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Vale Dicere- Capítulo 10 “A Ascensão do Mal” (Penúltimo Capítulo)

 

Centro de Estabilidade da Phoenix, 19h00.

O Dr. Addan ultrapassou todos os limites e está prestes a eliminar a pobre Emily.

Emily: Não, por favor!  Não faz isso, por favor!

Addan: Tenha doces sonhos querida!

O cão infectado corre e avança em Emily derrubando-a no chão, neste momento o Dr. Addan vira de costas e solta gargalhadas diabólicas.

— Hahahahahahaha! Guardas! Limpem toda essa sujeira e depois joguem o corpo da garota no mar. Tenho muito que trabalhar hoje.

Ao sair da sala, a cena mostra apenas a mão da garota toda ensanguentada.

Casa do Capitão Dan, Sheffield, 19h04.

O helicóptero do Oficial Marco acabara de pousar em frente à casa do Capitão Dan na cidade de Sheffield deixando ali May, Trevor e os agentes Hillary e Brian.

Marco: Bambinos, terei que me retirar agora, com certeza o Capitão Dan ainda vai precisar de mim. Espero que vocês fiquem bem.

Hillary: Não se preocupe Marco, e obrigada pela ajuda!

Marco: Ok, addio!

Marco retorna ao helicóptero e parte dali.

Brian: Bom, acho que é bom nós entrarmos.

Hillary: Iremos, me dê as chaves.

Brian: Não, o capitão deu elas pra mim.

Hillary: Para de ser criança! Me passa logo isso aqui!

Brian: (levantando o braço com as chaves na mão) Vai ter que tomar de mim.

Hillary: Pode parar com isso palhaço!

May e Trevor ficam testemunhando a “briga” e esta primeira perde a paciência e toma as chaves da mão de Brian e junto com Trevor, abrem a porta da casa.

Brian: Poxa, isso foi golpe baixo!

Hillary: Ah cala a boca! Vamos entrar logo!

Ao entrar na casa, Trevor sente um pequeno desconforto por estar com sapatos e pisar no carpete.

Trevor: A gente vai precisar tirar os sapatos?

May: Bom, eu… Não sei.

Hillary: Se vocês quiserem tirar, podem tirar. Mas para mim e para o Brian é melhor que fiquemos com as nossas botas, afinal de contas faz parte do nosso uniforme militar, então…

Brian: … Se eu quisesse ficaria descalço!

Hillary: Para de ser tolo e haja como um agente.

Brian: Mas eu sou.

May: Depois vocês tiram o tempo para brigarem a vontade ok?

Trevor: Uau! Essa casa é muito maneira!

A casa do capitão Dan é extremamente arrumada, na sala possui um carpete vermelho e uma mesinha no meio de dois grande sofás, nas estantes há vários artigos militares, entre troféus e medalhas que supostamente ele ganhou ao longo de sua carreira. Ainda pela casa vemos porta-retratos atuais e de alguns anos atrás, todos na casa ficam deslumbrados diante do que viam.

Hillary: Gente olhem essa foto! É de 1997.

May: Quem é essa mulher na foto ao lado do Capitão?

Hillary: Com certeza deve ser a esposa dele.

Brian: A ex-esposa, corrigindo.

Hillary: Por que será que se divorciaram? O Capitão Dan parece ser um homem tão íntegro.

May: Ás vezes a gente não sabe os bastidores de um relacionamento, por fora parece ser uma coisa, mas só quem está dentro que sabe.

Brian avista outro retrato.

Brian: Olhem esse aqui! É o capitão Dan com um garoto.

Hillary: É verdade, o capitão Dan nos disse que tinha um filho.

May: Será que é o mesmo da foto?

Hillary: Brian, vire o retrato e vê se tem alguma data.

Brian: (Virando o porta-retrato) Aqui está dizendo: “Meu filho querido, mais um ano de vida! -17 de Dezembro de 2000”.

