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Vale Dicere- Season 3- Capítulo 5: “Raiva e Barganha”

A tensão na ilha parece estar seguindo para um outro patamar.

— Eu estou falando pra vocês, eu vi uma pessoa lá embaixo. Não sei quem é, não consegui ver o rosto, apenas uma parte de suas mãos trêmulas e maltratadas.

Fionna argumenta.

— Mas isso é impossível! Ninguém pode sobreviver por tanto tempo num lugar como esses, apesar de eu não ter ido até lá, eu…

— … E nem queira ir, Fionna. Aquele lugar é terrível! Já fui ameaçada várias vezes de ir até lá.

— Acredito que eu sou o único que pode ir até aquele lugar e ver o que aconteceu.

Fionna concordando responde:

— Isso, Edward! Eu tenho certeza que apesar dos apesares, o Makoto não está mentindo. Leve-o de volta para o seu quarto, nós duas também voltaremos e você tente nos contactar.

— Farei isso. Ah e quero que peguem essas micro auscultas e escondam bem debaixo do cabelo de vocês, assim vamos poder nos comunicar mesmo estando distantes.

Ambas respondem:

— Ok.

— Bom, eu vou indo nessa.

— Edward, tome cuidado!

— Ora, ora, e não é que no fundo você se preocupa comigo, Fionna?

Já passa da 1 da manhã, os heróis ainda se encontram no hospital. May está ao telefone e após um tempo, finaliza a ligação.

— Ok, muito obrigada!

Ela desliga o telefone e vira de frente para os amigos novamente.

— Terei que pegar um voo de emergência ainda essa madrugada.

Lisa lamenta.

— Amiga, você realmente precisa ir? A gente precisa de você aqui.

— Eu sei, Lisa. Mas já tem tempo que essa minha amiga tá querendo falar comigo e eu sempre a ignorei pelo fato do que está acontecendo conosco.

— Meu amor, creio que o problema dela não seja maior que o nosso.

— Eu sei, Scott. Mas seria injusto eu negar uma ajuda, sei que vocês vão conseguir se virar sem mim durante esses dias.

O capitão Dan questiona.

— Pretende ficar quanto tempo fora?

— Uma semana no máximo, eu prometo.

Trevor vai até ela e a abraça.

— May, eu vou sentir muito tua falta.

— Não se preocupe, Trevor. Afinal de contas você tem o Brian pra te fazer companhia. Bom… General, precisarei voltar para a tua casa e arrumar minhas coisas.

— Claro, filha. Vamos agora mesmo, afinal de contas fomos advertidos de sair desse hospital o mais rápido possível.

— Muito obrigada, general!

E assim eles enfim saíram do hospital, mas outras ameaças estão surgindo no mundo, como eles vão lidar com toda essa situação?

OPENING:

 

 

Central da Ilha da Phoenix/Calabouço, 01:17.

Edward está descendo as escadas do calabouço vagarosamente com uma lanterna na mão, ele ficou completamente intrigado com a revelação de Makoto. Poderia realmente alguém viver naquele calabouço sem que ninguém soubesse? Ele entra no local e vai pisando com cuidado naquele chão frio e sujo.

Ele ilumina a entrada de algumas das celas, em especial aquela que Makoto estava preso. Nada! Nem um sinal, a não ser pelos ratos passando por ali.

— Droga! Eu não vejo nada, será que o velho não estava alucinando?

Ele ouve um barulho na porta e rapidamente desliga a lanterna e encosta em uma das paredes. Ele sussurra baixo.

— Droga! Droga! Droga!

É o Dr. Addan que está acima juntamente com Naraj.

— Espero que amanhã tenhamos mais sucesso em capturar essa garota.

— Não achou arriscado ter deixado o senhor Ishihida aqui preso? O senhor sabe, bom…

— … Claro que não, Naraj. Meu “cãozinho” não seria tão estúpido em querer aparecer para o senhor Makoto, logo pra um velho medíocre como ele.

— Além de mim, mais alguém sabe o que se esconde aqui embaixo?

— Claro, a Hilda e… Desconfio que a Ashley também saiba.

— A senhorita Ashley?

Edward encostado na parede do lado de baixo murmura.

— O quê? A Ashley?

O Dr. Addan responde a Naraj.

— Creio que a Hilda já deve ter contado pra ela em uma de suas crises de surto.

— A Ashley não seria capaz de abrir a boca, e mesmo que fosse, não teria provas, ninguém mais sabe do que há neste calabouço. Melhor ainda… Ninguém sabe o tipo de segredo que meu “cãozinho” de estimação carrega.

