Vale Dicere- Season 3- Capítulo 1: “Promessas”

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“O Casamento real era pra ter sido o momento mais importante da vida de Henry e Claire, era pra ter sido um momento de paz e harmonia entre a realeza britânica e os convidados. Mas a tragédia os rodeia… A dor, a morte e o desespero já fazem parte de suas vidas, testemunhamos as bodas de sangue e agora não há mais nada que se possa fazer.”

 

A vida nos prega peças…

No palácio real, vemos Victor no corredor ajoelhado ao chão, ele está com um olhar irreconhecível, uma raiva toma conta de si. Uma voz o chama diversas vezes. É o Capitão Dan.

— Agente Victor! Agente Victor!

Victor cerra o punho, trinca os dentes e se levanta com toda fúria e dá um soco no rosto do Capitão Dan.

— Ahhhhhh desgraçado!

May está no corredor juntamente com a Rainha Elizabeth.

— Victor! O que você tá fazendo?

Ele continua a distribuir golpes no capitão Dan, este tenta revidar e ambos ficam forcejando no corredor do palácio ao lado das escadas.

— Victor, já chega! Você tá fora de si.

— Eu nunca vou te perdoar! Nunca!

Victor desiste de forcejar com o Capitão Dan e tira uma pistola de sua calça apontando pra ele.

— Não se atreva a apontar a arma pra mim, agente!

— Tenta a sorte!

May se desespera e se coloca na mira de Victor.

— Victor, não faça isso!

— Sai da frente, May!

— Não, o Capitão Dan tem razão!

A Rainha Elizabeth fica no canto da parede e se sente encurralada ao ver a cena. Victor insiste.

— Cala a boca e saia da minha frente!

— Eu não vou sair! Abaixa essa arma, Victor!

— Eu já falei pra você sair da frente, May!

— EU NÃO VOU SAIR!

— Então eu não tenho escolha.

Vemos em foco a arma de Victor.

Mas o que aconteceu com ele? Por que essa atitude tão repentina? Algo de muito errado dever ter acontecido. Talvez as bodas de sangue ainda vão nos destruir nos próximos dias.

 

                                                                      OPENING

 

 

58 MINUTOS ANTES…

“A vida é como uma peça de teatro que não permite ensaios”…

Claire está paralisada em meio à chuva e avista alguém.

“… Por isso cante, dance, sorria”…

— Não pode ser… Você?… Mamãe?

“… Antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos”.

Charlote não é mais a mesma. Henry tenta alertar Claire.

— Claire, Claire, toma cuidado!

— Ma… Mamãe! Por… Por quê?

Charlote solta um grito enquanto a chuva castiga aquele local e avança pra cima de Claire. Esta última está paralisada sem saber o que fazer, será este o teu fim?

Quando Charlote está prestes a avançar no pescoço de Claire, ouve-se um disparo. Henry tenta procurar de onde veio o tiro que acertou Charlote em cheio.

Vemos de longe em meio à chuva a imagem de um homem, ele vem andando a passos lentos, quando se aproxima percebemos que este homem é Scott.

— Vocês estão bem?

Henry extasiado o responde.

— Scott? Você… Salvou nossas vidas.

Claire está em choque ao ver a mãe morta na sua frente, ela se ajoelha e segura Charlote nos braços.

— Mamãe, mamãe! Por que, Deus? Por quê?

— Claire, Claire, meu amor. A gente precisa sair daqui.

— Não, não, ela era a minha mãe.

— Eu sinto muito, amor. Sinto muito!

Henry não vê outra saída e puxa Claire pelo braço à força distanciando-a do corpo de Charlote. A chuva não para de cair, o desespero de Claire é notório.

Henry tenta abraçá-la no intuito de consolá-la, mas é impossível! Scott avista um grupo de infectados se aproximando.

— Vocês precisam sair daqui! Agora!

Henry, hesitando, pergunta:

— Mas e você?

— Vou tentar ganhar tempo. Agora vão!

Claire e Henry correm para o outro lado do palácio a fim de se protegerem de tudo o que está ocorrendo. Poderá Scott impedir os infectados que se aproximam?

