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Um Sonho Intenso – Capítulo 13

É noite na fazenda do coronel Fagundes. Todos já se recolheram, porém , Quirina, intrigada com o que está acontecendo em sua cozinha durante as noites, resolveu ficar de guarda, na tentativa de descobrir a origem dos fatos. Quando de repente. . .

QUIRINA: Mas, ele já jantou! . . . Por que está pegando mais comida? Pra quem será que o coronel está preparando este prato?

Quirina, então , viu o coronel Fagundes, mexendo na cozinha, mas, preferiu ficar quieta, sem se manifestar.

Fagundes se dirigiu ao último quarto do corredor e entrou-no. Abriu o armário e logo percebera que alguém havia mexido no mesmo. Trazendo-lhe um semblante preocupado.

FAGUNDES: Quem será que mexeu aqui? . . . Só pode ser Serena. Pois é ela que faz a faxina em toda a casa. Ficarei atento a partir de agora.

E assim, a noite termina e um novo dia se irradia.

Antunes acorda todo animado e decidido a tomar uma decisão.

ANTUNES: Bom dia meu pai, bom dia minha mãe!
HELENA: HUM! Bom dia meu filho. Vejo queacordastes alegre. Posso saber o motivo desta satisfação toda?
ANTUNES: Ficarás sabendo em breve. Mas, por enquanto é assunto meu, mamãe.

FAGUNDES: E seu diploma meu filho?
ANTUNES: Está comigo meu pai. O colocarei em uma quadro bem ali na sala do senhor. Agora sou um agrônomo habilitado para exercer a função.

FAGUNDES: Que bom. Agora é hora de por a mão na massa para repor o que gastou nos estudos.

HELENA: Quirina, sirva o café de Antunes.

ANTUNES: Que isso minha mãe? Eu mesmo me sirvo. O tempo da escravidão acabou. Hoje somos todos iguais.

FAGUNDES: Os tempos bons se passaram. Torço que volte um dia.

(Antunes apenas olha para a mãe)

ANTUNES: Bom, agora preciso ir até a vila. Volto para o almoço.

FAGUNDES: Está indo encontrar com aquela liberta forasteira?

ANTUNES: Sim meu pai, estou indo. Para mim ela é mais que uma liberta forasteira, como o senhor a chama!

Antunes se ausenta sem entrar em atrito com o pai.

Na vila, Tio João, Tonho , Maria e José sentados nos bancos da única pracinha conversam entre si.

TIO JOÃO: Vocês dois se lembram do dia em que cheguei na senzala do coronel Fagundes?
MARIA: Eu me lembro perfeitamente. Foi no dia que eu e Tonho decidimos viver como marido e mulher. Dia especial.

TONHO: E foi o dia que o senhorzinho Antunes nasceu também.

TIO JOÃO: Isso mesmo Tonho. Eu, José e Quirina chegamos juntos. Quirina foi comprada unicamente para amamentar Antunes, o filho do coronel mais dona Helena. E naquele dia também deixei o meu menino André pra traz mais Sebastiana, a mulher que entre tantas que tive, amei de verdade. Maldita escravidão.

JOSÉ: Eu nunca havia sofri tanto como na fazenda do coronel Fagundes. . . Também me recordo como Quirina sofreu naquele dia. Mal acabou de dar a luz a uma menina e teve que entregar para ser criada por outra escrava.

MARIA: Verdade, Quirina chorava muito por causa da filha que ela teve que deixar pra traz.

TIO JOÃO: Rosa. Era assim que chamava a filha de Quirina que ela deixou aos cuidados de Sebastiana na outra fazenda. Ai Sebastiana! Como eu amava aquela mulher.

TONHO: Nunca mais Quirina teve notícias da filha.

MARIA: Agora, depois da abolição ficou mais difícil ainda .

TIO JOÃO: Todos os libertos saíram Brasil a fora. Se espalharam. E meu filho André está entre estes muitos irmãos nossos espalhados . Como eu gostaria de um dia rever o filho que tive com Sebastiana. Embora eu tenha muitos outros filhos por aí, mas André é filho de Sebastiana.

Enquanto isso, Antunes chega à vila e se dirige para a pensão.

ANTUNES: Bom dia seu Romero. Tudo bem com o senhor?

ROMERO: Bom dia Antunes. Estou vivendo. Aborrecido, chateado, mas. . .

ANTUNES: Posso saber o que está perturbando o senhor?

ROMERO: É melhor não. Eu e Divina já estamos acostumados a sofrer.

ANTUNES: Só posso dizer ao senhor que nada, nada pode nos tirar a alegria de viver. Não podemos nos acostumar com o sofrimento. Devemos buscar formas de nos livrar dele. Tenho certeza , o que está incomodando ao senhor e a dona Divina é algo incorreto, injusto. Pelo pouco que conheço de vocês dois, posso dizer isso, pois já notei que os senhores são honestos, dignos e de bom caráter.

ROMERO: Obrigado meu filho.

ANTUNES: Precisando de um amigo, podes contar comigo. . . Bom, vi aqui pra falar com Sara, ela está?

( no mesmo instante)

SARA: Opa! Estou aqui !

ANTUNES: Tudo bem contigo? Preciso falar particular com você.

SARA: Terei o maior prazer em ouví-lo.

ANTUNES: Nos dê licença seu Romero.

SARA: Bom dia seu Romero. Irei acompanhar este jovem, para termos uma prosa.

(saem caminhando)

ANTUNES: E André? Onde está?

