembranças ou o subconsciente de Wei Ying se manifestando.

Algo mais de meia hora depois, YanLi retornou e sentou ao lado do noivo, suspirando e demonstrando cansaço.

— Ele finalmente dormiu, fiquei um pouco para ver se realmente havia pego no sono, do jeito que ele está agitado, possivelmente essa noite ele deva ter uma crise. – Ela demonstrava preocupação. – Obrigada, Dr. SiZhui por ficar. – Olhou para WangJi querendo fazer uma pergunta, mas estava receosa.

— Eu sei que casos de sonambulismo são comuns em situações vividas pela qual Wei Ying passou, uma reação neurológica, mas queremos ver para ter uma análise mais precisa.

YanLi olhava para ele e depois para WangJi, suspirou tocando levemente a testa.

— E se não for meramente físico, digo, da cabeça dele depois do trauma?

WangJi estreitou levemente os olhos atento aquela questão, SiZhui notou e perguntou em seguida.

— O que a faz crer que seja algo além do trauma?

Ela arfou levemente o ar, estava receosa olhou para ZiXuan e ele fez um leve gesto de encorajamento para ela continuar a falar.

— É que, algumas das vezes que Wei Ying está nesse estado de sonambulismo eu notei que havia algo ao lado dele. – YanLi falava com muito receio. – Pode ser impressão minha, não sei ao certo, mas algumas vezes via algo perto, parecia uma sombra, mas era tão rápido que eu não sei ao certo se é algo que vi ou coisa da minha cabeça.

JingYi olhou para SiZhui e depois para WangJi, ele que havia procurado por todo local alguma manifestação de energia ressentida ou espiritual, não tinha encontrado nada, negou levemente com a cabeça e a dupla entendeu.

— Srta. YanLi, acredita que é algo espiritual?

— A-Ying ficou muito tempo naquele lugar onde haviam prédios demolidos, vocês souberam dos cemitérios clandestinos e das histórias que estão contando de seres sobrenaturais e fantasmas na nossa região?

WangJi finalmente se manifestou sobre o assunto.

— Acredita que algo veio com ele?

— É estranho, mas eu o vejo falar com essa sombra.

ZiXuan afagou leve o braço da noiva, confortando-a e continuou a falar com eles.

— Eu não duvido de nada, acho que realmente coisas assim acontecem, tememos que esteja atrás de Wei Ying, mas algo me diz que os senhores saberão o que fazer para ajudar. – ZiXuan olhava-os com uma certeza clara no olhar de que sabia quem eles eram.

— Não se preocupem, estamos aqui para ajudar. – SiZhui olhou para WangJi e depois sorriu para o casal de noivos. – Agora sugiro que vão descansar, ficaremos acordados observando.

— Obrigada. – YanLi levantou e curvou a eles saindo da sala para seguir ao seu quarto.

— Sabe quem somos sr. ZiXuan? – JingYi questionou-o.

— Desconfiava desde o hospital, são cultivadores certo?

— Sim.

— Eu já havia encontrado com alguns uma vez quando era mais novo, foi um deles que me tirou do carro onde meus pais morreram, segundo ele foi por conta de uma manifestação, algo do tipo, enfim, longa história, mas eu fiquei curioso e procurei conhecer mais, não sei tudo, mas sei que existem famílias de cultivadores e a família Mo e a família Lan.

— Exatamente. – SiZhui.

— Eu fico feliz que vão nos ajudar, gosto muito do garoto e ver YanLi sofrendo com medo de que algo aconteça com ele me deixa muito preocupado.

— Se houver algo iremos descobrir. – JingYi confortava o rapaz com as suas palavras.

— Obrigado. – Curvando a eles, saiu em seguida para seu quarto.

O trio estava sentado na sala, analisando todas aquelas informações.

— HanGuang-Jun, sobre essa sombra que a srta. YanLi diz ver, chegou a notar algo?

— Não. – WangJi estava analisando a energia de Wei Ying desde aquela tarde e não notara nenhuma manifestação espiritual ou de energia ressentida no rapaz. – Seja o que for deve se manifestar enquanto ele dorme.

A dupla concordou e as horas haviam passado, já era madrugada quando notaram um barulho de passos vindo do corredor, como esperado, era Wei Ying que caminhava, estava de olhos fechados e uma expressão alegre na face.

WangJi se aproximou com cuidado se colocou ao lado dele analisando-o, até então não notando nada diferente além do fato do sonambulismo. Seguiu-o até o rapaz parar no centro da sala e sentar.

SiZhui pegou a bússola para tentar identificar alguma manifestação, porém nada acontecia. JingYi sentou na poltrona ao lado de Wei Ying olhando-o por um tempo, até o rapaz começar a gesticular como se falasse com alguém.

Wei Ying começou a se agitar e levantou agarrando uma almofada, tentava tirar algo ou rasgar puxando algo imaginário da mesma.

— O que ele está fazendo?

WangJi estava no lado oposto e abaixou tentando entender o que eram aqueles gestos e chegou a conclusão que os movimentos eram de tentar soltar algo que estava preso.

— Ele acredita que tem algo preso está tentando soltar. – SiZhui rapidamente entendeu. – HanGuang-Jun, o que faremos?

Nesse momento Wei Ying começou a chorar, puxando e tentando rasgar almofada. WangJi sentiu finalmente a energia ressentida vindo dele.

— Empatia.

SiZhui e JingYi se prepararam para dá apoio a WangJi que iria fazer Empatia com Wei Ying. Assim, ele pegou as mãos do garoto e as segurou firmes para que parasse de se agitar.

— JingYi prepare o sino, caso seja necessário. – SiZhui ficou do lado de Wei Ying. Enquanto, JingYi se posicionou ao lado de WangJi com o sino espiritual.

WangJi fechou os olhos e entrou em Empatia com o garoto, logo que abriu os olhos se viu na Colina Sepultura. Olhou todo o local, era idêntico aquela época, começou a caminhar seguindo para aquele lugar, a caverna do abate, possivelmente era onde Wei Ying estaria. Alguns passos depois, chegou à entrada da caverna.

— Wei Ying?

A cena que se deparou não era bem o que imaginara, caminhando de dentro do lugar uma sombra começou a ganhar um contorno até se manifesta por inteiro na frente de WangJi.

Os olhos vermelhos e a túnica negra balançavam ao ar pesado e ferroso que fazia as narinas de WangJi arderem, um sorriso ecoou e logo em seguida o som da flauta invadiu todo o lugar.

— Wei Ying.

Olhando para WangJi a manifestação de Wei WuXian continuava a tocar a flauta e em sua volta diversas mãos começavam a sair da terra negra, preparando-se para atacar aquele invasor.

Continua…

Daqui a pouco a 2a. Parte – às 22:30 h

 

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POSTADO POR

Isa Miranda

Isa Miranda

Escritora, design digital, editora de vídeos, assessora e divulga autores iniciantes. Publica em plataformas digitais, participa de antologias, escreve para o Cyber TV, mãe de Rafael e Yasmin e não gosta de café.

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