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The Black List : Episódio 1×10 – O Baile (Parte 2)

Emily

 

ANTES

 Emily tinha passado praticamente o sábado inteiro na recepção do presídio onde Austin estava. Ela andava de um lado para o outro, perguntando quando poderia visitar o namorado, ligava para Morgan e perguntava sobre a investigação, e muitas vezes sentava em um banco para se derramar em lágrimas. Alguns policiais tentavam acalmá-la, entregando água e aconselhando ela a voltar para casa. Nada seria resolvido da noite para o dia se a investigação não terminasse.

Emily achava aquilo tudo muito injusto, Austin tinha apenas se defendido da droga do paparazzi.

Por volta das quatro horas da tarde, um grupo de homens vestidos de terno foram em direção aos policiais. Emily estava sentada, ela levantou a cabeça e reconheceu um daqueles homens.

– Senhor Evans! – Emily gritou, correndo em direção ao pai de Austin.

– …a investigação terminou. – ele dizia a um dos policiais, ele se assustou com a presença de Emily. – Emily! O que está fazendo aqui?

– Eu quero ver ele, Sr. Evans. – ela segurou no braço de Morgan.

– Está tudo resolvido, querida. – ele sorriu. – Droga, como que Hopper deixou você vir?

– Ele não sabe. – Emily secou as lágrimas. – Nem meu irmão.

– Está tudo resolvido. – ele lançou um olhar para um dos homens ao seu redor e levou Emily até um canto. – A investigação terminou. Austin vai ter que pagar apenas multa por causa da briga com o fotógrafo.

– Mas… – ela disse. – e Kelly?

– Kelly está morta. – ele sorriu. – Não há mais nenhuma investigação sobre isso. Esquece, ok?

– Ah. – Emily sorriu, as lágrimas caindo. – Que bom. Então ele vai ser solto hoje?

– Isso é o que viemos fazer. – ele apertou os ombros da garota.

– Senhor Evans…quem são esses? – ela apontou para os homens de terno que acompanhavam Morgan.

– Ah, advogados, querida. – ele piscou. – Ajudaram em todo o processo de soltura do Austin.

Houve um movimento durante a conversa entre os advogados e os policiais, Emily percebeu que havia até alguns inspetores que vieram conversar com eles, e alguns telefonemas foram feitos. Um dos advogados foi em direção até Morgan e cochichou em seu ouvido.

– Ótimo. – Morgan assentiu e olhou para Emily. – Vai ver o Austin hoje, querida.

 

Austin estava péssimo. Ele parecia ter perdido alguns quilos durante toda essa semana em que esteve preso. Ele veio acompanhado de dois policiais e vestia uma camisa e uma calça totalmente laranja. Ao encontrar o pai e Emily, ele deu um leve sorriso.

– E aí. – ele disse.

– Você me traz muita dor de cabeça, Austin. – Morgan estava sério. Ele abraçou o filho, que fechou os olhos e suspirou.

– Austin…- Emily abraçou o namorado. Austin parecia frio demais. – Senti tanto sua falta.

– Está tudo bem. – ele disse. – Como estão as coisas?

– Vamos, temos que conversar. – Morgan virou em direção a saída, fazendo gestos de gratidão aos policiais. – Obrigado, senhores.

Os policiais não mexeram um músculo, principalmente os inspetores que mantinham o olhar semicerrado para Austin e Morgan. Eles e o grupo de advogados foram em direção ao estacionamento, onde o carro da família Evans os esperava. Morgan, Emily e Austin entraram no carro, o motorista deu a partida em direção a cidade.

– Hoje é do dia do baile. – Morgan disse. – Vocês não podem perder.

– Como? – Emily disse. – Senhor Evans, não é mais prudente Austin descansar pelo menos por hoje? Foi uma semana muito estressante.

– Sim, concordo, Emily. – disse Morgan olhando para a garota. – Mas toda a mídia vai estar lá. Temos que mostrar nossa força diante de todas as pedras que nos foram arremessadas.

– Pai. – Austin disse. – Eu não ligo para o que estão falando de mim ou…

– Não interessa. – Morgan encarou o filho. – Você não está podendo escolher muito, não é? Depois do que aprontou, Austin…você vai precisar se controlar, limpar sua imagem.

– E como que a droga do baile vai limpar a minha imagem? – Austin cerrou o punho.

– O seu retorno vai chamar bastante atenção. – Morgan riu. – Vai ser chocante para a mídia.

