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Se Não For Você, Não Será Mais Ninguém – Capítulo 3 – Ele precisa de você – Isa Miranda

Capítulo 3 – Ele precisa de você

Wei Ying olhava pela janela do carro, sua face estava fechada, irritado com suas frustradas tentativas de fuga, desde a noite que insistiu em deitar na mesma cama que WangJi, ele investia ferozmente naquele ponto, queria irritar o outro para ser expulso, mas o resultado sempre era o mesmo.

WangJi dirigia o carro, sua face era sempre a mesma, pálida e imparcial, porém podia sentir um leve inclinar de lábios para cima, possivelmente sorria da face emburrada do rapaz.  Naquela manhã fizera as tarefas matinais, era fim de semana e decidira levar Wei Ying a tarde para lhe comprar roupas novas, as que vestiam eram velhas e o flagrou costurando algumas mudas, estava frio e devido a pneumonia era necessário roupas mais apropriadas para estação.

— Lan Zhan, até agora você não disse aonde vamos. – Virou a face para o outro ainda um tanto irritado. – Eu não posso sair sozinho e tenho que andar com você. – Inclinou o corpo, sentando de lado e aproximando do outro. – Lan Zhan, me diz, você vai me levar aonde? Vai ser aqueles lugares pervertidos de homens ricos que levam garotinhos? – Gargalhou quando notou o olhar do outro oscilar, mesmo ainda mantendo a visão focada na direção.

A chuva caia fina a tarde, o som do retrovisor ecoava quando WangJi parou no sinal fechado e olho para Wei Ying.

— Wei Ying, por que a pergunta?

Wei Ying ainda ria quando encarou o outro.

— Lan Zhan, porque é estranho essa sua insistência em manter uma pessoa desconhecida em sua casa. – O rapaz começou a tagarelar argumentando as possibilidades de um homem como WangJi agir dessa forma. – Veja bem, você não sabe nada sobre mim, e se eu for da máfia?

— Você é dá máfia? – Perguntou com semblante calmo, voltando a guiar o carro após o sinal abrir.

— Ah?! Claro que não, se eu fosse da máfia você já teria sido sequestrado, rico do jeito que é, vale um bom resgate. – Riu balançando a cabeça negando. – Lan Zhan e se eu te roubasse e fugisse, posso fazer isso sabia?

— Você não vai fugir.

— He he he he… Certo, eu tentei e falhei… – Ficou sem jeito, levantou a mão para o outro. – Mas eu posso te fazer algo ruim quando dorme.

— Por que você faria algo ruim enquanto durmo?

— Porque eu sou um sem teto e posso ser maluco, algo do tipo… – Franziu a testa. — Errr, Lan Zhan, para de responder… – Cruzou os braços sobre o peito e ajeitou o corpo para olha a rua.

— Wei Ying se você é tudo que falou, por que me salvou de ser atropelado?

Wei Ying abriu os olhos surpreso com a retruca e resmungou baixo, corando a face imediatamente. Ficou calado, não respondeu e muito menos provocou o outro.

Minutos depois, WangJi entrou no estacionamento do Beijing New World Shopping Mall, era um dos maiores da cidade e ficava em uma área que Wei Ying pouco frequentava, afinal era um local pomposo para um rapaz mal vestido, ele virou o rosto para WangJi.

— Você precisa de roupas mais apropriadas para estação. – Estacionou o carro, desligou o moto e saltou. – Vamos. – Esperou o rapaz descer e trancou o veículo.

Wei Ying o seguiu e assim que pisaram nos corredores iluminados com diversas lojas não conseguiu parar de olhar tudo.

— Lan Zhan, vai comprar roupas novas para mim?

— Hn.

— Posso escolher? Ou vai querer me vestir igual a vocês da família Lan? – Riu levantando os braços gesticulando. – Não que eu ache feio, mas eu não combino com roupas sociais e terno ha ha ha ha…

— Fique à vontade.

— Verdade? Posso comprar o que quiser? – Os olhos do garoto brilharam, mas o plano era outro, gastar o dinheiro de WangJi poderia ser outra oportunidade de mostrar que era um erro mantê-lo no apartamento. – Ótimo, agora vou ver aonde vamos… hum… Lá, vamos lá, Lan Zhan… – Ele apontou uma loja de roupas de marca para jovens, correu e puxou Lan Zhan pela mão.

Eles andaram por todo lugar, Wei Ying entrava em lojas e pedia tudo, algumas vezes coisas que ele mesmo nem sabia para que servia, WangJi prontamente atendia aos pedidos extravagantes sem se abalar. Depois de horas comprando, pararam na praça de alimentação, o garoto reclama de fome, haviam guardado na mala do carro todos os itens comprados, roupas, tênis até mac book. Wei Ying olhava o painel de menu do Mc Donald escolhendo o maior lanche.