Hillary: Então o filho dele tem no mínimo a nossa idade.

May: Sim, mas… Onde ele está?

Brian: O capitão disse que ele viria, só não sei quando.

May: Bom, enquanto ele não chega precisamos procurar alguma coisa pra a gente comer, senão vamos acabar morrendo de fome e nem esses monstros vão querer nos devorar.

Brian: Você é minha heroína May!

Hillary: Ah, por favor!

Exterior do Centro de Estabilidade da Phoenix, 19h08.

O helicóptero da Oficial Ellie acabara de pousar próximo à praia onde fica a entrada na caverna que dá acesso ao C.E.P.

Ellie: Bom, chegamos! O que faremos agora?

Dan: Oficial Ellie, quero que mantenha uma distância respeitosa daqui, gostaria muito que você entrasse conosco, mas precisaremos de alguém pra nos tirar de lá se algo der errado.

Ellie: Não se preocupe capitão, espero que vocês consigam cumprir essa missão e pegar esse psicopata do Dr. Addan.

Dan: Com certeza!

Ellie: Bom, sendo assim eu vou me retirar. Boa sorte a todos!

Ellie bate continência e retorna ao seu helicóptero, ao levantar voo, ela se afasta dali.

Frederico: Capitão… Agora é tudo ou nada! Qual o seu plano para entrarmos naquele lugar?

Dan: Como eu havia dito, vamos entrar pela entrada da caverna. Os três garotos ficam no meio, eu vou na frente com o Agente Victor e você Agente Frederico fica atrás dos garotos protegendo a retaguarda.

Frederico: Entendido.

Victor: Capitão, eu também tive uma ideia. Com certeza haverá seguranças na porta no final da caverna.

Dan: Isso é verdade, não pensei nisso.

Victor: Podemos manter o seu plano de infiltração pela entrada e quando chegarmos lá eu irei distrair os guardas dizendo que o Dr. Addan havia pedido pra eu ir até lá, enquanto isso o senhor e o Frederico aproveitam para neutralizar eles, e assim conseguiremos entrar.

Dan: Agente Victor, você me surpreende a cada dia. Agente Frederico, quando chegarmos perto da porta você vem para a frente que atacaremos os guardas juntos.

Frederico: Deixa comigo capitão.

Dan: Vocês três tem alguma dúvida garotos?

Lisa: Vamos entrar logo naquela maldita caverna e resgatar a minha irmã!

Lisa sai andando na frente e Cristhian e Dylan a acompanha, os agentes ficam boquiabertos com tamanha coragem.

Dan: Ei, esperem!

Sala de Comando do C.E.P, 19h11.

Após assassinar Emily, o Dr. Addan chegava à sala de Comando onde Naraj se encontrava ali tentando localizar o monstro Aragon a qualquer custo.

Naraj: Dr. Addan, já procurei o Aragon em todo o lugar e não o encontro, esse monstro aparece e desaparece como um passe de mágica!

Addan: Ele vai aparecer, cedo ou tarde ele aparece. Pelo menos já consegui me livrar do peso morto.

Naraj: Do que está falando?

Addan: A garotinha. Creio que a essa hora nossos guardas devem estar jogando o corpo da garota no mar.

Naraj: O senhor realmente matou a criança?

Addan: Eu não, o cão infectado. Mas isso não importa!

Naraj: Conseguistes alguma promoção ou coisa do tipo por ter feito isso?

Addan: Ultimamente eu tenho observado que andas soltando muitas piadinhas Naraj, não interfira nas minhas ações como se você mandasse em algo aqui.

Naraj: Sou apenas teu conselheiro fiel Dr. Addan, mas vejo que de nada está adiantando os meus conselhos, pois vossa excelência não a acatas.

Addan: Eu acato aquilo que me convém, e francamente os seus conselhos de nada estão me servindo.

Naraj: Bom, sendo assim… O que pretende fazer com a Dra. Fionna?