– E para a droga do anônimo. É arriscado demais. – Austin suspirou.

– Vocês não vão para casa. – Morgan disse. – O motorista deixará vocês no duplex do Brooklyn. Suas roupas do baile estarão lá. – ele olhou para Emily. – Uma maquiadora foi contratada para você, Emily. E também vai dar um jeito na sua cara, Austin.

– Isso… – Austin arregalou os olhos. – Já estava planejado?

– Mas é claro. O que você esperava de mim? – Morgan abriu um largo sorriso.

– Você é louco. Eu não vou ao baile.

– Vocês não tem opção. – Morgan cruzou os braços. – Não vão sair daquele lugar até estarem prontos. O motorista irá busca-los novamente no horário certo. Ah, seria legal que vocês ganhassem o prêmio de Rei e Rainha do baile…

– Como… – Emily estava assustada.

– Seu pai me deixa bastante informado, querida. – Morgan piscou. – Bom, estamos chegando já já.

– Pai…

– Fim de papo. – Morgan disse. – Boa festa. E não façam nenhuma merda.

J.J

 

AGORA

 

J.J estava em choque.

Ele era um dos poucos que não estava no meio de todos os alunos reunidos em frente ao palco. Ele preferiu assistir toda aquela palhaçada sentado em sua mesa, mas quando Austin e Emily surgiram, ele levantou de tamanho susto.

Os dois caminharam em direção ao palco como verdadeiras celebridades, todos os alunos abriram espaço e pareciam ter a mesma cara de espanto.

– Que merda…- J.J sussurrou, para si mesmo.

Austin e Emily subiram no palco, com o mesmo sorriso cínico no rosto. Mason, Hopper e as meninas que estavam lá pareciam estar tentando disfarçar o espanto em seus rostos.

– Bom… – Mason disse ao microfone. – Vamos parabenizar aos novos Rei e Rainha do baile de Boas Vindas.

Os alunos bateram palmas, J.J percebeu que a maioria parecia meio receosa de comemorar. Mason e uma das meninas pegaram, cada um, uma coroa brilhante. Logicamente, era uma coroa de plástico repleta de pedras falsas, mas aquilo parecia ter um significado imenso. Eles colocaram as coroas nas cabeças de Austin e Emily, e a outra menina vestiu os dois com uma capa vermelha e colocou uma espécie de bastão real na mão de Austin.

O clima estava péssimo.

– Que coisa ridícula. – J.J disse, o olhar superior de Austin estava lhe dando náuseas.

– Pois é. – uma voz feminina surgiu ao lado de J.J, que levou um susto.

– Quem é você? – ele olhou e viu uma menina de cabelos tingidos de roxo, uma maquiagem pesada no rosto e um vestido preto longo.

– Prazer, Maggie. – ela sorriu para ele. – Pelo jeito você é um daqueles que não suporta essa palhaçada, né?

J.J franziu a testa e encarou a garota. Ela tinha um ar meio sombrio e ao mesmo tempo louco, ele não sabia qual era a dela ali.

– Pode se dizer que sim. – ele levantou uma sobrancelha. – Você me conhece?

– Você é um dos bolsistas. – Maggie revirou os olhos. – Todo mundo conhece você.

– Ah. – J.J riu. – Esqueci disso. – ele voltou o olhar para o palco.

Agora, o DJ tocava uma música alegre pra tentar escapar daquele clima horrível. Austin e Emily dançavam alegres, enquanto as pessoas ao seu redor tinham um sorriso amarelo estampado no rosto.

– Eles não conseguem nem disfarçar. – Maggie disse.

– Tem muita gente que não gosta deles? – J.J voltou-se para Maggie.

– Hm, algumas. Não muitas. – ela disse. – Sou do clube de cinema. Somos os nerds. Os excluídos. A escória. Estamos fora da cadeia alimentar da Harper.

– Uau, quanta amargura. – J.J riu.

– Vamos nos sentar. Enquanto eles curtem o momento. – Maggie indicou uma mesa no outro lado do ginásio.

– Vou pegar um pouco de ponche primeiro.

Eles se serviram de ponche e alguns petiscos, e se sentaram na mesa. Maggie parecia bastante interessada na conversa que teria com J.J, já ele estava bastante curioso do que ela poderia dizer sobre os Evans.

– Pelo jeito você ainda não percebeu como funciona a escola Harper. – disse Maggie bebendo seu ponche.