— Lan Zhan escolhe um, não vai comer?

— Hn.

WangJi olhava sem muito interesse, nunca havia comido tais alimentos, considerava besteiras nada nutrientes.

— Wei Ying, para mim, somente chá. – Pediu o lanche do rapaz.

Wei Ying fez uma careta e deu de ombro, logo pegou o lanche e sentaram, o garoto comia o hamburgue com vontade de quem nunca havia provado.

— Comer besteiras é bom, experimenta a batata Lan Zhan… – Esticou uma para o outro.

Lan Zhan fez um gesto negativo.

— Você não deveria comer algo assim, precisa de alimentos saudáveis.

— Ahhh, que nada, uma vez não mata ninguém. – Comeu a batata frita depois de mergulha no catchup e mostarda.

Lan Zhan estava elegantemente sentado quando tirou o smartphone e passou a verificar as mensagens, aguardava o rapaz terminar para retornarem ao apartamento.

— E Lan Zhan, eu estou bem… – Wei Ying ao levantar a cabeça reconheceu algumas pessoas que passavam, ele virou o rosto e riu novamente. – Eu já terminei Lan Zhan, vamos?

O smartphone do outro tocou e ele atendeu voltando atenção para quem lhe falava. Wei Ying se encolheu na mesa e puxou o boné, tomando um pouco da bebida.

O grupo que ele avistara era formado por seis rapazes, sendo que três deles era da família a qual Wei Ying queria distância. No entanto, quando o grupo passou por eles, estavam falando abertamente e o nome de sua irmã foi mencionado.

— A garota vai pagar, minha mãe já mandou cobrar novamente… – O rapaz falava desdenhado, ele que aparentemente era o líder do grupo se exibia falando alto. – Se não pagar, vamos fazer uma visita, e vocês estão convidados.

Wei Ying engoliu seco e pegou o copo de Coca-cola tomando um longo gole.

— Wei Ying… Wei Ying…

Wei Ying levantou rápido ao ouvir seu nome e riu disfarçando.

— Algum problema?

— Ah? Problema? Não, nenhum problema… – Ele precisava saber mais do que o grupo falava, pensando rápido ele segurou o braço de WangJi. – Lan Zhan, é que eu esqueci de avisar a você que meu remédio acabou.

— Vamos comprar.

— Vamos, aliás paga para mim um Milk Shayke e me dê o dinheiro que vou na farmácia comprar. – Estendeu a mão sorridente. – Espera no carro, juro que não vou fugir.

Lan Zhan olhou-o uns segundos até tirar a carteira do bolso e lhe entregar uma nota, virou e foi até a lanchonete para comprar o que o rapaz pedira.

Wei Ying correu pelo local e seguiu pelo corredor do shopping de longe o grupo, como estava bem vestido e de boné, conseguiu passar por eles desapercebido. Parou perto para ouvir o que falavam.

— A senhora Mo está insatisfeita. – O mais gordinho tagarelava.

— Minha mãe está certa, desde que aquele imprestável do Wei Ying fez aquela palhaçada, quem vai pagar é a irmã dele.

— Wei Ying tem que agradecer ao Mo XuanYu, foi proteger ele …

— O lunático, minha mãe trancou, imprestável.

Wei Ying estava assustado, precisava voltar para irmã, ajudar a pagar a dívida que ele acarretou, engoliu seco e voltou para encontrar Lan Zhan, era isso, pegaria todas as coisas que ele comprou e venderia. Entrou na farmácia pensando o que poderia dizer, já que não conseguia fugir de Lan Zhan. Pegou o remédio que havia mentido que tinha acabado e olhou para outro, veio-lhe  então, a ideia de dopar o homem e ai sim fugir. Comprou-o, e pelo caminho tirou da caixa e jogou fora guardando a cartela de comprimidos no bolso da calça Jeans.

Quando chegou no carro, Lan Zhan estava encostado olhando a tela do seu aparelho telefônico, Wei Ying acenou e sorrindo mostrou o saco com o remédio.

— Viu só como prometi, não fugi, vamos Lan Zhan, estou cansado.

A Dupla entrou no carro e pouco tempo depois estavam entrando no prédio luxuoso da família Lan, vindo pelo elevador que ligava a garagem. Durante o caminho Wei Ying disfarçava fazendo perguntas a Lan WangJi sobre o iphone que ganhou, mexendo na tela, entrou no apartamento e carregando as diversas sacolas levou para o seu quarto, Lan Wangji o seguia e carregava algumas coisas deixando sobre a cama do rapaz.