SARA: Saiu pra conhecer melhor a vila.

ANTUNES: Precisamos apresenta-lo ao Tio João. Afinal de contas são pai e filho.

SARA: Sim, precisamos fazer isso.

Os dois se afastam da presença de Romero e se isolam em lugar privativo.

Na fazenda, Quirina fala para Serena sobre o que descobriu.

SERENA: Bom dia Quirina. . . Cozinha mexida de novo?

QUIRINA: Sim , Serena. E o pior que quem está mexendo é o próprio coronel.

SERENA: Depois que todos vão dormir, ele janta de novo?

QUIRINA: Não sei. O que vi foi ele preparando um prato de comida e subiu para a casa grande, como se estivesse levando para alguém.

SERENA: (Serena pensa alto consigo)Será possível? . . .

QUIRINA: Será possível o que Serena?

SERENA: Não. . . É nada não!

Serena , sai da cozinha e logo liga o prato de comida à portinhola no armário do quarto e ao sumiço do homem (Raul) que ela viu entrando no quarto com o coronel, e que não o viu saíndo.

SERENA: Aquele homem está trancado atrás daquele armário. tenho certeza. Hoje eu vou descobrir esta história. Mas por qual motivo, o coronel iria trancafiar aquele homem lá? Tem alguma coisa errada com a visita dele ao coronel.

E Serena foi assim pensativa cumprir sua tarefa em mais um dia de trabalho.

Antunes e Sara dialogam isoladamente.

ANTUNES: Nesse momento quero lhe pedir pra deixar de lado um pouquinho o assunto da busca de sua mãe, mesmo sendo de muita importância , preciso pedir a sua atenção para outro assunto, também importante.

SARA: Nossa! O que está incomodando tanto você amigo? . . . Vamos conversar sim! Quero lhe ouvir. Podes desabafar.

ANTUNES: Bom! Desde aquele dia em que viajamos de Belo Horizonte para cá, nasceu em meu coração um sentimento especial, um sentimento nobre. Meu coração bate mais acelerado! Algo que nunca havia sentido antes.

SARA: Gente! O que aconteceu?

ANTUNES: Meus dias tem sido de alegria, esperança. Estar ao seu lado é o que mais me satisfaz. Sara, logo quando te vi, senti que você era a pessoa que me traria uma paz na alma. Que fez com que eu sentisse nascer em meu coração um novo sentimento. . . Me apaixonei perdidamente por você. Agora meus dias é você, a minha ocupação é você, meus pensamentos são todos voltados pra você.

SARA: Antunes! Posso te falar uma coisa. Senti tudo isso também ao te ver naquele dia.

ANTUNES: (pega nas mãos de Sara)Aceita namorar, noivar e se casar comigo?

SARA: Claro que aceito! . . . Mas, tem um problema.

ANTUNES: Que problema?

SARA: A nossa raça é bem diferente. A nossa raça é o problema.

ANTUNES: Será se não tiver amor. Raça! . . . Eu não quero saber de raça, eu quero é você, quero te respeitar, te amar do jeito que você é. E não me importarei com as opiniões contrárias, com as críticas. O amor verdadeiro não dá importância para isso. O que vale é o que está em nossos corações. E o que está no meu coração neste momento é um desejo ardente de estar sempre ao seu lado, de ouvir sempre a sua voz doce e suave. De viver ao teu lado. Que tudo isso perdure para sempre.

SARA: O amor prevalece em qualquer circunstância. . . E te digo estou disposta a enfrentar preconceitos, opiniões contrárias, críticas. Quero também estar sempre do seu lado. Isso me faz bem.

Os dois se beijam. Nasce ali uma união invicta.

Na fazenda de Pereira, Mariana e Adelaide planejam visitar Helena.

MARIANA: Filha, iremos no fim da tarde visitar sua madrinha Helena.

ADELAIDE: Que bom mamãe. . . Assim poderei ver Antunes.

MARIANA: Não se iluda minha filha. Se Antunes tivesse algum interesse em você, ele já teria lhe procurado.

ADELAIDE: Será mamãe? Mas, nós desde criança falávamos ser namorados.

MARIANA: Coisas de criança. Hoje ele é um homem feito e você uma mulher. Esqueça as coisas de criança e viva como adulta.

ADELAIDE: Sabe mamãe, o Julio filho de dona Serena, vive arrastando as asas pra mim.

MARIANA: Julio é um bom rapaz. Trabalhador. Rapaz de família boa.

E a conversa entre mãe e filha se estende.

Sara e Antunes. . .

SARA: Pelo que vi de seu pai naquele dia, ele jamais irá aceitar nosso namoro.

ANTUNES: Vou repetir “Não se preocupe com as opiniões e críticas. O que vale é o que está em nossos corações. ”

Enquanto isso, Fagundes, está no está no quarto, que para Serena tem um mistério.

FAGUNDES: Que falta me faz o Brum. Aquele maldito escravo o matou. Se ele estivesse aqui resolveria todo esse problema por mim. Parece que as coisas estão descaminhando . Preciso ter cuidado. Ficar atento pra que não vá tudo por água abaixo.

No próximo capítulo, Tunico questiona Antunes pelo tio, o irmão de Fagundes. Serena desaparece. Antunes pergunta ao pai pelo seu irmão , recém chegado. E muito mais.

CONTINUA. . . . . . . . .

 

 

POSTADO POR

Luiz Lisboa

Luiz Lisboa

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