Edward está ficando cada vez mais nervoso ao ouvir todas aquelas palavras.

— Creio que é melhor retornarmos, Naraj. Pelo visto o Edward já tirou aquele velho ridículo daqui, de manhã farei uma visita pessoalmente a ele.

— E como vai ficar a questão da Fionna?

— Ela ainda vai ser útil para os meus planos. Precisamos ser pacientes.

— Admiro vossa força de vontade, doutor. Sempre tão otimista!

— Eu já venci essa guerra, Naraj. Agora é só reivindicar o que já é meu.

O Dr. Addan e Naraj se retiram. Edward fica por alguns segundos a mais ali embaixo com o coração na mão.

— Puta que pariu! O que esse cara tá tramando?

Algumas horas se passam, May está com as malas prontas pra pegar o primeiro voo disponível na madrugada. Scott, Lisa e Cristhian a acompanham até o aeroporto, os demais ficaram na casa do general.

— Gente, peço a todos vocês que se cuidem.

— Você também, amiga. Vou sentir saudades.

— Eu também, não se preocupem! Eu volto em uma semana.

— Meu amor, tome cuidado! E… Liga pra a gente quando chegar lá, e toma cuidado com esse vírus, pelo amor de Deus!

— Vocês também tomem cuidado. Amo vocês!

Ouve-se a chamada:

Atenção passageiros do voo 2746 com destino ao Brasil, embarque no portão 6. Repetindo, embarque no Portão 6.

— Bom, creio que chegou a minha hora. Tchau, gente! Tchau, Cristhian! Cuidem bem do Trevor.

— Se cuida, May!

— Até logo!

May se despede deles. Alguns minutos depois ela já está sentada nas poltronas do avião, e antes que o mesmo decole, ela decide fazer uma ligação.

No Brasil, uma bela moça de cabelos pretos e cacheados se encontra deitada na cama, seu celular toca e ela não hesita em atender.

— Alô?

— Karina, amiga. Eu já estou no avião, só liguei pra te avisar, espero que não tenha te acordado.

— Ai, graças a Deus, May! Achava que você não viria, estava justamente esperando notícias.

— Está tudo bem aí?

— Mais ou menos, quando você chegar aqui, eu conto tudo. Sei que você tá passando por uma barra pesada aí também.

— A gente tá cuidando disso. Agora eu preciso desligar, o avião vai decolar dentro de instantes.

— Tudo bem, amiga. Vou te buscar no aeroporto assim que você chegar. Beijos!

— Beijos!

May desliga a ligação, agora outros rumos estão começando a tomar forma, o que poderá acontecer?

Na Mansão Maximilion tudo o que sobrou agora foi a dor.

O General Maximilion se encontra em seu gabinete olhando suas medalhas, ele pega um retrato antigo onde está ele, Claire e Charlote. Ele acaricia o porta-retrato com carinho e senta na poltrona, quando menos se espera ele se debruça sobre a mesa e começa a chorar inconstantemente.

No quarto de Ellie, ela está mexendo no seu celular e vendo fotos de algumas missões que fazia com Marco. Ele sempre foi um grande companheiro de trabalho pra ela e é claro, um grande amigo.

— Marco, por que isso foi acontecer justo com você? Tanta gente cruel nesse mundo, mas…

— … Tenho certeza de que ele está muito melhor que nós agora.

— Hillary? Eu não vi você aí.

— Desculpa, eu ando sem sono. E agora que a May viajou, eu não tenho com quem conversar.

— Não sou a melhor companhia no momento, mas… Acho que estamos todos no mesmo barco.

— Você falando do Marco… Eu… Eu fiquei com tanto medo pelo Brian.

— Pelo Brian?

— Ele não fala mais comigo, Ellie. Antes mesmo do casamento real, ele não falava mais comigo e lá no palácio me bateu um medo muito grande. Um medo dele nos deixar sem ter me perdoado. Eu… Eu não ia conseguir carregar essa culpa, Ellie. Seria demais pra mim!

— Ei, ei, calma, querida! Calma! Isso só é sinal que você tem um coração bom.

— Não, eu sou uma pessoa terrível, eu afasto as pessoas da minha vida, esse é meu dom.

— Talvez você ainda não encontrou algo ou alguém com que possa despejar tudo o que você pode oferecer. Você não é uma pessoa ruim, Hillary. Passou por muita coisa também e veja! Você está viva! E está aqui com a gente agora.

— Eu… Eu não sei como te agradecer, Ellie.