— Obrigado Lan Zhan, você é incrível, nunca imaginei ter tantas coisas, vou experimentar essas roupas todas. – Sentou na beira da cama e começou a tirar das sacolas as roupas.

Lan WangJi estava parado a sua frente atento ao rapaz.

— Wei Ying.

— Sim, LanZhan… – Ele respondeu, sem olhar para o homem a sua frente, apenas separando as peças de roupas novas. – Aconteceu algo? – Finalmente levantou o rosto para olha-lo com largo sorriso despreocupado. – Acho que vou tomar um banho, o que teremos para o jantar? – Esticou os braços espreguiçando e bocejou em seguida. – Nossa nunca imaginei que fazer compras cansava tanto. – Levantou seguindo para o guarda roupa e pegando toalha e uma muda de roupa.

Lan WangJi esboçou um leve aceno de cabeça e abriu a porta, ao que parece havia desistido de algo.

— Jantar às 8 horas.

— Estarei lá, he he he… – Wei Ying sorria olhando-o sair e fechar a porta. Sua expressão mudou para mais séria e ele sentou novamente na cama, estava preocupado com o orfanato e com sua irmã, tinha que voltar o mais rápido possível, levantou e tirou do bolso da calça a cartela de comprimidos, colocaria uma na bebida, era somente para ele dormir e poder pegar a chave cartão para ir embora.

Decidido, tomou seu banho e foi para a sala de jantar, que estava devidamente arrumada e com os alimentos postos, WangJi falava ao telefone e ao vê-lo se aproximar encerrou a chamada, esperou o rapaz sentar para começarem a refeição.

— Está tudo muito bom Lan Zhan, você é ótimo cozinheiro ha ha ha … – Tagarelando como sempre, demonstrava naturalidade, voltou a provocativas e perguntas sem sentidos, todas sendo respondidas por WangJi em forma de novas perguntas.

Wei Ying percebeu que não iriam muito longe com aquelas provocativas, mas precisava manter as aparências para quando sua fuga e ninguém desconfiar.

— Lan Zhan quero beber um suco.

— Vou pegar.

— Não… – Wei Ying levantou apressado. – Eu pego. – Olhou a xícara do outro e se ofereceu para lhe trazer mais chá. No momento que levantou a campainha ecoou pelo apartamento.

— Quem será? – Ele olhou para o outro e sua face se fechou.

— Irmão. – WangJi levantou e foi atender a porta.

Wei Ying resmungou, aquela visita iria estragar os planos de fuga, precisava disfarçar e fingir alegria mesmo estando irritado por aquele contratempo.

— ZeWu-Jun, bem vindo.

— Jovem mestre Wei. – O homem de aparência tão suave e sorridente se aproximou dele. – Vejo que está bem.

— Estou bem sim.

Lan Zhan foi para a mesa e convidou o irmão a jantar com eles.

— WangJi tem lhe tratado bem ao que notei, logo estará bom dessa pneumonia e anemia.

— Eu estou muito bem, nem tenho mais tosse, Lan Zhan poderia me deixar mais solto…

— Não. – WangJi mastigava discretamente. – E coma em silêncio…

— Humfr… Sabe que não sou silencioso.

— Jovem mestre Wei é alegre, deixe-o WangJi, não devemos impor a ele regras de nossa família.

— Regras? – Wei Ying olhou-o curioso. – Vocês têm regras? – Olhava ambos.

— Sim, nossa família é milenar, somos descendentes do monge An. – Ele tomou um gole do suco e voltou a sorrir. – São quatro mil regras.

— CINCO MIL?!!! – O rapaz arregalou os olhos. – Quem vive com cinco mil regras?

— Nossa família.

— Estou começando a entender algumas coisas… – Wei Ying estava abismado com essa informação, olhando para ambos os irmãos, notava a diferença, apesar de fisicamente serem bem parecidos, concluiu que Lan Zhan era na verdade o chato da família e XiChen o cara legal.

Ao final, depois da janta ambos foram para o escritório, iriam preparar os documentos para a viagem de XiChen a Torre Carpa, como havia se encontrado com GuangYao dias atrás, iriam resolver algumas pendencias da convenção do próximo mês que reuniria as grandes famílias de cultivadores.

Wei Ying ficou em seu quarto, pensativo em uma forma de dá aquele remédio para dormir a WangJi e poder ir embora assim que o outro dormisse. No entanto, se não fosse o problema maior com o orfanato, ele possivelmente aproveitaria mais daquela mordomia, estava ficando mal-acostumado. Gostava da atenção que WangJi lhe dava e tinha curiosidade em saber por que ele aturava tudo que era importuno vindo dele.

— Ah, Lan Zhan queria saber por qual motivo age assim comigo?