Addan: Incrivelmente eu ainda preciso dela.

Naraj: Mesmo após a sua suposta traição?

Addan: Sim, a Fionna é uma cientista brilhante! Ela será muito útil para que eu possa realizar novas pesquisas, afinal de contas foi o trabalho dela que facilitou com que meus experimentos aflorassem tão rapidamente. Falando nisso, acho que já é o momento de darmos a notícia que a garota ao qual ela tanto protegia… Está participando do coro com os anjinhos lá no céu.

Naraj: O senhor não perde uma oportunidade, não é mesmo Dr. Addan?

Addan: Apenas observe.

No quarto de vidro onde se encontrava a Dra. Fionna, havia no interior do mesmo um interfone na parte superior, então o Dr. Addan falava de dentro da sala de comando.

— Olá Dra. Fionna! Espero que você esteja muito bem.

Fionna se assusta ao ouvir a voz do Dr. Addan e se levanta.

Fionna: Maldito!

O Dr. Addan continuava a falar:

— Só queria dar os meus pêsames a você, pois infelizmente a garotinha por qual tanto você defendia… Está morta! Hahahaha!

Fionna: Não… Não!

Addan: Sim, é uma pena, eu sei! Mas ela era um peso morto, então pedi para que um dos meus cães acabasse com ela, agora ela é apenas um anjinho! Hahahaha!

Fionna começa a chorar e vai ao chão completamente em choque.

Fionna: Não… Não! EMILY! EMILY NÃO!       Eu vou te matar Dr. Addan! Desgraçado! Seu maldito! Não, por que Deus? Por quê? Emily… Não, não, não!

Fionna deita no chão daquele quarto e rompe a chorar retorcendo-se como se estivesse sentindo uma dor física incalculável.

Na entrada da caverna, o Capitão Dan e os outros seguem caminho como o planejado, a caverna tinha iluminação lá dentro, pois ali também era uma passagem para chegar ao C.E.P. Quando chegam até o final, o capitão Dan avistou dois seguranças na entrada da porta, ele sussurrando fala com os demais.

— Tem dois deles ali.

Victor: Só dois? Vai ser fácil!

Dan: Espera Agente Victor!

Victor: Confia em mim, fiquem atentos.

Lisa: Ele tá maluco? Vai acabar se matando.

Victor se aproxima dos dois guardas de “peito aberto”.

Victor: Senhores! Preciso de uma ajuda!

— Parado aí!

— Não se mexa!

Victor: Ei, calma! Eu sou o Agente Victor Evans e trabalhava na Segurança Institucional na Sede da Phoenix na Grã Bretanha, se ainda tem dúvidas podem olhar o meu cartão de identificação.

O Agente Victor mostra o seu cartão de identificação e enquanto eles estão distraídos verificando o objeto, ele dá uma joelhada no estômago de um deles e em seguida quebra o nariz do mesmo, o outro tenta atirar em Victor e este aplica uma cotovelada na cabeça do outro segurança e após isso ele pega a sua arma e atira nos dois guardas.

Victor: Até que não estou tão fora de forma.

Os demais saem de onde estavam escondidos e se aproximam de Victor.

Frederico: Eu pensei que o plano era para o capitão e eu neutralizar os guardas.

Dylan: Dane-se! Virei fã dele.

Dan: Por essa eu não esperava Agente, precisamos entrar! (Aproximando-se da porta) Droga, precisa de uma identificação pra entrar.

Victor: Bom, se o sistema daqui for igual ao da Sede, deixe-me tentar.

Victor passou o seu cartão de identificação na leitura digital e surpreendentemente o acesso foi liberado e a porta se abriu.

Cristhian: Oh my God!

Victor: Menos euforia, só fiz meu trabalho.

Frederico: Precisamos tomar cuidado, esse lugar deve está cheio de seguranças.

Victor: Com certeza está.