Hillary abraça Ellie e as duas estão juntas vivenciando esse luto.

No quarto de Victor, este se encontra com dificuldades pra dormir, parece estar tendo um pesadelo, vira pra um lado e vira para o outro, começa a suar e de repente se levanta gritando e chorando muito.

Scott ouve os gritos e vai até ele rapidamente.

— Victor, Victor o que aconteceu?

— Eu não consigo! Eu não consigo! Tá tudo nebuloso, eu não consigo respirar, eu não consigo aceitar a ideia de que tudo isso esteja acontecendo, eu não consigo.

Na porta do quarto, aparecem Cristhian, Lisa e Dylan e ficam observando-os.

— Escuta, Victor. Você é um homem forte! Eu sei que você tá sofrendo, olha pra a gente, cara! Estamos aqui com você, nunca vamos te deixar nesse momento.

— Eu não consigo, Scott. Tá doendo! Tá doendo pra caralho!

— Eu sei que tá doendo! Sei que tá com raiva, angustiado, mas a culpa não foi tua! Tua mãe com certeza nunca se arrependeu de ter tido o filho que você é. Você é muito melhor que isso, Victor. A gente te ama, irmão.

Scott encosta sua testa na de Victor e ambos começam a chorar, os garotos ficam ali na porta do quarto testemunhando a cena e chorando, não se pode fazer nada nesse momento a não ser assistir.

Em outro canto, o capitão Dan está na sacada olhando para a lua com um copo de água nas mãos, ele começa a pensar alto.

— Que tipo de líder eu sou? Será que eu estou fazendo certo? Quanto mais eu tento ajeitar as coisas, mais eu vejo meus pupilos sofrerem. Eu espero que essa guerra acabe logo, eu não sei se vou conseguir manter essa postura por muito tempo.

Todos ali estão feridos, imagine ver as pessoas que você mais ama serem retiradas de você de uma maneira tão cruel?

No hospital, a rainha Elizabeth se encontra na maca tomando oxigênio, ela tenta abrir os olhos lentamente e lágrimas discretas insistem em rolar, não é fácil para uma líder como ela. Enfim… O luto nos obriga a tomar decisões e, na maioria delas, decisões fora do nosso âmbito convencional.

Uma lacuna foi imposta nas vidas deles e agora será difícil recuperar cada pedaço que se foi nessa batalha, imagine o que virá na guerra! Não restará pedra sob pedra.

Floresta da Ilha da Phoenix, 06:57 AM.

O vento sopra nas folhas de inverno e podemos ver que acabou de chover ali, em uma das folhas vemos uma gota caindo lentamente da mesma. Seu movimento lento e contínuo vai caindo até atingir um rosto.

Após sentir a gota que acaba de cair, as pálpebras da figura ainda fechadas começam a ficar incômodas e de repente seus olhos são completamente abertos seguido de um sussurro desesperado. A figura em questão é Emily, ela está meio desorientada após ter escapado da central e caído numa ribanceira.

Emily levanta do chão e começa a observar a floresta onde se encontra. Ela olha para o lado e para o outro, esfrega as mãos no cabelo e depois ouve um barulho peculiar nas folhagens fazendo com que ela ficasse em alerta. Emily fixa o olhar para um determinado ponto e percebe que há algo se aproximando dela.

A garota não hesita e começa a correr desesperadamente e enquanto corria, ela percebe que há “vultos” passando pelas folhas e também grunhidos vindo de todas as direções. Ela continua a correr até passar por uma planta cheia de espinhos e acaba se ferindo. Ela cautelosa para não se machucar ainda mais, consegue sair dos espinhos e mais uma vez escuta um barulho estranho como se algo estivesse a perseguindo.

Emily continua a correr pela densa floresta, ela com seus pés descalços acaba pisando em gravetos e pedras e sente um corte na sola do seu pé abrir.

— Aaaaaai!

Ela verifica o pé e percebe que ele tá sangrando, mas ela não poderia ficar ali por muito tempo, afinal de contas não sabemos o que é essa coisa que está perseguindo-a. Não se sabe se é animal ou humano, não se sabe se é perigoso ou não.

Mesmo ferida, Emily corre com os pés latejando de dor até encontrar uma imensa clareira onde uma cachoeira predomina o cenário valorizando a natureza daquele lugar, Emily vai para dentro do rio até achar uma pedra que fica bem no meio.