– Eu? Talvez. – J.J disse. – O que eu preciso perceber?

– Bom, é bem básico até. – ela riu. – Como eu disse, uma cadeia alimentar. Os Evans e os Hopper estão no topo, não há nada mais poderoso que eles…nem mesmo o Diretor Hopper e os professores.

– Hm. Percebi, eles são o principal alvo do anônimo.

– Eles não são apenas famosos e endinheirados. A família deles tem poder. Eles controlam muitas coisas, as famílias menores temem o nome dos Evans, sabe?

– As famílias menores? – J.J perguntou.

– É. Os Evans, novamente, estão no topo da elite nova-iorquina. Famílias como os Hopper, os Braxton e outras, são famílias menores. Mas ainda possuem um poder considerável, mas nada comparado aos Evans. Está me entendendo?

– Sim. – J.J estava lembrando de Maria. – Bem, minha amiga Maria me contou um pouco disso e pesquisei. Mas os Hopper são bem poderosos, né?

– É uma família afiliada aos Evans. Morgan e Bradley são amigos desde novos. E o nosso querido diretor consegue muitas coisas por causa disso.

– Como ser diretor da Harper?

– Exato. – Maggie riu.

– Como sabe disso tudo? – J.J disse. – Você sabe de muita coisa pra uma excluída.

– Não é difícil enxergar isso, novato. – Maggie bebeu seu ponche. – Você ainda não se acostumou com as coisas aqui, Jonathan, não é?

– Pode me chamar de J.J. – J.J disse.

– Muitas coisas aqui são milimetricamente planejadas. Não deveria se assustar tanto assim. Estou falando do que acabou de acontecer.

– Austin voltar da cadeia.

– Direto para o baile. – ela disse. – A prisão pode até ter sido de verdade. Mas esse retorno…eles querem exatamente isso.

– Chamar atenção. – J.J sorriu e colocou os dois braços sobre a mesa. – Que a mídia tenha toda atenção para eles.

– E com isso eles ganham mais dinheiro…- J.J estava realmente revoltado.

– Sim. Então, não se choque.

– E as mensagens anônimas? Planejado?

– Hm, acho que não. – Maggie disse. – Seria meio burrice eles começarem a soltar coisas sobre a ex do Austin, etc.

J.J encarou Maggie com os olhos semicerrados, ela bebia o ponche e fazia uma careta por causa da vodka. Ela sabia de coisas demais, parecia meio óbvio o que J.J estava pensando.

– Você é o anônimo, não é? – ele disparou, intrigado.

– Eu? – ela riu. – Não perderia meu tempo. Mas admiro quem quer que seja…esse sim sabe de muita coisa.

– Sei. – ele levantou uma sobrancelha.

– Qualquer um poderia ser esse anônimo. Mas aí temos os 3 novos alunos bolsistas…sim, há outros novos alunos pagantes, mas eles não vem ao caso. Todos os olhares vem na direção dos bolsistas. Aquele Sam, se meteu no meio dos jogadores. Maria, ninguém sabe muito sobre ela, certo?

– Ela é muito gente boa. Ela não…

– E temos você. Totalmente indiferente com tudo o que está acontecendo, e um ódio reprimido dentro desse peito…

– Eu não conheço nada dessa gente! – J.J deu um leve soco na mesa, fazendo os petiscos pularem.

Maggie bebeu mais um pouco do seu ponche, estava quase terminando. Ela levantou a sobrancelha e deu um sorriso debochado.

– Interessante também é que as mensagens chegaram nos ouvidos dos jornalistas. O que acha disso? – ela perguntou.

– Ué, devem ter oferecido uma boa quantia pra pessoa…pra pessoa servir como espião.

– Ah é? – Maggie terminou seu ponche e colocou o copo na mesa. – Quanto?

– Qual é a sua? – J.J estava definitivamente irritado. Aquela garota estava tirando com a cara dele. – Você tá achando que eu sou o informante?

– Quem é você, Jonathan? – Maggie sorriu, com os olhos bem abertos. – Olha, eu sei que você não anda muito bem das pernas, assim como seus 2 amigos. Vai dizer que não aceitaria uma boa quantia pra informar os jornalistas sobre as mensagens?

J.J ficou vermelho de raiva, ele queria saber de onde Maggie estava tirando todas aquelas informações. Parecia óbvio que ela era o anônimo, na verdade, ele tinha certeza que ela era a culpada daquilo tudo.