Central da Ilha da Phoenix, 21h45.

Fionna é encurralada por um dos guardas do Dr. Addan, ela tenta se esquivar e percebe que é alguém que ela conhece.

— Edward?

— Shhh, faça silêncio ou os outros guardas vão te ouvir.

— O que você tá fazendo?

— Eu disse que podia contar comigo, Fionna. Agora precisamos encontrar a Ashley antes que a encontrem.

— Espera. Por que está me ajudando?

— Não faça perguntas e apenas venha comigo!

Edward sai na frente, Fionna hesita sem entender o motivo dele estar ajudando-a.

No palácio, Dylan está no quarto juntamente com May e a Rainha Elizabeth.

— O Marco tá morto, os condes também e não sabemos onde tá o Scott.

— Meu Deus, o Scott! A gente tem que encontrar ele.

Ouve-se os gritos de Julian e Lisa.

— Dylan! Dylan!

— Eu estou aqui!

Eles entram no quarto, Lisa ao ver May a abraça.

— May, estava tão preocupada!

— Gente, o que tá acontecendo?

Julian ver que a rainha está ali sentada.

— Majestade, a senhora está bem?

— Eu, eu… Eu não entendo. Por que isso está acontecendo?

— É tudo culpa do desgraçado do Dr. Addan. Ele armou tudo isso pra nós e não vai descansar até conseguir o que quer.

Dylan argumenta.

— Precisamos encontrar os outros, tem capangas do Dr. Addan espalhados pelo palácio inteiro e estão transformando as pessoas nessas criaturas.

Lisa o responde.

— O Dr. Addan conseguiu o que queria, está formando um verdadeiro exército de criaturas incontroláveis, até que ponto isso vai chegar, meu Deus?

Do lado de fora, a chuva continua, mas aos poucos começa a parar, porém vemos um cenário de caos total. Tiros por todos os lados, pessoas se infectando, uns matando aos outros… Uma verdadeira catástrofe.

Cristhian, Jennifer e Ellie saem no pátio pra tentar encontrar os outros. O primeiro indaga.

— Meu Deus, o que fizeram aqui?

Ellie o responde.

— Já não basta terem matado o pobre do Marco, ainda estão destruindo o palácio, como podem ser tão cruéis?

Jennifer diz:

— Tomem muito cuidado, qualquer vacilo podemos ser atacados por uma dessas criaturas.

Os três vão vasculhando o pátio do palácio a procura dos outros.

Do lado de dentro, o Capitão Dan, Victor, Maximilion e Matilde acabaram de testemunhar a morte de Robert de maneira brutal. Matilde está agarrada ao chão.

— Ai meu Deus!

— Mamãe, calma! Calma, nós vamos ficar bem.

— Agente Victor, precisamos sair desse lugar. O Dr. Addan preparou esse palácio pra ser a nossa cova. Desgraçado!

Maximilion argumenta.

— O que faremos, capitão? Não estamos seguros nem aqui dentro e nem lá fora.

— Por enquanto estamos mais seguros aqui dentro, temos que esperar a poeira abaixar… Se abaixar.

Na ilha, Edward e Fionna continuam percorrendo os corredores para despistar os outros guardas.

— Escuta, o que pensa que tá fazendo? Mesmo que você esteja pensando que tá me ajudando, o Dr. Addan vai acabar descobrindo através das câmeras.

— Não quando a gente dá um jeito nelas.

Edward aponta pra cima. Fionna vê todas as câmeras naquele corredor desligadas.

— Espera, como que…?

— Só deixei as câmeras estratégicas ligadas, porém não vai ser por muito tempo. Quando entrarem na sala de controle vão encontrar o agente lá desmaiado.

— Mas… Eu não entendo.

— Agora nossa missão é encontrar a Ashley, Fionna. Teremos tempo pra conversar mais tarde.

Ainda na central, Ashley continua a percorrer pelos corredores e tenta encontrar o Dr. Makoto sem nenhum resultado.

— Meu Deus, onde será que o colocaram? Eu estou preocupada com a Fionna. Talvez eu… Talvez eu devesse ir até a sala do Neon. E é isso que farei.