Dan: Agente Victor, você tem mais ou menos noção de como funciona aqui dentro?

Victor: Tem muitos lugares, Ala Sul, Ala Leste, Piso Superior, Piso Inferior, creio que estamos no Piso Inferior agora.

Dan: Ok, vamos entrar, observar a região e depois decidimos o que fazer. Entendido?

Todos: Sim capitão!

Dan: Então vamos porque a noite será longa!

Casa do Capitão Dan, 19h16.

Os agentes Brian e Hillary, juntamente com May e Trevor continuavam na casa do Capitão Dan admirando a beleza e os objetos que tem na casa.

May: Aqui é cheio de quadros, miniaturas e outros artigos militares.

Hillary: Esse sim faz honra à farda.

Trevor vê a porta de um quarto aberta e quando entra percebe que ali é repleto de brinquedos de guerra, aviões, soldadinhos, tanques de guerra e etc.

Trevor: Que maneiro! Olhem isso!

Hillary: Garoto! É melhor não mexer nessas coisas, você vai acabar quebrando.

May: Deixa ele Hillary, o coitado passou por muita coisa! Você vai tomar cuidado não vai Trevor?

Trevor: Eu sempre tomei muito cuidado com os meus brinquedos.

May: Pronto. Agora está tudo bem.

Hillary: Por falar nisso, onde foi parar o atrapalhado do Brian?

May: Boa pergunta. Vamos procurar na cozinha.

Ao chegarem à cozinha, Brian estava bisbilhotando no armário.

Hillary: O que você pensa que tá fazendo?

Brian: Como assim? Estou procurando alguma coisa pra comer, eu achei cereal, só falta um leite para isso aqui ficar show! Deve está na geladeira não? Vou procurar.

Hillary: Ele não vai abrir a geladeira dos outros.

Brian abre a geladeira e pega uma caixa de leite.

Hillary: Ele já abriu.

Brian: Vocês vão ficar aí só me olhando?

May: É que…

Brian: … Vocês que decidem então! Eu estou faminto!

Brian pega um prato fundo de plástico, derrama o cereal sobre o mesmo e em seguida coloca o leite, enquanto isso Hillary e May ficavam boquiabertas observando.

Brian: Agora eu só vou pegar uma colher e… “Voilá”! Agora eu posso comer! Espero que a TV do capitão Dan esteja funcionando, esse horário deve estar passando aquele programa na BBC.

Brian vai para a sala deixando Hillary e May desconcertadas.

May: Como ele consegue ser tão otimista?

Hillary: Você não sabe o que é trabalhar com ele 40 horas semanais.

Centro de Estabilidade da Phoenix, 19h19.

O capitão Dan e os outros estão dentro do C.E.P e ambos ficam apenas observando o local antes de darem qualquer passo a frente.

Frederico: Este lugar realmente é uma fortaleza!

Dan: Fiquem atentos! Não podemos baixar a guarda um só minuto.

Enquanto isso na sala de Comando, Naraj avistou pelas câmeras os nossos heróis reunidos.

Naraj: Dr. Addan, parece que temos visitas.

Addan: Mas… Como? Capitão Dan? O que ele está fazendo aqui? E quem são essas pessoas?

Naraj: Aquele de cabelo castanho trabalhava na Phoenix, eu me lembro dele, Victor Evans, mas… O que aqueles dois garotos e aquela garota estão fazendo aqui?

Addan: Com certeza vieram pela Fionna, a miserável tem mais aliados do que eu imaginava.

Naraj: De qualquer modo, não faz nenhum sentido o Capitão Dan entrar aqui com dois agentes e três pirralhos.

Addan: Vou avisar agora mesmo aos seguranças, me passe o walkie talkie.

Naraj: Sim senhor.

Addan: Segurança! Aqui é o Dr. Addan, peço para quem estiver mais próximo ao Piso Inferior que detenham os intrusos que invadiram o prédio. Ao todo são 6 deles, 5 homens e uma mulher.