– Chega. – ele se levantou, encarando a garota. – Cansei de falar com você.

J.J virou-se e foi em direção ao palco, onde todos os alunos dançavam uma música alegre ao redor de Austin e Emily.

Harry

 

– Olha, primeiramente, eu quero pedir desculpas, ok? – Harry estava na pista de dança, segurando seu quinto copo de ponche e conversando com uma Bridgit completamente tonta. – Eu fui um idiota!

– Você é um idiota, Harry. – Bridgit disse, olhando para os lados para ver se Michael não estava perto. – E não fale comigo, Michael pode ficar irritado.

– Eu não estou nem aí pra ele. Só queria que tudo ficasse resolvido entre nós. – Harry disse no ouvido da garota, por causa do volume da música.

Bridgit suspirou e olhou nos olhos de Harry, que era seu ex-namorado. Ela estava com Michael fazia um tempinho, mas apesar de Harry ter sido um idiota, ela ainda nutria um sentimento estranho pelo garoto.

– Você me fez sofrer muito. – Bridgit disse. – Mas é passado, eu estou com Michael e feliz.

– Feliz? – Harry debochou. – Não me parece muito feliz.

– Como você sabe o que é ser feliz? – aquilo doeu como um soco na cara de Harry. – Você não sabe de nada, Harry.

– Eu sou feliz! – Harry levantou os braços, balançando no ritmo da música. – Olha como estou feliz. Eu mudei, Bridgit.

– Não me interessa! – Bridgit balançou o corpo. – Quero que vá pro inferno!

– Eu sei que você ainda gosta de mim. – Harry sussurrou ao pé do ouvido da garota, fazendo seu corpo estremecer.

– Eu não te suporto. – Bridgit semicerrou os olhos. – Você não tem noção do quanto eu te odeio.

E não demorou muito para que os dois se atracassem em uma das salas, uma perto dos laboratórios, fugindo discretamente dos corredores movimentados. Bridgit sentia a falta de Harry, e ele se sentia perdido demais com seus sentimentos sobre a garota. Mas ainda sentia uma vontade imensa de beijar sua boca.

– Michael vai me matar. – Bridgit murmurou, enquanto Harry beijava seu pescoço. – Vai matar a nós dois, ele é seu colega de time…

– E daí? Ele roubou a minha namorada.

– Eu não sou mais sua namorada, Harry. – Bridgit segurou o rosto do garoto e o beijou com força. – Você precisa se tratar.

– A minha terapia é você. – Harry disse, sentindo sua cabeça levitar.

Os dois voltaram para o baile depois de mais ou menos 30 minutos de pegação. Harry entrou no ginásio primeiro, depois Bridgit, colocando novamente o batom.

– Onde você estava? – Sam perguntou, ele estava sentado ao lado de uma menina, com o braço sobre seus ombros.

– Banheiro. – Harry disse.

– Você está vermelho. Tem batom no seu pescoço. – riu Sam, a menina ao seu lado levantou os olhos e riu. Harry a reconheceu, era uma das meninas das líderes de torcida.

– Ah. – Harry limpou com a manga do terno. – É.

– Quem você beijou, Harry? – Sam perguntou.

– Uma menina aí. – Harry olhou para a pista de dança. Austin e Emily agora estavam indo em direção a eles, ele engoliu em seco.

Os dois se sentaram e Harry percebeu que Austin estava meio abatido, apesar de muito bem arrumado e com uma coroa falsa na cabeça.

– Vai me contar o que houve? – Harry disparou. – Foi meio chocante ver você chegando dessa forma.

– Longa história. – Emily disse. – Isso é ponche? – ela pegou um dos copos de ponche sobre a mesa e bebeu.

– É. – disse Austin ajeitando a coroa. – Depois te conto, ok? Vamos aproveitar.

– Hm. – Harry cruzou os braços. – Eu estou bêbado demais pra ouvir suas histórias, Austin. É melhor me contar amanhã mesmo.

Austin e Sam riram, Harry reprimiu um arroto e começou a rir com os três amigos. Travis chegou logo em seguida, abraçando e gritando o nome de Austin, uma recepção bem diferente da que Harry dera ao amigo.

Jade

 

Austin estava evitando trocar palavras com Jade, assim como ela com ele. Mas ela queria saber pelos menos o mínimo, por enquanto, de como havia acontecido a soltura do irmão. E só uma pessoa poderia contar para ela, e era Emily.