— Ele tem um motivo.

Wei Ying estava falando consigo enquanto caminhava pelo quarto que não notou a porta aberta e o outro de pé com algumas pastas na mão.

— ZeWu-Jun, não o esperava aí… – Sem jeito ele passou a mão na nunca. – Não deveria estar em reunião?

— Vim pegar uns documentos no quarto de WangJi, desculpe se fui indiscreto jovem mestre Wei. – Ele sorriu gentilmente. – Perguntou a WangJi?

— Perguntar?

— Sim, está curioso, não é?

— Errr… Sim, mas ele não me falou.

— Imaginei e se quer saber, dificilmente ele irá falar, não é da natureza de WangJi falar abertamente sobre esse assunto.

— Como? Que assunto?  ZeWu-Jun sabe o motivo?

— Jovem mestre Wei o salvou de ser atropelado, mas lembra como aconteceu?

Wei Ying olhou-o pensativo, lembrando do dia, mas os detalhes pareciam lhe faltar, até que algo clareou e respondeu afoito.

— Ele estava atravessando a rua em minha direção, acho que queria comprar meus amuletos, estendi para ele e então, o carro apareceu e derrapou… – Wei Ying parou sua narrativa e voltou a ficar pensativo, depois daqueles dias com Lan Zhan percebeu que o outro não iria se interessar pelos amuletos ao ponto de atravessar uma rua movimentada fora da faixa de pedestres. – ZeWu-Jun, ele não queria meus amuletos.

— Sim, era você, atravessou a rua se arriscando… Por você.

— Por quê? Ele me conhece? Eu não lembro dele, lembraria se tivesse conhecido alguém como ele.

XiChen sorriu novamente.

— Na verdade você lembra alguém que ele perdeu a muito tempo e que faz muita falta.

— Sério? – Surpreso ele caminhou até XiChen. – Quem?

— É um nome que não é dito a muitos anos… Wei WuXian.

— Nossa!

— Ele se foi, desde então, WangJi vem vivendo sentindo a sua perda.

— O que aconteceu? Ele o abandonou?

— Faleceu.

— Ah… Que triste… Lan Zhan gostava dele?

— Sim, era importante para WangJi, mais do que eu pudesse imaginar. – XiChen inspirou baixo e tocou o ombro do rapaz. – Você é muito parecido com ele, tanto fisicamente como até esse jeito alegre. WangJi tomou para ele cuidar de você, fazer o que ele no passado não fez.

Wei Ying engoliu seco, aquelas palavras atingiram-no como flechas no peito, se precisava ir embora por sua irmã, ficou sentido em deixar Lan Zhan.

— WangJi me disse que tenta fugir, eu posso lhe pedir algo?

— Claro ZeWu-Jun.

— Espere, fique até se curar e quando for embora, não se afaste de  WangJi deixe-o ser seu amigo e venha nos visitar sempre que puder.

Wei Ying suspirou baixo, saber daquelas informações jogaram sobre ele um balde de água fria para sua tentativa de fuga.

— Eu nunca pensei em ir embora e nunca mais voltar, pelo contrário, eu gostei de todos vocês e viria sempre aqui.

— Que ótima notícia, posso viajar despreocupado. – XiChen se virou para sair quando foi interrompido por Wei Ying.

— ZeWu-Jun, me diga, eles eram namorados? – Wei Ying parou por um instante, estranhando-se por fazer aquela pergunta, apesar de muito curioso.

XiChen sorriu suavemente e respondeu em tom triste apesar de gentil.

— Não… Infelizmente. – Afastou da porta. – Boa noite, jovem mestre Wei.

Wei Ying estava novamente sozinho no apartamento, ele sentou na beira da cama imaginando mil e umas teorias sobre Lan Zhan e Wei WuXian. Depois de tomar um banho, pegou a cartela de comprimidos para dormir e abriu-os um por um jogando dentro da privada. Ele tinha que ir embora, mas se fizesse dessa forma, quando WangJi acordasse e não o achasse ficaria muito triste e decepcionado.

Wei Ying pela primeira vez sentiu aquela sensação em imaginar WangJi triste, ele não queria provocar esse sentimento no outro, voltou para seu quarto e deitou na cama, cobrindo-se das cabeças aos pés encolhido pensando em como resolver aquela situação e voltar para sua irmã.

Continua…

ATUALIZAÇÃO DOS CAPÍTULOS: Terça, Quinta e Sábado às 22 h.

POSTADO POR

Isa Miranda

Isa Miranda

Escritora, design digital, editora de vídeos, assessora e divulga autores iniciantes. Publica em plataformas digitais, participa de antologias, escreve para o Cyber TV, mãe de Rafael e Yasmin e não gosta de café.

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