Ela vai nadando com dificuldade até chegar na pedra e sobe em cima dela, fica um pouco agachada, depois vai se levantando lentamente e pela sua expressão algo de muito errado já está ali. Ela observa o cenário em 360 graus e percebe que está cercada por alguma coisa, não, várias coisas! Ela olha para todos os lados aflita, sabendo que está encurralada.

— Não pode ser… São… São felinos!

Em uma visão panorâmica, vemos um grupo de feras sedentas de sangue aproximando-se do rio onde Emily está cercada, de onde surgiram essas criaturas?

— Papai, doutora, eu estou com medo!

Calma, não estamos falando de nenhum animal alterado geneticamente com o vírus. São felinos selvagens, habitantes daquela floresta na ilha, mas creio que isso não ajuda muito a Emily, afinal de contas ela não é capaz de controlar ninguém que não esteja infectado.

É tudo ou nada! Uma humana contra vários animais irracionais, qual será a saída?

— E agora? O que eu vou fazer?

As feras se aproximam cautelosamente, Emily percebe a enorme cachoeira atrás dela, possivelmente atrás dessa cachoeira existe uma gruta. Se ela nadasse até lá, talvez ia conseguir se proteger dos felinos já que eles no máximo só entrariam na parte calma do rio.

Emily fixa seu olhar novamente nas feras, se prepara pra agir, então ela pula para a parte de trás da pedra e tenta nadar até chegar na gruta. Os felinos avançam e pulam rio adentro dispostos a estraçalharem a garota.

Emily nervosa, tenta se segurar nas pedras pra subir na gruta e ficar escondida atrás da cachoeira, mas aquele local não era seguro, porque os felinos podem muito bem dar a volta ao rio e entrarem na gruta pela lateral. Ela está cercada! Não há como escapar numa eventualidade dessas.

Ela fica agachada no canto da gruta abraçando os joelhos temendo o pior.

— Por favor, Deus! Me ajuda!

Um dos felinos está prestes a entrar naquela gruta, será o fim?

Ouve-se um “piar” do lado de fora, os felinos ficam atônitos olhando para o céu procurando algo, Emily de lá de dentro percebe que alguma coisa chamou a atenção deles. Uma sombra enorme passa pelo rio, as feras ficam confusas sem saber o que está as cercando, a que estava mais próxima da cachoeira volta atrás e decide retornar à gruta, até que inesperadamente uma águia-real muito maior que o seu tamanho original aparece cravando suas presas na fera e com seu bico, faz um estrago na cabeça da mesma.

Emily ouve o barulho, mas não tem ideia do que está acontecendo, a ave sobrevoa o rio e mergulha em direção aos felinos. Ela começa a ataca-los um por um. Um deles tenta saltar para pegar a ave numa altura mais baixa, mas é impossível! Suas asas com mais de 1 metro e meio de envergadura expulsam a presença dos felinos os arremessando pra longe, mas ela é sagaz e vai retornando em cada uma delas pra finalizar o serviço.

Mais de 10 feras sendo derrotadas por uma única ave, imediatamente vemos todas elas ficarem sem forças e agonizarem no rio, uma verdadeira chacina selvagem aconteceu ali. Emily que até então só estava escondida na gruta atrás da cachoeira e não conseguia observar nada, ouve mais uma vez o “piar” da ave.

Emily sai lentamente abrindo passagem pela cachoeira e a águia se encontra sobrevoando no mesmo local observando a garota, ela pousa em uma rocha próxima à gruta e faz um sinal de reverência. Emily fica totalmente baqueada e não pode acreditar no que está acontecendo.

— Não pode ser possível. Você… Você é como eu!

 

 

 

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POSTADO POR

Melqui Rodrigues

Melqui Rodrigues

  • Cena do calabouço muito visível pra mim. Incrível como descreveu. E esse final me prendeu e me surpreendeu. Putz, fera demais!!!

  • My God, foi tirar o fôlego.
    Terça feira a nossa live vai bombar. Amigo, amei do começo ao fim.
    Primeira a adrenalina foi a mil com o Edward no calabouço e o medo do caramba de acharem ele, depois a May que infelizmente veio para o Brasil, depois as partes mais pesadas do capítulo com o choro do victor, o capitão desacreditado e a as lágrimas da rainha.
    Por fim, essa parte fodaaaaaaaaa da floresta. Mano, tudo foi muito visível na minha mente. Cada cena, cada detalhe, eu enxerguei como se fosse um filme mesmo, e um filme dos melhores que pode haver, diga-se de passagem.
    Simplesmente parabéns! Ansioso pelo próximo capítulo.

  • Estreia dia 19 de Outubro

    Estreia dia 20 de Outubro

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