Ashley dá meia volta e tenta não ser vista.

Ainda ali na central, Hilda está na Grande Sala onde reuniu praticamente todos os cientistas que trabalham ali.

— Escutem todos! Se um de vocês ajudar a Dra. Fionna, juro que matarei vocês sem hesitar. Cansei de ser piedosa demais, tá na hora de mostrar que aqui não há misericórdia. Bando de inúteis!

No palácio, Cristhian, Ellie e Jennifer continuam no pátio procurando os outros. Eis que um helicóptero começa a sobrevoar o pátio iluminando o local.

Cristhian pergunta.

— Será que vieram nos ajudar?

Ao terminar a pergunta, quem estava no helicóptero começa a disparar em direção a eles.

Jennifer grita.

— Puta que pariu! É uma armadilha, corram!

Os três começam a correr pra dentro das pequenas árvores do pátio a fim de se protegerem, os tiros acertam outras pessoas, Hillary vê o perigo e rapidamente corre pra fonte que tem no meio do pátio e se esconde dentro da água para se proteger. Outros dois helicópteros se aproximam e cercam as extremidades do palácio, de repente cada um deles atiram flechas com bombas e vemos em cada ponto localizado, uma explosão provocando o caos total.

Henry e Claire entram em uma das câmaras e ouvem o barulho dos tiros e as explosões.

— Henry, o que tá acontecendo?

— Droga! Parece que estão bombardeando o palácio.

— Por que fariam isso?

— Eu não sei, meu amor. Vamos entrar na câmara e nos proteger.

Claire olha pra trás e vê um enorme grupo de infectados se aproximando.

— Henry, olha.

— Droga! Rápido, Claire! Vamos sair daqui!

Do lado de fora, Ellie está encostada em uma das árvores do pátio ofegante até que ouve uma voz.

— Oficial Ellie? Enfim pude conhecê-la pessoalmente!

É uma das agentes do Dr. Addan.

— Quem é você?

— Recebi ordens da senhora Hilda de acabar com você pessoalmente, por isso que fiquei escondida esperando o momento oportuno.

— Sério? Quem disse que você vai conseguir?

— A dona Hilda vai ficar muito feliz quando souber que eu matei a amante de seu marido.

— Diga uma coisa à Hilda, querida: Eu nunca fui amante do marido dela.

Ellie lança uma faca atingindo a artéria da perna da agente.

— Ahhhhh desgraçada, como fez isso?

Ellie rapidamente chuta o rosto da agente pra que ela não tenha tempo de se defender.

— Você procurou por isso, querida. Agora vai ter o que merece. Mande lembranças à Hilda e ao Dr. Addan quando estiverem no inferno, porque depois de você, eles serão os próximos.

Ellie friamente atira na cabeça da agente.

— Vão pagar por ter matado o meu colega, eu juro que vão pagar.

Do lado de dentro do palácio, o desespero continua. Julian alerta a todos.

— Escuta, May. Proteja a rainha e fiquem aqui, tranque bem as portas. Precisamos encontrar os outros.

— Espere, não podemos deixar a minha amiga aqui sozinha com a rainha sem nenhuma proteção.

— Lisa, a May é esperta e vai saber o que fazer. Não é, May?

— Eu, eu acho que sim.

— Então vamos!

Julian, Dylan e Lisa saem do quarto. May tranca bem a porta. A rainha a questiona.

— O que vamos fazer, filha?

— Eu não faço a menor ideia.

Na central da ilha da Phoenix, Edward e Fionna continuam em busca de Ashley. Esta última enfim chega até a sala do projeto Neon e está prestes a entrar.

Nesse instante, Edward a chama no fim do corredor.

— Ashley!

Ashley se prepara pra correr quando Fionna aparece e a chama de volta.

— Não, Ashley. Espera!

— Fionna? Mas… Mas como você pode estar com esse cara?

— É uma longa história! Eu conto depois. O que faremos agora, Edward?

— Vamos entrar na sala do Neon.

Edward se aproxima da porta, digita a senha no painel, as portas se abrem e ambos entram na sala.

