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Um Sonho Intenso – Capítulo 11

Ainda na fazenda, José e Quirina conversam calmamente na cozinha da casa grande.

QUIRINA: Tudo o que eu te peço irmão, é que não faças mais nenhuma besteira em sua vida, para não ter sua liberdade tirada novamente.

JOSÉ: Tenho pensado nisso minha irmã. Mas de um jeito ou de outro ele ainda vai pagar por tudo de ruim que fez com os escravos, coronel carrasco.

QUIRINA: Aqueles tempos acabaram. Hoje ele não pode mais usar de sua força pra bater em ninguém.

JOSÉ: Estou ficando velho, agora quero aproveitar um pouco de minha vida em liberdade.

QUIRINA: Isso mesmo meu irmão.

JOSÉ: Agora, vi que você está bem, tenho que voltar pra vila, antes que o coronel me veja.

QUIRINA: Estou bem sim, sinto apenas aquela dor crônica em meu coração, cravada em meu peito no dia em que fui separada de minha filha Rosa… Vai em paz meu irmão.

José se despede da irmã e sai.

 

Enquanto caminha pela vila, Raul adentra ao boteco de Tonico. Ali, ele se apresenta e fala a que veio. E ao dizer o nome do irmão a quem procura…

TUNICO: O senhor disse Alfredo Fagundes Rodrigues?

RAUL: Sim, esse é o nome do meu irmão. O senhor o conhece? Tem alguma informação sobre essa pessoa?

TUNICO: Claro que conheço. Coronel Fagundes, é assim que todos o conhece aqui.

RAUL: Preciso que o senhor me ensine o caminho que leva até a fazenda dele. Quero ver meu irmão.

TUNICO: Ensino sim. Mas sabe, tem uma coisa que sempre achei estranha no coronel.

RAUL: O que seu Tunico?

TUNICO: Ele nunca quis falar de sua família, pai, mãe, irmãos. Sempre muda de assunto.

RAUL: É de família, somos muito reservados… Mas antes de ir até à fazenda, irei enviar um telegrama aos meus pais, a minha esposa e filhos, em Portugal, avisando que encontrei Alfredo no endereço passado a nós… Obrigado seu Tunico.

Seu Tunico ensina o caminho que leva até a fazenda de Fagundes a Raul. O mesmo segue então para lá.

 

Após ter tido aquela conversa com Antunes e Sara, Tio João se recorda de Sebastiana. Então,o mesmo vai até a pensão novamente conversar com Sara.

TIO JOÃO: Dá licença seu Romero.

ROMERO: Oi Tio João, claro, entra e vamos tomar um cafezinho.

DIVINA: Senta aí Tio João, vou servir um café ao senhor.

SARA: Tio João! Tudo bem com o senhor? Como tens passado?

TIO JOÃO: (se assenta próximo de Sara) Estou bem senhorita. Voltei aqui porque precisava falar com você.

SARA: Quanta honra, Tio João!… Estou pronta para ouvir ao senhor.

TIO JOÃO: Após a nossa conversa, fui para casa e fiquei martelando aquele nome em minha cabeça “Sebastiana”. Então, lembrei que no passado, na fazenda do coronel Antenor, que fica um pouco distante daqui, eu era escravo, me desculpa pela expressão, ’reprodutor’. Me lembro que Sebastiana, era uma mulata formoso, por quem me apaixonei e tive um filho com ela. André. O nome do menino era André. Quando ele já tinha uns 2 aninhos, eu fui vendido para outro senhor de engenho. Então, me separei de Sebastiana e de meu filho André. E nessa negociata entre os coronéis, também, não tenho certeza, foram mais um negro e uma negra, que havia acabado de ter uma criança, aí eu não me recordo o nome de nenhum deles .

SARA: Tudo bem Tio João, está ótimo. É isso mesmo, o filho de Sebastiana, era André. E ela falava muito de um escravo João, que por sinal era do senhor de quem ela falava. Só que o filho dela, quando estava com 11 ou 12 anos fora vendido, para um fazendeiro da região de São Paulo.

TIO JOÃO: Fiquei triste em saber que a minha Sebastiana morreu… Se a senhorita me der licença, preciso me retirar.

SARA: Sim. O senhor me ajudou muito. Vá em paz!

Tio João se retira.

SARA: Estou no caminho certo… Antunes quando voltar vai ficar surpreso.

 

Preocupado com a presença de José na fazenda de Fagundes, Pereira, está a conversar com o amigo, no intuito de distraí-lo e não perceber a presença de seu inimigo em sua fazenda.

PEREIRA: Bom dia meu compadre e amigo.

FAGUNDES: Entre compadre Pereira… O que o traz aqui?

PEREIRA: Vim prosear com o amigo, pois faz tempo que não nos falamos.

FAGUNDES: Verdade. São as ocupações do dia a dia… Como vai a família do amigo?

PEREIRA: Vai bem… E a do coronel… A propósito, fiquei sabendo que Antunes está viajando para São Paulo

E assim, a conversa entre os dois se arrasta. Pereira resolve tocar num assunto, que incomoda o coronel Fagundes.

PEREIRA: Amigo, com a liberdade e com nossa amizade de muitos anos, lá se vão 30 anos, desde que o amigo comprou esta fazenda e se mudou para cá. Quero lhe fazer uma pergunta.