Um dos seguranças responde a chamada e questiona:

— O que faremos com eles Dr. Addan?

Addan franze a testa e responde:

— Mate-os!

No Piso Inferior, o Capitão Dan começa a dar passos a frente liderando o grupo.

Dan: Precisamos tomar muito cuidado, não sabemos das surpresas que aguardam este…

De repente uns guardas aparecem nas escadas disparando contra eles.

Dan: Abaixem-se agora!

Victor: Malditos! Frederico, proteja os garotos!

Frederico: Abaixem-se!

Frederico leva os 3 garotos para um canto da parede e os deixa abaixados enquanto Victor e o Capitão Dan revidavam o ataque dos seguranças.

Dan: Agente Victor, corre para o outro lado e se esconde atrás do pilar, eu te dou cobertura!

Victor: Deixa comigo!

O Agente Victor corre até o outro lado, mas continuava a atirar contra eles, até que por fim chegou ao pilar daquele local para se proteger e atirar nos soldados do Dr. Addan. Frederico continuava abaixado junto com os garotos.

Frederico: Droga! Tem mais dois vindo na parte de cima, o capitão e o Victor estão ocupados com os outros.

Lisa: Onde você pensa que vai?

Frederico: Fiquem aqui abaixados, não se levantem em hipótese nenhuma. Vou ajudá-los.

Cristhian: Pode ir lá, a gente fica aqui.

Frederico se levanta e corre para o meio do fogo cruzado.

Dan: Agente Frederico, o que está fazendo?

Frederico: Protegendo vocês.

Ele avistou os dois guardas que estavam fora do alvo do capitão e do Agente Victor e disparou contra eles sem hesitar.

Dan: Bom trabalho agente!

Em questão de minutos, o capitão e os dois agentes conseguiram eliminar os guardas que estavam cercando-os.

Victor: Verdadeiramente o Dr. Addan é muito mais perigoso do que imaginávamos.

Dan: Crianças, podem se levantar!

Os três se levantam e se afastam da parede onde estavam encostados e se juntam aos outros.

Frederico: Será que o Dr. Addan já sabe que estamos aqui?

Dan: Com certeza ele sabe, senão não teria mandado essa tropa inteira vim até aqui para nos matar.

Victor: Se apareceram esses guardas aqui no Piso Inferior, significa que tem mais no prédio inteiro, por isso que eu sempre achei uma péssima ideia trazer esses garotos pra este lugar.

Lisa: Agora não adianta mais se lamentar, já estamos aqui e nada disso vai mudar. Então capitão… Qual será o próximo passo?

Casa do Capitão Dan, 19h24.

Trevor estava sentado no carpete e brincava com os soldados de brinquedo que estavam sob a mesinha da sala, porém nota-se que ele não estava se divertindo nem um pouco, e estava com uma expressão de tédio e de desânimo, May notou a expressão do garoto e se aproxima dele.

May: Trevor, tá tudo bem?

Trevor: Sim, sim… Eu só estou… Não sei, queria ir pra minha casa.

May: Trevor, você sabe que isso é logicamente impossível agora. Você está com a gente e somos a tua família.

Trevor: Vocês são muito legais comigo, mas eu estou muito entediado.

May: Quer que eu fique aqui te fazendo companhia?

Trevor: Não, está tudo bem, obrigado dona May.

May: “Dona May” me fez parecer uns 20 anos mais velha (risos), mas eu vou deixar você a vontade, se precisar é só me chamar.

Trevor: Tudo bem.

May se retira dali um pouco desapontada, pois não conseguiu fazer nada para animar o garoto, ela chega até Hillary que estava na cozinha e comenta sobre o assunto.

May: Ai Hillary! Eu não sei mais o que fazer com o Trevor.

Hillary: Mas por quê? O que aconteceu?

May: O coitadinho está tão desanimado! Tentei fazer de tudo pra animar ele e nada.