Jade segurou Mason em um canto, o garoto parecia um pouco desconcertado por causa do ponche cheio de vodka.

– Eles arrasaram com a minha festa. – Mason disse, virando um copo de ponche. – Que droga!

– Cala a boca, Mason. A festa está ótima. – Jade também estava um pouco bêbada, mas o susto da volta de Austin acabou levando mais consciência para seu cérebro. – O que foi aquilo do Austin?

– Não sei. Juro. Isso não foi planejado.

– É claro que não foi planejado! – ela disse. – Pelo menos não por nós. Mas eu sei que a porra da Emily deve saber alguma coisa.

– Travis disse que ela não estava muito bem para vir ao baile. – Mason levantou a sobrancelha, intrigado. – E do nada eles chegam, belíssimos e triunfantes…aliás, não lembro deles se inscreverem no concurso de Rei e Rainha.

– Isso que eu acho estranho. – Jade sorriu. – Austin não disse nada sobre isso, ele estava preocupado demais pensando na vagabunda da Kelly.

– Acha que alguém sabotou o concurso? – Mason perguntou.

– Sim. Com certeza.

Jade bebeu mais um pouco de ponche e começou a observar a movimentação dos dois pelo baile. Era mais que óbvio que um deles havia sabotado o concurso para chamarem atenção, mas como? Provavelmente o diretor Hopper e Emily estavam no meio disso.

– Que droga aconteceu? – Jade finalmente pegou Emily desprevenida, pegando comida na mesa. – Pode me contar tudo.

– Depois, Jade. – Emily disse, evitando olhar para Jade. – Por favor.

– Não! – Jade disse, segurando no braço da jovem. – Vai me dizer agora, Emily. O que vocês estão aprontando. Como que Austin sai da cadeia sem ninguém saber?

– Se você não sabia que conseguiram tirá-lo da cadeia, não é culpa minha. – Emily disse, com ódio. – Fica mais informada na próxima vez.

– Quem tirou ele da cadeia? Não foi você, com certeza.

– Seu pai.

Jade arregalou os olhos. Como que seu pai tinha escondido isso dela o dia inteiro?

– Seu pai conseguiu, do jeito dele, acabar com a investigação e soltar Austin. – Emily continuou se servindo. – Ele…ele quis tudo isso.

– Tudo isso? O que quer dizer?

– Que nós viéssemos ao baile. Ele fez nós irmos até o Brooklyn para se arrumar.

– Eu não acredito que ele escondeu isso de mim. – Jade virou-se para olhar a pista de dança.

– Ele queria que fosse segredo. – Emily disse, suspirando.

Jade fechou os olhos, respirando fundo com puro ódio. Ela se sentia traída, ela que estava mais sofrendo com todo aquele problema de Austin.

– Não fique tão sentida. Eu estava lá. Está tudo bem.

– Não tá tudo bem. – Jade olhou sério para Emily. – Você não tinha que estar lá.

– Isso é ciúmes? – Emily riu.

– Vai se foder, Emily. – Jade saiu andando, sem rumo pelo ginásio.

Sam tinha observado toda aquela situação, sentado em sua mesa. Aproveitando que Travis tinha levado Austin para a pista, e Harry havia ido ao banheiro, ele viu Jade sair revoltada e viu que era a hora perfeita para agir.

– Com licença, querida. Vou ao banheiro. – ele disse, deixando a menina líder de torcida, que estava com a cabeça deitada sobre a mesa.

Emily

Austin tinha sumido no meio da multidão de alunos dançando na pista de dança. Depois de comer um pouco, já que não tinha se alimentado direito durante o dia inteiro, Emily decidiu ir para o lado de fora do ginásio que era uma varanda com a vista para as luzes da cidade. Havia alguns alunos fumando e se beijando ali, ela se apoiou na varanda para observar o movimento de carros e pessoas do lado de fora da escola.

– Finalmente te encontrei a sós. – uma voz masculina surgiu ao seu lado. Ela olhou para o lado e encontrou, Ben Parker, colega de time de Austin.

– O que você quer? – Emily franziu a testa.

– Queria uma posição sua. Você sabe de que estou falando. – Ben cruzou os braços.

– Eu não sei do que está falando. – Emily estava tensa. Sabia muito bem do que Ben iria falar.

– Olha, Emily, eu não estou com paciência e nem tempo para suas brincadeiras. Eu quero o que você me deve.