FAGUNDES: Pode fazer compadre Pereira.

PEREIRA: De onde o amigo veio? De que família o coronel é?

FAGUNDES: (se levanta) Meu compadre e amigo, como o senhor mesmo disse nos conhecemos já fazem 30 anos. Então o senhor já sabe que não gosto de tocar nesse assunto. Vamos deixar essa conversa  para outra ocasião.

PEREIRA: Me desculpe coronel. É só uma curiosidade.

FAGUNDES: Curiosidade de longas datas.

 

Enquanto os amigos fazendeiros, proseiam no interior da casa grande, José faz uma breve parada com Raimundo e Julio enfrente a casa do coronel Fagundes.

RAIMUNDO: Acho que você está se arriscando em vir aqui, José.

JOSÉ: Vim em paz seu Raimundo. Queria apenas ver minha irmã Quirina. E já estou indo embora.

JULIO: Ainda bem que o coronel, não viu o senhor aqui.

JOSÉ: Já estou indo. Fiquem tranquilos.

 

Ao sair da fazenda e já ter caminhado uma boa distância, uma carruagem passa por José, e a mesma para. Dentro estava Raul, que pediu informação sobre a fazenda do Coronel Fagundes. José lhe informa e ambos seguem suas direções.

Tão rápido, a carruagem com Raul, chega à fazenda e o mesmo é recebido por Raimundo e Julio, que estão sempre em frente a casa grande.

RAIMUNDO: Com licença coronel.

FAGUNDES: O que foi Raimundo?

RAIMUNDO: Tem um senhor lá fora, querendo falar com o senhor.

FAGUNDES: De quem se trata?

RAIMUNDO: Conheço não senhor. Ele só disse que fará uma surpresa ao senhor.

FAGUNDES: Mande-o entrar, mas fique atento lá fora.

Raimundo vai até a Raul e lhe ordena a entrar. E Pereira se retira e vai embora.

 

Enquanto esperam Pereira, para o almoço, Mariana e a filha Adelaide…

ADELAIDE: Precisamos fazer uma visita à madrinha Helena também mamãe.

MARIANA: Você está querendo visitar a comadre ou o filho da comadre.

ADELAIDE: Enquanto a senhora põe as conversas em dia com a madrinha,eu paquero o filho dela, o Antunes.

MARIANA: Você toma modos menina! Além do mais, fiquei sabendo que ele foi para São Paulo.

ADELAIDE: Ah! Mas, deve voltar rápido! Quando ele chegar vamos até lá minha mãe!

MARIANA: Tá bom filha! Mas acho que você poderia tirar esse rapaz da cabeça,porque ele não quer nada com você. Já deu pra perceber isso. E você não vai ficar correndo atrás de homem .

ADELAIDE: Poxa mamãe! Nós dois ainda quase não nos falamos depois que ele terminou os estudos dele… Vou seduzi-lo.

MARIANA: Olha os modos menina!

 

Raimundo e Julio, ficam a postos, para se preciso, atender o patrão. Raul foi ter com Fagundes.

FAGUNDES: (Raul entra na sala) Pois não, quem é você e em que posso ajudar.

RAUL: Meu irmão! Não estás me reconhecendo? Sou Raul, seu irmão, Alfredo!

Fagundes fica surpreso, pensativo e…

FAGUNDES: Irmão? Você veio de onde?

RAUL: Como de onde? De Portugal irmão! Você está bastante diferente, mas, deve ser o tempo, que fez essa mudança toda.

Diante da situação, Fagundes, se manifesta positivamente.

FAGUNDES: Que alegria meu irmão. Depois de tantos anos é muita satisfação te rever. (os dois se abraçam)

Fagundes pede licença ao irmão, vai até a varanda e ordena a Raimundo e Julio a irem até a lavoura verificar o serviço dos camponeses e retorna para a sala.

RAUL: Me diga irmão, como está Leonor? Vocês tiveram filhos?

FAGUNDES: Calma meu irmão, depois falaremos disso. Antes quero te mostrar as dependências da minha fazenda.

RAUL: É grandiosa, fantástica a sua fazenda. Mas antes deixa eu lhe falar: quero passar uns dias aqui com você, até o restante da família chegar. Tenho que voltar à vila e pegar minhas coisas que ficaram na pensão.

FAGUNDES: Na pensão?… Mas é claro que pode ficar. Venha conhecer a minha casa.

Os dois então, entraram num quarto, que fica no final do corredor interno da casa. Serena,que trabalha como faxineira da fazenda, sem ser notada, viu Fagundes entrando acompanhado de um homem. Depois de algum tempo, ela também viu o patrão saindo, mas sozinho. A princípio, ela estranhou, mas pensou consigo…

SERENA: Aquele homem deve estar cansado ou não está sentindo bem e pediu para repousar um pouco. E o patrão o levou para a descansar.

Assim, Serena continuou seu trabalho e nem comentou nada com ninguém.

CONTINUA…

 

No próximo capítulo

Fagundes vai até a pensão e faz ameaças a Romero e Divina e é surpreendido por Antunes. Serena relembra o que viu a uma semana na casa grande e conta para Raimundo. Antunes encontra André, filho de Sebastiana, em São Paulo e o traz para a vila. Sara se emociona ao rever André.

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POSTADO POR

Luiz Lisboa

Luiz Lisboa

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