Após entrarem, eles se dirigem até o painel de transmissão próximo ao recipiente onde Neon adormece.

— Escutem, vocês duas! O Dr. Addan já sabe que a Emily escapou, mas não sabe que vocês duas ajudaram.

— Espera aí, ele vai descobrir e querer nos matar de qualquer forma, parece que não conhece o Dr. Addan.

— Sim, cedo ou tarde ele matará a todos nós, mas no momento ele está ocupado fazendo outra coisa.

Edward mexe no painel de controle, abre uma tela holográfica e podemos testemunhar o caos no palácio. Ashley exclama:

— Meu Deus! Isso é no palácio real, o que aconteceu?

— O Dr. Addan armou tudo isso, ele sabia do casamento real, sabia que todos estariam ali.

Fionna inconformada questiona.

— Mas… Como ele sabia de tudo isso, Edward?

— Muito simples, Fionna. Tem um infiltrado na corte.

Fionna e Ashley ficam baqueadas.

No palácio, Trevor continua sozinho tentando se esquivar do caos.

— Brian! Brian, cadê você?

Um dos helicópteros se aproxima e começa a disparar contra o gramado, Trevor corre imediatamente para os arbustos e encontra a saída de esgoto, ele passa pela entrada e de longe vemos Brian avistando a cena.

— Droga, Trevor!

Hillary sai da fonte e olha pra um lado e pro outro, ela percebe que há várias partes do palácio pegando fogo.

— Meu Deus, o que fizeram aqui?

Ellie a encontra.

— Hillary!

— Ellie? Ellie, graças a Deus encontrei um de vocês.

Hillary salta da fonte e abraça Ellie.

— O que aconteceu com você, garota?

— Nada, eu… Eu fui atacada, tem agentes do Dr. Addan por todos os lados.

— Sim, eu também fui atacada e o pior que todos eles nos conhecem.

Na ilha, o Dr. Addan se encontra na sala de comando furioso.

— Maldição! Tudo estava indo bem e agora essa pirralha tinha que fugir?

Naraj que está ali presente tenta aconselhá-lo.

— Milorde, sinta-se lisonjeado que ao menos o golpe de estado que demos na corte funcionou.

— Isso era o mínimo que podia acontecer, Naraj. Agora temos nossa principal arma por aí a solta.

— Sabes bem que ela não está segura lá fora, não é mesmo, senhor? Se não a encontrarmos antes, ela morrerá.

O Dr. Addan franze a testa completamente desconcertado.

Ainda na ilha, na sala do projeto Neon… Fionna está sem palavras diante da revelação de Edward.

— O que tá dizendo? Tem um infiltrado na corte?

— Sim e eu conheço o desgraçado. Petter Krueger, ele está na guarda real do palácio. Foi ele que manipulou a presença do Dr. Addan na reunião parlamentar e deu todas as coordenadas pra ele do casamento real. Foi tudo armado estrategicamente, o maldito vigiou todos que estão na Mansão Maximilion durante todos esses dias e passou um Up Date de todos eles para o Dr. Addan, a Hilda e os capangas.

— Puto desgraçado!

— Eu nunca imaginei que uma pessoa dentro da corte estaria trabalhando para o Dr. Addan.

— Ninguém imaginaria, Ashley. O Krueger por ser um homem de boa aparência acaba enganando a todos facilmente, é preciso ter muito cuidado com ele.

— Então vamos aproveitar o momento pra fazer uma chamada ao capitão Dan.

— É claro que não, Fionna!

— Mas por que não?

— Veja na tela como está o palácio agora? Você acha que o capitão Dan ou qualquer um outro vai atender alguma chamada de fora?

— Mas eles precisam saber o que está acontecendo…

— Eles já sabem o que está acontecendo, Ashley. E mesmo se falarmos do infiltrado agora, que diferença isso vai fazer? Eles já estão presenciando o próprio caos.

— Eu não entendo o motivo do Dr. Addan ter armado tudo isso e justo no casamento do Príncipe Henry.

— Ele queria muitas vítimas, se livrar de todos os que atrapalhavam ele, a filha do Ishihida era o alvo principal.