– Eu não tenho mais nada. – Emily agora realmente estava abalada. – Juro. Nós…o que nós tivemos não valeu de nada?

– Sexo não é pagamento.

– Ben, eu…eu vou te pagar.

– Você sabe o que acontece com quem não paga suas dívidas nesse meio, não é? Se quer ser uma drogada, uma viciada em cocaína, seja. Mas que pague a porra da sua droga.

– Eu sei.

– O que nós tivemos foi muito bom. Pensei que teríamos futuro. – Ben murmurou, olhando para Emily. – Mas você colocou essa merda entre nós dois. Mas você está bem agora, não é? Austin Evans…vai ser mais um pros seus golpes?

– Eu amo Austin. – Emily disse, engolindo em seco.

– Você me amou, Emily?

Emily arregalou os olhos. Ela e Ben Parker haviam tido um caso no ano passado, eles se conheceram na Harper e a relação começou a mudar quando ela começou a se envolver com as drogas que Ben e sua família vendiam. Foi um relacionamento turbulento, até Emily ficar totalmente individada. Apesar do dinheiro da família Hopper, seus pais davam quantias certas por mês para os dois irmãos, e Emily teve seu saldo totalmente zerado por causa das dívidas com Ben.

– Sim. – ela disse.

– Eu também. – ele abaixou os olhos. – Mas negócios são negócios. Minha família não gosta de devedores.

– Se me realmente me amasse, não estaria me vendendo cocaína. – Emily olhou séria para ele. – E agora como estou. Ferrada.

– Você está bem demais. – Ben franziu a testa. – E se quiser continuar assim, vai ter que se virar para arrumar uma boa grana. – ele se aproximou do rosto de Emily, segurando forte seu braço.

Emily estava tremendo, totalmente assustada. Ela não sabia como iria pagar aquela divida, ela não podia pedir aos pais e nem ao irmão, eles iriam descobrir de seu vício. Ela suspirou e observou Ben virar de costas e voltar ao ginásio. As lágrimas vieram com toda força naquela hora.

 

O que Emily não sabia, era que uma pessoa estava discretamente observando toda aquela situação. Era Maria.

Mason

 

Mason estava bebendo no banheiro. Na verdade, sentado em um dos vasos, com um copo cheio de ponche em uma mão e o celular na outra.

Ele estava bêbado demais, de saco cheio demais do prejuízo que aqueles garotos tinham trago ao baile, mas também ridiculamente cansado de tentar ser perfeito naquela escola repleta de hipócritas.

Alguns garotos surgiam no banheiro, bêbados, urinando na parede ou na pia, rindo como retardados. Mason revirava os olhos enquanto bebia seu ponche e mexia em um aplicativo de encontros, porém ele queria mesmo uma mensagem daquele modelo, Leonard.

– Porra preciso de um cigarro. – Mason ouviu uma voz conhecida. Ele colocou a cabeça de fora da cabine e viu Harry Cooper encostado na parede e buscando algo dentro de seu terno. Mason não sabia que Harry fumava.

– Você fuma? – Mason perguntou. Harry deu um pulo. – Ah, foi mal.

– O que você está fazendo aqui? – Harry disse, olhando para o estado de Mason. – Bebendo em cima de um vaso sanitário.

– Exatamente isso. Bebendo sentado em um vaso sanitário. – Mason revirou os olhos. – Você fuma?

– Sim. Às vezes. – Harry pegou o maço de cigarro. – Você está bem?

– Quer saber? Foda-se. Me dá um cigarro. – Mason se levantou.

Harry se assustou e entregou um cigarro a Mason, o garoto esperou ele buscar o isqueiro para acender, com os olhos fixos em Harry.

– Estou péssimo. – Mason tragou a fumaça, e tossindo bastante. – Vocês estragaram o meu baile.

– Já disse que ninguém estragou a droga do baile! – Harry disse, liberando a fumaça do cigarro e rindo da tosse de Mason. – Você não tá acostumado com cigarro, né?

– Não porra, eu não fumo. – Mason bebeu um pouco do ponche pra melhorar a queimação na garganta. – Mas eu estou tão nem aí, sabe, já acabaram com meu baile…por que não acabar com meus pulmões?

– Ah, pare com isso. – Harry riu. – O baile estava ótimo.

Mason suspirou e tragou novamente a fumaça do cigarro, sentindo o gosto de tabaco em sua boca.