Hillary: Deve ser por causa de tudo que ele passou.

May: Verdade, mas mesmo assim eu queria fazer alguma coisa pra ele se sentir melhor.

Neste momento Brian chegava até a cozinha e deixou o prato onde comera o cereal na pia, ao voltar, Hillary o detém.

Hillary: Escuta Brian!

Brian: Sim?

Hillary: Você é homem, certo?

Brian: Bom, na minha certidão de nascimento tá dizendo que sim, mas se caso você tiver alguma dúvida, eu posso abaixar as minhas calças e…

Hillary: …Não é isso que eu estou falando idiota!

Brian: Então o que é?

Hillary: Escuta, naquela sala tem um garotinho que neste momento está morrendo de tédio e por mais que eu ou a May tente, não conseguimos animá-los por nada.

Brian: E o que eu tenho a ver com isso?

Hillary: Deixa de ser ignorante! Talvez ele não quer se abrir pelo fato de sermos mulheres, talvez se você conversar com ele, é quase certo que ele vai se sentir mais a vontade.

Brian: E vocês querem que eu faça isso?

Hillary: Óbvio!

May: Brian, por favor, você é jovem, carismático, conquista fácil as pessoas e…

Hillary: …Também não precisa construir um altar pra ele, não exagera, por favor!

May: Estou falando sério, o Trevor vai se sentir mais a vontade com você do que com a gente, e pelo menos vocês vão poder conversar sobre coisas de garotos.

Brian: Mas ele só tem 13 anos, como eu vou conversar sobre coisas de garotos se eu sou 10 anos mais velho que ele?

Hillary: Ah se vira! Ou você não honra aquilo que você tem entre as pernas?

May: Hillary? Pega leve!

Brian: Vocês vão me pagar muito caro ainda por isso, podem escrever. Tá bom, tá bom, eu vou conversar com o garoto.

Hillary e May começam a bater palmas para Brian.

Hillary: Muito bem garoto! Eu sabia que você faria!

Brian um pouco irritado acaba atendendo o pedido das moças e vai até a sala para ir de encontro com Trevor. Antes mesmo de se aproximar, ele observava de longe o garoto brincando com os brinquedos de guerra que estavam na mesinha, neste momento algo comovia Brian e algumas imagens vinham em sua cabeça, eram supostamente lembranças de quando ele era criança. Ao ter essas leves lembranças do passado, ele se aproxima de Trevor e se agacha perto dele.

Brian: Caramba! Eles são lindos não é?

Trevor: Sim, eles são!

Brian: Quando eu tinha a tua idade, aliás, quando eu era mais novo que você, tinha vários carrinhos de guerra.

Trevor: Sério? E você brincava com eles?

Brian: Claro que sim! Eu lembro que sempre brincava com meu irmão, eu tinha muitos soldadinhos também.

Trevor: Demais! Eu queria ter tido um irmão pra eu poder brincar, mas… Não tenho e… Também meus pais morreram, então… Não tenho mais ninguém.

Brian: Se importa se eu… Ficar aqui um pouco com você para conversarmos?

Trevor: Por mim tá tudo bem. O teu irmão é mais velho ou mais novo que você?

Brian: Mais velho.

Trevor: E onde ele tá?

Brian engole seco neste momento, mas resolve prosseguir.

Brian: Bom Trevor, ele está no céu neste momento.

Trevor: Desculpa, eu… Eu…

Brian: …Você não tem culpa garoto. O James foi o melhor irmão que eu podia ter tido, eu me lembro quando eu tinha uns 7 anos, acabava me metendo em confusão com os valentões da escola e meu irmão sempre aparecia pra me defender deles, ele sempre dizia: “Se tocarem em um fio de cabelo dele, vocês vão se ver comigo!” Era mais ou menos assim, e eu sempre dizia que ele era o meu herói depois do papai, e dizia que eu queria ser como ele quando eu crescesse, acabou que… Isso não pode ser possível.