— A Lisa?

— Sim, pelo o que eu vi no “roteiro de ataque”, a Lisa era a primeira da lista e em seguida viria os demais civis: Cristhian, Dylan e May. O Dr. Addan queria matar primeiro os civis e depois partir pra patente alta: Capitão Dan, Victor, Hillary e os outros.

— Isso é muito diabólico, ele fez até uma lista de quem morreria?

— Sim, na verdade quem armou toda a lista foi o Krueger, o Dr. Addan apenas deu o veredito.

— Meu Deus, será que a Lisa está bem? Seria um baque muito grande pro pai dela descobrir que sua filha… Bom…

— … Fionna, não podemos nos esquecer da Emily.

— A Emily a esta altura está bem longe, Ashley. Então ela está a salva.

— Não, ela não tá a salva. A ilha é mais perigosa do que você imagina.

— Tá, mas qual é o plano agora?

— Precisam confiar em mim, vocês duas.

— Olha, sinceramente eu não entendo essa tua mudança repentina, como eu vou saber se não trata de mais uma de suas mentiras?

— Você tem todo o direito de pensar assim de mim, Fionna. Mas no momento sou o único que pode proteger vocês, então vamos deixar as indiferenças de lado e… Partir pro ataque?

No palácio, Henry e Claire entram em uma das câmaras onde há uma enorme sala. Henry tranca bem as portas e coloca uns sofás e vários objetos bloqueando a passagem para os infectados.

Enquanto ele faz isso, Claire observa o local pela janela e de repente um clarão a ilumina, era um dos helicópteros do Dr. Addan. Henry percebe o perigo e corre até a janela para acudi-la.

— Claire, cuidado!

Ele empurra Claire para o lado e uma granada é lançada pra dentro e explode no meio da sala, as brasas envolvem as cortinas das janelas e em breve aquele lugar estará envolto em chamas.

— Ai meu Deus, Henry!

— Claire!

Na ilha, continua a intensa conversa entre Edward, Fionna e Ashley.

— Todos os nossos planos foram por água a baixo, era pro Capitão Dan invadir a ilha com seus soldados e tirar a gente daqui e agora eles podem estar mortos.

— Detesto dizer isso, mas é bem provável que muitos deles já morreram ou foram transformados. Cada agente levou uma seringa com o Complexo E pra transformar qualquer pessoa normal em uma das criaturas infectadas.

— O Dr. Addan não tem limites, já não basta o que ele fez com os cães lá no laboratório da Phoenix.

— Ele quer muito mais além, Fionna. Ele quer transformar a todos em criaturas pra lá de sanguinárias.

— Não podemos permitir, eu entrei nessa guerra foi pra ganhar! Se chegamos até aqui, iremos até o final, nem que para isso a gente tenha que morrer tentando.

Palácio Real, 22h05.

 

“Já ouviram falar na frase que a vida é um sopro?”

A sala onde Henry e Claire estão trancados começa a ficar cada vez mais dominada pelas chamas.

— Henry, o que a gente vai fazer?

— Eu, eu não sei, meu amor.

— Não dá pra a gente sair pela porta?

Henry cogita ir até a porta, mas ouve o barulho dos infectados tentando arrombá-la.

— É tarde demais. Não tem mais saída.

A gente nunca sabe quando chegará o nosso dia”…

Trevor está descendo as escadas da rede de esgoto e percebe o local hostil onde foi parar. Ainda sim prefere prosseguir.

“… A gente nunca sabe quando chegará nossa hora”…

Ainda no calabouço, Makoto percebe que tem uma pessoa na cela do outro lado.

— Escuta, tem um modo da gente sair daqui? Se tiver, me fale! Por favor, não fique em silêncio. Como a gente sai daqui?

Já agradeceu pelo o teu dia hoje?”

Os helicópteros continuam sobrevoando a floresta da ilha a procura de Emily, ela ainda permanece em algum lugar dali inconsciente.

“Viva o teu hoje como se fosse a última vez”

No salão, Henry e Claire se afastam das paredes e vão para um canto da sala, as chamas estão ainda mais fortes, que decisão tomar? A passagem está bloqueada e não há como sair pelas janelas.