– O que estava fazendo sentado ali? – Harry perguntou, encostando a cabeça na parede do banheiro.

– Bebendo e esperando a mensagem de um carinha.

– Hm. – Harry disse. – Entendi.

Os dois ficaram se olhando por um longo e constrangedor minuto. Harry abaixou os olhos, com vergonha.

– O que houve? – Mason disse, sério.

– Oi? Nada. – Harry riu.

– Você fica meio incomodado com a minha presença. – Mason disse. Aquilo estava preso em sua garganta desde o dia em que se esbarraram. – Não é?

– É claro que não. – Harry disse. – Eu sou estranho. Sou meio bipolar, eu acho…

Mason não esperou Harry tentar se explicar. Ele puxou o garoto pela gravata em direção à cabine onde ele estava antes. Harry arregalou os olhos e abriu a boca para soltar um palavrão, mas Mason o interrompeu com um beijo. Ele fechou a cabine e continuou beijando Harry até ele conseguir se desvencilhar e dizer:

– O que você está fazendo?!

– O que eu tive vontade de fazer no momento em que a gente se esbarrou. Na verdade, eu queria te socar também.

Harry arregalou os olhos. Todo aquele sentimento estranho das últimas semanas parecia ter explodido dentro da sua mente, seu coração batia muito rápido e seu cérebro demorava para processar o que estava acontecendo. Ele lembrou das palavras e do sorriso debochado de Maggie. Lembrou dos beijos em Bridgit. Se sentiu um pouco mal, um embrulho no estômago, ou era por causa de bebida. Ele não sabia, mas respirou fundo e pressionou seus lábios contra os de Mason com todo o prazer do mundo.

Maria

 

Emily saiu da área externa do ginásio e foi até o corredor, e de lá entrou no banheiro feminino. Ela já não conseguia mais conter as lágrimas. Ao entrar no banheiro, ela viu algumas garotas conversando enquanto se maquiavam e umas outras fumavam, Emily deu um grito que as expulsou rapidamente do lugar.

Ela se apoiou na pia enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto e borravam sua maquiagem. Nesse momento, Maria entrou no banheiro.

– Eu disse pra saírem daqui! – gritou Emily. – Inferno!

– Eu vim te ajudar, sua imbecil. – Maria parou na frente de Emily e cruzou os braços. – O que houve? Por que está assim?

– Quem é você? – Emily franziu a testa.

– Nossa você está horrível. – Maria pegou uma folha de papel toalha e passou no rosto de Emily, secando as lágrimas e tirando as manchas de maquiagem. – Sou Maria. Sou uma dos bolsistas, sabe, aqueles 3 alunos que entraram na Harper.

– Ah, como o Sam. – Emily estava estranhando a atitude da garota. – Sou Emily.

– Eu sei, né. – riu Maria, ainda secando o rosto de Emily. – Mas isso não vem ao caso, o que houve?

Emily suspirou, fechou os olhos e começou a chorar novamente. Ela disse, com a voz embargada:

– Problemas.

– Parecia sério. Aquele garoto não parecia estar falando sobre algo simples. – Maria pegou mais papel. – Pare de chorar, droga.

– Você viu? Ah, isso é ruim. – Emily aceitou o papel. – Não é nada…- ela engasgou com as próprias lágrimas. – não precisa se preocupar.

– O que uma garota como você faz com um moleque como ele? Você não está namorando o Austin?

– Você parece saber coisa demais. – Emily secou as lágrimas, os olhos bem vermelhos.

– Ora toda hora vocês aparecem nos Instagram de fofocas. – Maria riu. – Eu sou fã desse tipo de coisa.

Emily conseguiu dar uma risadinha, ela abaixou os olhos e engoliu em seco. Se alguém mais tivesse visto a discussão entre ela e Ben, teria muitos problemas. Principalmente se o anônimo dissesse algo sobre nas mensagens.

– Eu e Ben tivemos um caso. Ele só está com ciúmes. – Emily revirou os olhos.

– Olha, eu sei bem quem ele é, ok? – Maria disse, séria. – Não precisa mentir. Não vou me meter.

– Como?

– Só saiba que não suporto esses caras sendo escrotos com as garotas. E se quiser, posso dar uma ajudinha nesse problema aí. – Maria ignorou a pergunta de Emily. Ela virou o rosto e encarou a garota.

– Ajuda? – Emily não estava entendendo onde Maria queria chegar.