Brian começa a ficar emocionado ao remoer o passado, e Trevor ficava ainda mais curioso com a história.

Trevor: Eu sei que não devia perguntar, mas… Como o teu irmão morreu?

Brian: Certo dia eu estava jogando bola em frente à minha casa, meus pais estavam com visita em casa e nem se deram conta que eu estava brincando ali, porém o meu irmão sempre foi mais cuidadoso e ele já estava com 15 anos. Nesse dia eu chutei a bola e ela foi parar no meio do asfalto, eu fui correndo pra ir pegar, mas tinha uma caminhonete chegando, o meu irmão viu e saiu correndo atrás de mim, ele conseguiu me empurrar a tempo, mas ele… Ele… (caem lágrimas dos olhos de Brian) Ele não conseguiu se salvar, então fizemos o velório no dia seguinte mesmo, depois disso a minha vida foi para o espaço! Meus pais se separaram, ficavam um jogando a culpa no outro de não ter me vigiado naquele dia, senão o James estaria vivo, foi uma confusão! Minha mãe foi embora pra bem longe e meu pai estava viciado em álcool. Foi daí por diante que eu decidi entrar paras as Forças Armadas, eu me lembro perfeitamente que o meu irmão me dizia que o sonho dele era servir ao Exército Real, então quando eu já estava adolescente e sendo criado pelos meus tios, eu decidi que faria aquilo que meu irmão tanto queria, e hoje eu estou aqui Trevor, e agradeço muito a Deus por ter chegado até aqui.

Trevor: Se eu pedir uma coisa pra você… Você vai achar estranho?

Brian: Claro que não!

Trevor: Eu queria ser teu irmão!

Trevor larga os brinquedos no chão e abraça Brian, este último fica totalmente desconcertado com a reação do garoto, porém retribui o abraço.

Brian: É claro que você pode ser meu irmão Trevor.

Brian estava abraçado a Trevor completamente emocionado, May e Hillary observavam pela porta da cozinha.

May: Meu Deus, ele realmente conseguiu! O Brian tem um coração enorme!

Enquanto isso no C.E.P, nosso heróis continuavam no Piso Inferior tentando achar uma maneira de darem o próximo passo.

Victor: Capitão, acredito que depois desse corredor a frente é que vamos encontrar os locais que eu falei.

Dan: Entendi, eu vou na frente, vocês me acompanham.

Frederico: Sim Senhor!

O Capitão Dan e os outros vão seguindo caminho, no canto da janela do corredor, havia um vaso com rosas brancas, Lisa ao passar fica com o vestido preso nos espinhos e acaba ficando pra trás.

Lisa: Ai, isso é hora pra eu ficar presa? Oh gente, espera um pouco aí.

Nas costas de Lisa algo estava se aproximando, Cristhian e Dylan que estavam a frente dela olham para trás e alertam a moça.

Cristhian: Lisa, cuidado!

Um dos soldados do Dr. Addan puxa Lisa para trás segurando seu pescoço e a ameaça com uma pistola.

— Surpresa! Gosta disso vadia?

Lisa: Me solta!

Os agentes estavam mais a frente e viraram para trás testemunhando o ataque.

Cristhian: Lisa, não!

— Se chegarem perto eu juro que mato essa cretina!

Cristhian e Dylan olham um para a cara do outro e sem medir o perigo que estavam correndo, eles se dirigem para cima do guarda e pulam sobre ele, fazendo com que ele solte a Lisa— que cai no chão ao lado da parede— e inicia um forcejo entre Cristhian, Dylan e o guarda.

Lisa: Cuidado!

Victor: Capitão, o que faremos?

Dan: Agente Frederico, você está mais perto, atira nele!

Frederico engatilha a sua arma, mas hesita em atirar.

Lisa: Alguém faça alguma coisa!

O forcejo continuava.