— Henry, eu… Eu estou com medo.

— Eu também. Escuta!

Henry puxa Claire pra perto de si e pega na sua mão.

— Você se lembra dos nossos votos lá no altar? Fizemos uma promessa. Cada um iria cuidar do outro.

— Sim, você até chorou.

— É, acho que chorei sim.

— (com lágrimas nos olhos) Eu… Eu nunca tinha visto você chorar.

— Mas o meu choro não foi de tristeza e sim de alegria por estar com você, por ter a mulher mais maravilhosa da minha vida ao meu lado.

— Henry…

— … Eu sabia que cedo ou tarde a gente teria algum destino, mas que nesse destino nós dois estaríamos juntos… E acho que era este.

— Assim como nos votos eu serei a tua namorada, a tua noiva e para sempre serei tua esposa.

— E eu serei teu namorado, o teu noivo e para sempre serei o teu marido.

— Até a morte!

— Até a morte!

Enquanto conversam um com o outro, o fogo já está mais próximo de seus pés.

— Engraçado, eu não estou mais com medo.

— Não tem porque ter medo, meu amor. Estamos juntos agora e estaremos juntos pra sempre.

— Eu te amo, Henry.

— Eu te amo, Claire.

Eles lentamente começam a se beijar, uma lágrima insiste em rolar no rosto de ambos, vemos pela janela do lado de fora a estupenda cena de ambos se beijando e vamos nos afastando ainda mais da janela e na medida que nos afastamos, o fogo sobe ainda mais e já não conseguimos ver mais nada, apenas chamas e cinzas… A chuva cessou justamente para este momento, parece que o destino sabia o tempo todo o que fazer.

Dizem que Deus escreve o certo por linhas tortas, eu discordo! As linhas são retas e nós a entortamos, desvirtuamos do caminho que leva à paz e optamos pelo caminho da destruição.

Henry e Claire optaram pelo caminho do amor, este caminho pode ser uma faca de dois gumes, depende muito do ponto de vista de quem segue. Mas o que para os nossos olhos seria mal, para eles foi a libertação, o fim das amarras da corte e da sociedade atual.

Um mundo longe das ideologias políticas e imposições monárquicas que nunca iremos entender e nem tente fazer isso. Cada um escolhe o seu caminho, cada um escolhe o destino que lhe corresponde.

Essa é a lei da vida, no final todos voltamos para o mesmo lugar.

Ainda não criaram uma forma de voltar à vida por um dia só pra você fazer tudo aquilo que queria ou que se arrepende.

O que você faria?

Queria ter esse dom?

Queria que alguém que você amava voltasse por um dia e pudesse dizer a ela tudo o que você sempre quis?

Seria mágico né? Mas a vida é diferente da ficção. Aqui podemos estalar os dedos e trazer todos os mortos à vida.

Aí vocês estão limitados à escolhas, então escolha bem.

Existem três coisas que não voltam mais: A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

Então aproveite o hoje e ame intensamente, seja gentil, seja humano, seja você.

 

 

                                                                 “… E eles se amaram eternamente.”

 

                                                                                          R.I.P  

                                                                                 Henry & Claire

                                                                                          2020

POSTADO POR

Melqui Rodrigues

Melqui Rodrigues

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  • Geeeeente???!!!!!! Que estreia foi essa!! Estou em choque, abismada, passada!!! Henry e Claire naaaaaaaaao!!!! 😢😢😢😢😢😢

  • O que dizer, né? Poético! As frases em negrito soaram tão impactantes que me fizeram refletir de uma forma única. A morte de Henry e Claire foram de um primor, de uma emoção, aaaaah! Eu amei demais s2 Parabéns, amigo s2 Aqui vemos nitidamente porque você é um dos melhores do MV.

  • Ohhhh my Good!
    “Dizem que Deus escreve o certo por linhas tortas, eu discordo! As linhas são retas e nós a entortamos, desvirtuamos do caminho que leva à paz e optamos pelo caminho da destruição.” Tocante! Parabéns pela estreia!

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