– É. – Maria sorriu, abrindo a bolsa e entregando um batom vermelho para Emily. – Eu tenho o meu jeito de resolver essas coisas. Agora, anda, coloca esse batom e volta pra festa.

 Sam

 

Jade finalmente parou de andar pelo baile até chegar na área externa com vista para a cidade. O baile agora tinha um ar mais romântico, todos os casais estavam juntos na pista, dançando abraçados. Pelo menos, a maioria dos casais estavam lá.

Sam andou pela área externa, observando como Jade estava linda naquela noite. Ele se aproximou sorrateiramente da garota, se apoiando no mesmo lugar onde ela estava.

– Oi. – ele disse, sorrindo. – Noite linda, não é?

Jade olhou para ele com um olhar que misturava um tanto de alcoolismo e desprezo. Ele se assustou um pouco, legitimamente, o pessoal da Harper não sabia beber.

– O que você quer? – Jade disse. – Eu tive uma noite muito cansativa.

Ela estava bebendo o resto do ponche em seu copo, assim como Sam. Ele abaixou a cabeça e riu :

– O pessoal daqui não saber beber né?

– O que quer dizer? – ela olhou séria para ele.

– Onde eu moro, esse ponche não faria nem cócegas no nosso fígado. Vocês ficam bem bêbados.

– Então vocês realmente colocaram bebida no ponche. – Jade balançou a cabeça. – Meus parabéns, seria uma merda de festa sem álcool.

– Não é? – Sam riu, ele viu que um pequeno sorriso tinha se formado no canto da boca de Jade. – Então, o que fez você se isolar aqui na parte externa?

– Meus problemas. Você não sabe o quanto é difícil…merda, por que eu estou desabafando com você?!

– Pode continuar! – Sam riu. – Não sou o anônimo, se você quer saber.

– Ah, o anônimo! – disse Jade. – Aquele filho da mãe. É, o anônimo tem feito a minha vida um inferno.

– Pode crer. – Sam disse, olhando nos olhos dela. – Eu super entendo. Eu e Harry somos bastante amigos, e ele eu vejo como vocês sofrem com essas mensagens. E seu irmão sendo preso…

– É. – ela ergueu a cabeça, olhando para a cidade. – Tem sido um inferno.

– Eu queria muito descobrir quem está por trás disso. Eu faria…eu faria tudo para descobrir e acabar com toda essa merda.

– Sério? – riu Jade. – Você deveria ser o último a se preocupar com isso. Não tem nada a ver, é apenas um novato. O anônimo não quer a sua cabeça.

– Sim, mas é muito ruim ver alguém que você gosta sofrer. – Sam disse, sério. Jade franziu a testa e olhou para ele.

– Você diz…ver Harry sofrer?

– Não. – Sam sorriu, corando. – Ver você sofrer, Jade.

Jade gargalhou, ela segurou o braço de Sam para não tombar para o lado. Ela começou a rir sem parar, assim como ele.

– É sério! – ele riu. – Você pode me odiar mas…você sabe, eu senti algo diferente em você desde o primeiro dia.

Jade parou de rir e olhou nos olhos de Sam. Apesar da bebida, ela via verdade nas palavras dele. E até que ele era bonitinho e interessante.

– Você não me conhece. – ela disse.

– Eu sei. – ele virou para encarar o rosto da garota. – Mas eu adoraria te conhecer melhor.

Jade abaixou os olhos, ela estava cansada demais de todo aquele problema com Austin e seus pais. Seria aquilo que faria ela relaxar? Pelo menos por um tempo? Ela se aproximou do rosto de Sam e sussurrou em seu ouvido:

– Vamos nos conhecer melhor, então.

E puxou a mão de Sam, levando-o para os corredores, agora mais vazios, da escola Harper. O motorista da família Evans já estava pronto, esperando por qualquer um deles, no estacionamento.

– Vamos para casa. – Jade disse ao motorista, se jogando nos braços de Sam.

Sam estava um pouco assustado com toda aquela situação. Ele pensava se encontraria algum membro dos Evans acordado em casa, mas quando chegaram no imenso apartamento, Jade o levou (pedindo silêncio) para seu quarto. Ela fechou a porta com todo o silencio possível e jogou Sam sobre sua cama. E olhando em seus olhos, tirou seu vestido.

Sam estava realmente vivendo a melhor noite de sua vida.

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Lucas Mendes

Lucas Mendes

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