Cristhian: Dylan, tenta tirar a arma da mão dele!

Dylan: Eu estou tentando!

— Malditos! Eu vou acabar com vocês moleques!

Dan: Agente Frederico! Atira logo!

Frederico: Eu não posso, vou acabar acertando os garotos.

Cristhian e Dylan continuavam atracados com o guarda, Lisa continuava no chão desesperada.

Dylan: Droga! Eu não estou conseguindo Cristhian!

— Moleques mimados!

Victor: Frederico, atira logo!

Frederico: Eu… Eu não posso!

Toda a pressão estava sob Frederico, se ele não atirasse, o guarda poderia matar os garotos naquele momento.

Dan: Atire agora mesmo agente!

Victor: Vamos Frederico!

Frederico: Eu vou acabar errando!

Lisa: Alguém ajuda pelo amor de Deus!

Cristhian e Dylan já estavam perdendo as forças até que ouve-se um disparo e a bala foi cravada na testa do guarda finalizando ali o forcejo, os garotos olham para Frederico, mas perceberam que o disparo não veio da arma dele, Frederico também ficou impactado e olha para trás e de lá do fundo via-se o Capitão Dan assoprando a sua arma e em seguida ele guarda em seu coldre. Ele veio se aproximando pelo corredor, passando pelo Agente Victor até chegar em Frederico, ao chegar neste último ele encosta a sua testa na testa de Frederico e o repreende.

— Escuta aqui! Quando eu falo que é pra você atirar, é pra você atirar e pronto! Você já não é mais nenhuma criança agente! Se eu não tivesse intervindo, ele teria matado os garotos por causa da tua negligência e covardia.

Frederico: Capitão, eu…

Dan: … Não me interrompa quando eu estiver falando, principalmente quando você sabe que está errado! É bom que isso não se repita novamente Agente, não se atreva a nos deixar como todos os nossos outros agentes fizeram.

Frederico continuava a olhar para o Capitão Dan que continuara olhando desafiante para ele, o Agente Victor percebeu toda a tensão que pairava naquele momento.

Victor: Capitão… Vamos seguir em frente! Por favor.

Dan: Tudo bem, vamos sim! Garotos, vocês estão bem?

Cristhian: Sim, estamos.

Lisa: (Exaltando-se) Não, eu não estou nada bem!

Dylan: Lisa, relaxa.

Lisa: Relaxar? Eu vim aqui com o intuito de resgatar a minha irmã, claro que também eu penso na Dra. Fionna, mas agora eu tenho que parar pra ouvir os “sermões militares” de vocês? Chega! Resolvam isso quando estiverem num quartel, aqui ninguém é melhor do que ninguém, então eu vou pedir que vocês tratem de dar um jeito nessa maldita testosterona que vocês tem e passem a usar o cérebro neste momento! Eu não vim aqui pra ficar testemunhando briga de homens adultos que sabem muito bem o que querem da vida, mas preferem agir como crianças. Me provem que realmente vocês honram as calças que vestem e façam alguma coisa agora!

Os 5 rapazes ficaram completamente impactados diante das palavras de Lisa e não conseguiam dizer uma só palavra neste momento.

No quarto de vidro, a Dra. Fionna estava deitada debruçada sobre o chão e não se aguentava mais de tanto chorar ao saber da morte de Emily, ela ainda estava mareando por causa das descargas elétricas que recebera alguns minutos atrás, neste momento alguém entrava no salão onde está o quarto de vidro que Fionna está presa. Fionna que estava sobre o chão, vai levantando a cabeça lentamente e percebe que alguém se aproximava, porém a sua vista ainda estava embaçada.

Fionna: Quem… Quem é você? Dr. Addan?

Ela foi se arrastando para chegar mais perto e sua visão foi voltando aos poucos e por fim ela conseguiu ver perfeitamente de quem se tratava.

Fionna: Não pode ser… EMILY?

 

 

 

 

padrao


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